Suplício
13 Fim de Jogo, Parte 2
Ainda segurando Laura pelo Braço, Guilhermina ligou para para Pedro e pediu que ele viesse o quanto antes para casa, pois havia ocorrido uma emergência.
— e o que vocês pretendem com isso? — perguntou Laura.
— você achou que ia me enganar por quanto tempo? — disparou Guilhermina – você agora vai descobrir o que acontece com quem me desafia.
— pelo amor de Deus sogrinha, eu só falei essas coisas porque eu estava sob a mira de um revólver, eu só falei o que ela queria ouvir porque eu achei que ela ia me matar!
— mas você não sabe mesmo perder né? — disse Sônia em um tom firme.
— mas o que está acontecendo aqui? — perguntou Pedro ao entrar e ver as três mulheres ali.
— pelo amor de Deus meu amor, é tudo mentira o que essas duas vão falar sobre mim! — disse Laura ao correr parar os braços do marido.
— mãe? — então ele olhou espantado para a outra mulher – Sônia, é você?
— olá Pedro – respondeu ela acenando com a cabeça em um movimento tímido.
— o que está acontecendo aqui? — voltou a perguntar Pedro, porém dessa vez dirigindo-se à Laura, que estava chorando desesperada.
— acontece que essa daí vem nos enganando a dez anos meu filho, essa safada acabou de deixar claro que não te ama e que está com você só por dinheiro.
— isso é tudo mentira Pedro, a sua mãe decidiu que me odeia e foi atrás dessa traficante presidiária pra me separar de você Pedro – ela colocou as mãos sobre o rosto de Pedro e puxou sua cabeça em sua direção – é tudo mentira Pedro, eu te amo, você sabe, eu sempre te amei!
— acontece que essa canalha armou pra Sônia ser presa naquele dia no aeroporto, ela subornou a funcionária que fez a revista para que implantasse as drogas e o dinheiro na bolsa as Sônia e fez ele ser presa e pior, ela armou um atentado que ateou fogo na casa onde Sônia morava agora e provocou a morte de uma pessoa – ela virou-se para Sônia – mostre as fotos, mostra pra ele as fotos.
Sônia foi até o bar de canto onde havia deixado a sua bolsa e colocou sua arma e pegou o envelope com as fotos e levou até Pedro.
— Pedro, se você olhar isso daí está tudo acabado entre nós – disse Laura.
— o que tem aqui? — pergunto ele para Sônia.
— as fotos da sua mulher chegando ao motel com o amante dela – disse Guilhermina.
Pedro olhou para a cara de Laura e então abriu o envelope, tirou as fotos e olhou-as uma por uma, então ele olhou para Laura.
— o que é isso aqui? — ela disse para Laura.
— isso é montagem, a ex presidiária foi quem fez isso daí, ela convenceu a sua mãe a me derrubar com isso daí, olha pra essas fotos, dá pra ver de longe que essa porcaria é montagem – gritou Laura.
— mas não tinha sido a minha mãe que tinha ido atrás dela, agora já foi a Sônia que foi atrás da minha mãe? — Pedro mantinha seu tom de voz calmo – você precisa se decidir qual história vai me contar.
— a quinze minutos atrás eu estava sob a mira do revólver de uma ex-presidiária enquanto fui ameaçada de morte pela sua mãe, é óbvio que eu estou nervosa e vou me perder nas palavras Pedro, mas você me conhece, você está do meu lado a quantos anos? Se eu fosse uma crápula dessas você não teria notado?
— pegue as suas coisas e saia daqui, amanhã mesmo eu peço pros meus advogados verem a papelada do divórcio – disse Pedro calmamente.
— Pedro, pelo amor de Deus, não faça isso comigo, eu te amei todos esses anos, nós estamos casados e preciso – então a fala de Laura foi interrompida por Pedro.
— mas eu nunca te amei. Eu fiquei com você por prêmio de consolação Laura, eu fiquei com você por pressão da minha mãe e porque você não saia do meu pé. Casei-me com você para poder ter paz – disse Pedro, e nesse momento a expressão de Laura foi tomada por um ódio completo.
— então agora vai me jogar fora seu filho da puta? Diz na minha cara que não me ama e vai dar todo esse chilique e pedir divórcio? É tão simples e muito mais barato se continuarmos com essa farsa!
— você vai sair dessa casa viva ou morta Laura, você tem duas opções, ou sai daqui andando ou eu mando a segurança de jogar numa vala sua cretina – ordenou Guilhermina.
— eu mantive essa família unida todos esses anos, se não fosse eu o teu filho teria corrido atrás dela – gritou Laura para Guilhermina enquanto apontava para Sônia, então ela se virou para Pedro – e eu te fiz feliz todos esses anos e você sabe disse, pode falar tudo o que quiser de mim, menos que não eu não fui uma boa esposa e agora você vai me jogar fora? Então vai, mostra que grande exemplo de homem você é.
Guilhermina então foi em direção a Laura e pegou pelo braço.
— eu mesma quero ter o prazer de jogar essa cadela na rua.
Guilhermina começou a carregar Laura e quando estavam chegando na porta, Laura soltou seu braço.
— você não é tudo isso que você pensa sua velha desgraçada, você não é a dona do mundo não.
Guilhermina deu um tapa na cara de Laura e a pegou pelo braço novamente.
— você cala essa sua boca, eu não sou dona do mundo, mas na minha casa quem manda sou eu.
Laura foi arrastada por Guilhermina até a calçada onde ela foi jogada, então ela caiu na calçada e Guilhermina apertou o botão para que ele fechasse. Quando o portão terminou de fechar, Laura levantou-se e segurou as grades.
— eu preciso pegar a minha bolsa, eu não tenho nem pra onde ir, você não pode me deixar aqui jogada no chão desse jeito.
— vá arrumar outro homem pra dar um golpe sua imunda, afinal, não é disso que você vive? Quanto as tuas tralhas, amanhã eu mando alguém da equipe responsável pelo lixo levar até você — Guilhermina virou-se e começou a andar em direção a casa, deixando Laura ali.
— vocês vão me pagar, todos vocês vão ver do que eu sou capaz! — gritou Laura.
Dentro da sala de estar, Pedro aproximou-se de Sônia.
— existe algo nesse mundo que eu possa fazer para você entender o meu arrependimento?
— não existe mais nenhum sentimento dentro de mim, a única coisa que me importa agora é fazer justiça e tirar a minha filha daquela cama de hospital – disse Sônia, seca.
Na hora em que Pedro ia responder algo, Guilhermina entrou na sala.
— eu vou tratar de meter essa imunda na cadeia, e já sei até o que eu vou fazer – esbravejou, então ela notou o climão que havia ali – estou interrompendo alguma coisa?
— não, eu já estou de saída. Você me dá uma carona? — disse Sônia para Guilhermina.
— bom mesmo, preciso falar com você – disse Guilhermina.
Sônia foi em direção a porta e não se despediu de Pedro. Havia muitos ressentimentos entre os dois e Sônia não queria responder para não precisar pensar nisso. Sônia realmente achava que a dor e o ódio que sentia em relação a Laura havia matado tudo o que existia de bom dentro dela.
As duas estavam no carro e estavam mudas, então Guilhermina resolveu quebrar o silêncio.
— finalmente nos livramos dessa safada, eu não consigo acreditar em como ela conseguiu me enganar por tanto tempo.
— mas não acabou, ela vai voltar para se vingar – respondeu Sônia.
— não, ela é uma psicopata, ela agora vai atrás de outra vítima.
— não, muito pelo contrário, Laura é extremamente passional, ela vai querer vingar-se sim, é por isso que eu não vou mais desgrudar da minha filha agora, eu tenho certeza que ela vai querer fazer algo com a minha filha pra me atingir.
— você acha mesmo? — Guilhermina colocou-se a pensar.
— sim, e é por isso que eu queria falar com você, eu ainda preciso da tua ajuda.
— sou toda ouvidos...
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