Suplica de Amor
1 Capítulo 1
Não queria levantar da cama. Eram sete e quinze da manhã e o sol já estava batendo contra a janela. Só não em meu rosto pelas grossas cortinas escuras que iam do teto ao chão. Nu, puxei o cobertor contra a cintura e o prendi rodeando o quadril. Coçando os olhos e bocejando consegui chegar até o banheiro e entrar debaixo do chuveiro. Gelado. Esqueceram de pagar a conta novamente.
Ainda pingando, saí do banheiro indo em direção ao quarto me trocar. Estava atrasado, já era sete e cinquenta! Pus o primeiro terno que vi, uma camisa branca amassada por dentro de uma calça social marrom claro. O terno, a mesma cor. A gravata mal feita preta e calçando os sapatos com meias de coloração diferente. Joguei os cabelos lisos e repicados ligeiramente molhados para trás. Furtei minha própria pasta e o molho de chaves, trancando a porta do apartamento e indo para a garagem.
Não sei como ainda me deixavam trabalhar na corporação Takashima's corporation actions. O maior prédio com maiores lucros de vendas de ações e viagens para o exterior já vistos no Japão. Eu, apenas tiro Xerox, faço café, e atendo os pedidos dos chefes de meia patente. E claro, correspondo a todos os pedidos do Dono da empresa, Takashima Kouyou. Herdeiro da grande fortuna deixada por seu pai. Todos dizem que ele matou o velho para ficar com tudo sem precisar dividir com os familiares e rasurou o testamento para que tudo ficasse para ele e para sua mãe, que faleceu recentemente.
Estacionei o carro no mesmo lugar de sempre. Pagaria o mesmo preço no estacionamento todos os dias, já que sempre utilizei dos serviços deles. O que me saía mais barato e mais em conta, já que o meu salário não durava nada. Apesar de morar com Yuu, e dividir as despesas, ele sempre consegue gastar mais com ele mesmo do que ajudando em sua própria casa.
Adentrei o prédio, vinte e nove andares, todos eles com quatro ou cinco salas grandes o suficiente. Todos bem equipados com as melhores coisas que pode-se querer da tecnologia. Dois elevadores de cada lado. Praça de alimentação e jardim para o lazer dos funcionários. Depois do bom dia as secretárias do primeiro andar, fui ao elevador buscando em meio a tantos botões de T a 29 o correspondente para o 7. Aguardei junto de algumas pessoas que, desceram metade entre o terceiro andar e o sétimo junto comigo. Havia uma sala somente minha, onde eu pudesse trabalhar a favor de outras pessoas.
Assim que joguei minha pasta em cima da mesa feita de vidro transparente, sentei-me na cadeira confortável o suficiente. Abri o note boock, já pegando as fichas de analise e atendendo o primeiro telefonema do dia.
-Pois não? -Respondi animado.
-Senhor Yutaka Uke, suba para o meu escritório, sim?
Como recusar tal pedido? Deixei meu serviço de lado, ajeitando meu terno e correndo para o elevador. Tomei um copo de água antes, para molhar a garganta seca. Não adiantou muito. Esperei ansioso para que pudesse chegar logo no ultimo andar. Onde ficava o escritório de Takashima. A vontade era grande, nem a música irritante do grande metálico iria me fazer suprir a felicidade de poder ouvir a voz dele pelo telefone, me chamando.
Não demorou que do sétimo eu parasse no vigésimo nono andar. Saí assim que as portas de metal abriram. O diferente daquele andar, era que, o elevador parava defronte a porta do escritório dele. Apenas deixando um lobby pequeno, um quadrado curto para que pudesse haver espaço entre o elevador e a porta. Parei diante dali, sentindo o coração bater mais rápido. Toquei três vezes na porta de madeira clara. Ouvi a voz dele me chamar.
Adentrei a sala do chefe, mas antes que pudesse bate-la delicadamente para que não houvesse barulho, me vi entre o corpo dele e a madeira marfim. Estava tão perto, tão palpitante, podia sentir a respiração dele tocar a mim. Seu rosto aproximou o suficiente, apenas fitei seus lábios levemente carnudos e bem desenhados, sorrindo malicioso para mim. Eles atacaram os meus em questão de segundos e demorei para cogitar a ideia. Mas acabei retribuindo o beijo dele e envolvi seu pescoço com meus braços. Ele agarrou minha cintura e me guiou até o sofá. Jogou meu corpo contra o estofado e deixou de lado meus lábios. Tomou em mordidas e lambidas meu pescoço. Enquanto desfazia o nó da gravata e retirava meu paletó com força. Meus dedos apenas seguiam o mesmo caminho.
Antes que eu pudesse retirar o paleto azul marinho dele, já havia eu, perdido a gravata, o paletó e a camisa. Seus lábios quentes e molhados tocavam um de meus mamilos, fazendo meus lábios tremerem e os gemidos baixos saírem constantemente. Ele, como bom chefe, também sabia ser um bom de tudo, tocava meu membro por dentro da calça ocupando o mesmo espaço dentro da cueca. Meus olhos reviraram e os dedos prenderam em seus cabelos castanhos levemente loiros.
Já estava para gritar seu nome, e implorar para que terminasse logo com aquilo e pudesse me ter de uma vez. O acaso foi que, bateram na porta. Olhei assustado para ele procurando conforto em seus olhos. E ali encontrei o refugio. Beijou-se os lábios com carinho e sussurrou em meu ouvido – Se veste, depois terminamos nossa brincadeira — .
Bufei desapontado, colocando a camisa para dentro da calça e apertando o cinto. Deixei o paletó sob os braços e a gravata frouxa. Dois botões abertos, por descuido. As mangas bagunçadas. Ele foi abrir a porta. Como conseguia manter-se impecável daquela forma?
-Ah ! Uruha ! Que saudade ! — Ouvi a voz dele soar.
Ouvi um estalo, dois, três. A boca dele tocava a de Yune, o noivo do Uru. Era desconfortável demais para mim. Porém, já que estava ali, teria de ficar mais um pouco. O problema em questão era que, Yune me odiava, o motivo? Não faço ideia, meu caso com o amado dele era tão sigiloso quanto. Ele não me cumprimentou, e jogou-se na cadeira do castanho.
-Amor, já planejei tudo! Vamos fazer uma viagem para Las Vegas! E depois para o Havaí. O que acha?
-Tenho de trabalhar para pagar tudo isso, você consome demais, Yune.
-Bem, depois eu volto para discutir os preços, senhor Takashima. Com licença.
E foi só. Sai as pressas de seu escritório, atropelando-me e caindo dentro do elevador. Assim que voltei para minha sala, atendi os telefonemas e foi na sala ao lado, era a cozinha. Preparei o café como todos gostavam, com bastante açúcar. Enchi cinco copos de isopor com o simbolo da empresa. Júpiter e em cima o nome da corporação. Entreguei em sete salas diferentes, tirei algumas Xérox e voltei ao meu escritório.
Trabalhei de muito mau humor. Sabia que era errado o que fazíamos, e que não pudia ficar daquela forma. O errado era eu. Mas Uruha me prometeu! Não iria se casar com aquele ser de outro espaço! Que terminaria com ele e ficaria comigo. Podia eu estar querendo demais e acreditar demais nele. Teria de tomar providencias. Mas o restante do dia, foi somente pensando em como parar de amar, aquele que ocupava meu coração por inteiro.
* * *
O horário de trabalho terminava as nove. Trabalhava muito, pra um salário que não era o que valia tanto. Fechei os aplicativos no computador portátil, coloquei alguns papeis em minha pasta e vesti o paletó marrom. Levantei da cadeira destinado a somente uma coisa: Terminar de vez meu caso com ele. O que seria extremamente difícil.
Enchi o peito de ar e soltei lentamente. Tranquei a porta de meu escritório assim que apaguei as luzes. Peguei o elevador e fui até o ultimo andar. Seria em breve, e começava a planejar as palavras que iria dizer e como iria dita-las. Calmo, severo, frio? Terminei de raciocinar assim que o levador deu-me passagem.
Ficou fácil de repente. A cena posta a minha frente era o suficiente. Dei um passo a frente para poder sair do elevador. Esperei pacientemente que, eles terminassem seus beijos e agarrações. Não deveriam ter deixado a porta aberta. Assim que terminaram, pude ouvir claramente como um som alto e pesado.
-Nos casaremos em breve, Yune. Seremos somente eu, e você.
Os olhos, encheram-se d'água. As lágrimas caíam sob meu rosto sem preocupações. Sequei-as rapidamente. Ódio, dor, tristeza. Era somente isso que eu podia expor a mim mesmo no momento. Kouyou olhou para mim, sorrindo, percebeu que eu tinha de falar somente com ele. Despediu-se de seu amado noivo que, passou por mim esbarrando-se com força.
-Vai mesmo se casar com ele, Uru? — Tremia. Tudo tremia, a voz, o corpo, o coração.
-Olha Kai...
-Acabou.. Eu não quero mais fazer parte disso. Fique com ele ou comigo! Ah, mesmo eu já sabendo que irá ficar com ele.. Mais bonito, mais encorpado, rico...
Parei de falar obrigatoriamente. Ele beijou meus lábios. Queria retribui-lo, beija-lo, toca-lo. Não fiz, deixei que a dor, o ódio fosse mais forte que o amor. O empurrei e limpei os lábios. Dei as costas para ele e, fui para casa.
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