— qual é a jogada? — perguntou Sônia. Ela nem conseguia prestar muita atenção em Laura, pois ela estava fazendo muita força pra se controlar e não atacar Laura.
— simples, eu não quero você perto da minha família, eu quero que você vá pra longe.
— você realmente acha que depois de destruir completamente a minha vida e voltar aqui com essa sua cara deslavada e achar que pode me comprar com esse dinheiro maldito que foi o motivo pelo qual você me destruiu?
— todo mundo tem um valor, é só você me dizer o seu.
— só se for de gente da tua laia que todo mundo tem valor. De onde eu vim, mas pessoas não se vendem!
— você veio de uma vala de esgoto a céu aberto minha querida, o lugar onde as pessoas mais se vendem – Laura então mudou o tom de deboche para um tom de ameaça – você vai aceitar a minha proposta ou eu vou tomar medidas mais drásticas, e você sabe do que eu sou capaz de fazer.
— não, você é quem vai calar essa tua boca imunda e sumir da minha frente ou eu vou te pegar pelos cabelos e vou te mostrar a vala, e pensa bem no que você vai me dizer, porque dependendo da tua resposta você sai daqui direto pro hospital – Sônia agora estava transtornada.
— bom, então já tenho sua resposta – ela colocou seu óculos escuros – então vou ter que agir – então ela se virou e saiu.
Sônia foi correndo atrás de Laura, a pegou pelos cabelos e começou a esbofeteá-la, então ela começou a esfregar a cara de Laura no chão e os demais vendedores das lojas começaram a gritar e bater palmas, mas então o devaneio de Sônia acabou quando um cliente entrou na loja e ela saiu de seu delírio. Ela queria muito espancar Laura, porém sabia que agora não era a hora, então ela foi atender a cliente.
No final da tarde, Sônia foi para casa e estava preocupada com as ameaças de Laura, pois ela já tinha sido vítima das armações de Laura, então ela contou tudo para Sheila.

***

— alô? — disse Raquel, porém ela não conseguia entender o que Lívia estava dizendo, pois ela estava chorando muito – Lívia, o que foi, o que está acontecendo?
— eu estou indo pra tua casa – então Lívia desligou o telefone.
Raquel ficou aflita. Será que aconteceu alguma coisa na empresa para que Lívia estivesse daquele jeito? Será que ela havia sido demitida? Não, mas isso teria corrido, os boatos teriam rolado na empresa, então ela ficou todo o tempo em que esperava por Lívia pensando, por que motivo Lívia estava aos prantos? Então, o interfone tocou, era o porteiro anunciando que Lívia havia chegado.
— o que houve? — perguntou Raquel ao abrir a porta se deparar com uma Lívia aos prantos e com a maquiagem toda borrada.
— ele terminou comigo, o Marcos terminou comigo – disse Lívia e abraçou Raquel.
As duas foram até o sofá.
— mas ele disse o porque?
— não, eu cheguei em casa hoje e ele tinha arrumado a mala e simplesmente me disse que estava saindo de casa – ela então secou as lágrimas do rosto e mudou completamente a sua expressão de dor para ódio – eu sei que ele tem outra.
— ele falou alguma coisa? — Raquel agora estava assustada.
— não, eu perguntei mas ele negou, mas eu sei que ele tem outra, eu sei, é o único motivo por ele ter me deixado, mas eu vou descobrir, eu vou descobrir quem é essa vadia e vou atear fogo nela viva – disse Lívia secando o rosto com as mãos.
— a Lívia, não sei, digamos que ele tenha outra, ele tem compromisso com você e não a mulher, tem que cobrar dele.
— mas e se for alguma amiga minha? — rebateu Lívia, seca – e se for alguma amiga minha? Se for uma completa estranha eu até posso culpar apenas ele, mas e se for alguma amiga minha Raquel? Que tipo de pessoa faria isso com a própria amiga? — então ela abraçou Raquel – ainda bem que eu tenho você nesse mundo em que eu posso confiar amiga. Me ajuda a descobrir o que houve. Você poderia falar com ele, eu acho que com você ele se abriria, talvez alguma coisa que ele esteja com vergonha de falar pra mim, mas com outra pessoa ele falaria.
— eu acho que não Lívia, eu acho que ele não falaria pra ninguém.
— o que você faria no meu lugar Raquel?
— nada, eu ia esperar para ver no que vai dar.
— a não, não mesmo, essa sua mania de evitar conflitos pra mim não serve. Eu vou descobrir nem que seja a última coisa que eu faça.
As duas ficaram ali conversando ainda por horas, Raquel estava tão mal quanto Lívia, pois ela realmente não queria ferir a amiga e Lívia estava tão centrada em seu problema que nem notou o quão aflita a amiga estava.

***

Já passava da meia-noite. A rua onde Sônia e Sheila moravam estava silenciosa como de costume e estavam as duas deitadas. Sheila já estava dormindo, porém Sônia havia se revirado na cama a noite a não conseguia dormir, então ela decidiu ira até a cozinha. Ela pegou água na geladeira e então olhou pela janela que havia em cima da pia e notou algo inusitado. Havia do outro lado da rua um carro preto que nunca havia ficado ali antes, porém ela não deu muito bola, deveria ser de algum vizinho. Ela foi até a sala, sentou-se no sofá e ligou a TV. Alguns minutos depois, ela se ajeitou no sofá e adormeceu.
Sônia acordou assustada. Havia alguém com a mão em sua boca impedindo que ela falasse, ela então despertou e viu que era Sheila.
— tem alguém dentro de casa, invadiu pela porta dos fundos – cochichou Sheila. Sônia então notou que Sheila estava com uma das mãos na boca de Sônia e na outra ela tinha uma arma – cadê a arma que eu te dei? — então ela tirou a mãos da boca de Sônia.
— está na minha bolsa que eu esqueci na loja. Onde ele está? — cochichou Sônia olhando ao redor.
— eu não sei, estava lá na área de serviço. Vamos até o seu quarto sair pela janela.
As duas levantaram-se e moveram-se cuidadosamente até o quarto de Sônia, porém quando chegaram ao corredor, um vulto preto surgiu atrás delas e então Sheila reagiu.
— via pro inferno filho da mãe – ela atirou duas vezes contra o vulto, fazendo-o correr para fugir.
As duas conseguiram chegar no quarto de Sônia.
— vamos sair por aquela janela ali – disse Sheila apontando.
Sônia foi até ela quando começaram a ouvir barulhos de alguém tentando arrombar a porta, então Sônia pulou e virou-se para ajudar Sheila a pular, então alguém surgiu atrás de Sônia, pelo lado de fora da casa e acertou-a na cabeça fazendo com que ela caísse desmaiada no chão.
Do outro lado da cidade, Laura acordou e pegou o telefone que estava tocando e no identificador de chamadas aparecia apenas “número desconhecido”.
— trabalho feito. Vamos até o fim? — perguntou a voz do outro lado.
— exatamente como combinamos – disse Laura, então ela desligou o telefone e foi voltou a deitar-se ao lado de Pedro.
Quando Sônia acordou, ela estava ao lado do corpo sem vida de Sheila e a casa estava toda em chamas.