Supernova e a Tripulação Renegada

1 Capítulo 1 - O Porto de Novely


A torrada cai de minha mão e, por puro azar, ela cai com a parte em que havia manteiga virada para baixo, eliminando todas as chances de comê-la. A angústia toma conta do meu corpo, pois demorei alguns minutos preparando-a e agora ela se encontra despedaçada no chão. Recomeço o processo em outra torrada e coloco-a em um prato que estava no centro da mesa. Vou até o fogão e retiro o bule com o café. Despejo o conteúdo em duas xícaras: uma para mim e outra para meu tio que ainda está dormindo. Me levanto e vou até o seu quarto. Pego uma vassoura na cozinha e cutuco levemente sua cabeça com o cabo. Ele resmunga algo do tipo: "Não, volte!" e "Me abrace" e envolve o seu corpo com os seus braços. Eu expiro e bato com mais força em sua cabeça, o fazendo acordar assustado, com a mão na têmpora direita e gemendo de dor.

– Não poderia, simplesmente, dizer um "bom dia"? — Ele estende os braços, boceja e me lança um olhar reclamante e sonolento.

– Isso — Jogo a vassoura e seu colo — é muita mordomia. Mas, está bem, bom dia.

– Bem melhor– Ele se levanta e sorri, me fazendo retribuir um sorriso.

Eu não sou rude. Eu tenho de fazer isso, porque meu tio é acostumado a acordar às 11:00 da manhã. Mas hoje é sábado, então, como sempre, eu o acordo às 7:30. E isso também é uma tradição de família.

Volto à cozinha e sento-me perto da janela. Pego a torrada que eu havia deixado ali e a minha xícara de café. Aprecio a paisagem pela janela. Avisto a pequena e neblinosa cidade de Novely, já desperta pelo Sol e pelos pássaros que cantam vivamente. Os homens saem para seus devidos trabalhos, enquanto as donas de casa varrem o quintal, lavam e estendem as roupas, aproveitando a brisa matinal. As crianças caminham brandamente pelas ruas, indo em direção à escola.

– É lindo, não? — Ele coloca sua mão esquerda em meu ombro, enquanto bebia o seu café. — Pena que daqui a alguns anos não será mais assim. As pessoas sempre prejudicam lugares como este. Podemos dizer que faremos o certo, mas acabamos agindo com destruição.

– Talvez, continue assim — Me levanto e bebo o último gole de café da xícara. — Dizemos que nós, seres humanos, somos idiotas. Mas muitos fazem dessa cidade um bom lugar para viver. Não somos tão prejudiciais quanto nós pensamos. Se pensarmos corretamente e com o coração, nós podemos manter esta cidade deste jeito. Ou até melhor. Não tente prever o futuro, Tio Shane — Recolho a xícara e o prato que meu tio usava. Vou até a pia e começo a lavar a louça, mas sou interrompido por ele.

– Deixe que eu limpo — Ele boceja mais uma vez e pisca fortemente os olhos, para mantê-los abertos. — Vá tomar banho e se arrume, já vamos ao Porto de Novely.

– Está bem — Vou até o banheiro. — Mas lave bem as xícaras. — Ele dá algumas risadas que ecoam por toda a casa.

Tiro minha roupa, entro no box e fico de baixo da ducha. A água cai quente e rapidamente embaça os vidros. Dou alguns comandos de voz para que a temperatura mude para fria e logo a água fica gelada e refrescante.

Termino o meu banho, escovo os meus dentes e visto minha roupa. Saio do banheiro e volto mais uma vez para a cozinha. Encontro Shane cantando algumas canções de sua época de navegante, enquanto ele tirava as migalhas de pão da mesa. Ele termina de ajeitá-la, pega suas roupas limpas no quarto e entra no banheiro. Pego uma cadeira e a coloco na sacada, perto da sala de estar. Me sento e fico observando as gaivotas e seus ninhos em um grande rochedo. Cada uma possui uma gaivota cuidando dos filhotes. Até que me deparo com uma que tem apenas um filhote solitário, sem nenhum responsável pelo seu cuidado. O ninho se encontra longe dos outros, escondido atrás de um arbusto. Até que uma gaivota pousa perto. Ela olha para os lados como se procurasse os pais que abandonaram-no. Vendo que não havia ninguém cuidando do ninho, ele se senta ao lado dele, o vigiando e protegendo de qualquer outro animal que quisesse se aproximar. Essa cena me faz lembrar de minha mãe. Ela me deixou durante uma horrível guerra, quando eu tinha 4 anos. Eu não me lembro de sua aparência. A única lembrança que eu tenho dela é a sua doce voz me dizendo: "Tenha coragem, meu pequeno navegante. Onde quer que eu esteja, ainda estarei com você, no seu coração. Eu sempre te amarei." Ela me trouxe para a casa de meu Tio Shane e desapareceu. Quando eu havia completado 9 anos de idade, eu perguntei a ele onde ela estava. Ele não sabia responder onde ela estava, nem porque ela foi embora. Ele apenas me dizia que ela iria voltar, mas eu sabia que era mentira. Em meu aniversário, eu fazia o mesmo pedido todos os anos: de que minha mãe estivesse sã e salva, para que algum dia ela voltasse. Mas à noite, quando ia dormir, eu me conformava de que isso era impossível. Eu continuei com esse mesmo pedido até os 12 anos. depois disso eu nunca mais pedi, pois eu já estava acomodado a ideia de que ela nunca voltaria.

De repente, sinto algo tocar meu ombro. Olho para o lado e vejo meu tio, abaixado, com a mão esquerda em meu ombro.

– Vamos — Ele se levanta e eu o sigo até a porta de entrada.

Descemos a íngreme encosta da montanha e chegamos a uma das pequenas vilas de Novely. São 23 vilas ao todo, cercando a cidade em um formato de U até o mar. No centro ficam os comércios de alimentos e coisas perdidas no Universo, que geralmente são muito úteis. Mas o nosso objetivo não é o centro comercial, e sim, o Porto de Novely. Muitas pessoas podem achar que é um lugar nada interessante, por haver apenas alguns barcos e navios. E isso é o que me interessa. Toda minha família, até mesmo minha Tia Candillia — esposa de meu Tio Shane que aparentava ser muito sensível — navegaram em grandes embarcações. Meu pai, Landel McFallows, foi um tripulante da grande Armada Universal Hoove, que conseguiu atravessar mais de 34 supernovas e travou uma batalha contra o imane Nigrius, o buraco negro que assola os navegantes espaciais por mais 450 anos. Meu tio Shane navegava em um barco chamado Atlantis. Não era muito famoso, nem muito grande, mas marcou a história dos navegantes espaciais, por ser o primeiro barco a guardar a energia inteira de uma supernova, a famosa fonte de energia estelar. Eles conseguiram atravessá-la e capturar todas as ondas de energia das explosões emitidas por ela. E após 20 anos, modelos do gerador central de energia do barco Atlantis — que anos depois foi modificado para guardar energia de 3 supernovas inteiras — continua sendo usada pelas melhores embarcações, por ser muito muito resistente e forte, o que torna o seu preço muito caro. Esses são alguns que conseguiram ingressar em pelo menos uma embarcação. A partir do meu avô até os seus descendentes atuais, fizeram parte de uma tripulação espacial. E eu quero fazer parte desse grupo de navegantes universais da minha família. Eu cresci nesse meio, ouvindo as loucas histórias de meu tio sobre grandes monstros e fenômenos espaciais, sem esquecer é claro dos casos amorosos vivenciados por ele, a última sendo minha tia.

Chegamos a uma praça, no centro de um pequeno vilarejo, onde havia alguns vendedores. Nós caminhamos entre as suas barracas e observamos os produtos que eles ofereciam. A maioria delas possuíam galinhas, coelhos, peixes e vegetais. Meu tio se dirige à uma barraca e seu rosto estranha algo. Ele diz algo e sorri. O dono da barraca saiu de trás da mesa de vendas e abraçou ele. Observo a cena de longe e a curiosidade me faz ir até eles descobrir o motivo do amplexo. Meu tio me olha andando em direção a eles e me apresenta o indivíduo.

– James, — Ele coloca sua mão no ombro esquerdo do homem — esse é Roodie Sanderis, um antigo tripulante de Atlantis.

– Prazer — Cumprimento-o e ele aperta a minha mão muita força, fazendo meus dedos estalarem, todos de uma vez. — Você parece ser bem mais jovem que meu tio. — Shane me lança um olhar fulminante, fazendo Roodie rir.

– Eu entrei na tripulação com 18 anos. Seu tio já era veterano com admiráveis 25 anos. — Ele bate levemente nas costas de meu tio.

– É — Ele se vira para Roodie — nós vivemos muitas aventuras e enrascadas naquele tempo.

– Eram bons momentos — Ele diz em um tom nostálgico.

– Sim, eram mesmo. — Ele retribui a batida nas costas.

– Tio, — Estalo os dedos, fazendo ambos retornarem a realidade — Temos de ir ao porto.

– Ah...Sim, sim — Ele olhou ao redor — Temos de ir.

– Antes de irem, — Roodie pega um saco de peixes extremamente fedorentos. — Peguem isso para vocês — ele nos dá o saco e limpa as mãos na blusa branca encardida.

– Muito obrigado Roodie. — Meu tio o cumprimenta e eu faço o mesmo.

– Ah, eu já ia me esquecendo — Nós paramos e ele se aproxima. — A Marinha Espacial construiu um novo barco, chamado Supernova e eles estão recrutando novos tripulantes — ele se vira para mim. — Quantos anos você tem, James?

– 18 anos. — Minha resposta soa neutro.

– Perfeito — Ele sorri para mim e coloca a mão em meu ombro direito. — Sua idade está na média para ser um navegante. Se você quiser, é claro.

– Sim! — Sorrio para Roodie por receber a notícia.

– Então, meu jovem — Vejo sua alegria, não sei o porquê dela, mas percebo. — Você deve ir ao porto de Insignus, amanhã sem atraso. O teste será feito no novo barco. Se prepare!

– Está bem — Me entusiasmo — Vou estar lá. Sem atraso.

– Muito bom, — Ele se vira para meu Tio Shane — Ele possui a determinação perfeita para um navegante. Ele me lembra bastante você.

Ficamos em silêncio e meu tio o quebra.

– Temos de ir — Ele se dirige a Roodie e lhe dá mais um abraço. — Foi bom te ver novamente.

– Também foi para mim. — Ele dá dois tapinhas em suas costas e ambos apertam as mãos. — E boa sorte, meu jovem. — Ele segura fortemente meu ombro e sorri.

Nós caminhamos até o final do corredor feito pelas barracas e avistamos o centro comercial de Novely.

Nós caminhamos até o final do vilarejo e chegamos a ponte da fenda de Dandero. Estava meio desgastada por conta das chuvas, mas ainda estava firme em seu lugar. Nós subimos os degraus e seguimos por ela. Ouço a madeira ranger embaixo de meus pés. Eu estava errado. Uma rachadura surge sob meus pés e a madeira em que eu estava em cima, parte ao meio. Imediatamente caio pelo buraco e me dependuro às partes da tábua quebrada que ficaram. Shane corre até o buraco e me estende a mão. Agarro-a e ele me puxa rapidamente para cima.

– Você está bem? — Ele me pergunta, nervoso. É claro que eu não estou bem, mas para acalmá-lo eu digo que sim com a cabeça.

Olho pelo buraco e vejo a imane profundidade da fenda. Se eu tivesse caído ali, tenho muita certeza de que eu não sobreviveria. Desde o momento em que eu estava pendurado até agora, eu não ouvi um ruído sequer das partes quebradas da tábua colidirem com o chão. Se é que havia chão.

Eu me recuperei do pânico e continuei a caminhar pela ponte. Shane correu até onde eu estava e me segurou pelo braço, interrompendo-me.

– Que tal procurarmos outra travessia? — Ele ainda estava nervoso. — Essa ponte é muito instável.

– Não tem outra travessia — Minha voz soa insensata. — Vamos, essa ponte não vai desabar — tento acalmá-lo mais uma vez. — Isso só aconteceu por conta da idade daquela tábua.

– O.k. — Ele disse um pouco mais calmo.

Nós atravessamos a ponte e conforme meu raciocínio dedutivo, a ponte não desabou. Chegamos ao outro lado e entramos em um beco frio e escuro. Podíamos ouvir ruídos indescritíveis que nos faziam duvidar se aquele leugar era o caminho certo. E era. Logo vimos uma luz e um barulhos alto de conversas e gritos, o centro comercial de Novely. Apenas dei um passo a frente e quase fui atingido por um saco de batatas. Saímos perto do depósito, onde era guardado todas as vendas dos comerciantes que não podiam levar sua mercadoria para casa. A praça toda era feita de paralelepípedos em formato de um enorme círculo. As barracas eram colocadas no centro, deixando uma via que os circulava, onde os grandes caminhões descarregavam as encomendas. Na área das barracas havia muitas pessoas, quase não sobrando espaço algum para atravessar a praça. Elas gritavam e brigavam por um produto, enquanto o comerciante responsável pelo pequeno leilão apenas fazia as suas jogadas para que o valor aumentasse.Nós nos entreolhamos e seguimos em frente. Poderíamos passar pela via de descarregamento. Mas se torna muito perigoso por conta da constante movimentação de caminhões. A única alternativa é atravessar a multidão de negociadores. O que parece impossível, mas não é. Pelo menos não para nós. Possuímos uma estratégia que nos ajuda a atravessar. Nós nos aproximamos do mar de pessoas e começamos a gritar propostas de alto valor. Tentamos ouvir as propostas dos leilões mais numerosos e gritamos propostas mais altas. Isso faz com que os negociantes se aproximem dos vendedores e comecem uma discórdia entre eles, abrindo um curto espaço que usamos como caminho para atravessarmos o centro comercial. Mas hoje vai ser um pouco diferente. O número de negociantes presentes é o dobro do de sábado passado, chegando a ocupar até as vias de descarregamento. Então colocamos a ideia em prática. Chegamos perto da multidão e vimos uma brecha no meio da confusão. Eu pensei em ir, mas algo me fez recuar, um pressentimento. De repente , naquela brecha, começa uma briga. Dois homens são nocauteados ao mesmo tempo por um soco. Tento localizar o ser que fez isso e acho. Era um cara de mais ou menos 1,90 m, com uma gilvaz que divida seu rosto ao meio por uma diagonal. O seu porte era robusto e todos se encolhiam quando ele olhava diretamente para eles. Ele ria e fazia altas propostas que pareciam ser imbatíveis. Eu percebi que ele estava participando de mais de um leilão. Ele gritava para um lado e depois se virava para fazer outra proposta que cobrisse a de outro negociante. Shane me olhou e tornou a olhar para o sujeito. Ele engoliu seco. Me abaixei e ele fez o mesmo. Fiz um sinal para ele de que poderíamos atravessar a multidão. Ele analisou a situação e confirmou com a cabeça.

– Agora? — Ele se virou para mim e sussurrou. Não sei o porquê disso, pois ninguém nos ouviria em meio aos gritos.

– Agora — Ele ficou mais confiante após eu dizer isso.

Nos viramos para a multidão e entramos abaixados no meio da confusão. Eu estava andando meio desengonçado por conta das pernas dos negociantes. Eu não conseguia ver nada. Então eu comecei a gritar propostas altas e o caminho se abriu e eu pude ver meu tio que também já estava em pé. Ele também gritava algumas propostas e todos se revoltavam, gritando valores que nem eles mesmos tinham. Até que cheguei perto do homem amedrontador. Ele parecia mais assustador de perto. Seus olhos tinham uma fúria estranha e sua risada era maquiavélica e sarcástica. Eu tentei passar por ele me abaixando, mas ele estava bloqueando o caminho. A minha única opção era revoltar ele. Quando eu ia gritar, algo o chamou a atenção.

– Ahá, olha o que temos aqui? — Ele agarrou algo no fundo da multidão e o levantou. Era Shane. — Um negociante escondido! — Sua voz soou feroz.

Naquele exato momento, eu não tinha certeza do que eu podia fazer. Não tinha nenhuma pedra por perto para eu lançar nele e distraí-lo por um tempo, pelo menos o bastante para que eu pudesse salvar Shane. Eu ouvi o som de um golpe e logo após um gemido de dor. Me levantei já procurando um Tio Shane desmaiado. Mas me surpreendi. O gemido era do homem aterrorizante, que agora estava com o rosto ensanguentado. Meu tio dava socos certeiros, a ponto de quebrar o maxilar. O homem ainda se mantinha de pé e lutava contra seu peso para que não desabasse. Ele tentava revidar os socos, mas estava muito aturdido. Meu tio lhe deu dois socos nos olhos e tentou tirar seus dedos de sua blusa, mas não conseguia. Então continuei minha ideia de salvá-lo. Olhei no chão e ao longe achei uma corda. Caminhei brandamente abaixado enquanto todos prestavam atenção na luta. Pego a corda e a enrolo. Coloquei-a pendurada em meu braço e caminho do mesmo jeito em direção à luta. Tento avistar as pernas do sujeito estranho e consigo achá-las. Imediatamente passo pelas pernas de dois negociantes que discutiam algo sobre "moluscos gigantes" e chego até o homem. Enrolo a corda em suas pernas e puxo as duas pontas, apertando-a em sua panturrilha e fazendo-o tombar. Shane cai junto, mas consegue tirar os dedos do homem de sua blusa. Eu o ajudo a levantar e vemos que todos se afastaram, para começar outros leilões. Nós nos apressamos e corremos em direção a rua da saída principal. Nós paramos na saída e passamos a descer uma rua, e ao longe se via o Porto de Novely.

Finalmente chegamos ao porto. Meus pés ardiam por conta da caminhada inclinada e paramos para descansar. Nos sentamos em um banco, perto de um píer dos muitos existentes. Eu observava os grandes navios balançarem perigosamente por conta das agitadas ondas. Ao longe se via um pequeno barco de pesca e uma nuvem de gaivotas sobrevoando-o. Elas tentavam pegar alguns peixes da rede que estava na pequena embarcação. Dois homens espantavam-nas com grandes varas de pesca, mas não surtia efeito algum. Eles acertavam algumas, mas outras vinham em seu lugar. Até que um deles desistiu de lutar e teve uma ideia. Ele juntou algo no chão e levantou um pequeno pedaço de rede com alguns peixes dentro. Ele lançou a pequena trouxa no ar e as aves começaram a brigar entre si pelos peixes. Os homens conseguiram uma chance e puxaram a rede para a cabine de comando, tirando os motivos das gaivotas de estarem ali. Shane olhava atentamente um navio içar as suas ancoras e saírem do porto, em direção à nordeste. Ele olhou para cima e sorriu.

– O mar — Ele voltou seus olhos para as ondas que quebravam nas pedras. — Navegar pelo espaço é demais. Mas navegar pelo mar é muito mais emocionante. As ondas se chocando contra o casco do barco, grandes feras mutantes, são algo incomparáveis ao que se vê no espaço — Ele olha para as pequenas pedras brancas da calçada. — Mas cada lugar tem o seu lado bom.

– É, — Digo olhando as ondas quebrarem nas pedras, espantando muitas gaivotas — antigamente as pessoas navegavam pelo mar para desbravá-lo. Mas como ele já foi completamente descoberto, nossa curiosidade nos levou ao espaço — volto o meu rosto para meu Tio Shane. — Será que vou conseguir embarcar nesse tal barco Supernova?

– Sim — Ele sorri para mim e bagunça o meu cabelo. — Você tem tudo para ser um navegante. A determinação de seu pai e a coragem de sua mãe.

– Mas... — Sou interrompido.

– Não diga isso. Apenas confie. Confie de que você pode embarcar nessa tripulação, de que você pode ser o melhor recruta. Seja que você já é.

Seu sorriso confirma isso e retribuo.

Olhamos ao longe e identificamos o motivo de virmos aqui. Um grande navio de caça aos redemoinhos. Eles entram em um redemoinho para procurar objetos de valor de navios e barcos que foram destruídos por ele. É arriscado, com muita certeza, mas é um ramo que lucra muito também. Normalmente eles acham muitos geradores de energia. Mas não viemos para comprar algum gerador. O Capitão Lacker tentar fazer umas barganhas conosco, mas não funciona. Viemos até aqui para irmos até o Porto à frente na cidade vizinha, Gaulir. Lá fazemos nossas compras no Mercado Negro Central. Nós temos um aqui, mas não possui tantos itens quanto o de lá.

O Cpt. Lacker manda para que abaixem as âncoras e empurra uma rampa longa e estreita.

– Estão esperando o quê? — Ele nos olha com sarcasmo. -Que eu crie asas e busquem-nos aí?

Imediatamente saio correndo à frente e Shane me segue.

Ao subirmos à bordo, o navio balançou e nós caímos em um emaranhado de cordas. Cpt. Lacker nos estende a mão.

– Vocês, — Lamentou-se — homens da terra são tão fracos. Não aguentam nem um minúsculo abalo.

– Fique sabendo você, — Murmurou Shane enquanto ria — que eu já naveguei pelo mar está bem? E...

– "Eu já naveguei no espaço também!" — Disse Lacker imitando-o com uma voz fina — Eu sei. Você diz isso todo dia!

Começo a rir da cara dos dois por parecerem tão idiotas naquele momento.

– Velhos são assim, meu caro novato — Ele dá um tapa em meu ombro. — Nós crescemos até um certo ponto e depois regredimos.

– É — Confirmo. — Eu sei. — Ele dá gargalhadas o que faz o piso do navio tremer.

– Venham — Ele envolve os nossos ombros com um dos braços e literalmente nos carrega para a sala de comandos..

A sala é repleta de painéis digitais que funcionam a comando de voz, mas Lacker o deixa no "manual", pois ele diz que se ele é o capitão, tem de fazer ele mesmo. E eu concordo. Se torna sem graça deixar a tecnologia fazer tudo sozinha. No centro da sala possui um grande timão e Lacker logo se dirige à ele. Ele faz alguns comandos manuais e o navio começa a se movimentar, nos fazendo cair mais uma vez. Ele nos olha com reprovação e mais uma vez dá risadas que estremecem meus ouvidos.

– Lacker, — Meu tio diz, chamando a atenção dele — como anda as terras do Oeste?

– Muito complicado — Lamenta. — Um navio de outro país não passou pela inspeção de vírus e houve uma epidemia nas cidades daquele lado. É altamente transmissível. A pele dos cidadãos começou a apodrecer e a cheirar mal. Logo depois abriram feridas e pedaços do tecido epitelial começaram a cair deixando os ossos de fora. Morrem em menos de 6 dias. Mas os cientistas acharam um antídoto para isso. Eles tomam um banho e ficam cobertos em panos por dois dias. Após esses dias eles voltam ao normal e são levados para a Ilha de Comognos. Eles vão ficar refugiados por lá até toda a cidade for desinfectada — Sua voz se torna melancólica e apreensiva.



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.