Supernatural Tears
17 My Last Sake (Parte III)
Eu acordei sendo puxada por Dean. Ele me levava as pressas para fora do quarto e eu mal sabia por quê. Quando consegui abrir os olhos vi que Sam já estava no Impala. Então olhei para trás... A porta do quarto ainda aberta: Fogo!
Sacudi a cabeça tentando afastar aquilo da minha mente... Em vão. Derramei uma lágrima.
- O que houve? – Eu perguntei entrando no Impala.
- O que você acha? – Dean perguntou dando a partida. – Sua amiga veio fazer uma visita.
- Dríade? – Eu disse chocada.
Dean corria feito um louco, parecia que queria escapar de algo que nossos olhos não podiam ver. Sam pediu duas ou três vezes para que ele diminuísse a velocidade, mas não adiantou.
Minha tatuagem no pulso começou a coçar e quando olhei pra ela vi que meu pulso estava irritado e vermelho, como se eu tivesse coçado enquanto dormia.
Porque Dríade estava fazendo aquilo comigo?
- Droga! – Foi a última coisa que ouvi antes de acordar ensangüentada dentro do Impala.
Dean tinha saído da estrada e, na velocidade em que estava, acabou batendo com o carro numa árvore. Olhei para frente. Dean estava inconsciente e Sam me chamava para verificar se eu estava mesmo acordada.
- Jill, Jill! Ta tudo bem? – Ele perguntou.
- Não! – Eu disse olhando para minhas pernas e minha cabeça. – Eu estou sangrando.
- Eu vou te tirar daí.
Sam soltou o cinto e tentou passar para o banco de trás, mas lerdo em comparação à Dríade, que puxou meus cabelos e me arrancou do Impala pelo vidro quebrado de trás.
Ela me jogou no chão e apertou minhas bochechas me forçando à olhá-la nos olhos. Sam gritava enquanto tentava sair do Impala.
- Que tal agora? – Ela perguntou. – Seus dois amigos estão feridos e eu posso fazê-los sangrar mais.
Então eu encarei Sam. Aquele sangue na camiseta dele não era meu, era dele. Tinha um corte na cabeça também, que não parava de escorrer. Fechei os olhos.
- Você sabe o que eu quero agora... – Ele disse bem perto do meu rosto. – Mas acho que posso te explicar como tudo ai ocorrer:
“Primeiro eu vou pegar algumas gotinhas do seu sangue, colocá-las numa taça de prata e fazer um pré-ritual e todas essas coisas de filmes de terror. Depois eu vou precisar da sua pureza, que é onde entra essa sua cumplicidade e lealdade para com os Winchester. Aliás, de nada adiantaria a sua pureza sem amor verdadeiro, claro! Eu vou abrir seu peito e você ainda vai estar viva... Vou tirar seu coração e oferecê-lo ao meu mestre, que, satisfeito com a minha demonstração de fidelidade e respeito, somadas á sua pureza, sairá do inferno para começar na Terra o que ele não foi capaz de fazer lá embaixo.”
Mas antes que eu pudesse dizer algo Sam a acertou com um galho. Eu me levantei e fui até Dean que tinha acordado. Eu e Sam o ajudamos a sair do Impala, mas foi inútil porque antes de começarmos a correr ou coisas do tipo, cinco outros demônios estavam esperando por nós.
- O que é uma vadia sem seu exército de demônios, hein? – Dean disse encarando Dríade.
Ela sorriu divertida.
Os cinco demônios avançaram para cima de nós no mesmo instante. Enquanto quatro deles ficaram encarregados de parar Sam e Dean, um foi o suficiente para me levar até Dríade.
- Façam! – Ela ordenou para um dos demônios que cravou uma faca no ombro de Sam.
Ele gritou de dor e eu esperneei enquanto tentava fugir daqueles braços.
- Pára! – Eu gritava repetidamente.
- Sua única chance... Você sabe! – Dríade disse de novo.
Eu olhava dela para os dois presos e talvez por demorar tanto para responder, Dríade interpretou como um não e me forçou a assistir dessa vez Dean sendo esfaqueado no ombro.
- Não! – Eu gritei de novo. – Pára!
- Você dá sua permissão, então? – Ela perguntou.
Encarei Sam e Dean mais uma vez.
- Não, Jill – Sam pediu. – Não faça isso.
Eu não podia mais chamar aquilo de lágrimas, por que elas não estavam individuais. Era um choro completo e soluçante que mal me deixava respirar.
E foi o suficiente para mais duas facas simultâneas, uma no braço de Sam e outra na costela de Dean.
- Ta! Eu dou minha permissão! Faça o que quiser.
Então o demônio me soltou e eu cai na grama seca. Dríade se agachou e me obrigou a encará-la.
- Muito bem!
Ela pegou a minha mão direta, onde a tatuagem ficava, e fez um corte na diagonal. O sangue que escorreu ela colocou numa taça. Sam e Dean se debatiam contra os demônios.
Os minutos que se passaram pareciam intermináveis. Dríade ocupava-se com aquele ritual que eu nem conhecia enquanto Dean e Sam continuavam a lutar por liberdade.
- Pronta? – Dríade perguntou num tom baixo.
Eu afirmei com a cabeça e ela sorriu.
Foi rápido e eu praticamente nem senti, mas eu sabia que ela tinha enfiado uma faca no meu estômago.
- Vagabunda! – Dean gritou e por incrível que pareça conseguiu se soltar.
Talvez o fato de Dean ter se soltado deu coragem a Sam que também o fez.
Dean correu até Dríade e deu um soco em que ela saiu de cima de mim.
Ela não ia deixar acabar daquele jeito...
Dríade se levantou e avançou para cima de Dean, mas dessa vez foi impedido por Sam. Os outros cinco demônios corriam para cima dos dois, mas Dean havia sido rápido o suficiente. Pegou a espingarda já carregada com balas de sal dentro do Impala e atirou em três, que ficaram imóveis no chão.
Sam ocupava-se com Dríade, que o ameaçava com uma faca. Não tive certeza de como aquilo acabou já que a minha visão rapidamente ficou turva. Provavelmente Dean atirou nos dois demônios que faltavam e usou a espingarda para deter Dríade.
Sam se abaixou ao meu lado e tentou me levantar. Logo depois um Dean apressado fez o mesmo. Eu gemi, não queria que me levantassem.
- Vão embora! – Eu pedi com uma voz rouca.
- Jill, não faz isso. – Sam disse dessa vez ele que afagou o rosto no meu ombro enquanto apertava minhas costas com seus braços grandes.
Só então eu percebi que Dean tentava estancar, em vão, o furo na minha barriga. Ele olhava pra minha com lágrimas prontas pra escorregarem pelas bochechas, mas tentando ao máximo impedir isso.
- Por favor. – Pedi de novo.
- Eu te amo! – Sam disse num sussurro.
Dean o olhou confuso. Parece que ao dizer aquilo ele estava aceitando que não teria volta. Frustrado, Dean começou a apertar mais meu machucado, chegando a doer.
Eu balancei a cabeça, afirmando em resposta a Sam, que não hesitou em tocar seus lábios nos meus.
Eu procurei as mãos de Dean e levei-as até meus lábios, beijando-as com carinho. Ele então tirou as mãos de minha posse e acariciou meus cabelos, logo depois preenchendo meus lábios com os dele.
E tudo começou a ficar escuro... Eu sentia o ritmo do meu coração diminuindo, meu corpo ficou frio e eu ouvi o choro quase que silencioso dos dois.
Eu suspirei e, mesmo aquele sendo meu último suspiro... Foi no braço dos dois amores da minha vida.
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