Supernatural Tears
12 Closet Cubicle
Notas iniciais
- Merda! – Dean gritou enquanto batia incansavelmente na porta de metal.
- Dean, não adianta... – Eu tentei.
- Mas que coisa, dá pra você ficar quieta um minuto? – Ele pediu enquanto esfregava a testa.
Estou eu aqui, presa nessa sala totalmente lacrada, sem se quer uma janela, com Dean. Quer saber como isso aconteceu?
Estávamos investigando um caso não muito complicado sobre vampiros na cidade. Aparentemente eles usavam um depósito antigo como sua casa e nós três logo viemos investigar. O que praticamente nós três não sabíamos era que eles tinham armadilhas super escondidas por todo o depósito.
- Cuidado por onde pisam – Sam nos alertou.
- O que? Acha que a gente vai cair numa armadilha como ursos bestas que... – Dean pisou num fio e uma porta de metal rapidamente desceu, separando-nos em dois grupos... Ou melhor, eu e Dean de um lado, Sam de outro.
Não tínhamos saída para trás, já que outra porta também se fechou, estávamos presos num cubículo de aproximadamente 12 m², com apenas uma caixa que mais tarde me serviu de banco.
- Um minuto! – Eu disse checando o relógio – Agora posso falar? – Dean balançou a cabeça num ato “tanto faz”. – Sam já disse que vai dar um jeito de nos tirar daqui.
- Normalmente quem tira a gente de problemas sou eu – Dean se gabou – Mas não da pra fazer nada daqui de dentro.
- Então vai ter que confiar no seu irmão e esperar... – Eu cruzei os braços.
Dean bufou e encostou-se à parede, lentamente foi escorregando até sentar-se no chão do outro lado da saleta. Eu o encarei curiosa. Ele tinha esse jeito despreocupado e inconveniente, mandão às vezes, mas seu olhar era doce e tranqüilo.
- O que foi? – Ele perguntou finalmente virando o rosto para me fitar.
- Você é tão diferente de Sammy! – Eu sorri de canto.
- Sammy?! Desde quando você o chama assim?
- Eu transei com ele Dean, acho que já tenho um pouco de intimidade!
- Humf! – Ele bufou e parou de me encarar – Porque sou tão diferente dele?
- Bom, ele tem aquele ar tímido comigo! Já você tem um olhar travesso e cretino que normalmente faz as mulheres babarem.
- Eu sou incrível, não sou?! – Dean perguntou convencido.
Eu ri discretamente.
- Você também é diferente das mulheres que conheço – Ele puxou novamente o assunto.
- Hum – eu disse, querendo escutar o que ele tinha pra dizer.
- Pra começar você é uma caçadora, e eu não conheço muitas mulheres caçadoras! E você é muito irritante e teimosa...
- Parece com alguém que eu conheço – eu me levantei da caixa e me agachei perto dele.
- Mas você é legal – ele se apressou em acrescentar. – Sam tem sorte... E Rebecca Wood também!
Ele começou a rir e eu o acompanhei. Embora em circunstâncias normais eu ficasse ofendida, não fiquei dessa vez porque eu sabia que não tinha maldade ou intenções provocativas nesse comentário.
O silêncio durou um pouco, enquanto eu me ocupava com o meu cabelo que insistia em cair, desmanchando-se do coque que eu fazia.
- É estranho, Jill... Porque ao mesmo tempo em que eu penso que te conheço, você aparece com uma coisa misteriosa do seu passado.
- Não sou tão difícil assim de se decifrar.
- Ta falando sério? Eu nunca sei o que você vai falar, ou fazer... Você é tão fechada!
- E isso é ruim?
- Não, na verdade...
Dean se levantou e andou até perto da porta. Eu me levantei logo depois, me aproximando dele.
- Esse ar misterioso combina com você. – Ele disse.
- E eu não consigo te imaginar não sendo inconveniente, irritante, teimoso, palhaço, mandão, briguento... – E eu ainda tinha uma lista de adjetivos bons ou ruins para dizer sobre Dean, mas fui interrompida por um beijo completamente inesperado.
A principio permanecia de olhos abertos porque não estava acreditando no que estava acontecendo. Mas aos poucos meus braços foram abraçando o pescoço de Dean e eu fui retribuindo com carinho aquele beijo cálido.
Era errado? Eu estava envolvida com dois Winchester agora. Amava os dois de formas que desafiam qualquer descrição, embora tenha uma explicação diferente para o mesmo sentimento.
Sam é meu protetor. Dean meu oposto (nem tanto). Sam é carinhoso. Dean é atrevido. Sam é meu melhor amigo. Dean é meu personagem antagônico. Sam é meu amparo. Dean é a minha perdição. Sam me ama... Dean também. É o suficiente.
Dean me prensou na parede e eu o puxei para mais perto, se é que era possível. Ele, num ato rápido, tirou minha blusa e logo depois eu comecei a desabotoar sua camisa.
Os beijos que ele distribuía pelo meu pescoço e ombro me deixavam excitada e arrepiada, e tão nervosa que me atrapalhei totalmente com os botões do jeans dele.
Ele então decidiu que seria melhor se parasse com as carícias para me ajudar com os botões dele, e depois com os meus.
Ele voltou a me abraçar enquanto se ocupava com meus lábios e a fivela do meu sutiã. Eu estava pronta para encarar Sam mais tarde... Ou não. Irrelevante. O que eu queria era aquele momento e mais nada.
- Jill – Dean me chamou. Eu me virei para encará-lo enquanto abotoava meu jeans. – Só não vamos contar...
- Nada pro Sam, eu sei – eu disse e terminei de vestir minha blusa.
Dean lançou um sorriso preocupado para mim, mas logo se transformou num sacana. Ele me agarrou pela cintura e me deu um último beijo antes de percebemos a porta de metal sendo forçada para cima.
- Vamos sair daqui? – Vimos um Sam ensangüentado do outro lado.
Antes mesmo que eu e Dean pudéssemos perguntar algo, Sam deu um sorriso confiante, que nos garantiu que estava bem.
Aquele foi só um dos primeiros dos muitos dias em que me peguei pensando nos dois Winchester ao mesmo tempo.
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