Notas iniciais
Espero que gostem!!

Naquela manhã, eles já se achavam à caminho da Califórnia.
Alguns momentos antes, haviam recebido uma ligação de um orfanato.
"Lugar Feliz" não me parece muito feliz. — comentou Sam.
— Sam. — disse Dean, olhando o irmão. — Algo está acontecendo, e precisamos dar uma olhada.
Sam assentiu.
— Pesadelos com Jess?
— Não. — Sam encarou a paisagem que passava apressada por eles.
— Não minta para mim. -Dean estava preocupado. — Sam... Já fazem quatro anos.
— Eu sei. — Sam respondeu entredentes. — Mas... Não dá. Aquele Demônio Viajante... Sabia dela, Dean.
— Eles leem a mente. Fazem isso para não os exorcisarmos. Já conversamos sobre isso, Sammy.
— Não me chame de Sammy.
Os dois riram.
— Chegamos. — Dean encarou o prédio. Na placa, havia um arco-íris, e no centro, em letras brancas: "Lugar Feliz". Ao lado da placa, uma mulher, de aspecto severo.
— Parece minha professora do segundo ano. — comentou Sam.
Eles saíram do carro, pisando na grama bem cuidada do orfanato.
— Senhores Winchester. — disse a mulher, com um aceno educado de cabeça. — Queiram me acompanhar.
No jardim, crianças brincavam de pique-pega, esconde-esconde e amarelinha. Alguns se divertiam escalando árvores.
— Desçam já daí! — bradou a mulher. As crianças desceram das árvores sem hesitar e foram brincar de mímica.
Os três entraram no prédio, onde acharam crianças almoçando.
— O nome dela é Esther Azrad. Tem quase quinze anos.
— E o que está acontecendo com Esther? — perguntou Sam.
— Ela... — a mulher engoliu em seco. — Ela diz ouvir uma voz, ela diz ver coisas.
— E o que acontece quando ela, supostamente vê, ou, ouve?
— Ela destrói tudo em seu caminho. — Os irmãos se encararam.
Atravessaram alguns corredores e chegaram a um quarto isolado dos outros.
— Esther? — chamou a mulher.
— Ela chegou. — a menina murmurou por detrás da porta. Ela se colocou na frente da janelinha de vidro da porta do quarto. — Ela está aqui.
— Caso de possessão? — sussurrou Sam.
— Não. Demônios não fazem isso... Ou fazem?
— Esther, podemos entrar? — Sam perguntou. — Queremos conversar com você.
— Ela... Ela não vai deixar. — Esther respondeu.
— Porquê não?
— Porque ela está aqui.
Ela apontou para a cama.
— Ela está sentada na cama, Esther? — perguntou Dean. A menina afirmou com a cabeça.
— Ela vê tudo. Ouve tudo. Ela não me deixa ficar sozinha. Ela me faz destruir coisas. Tenho medo de que ela me faça ir além.
— Se nos deixar entrar, Esther, podemos te ajudar. — disse Dean.
— Ela não vai deixar! — a voz da menina começou a mudar enquanto ela falava. Ela começou a levitar, de braços abertos, com um redemoinho de fogo aos seus pés. — Eu não vou deixar.
O redemoinho explodiu em chamas que consumiram todo o quarto.
— Ah meu Deus! — gritou a mulher, com a mão cobrindo os olhos. — Esther!
Dean e Sam seguraram a mulher, antes que ela pudesse entrar no quarto.

O fogo se extinguiu por completo depois de alguns minutos, e caida no chão, desacordada, estava Esther.

Dean abriu a porta, e se agachou ao lado de Esther.

- Ela... Está bem? — disse a mulher, que até então, não havia se apresentado aos irmãos. Mas não era com isso que eles se preocupavam.

- Sim. — disse Dean, colocando Esther na cama. — Apenas desacordada.

A mulher puxou uma cadeira e se sentou ao lado da garota. Os irmão se encostaram na parede.

- O que acha que é? — perguntou Sam. Dean deu de ombros.

- Nunca vi nada assim.

- Talvez tenha alguma coisa no diário.

- Não sei não, Sam. Isso não parece possessão ou qualquer coia que já tenhamos visto.

- Papai saberia o que fazer.

- Olhe, Sam, sei que está abalado com tudo isso, eu também. Mas ficar criando hipóteses na cabeça não adianta. Papai poderia saber o que fazer, mas e se não soubesse?

- O que pode ser isso? — voltou a perguntar.

- Não sei. — Dean repetiu. — Talvez... Alguma espécie de demônio desconhecido. Esperaremos Esther acordar para conversar com ela.

Sam assentiu, enquanto a mulher cobria Esther gentilmente.

A garota tinha cabelos castanhos longos, uma pele branca e olhos azuis. Usava um vestido longo e branco.

- Vamos, acho que a viagem deixou-os com fome. — Os irmãos não estavam com fome, mas aceitaram o convite da mulher. — Além do mais, Esther precisa descansar.

Eles almoçaram com as crianças, que a cada dois minutos traziam desenhos para eles.

- O que é isso? — perguntou Dean a uma garotinha.

- É Esther em um dos surtos dela. — respondeu. No desenho, uma menina era cercada por sombras. Tudo à sua vola era vermelho e laranja.

- O que é isso em volta de Esther?

- Fogo.

A menina saiu saltitando, para brincar com os amigos.

Depois de algumas horas, os irmãos Winchester voltaram para falar com Esther.

A garota já estava acordada, e pintando em uma tela.

- O que está pintando? — perguntou Sam, entrando no quarto.

- Estou tentando desenhá-la. — respondeu Esther. — Ela quase nunca me deixa ver seu rosto além das sombras. Mas hoje ela me deixou vê-la.

A menina deu algumas pinceladas de tinta branca, moldando um rosto e pescoço. Ela completou o rosto e pesqcoço com a mesma tinta. Esther limpou o pincel no avental, já sujo de tinta, e molhou-o em tinta preta. Ela moldou os olhos, redondos, de aspecto assustado, deixou o pincel sobre o godê colorido, pegou um elástico de cabelo no bolso do avental e prendeu-o e um rabo de cavalo. Com o pincel, ela misturou o vermelho com amarelo, criando um tom diferente de laranja, ao qual aplicou nos cabelos da menina. Logo após, novamente com o preto, desenhou um grande laço nos cabelos ruivos da garota.

- Está ficando muito bom. — disse Dean.

- Obrigada, Dean. — a menina sorriu para ele.

- Como sabe meu nome?

- Ela me contou. — ela se voltou novamente para o quadro.

- Você sabe o nome dela? — perguntou Sam.

- Não. Ela nunca fala seu nome.

- Esther, ela te disse como ou quando ela iria embora?

- Ela só me disse como mandá-la embora. Ela disse que não teria problema me contar, pois eu não saberia como mandá-la de volta.

- E como mandamos ela de volta?

- Achando o corpo dela, que está em algum lugar do prédio.

- Que prédio? — perguntou a mulher.

- Este. — respondeu a menina, pintando a pele da garota, e logo em seguida, desenhando sua roupa azul. — Achei que poderia estar óbvio.

- Vamos procurar. — disse Dea, dando tapinhas n ombro do irmão.

- Esperem! — Esther se virou para os irmãos Winchester, que já estavam a ponto de sair da sala. — Ela disse que sou especial.

- Especial como?

- Não sei. — a menina deu de ombros. — Só acho que posso ajudá-los.

Os irmãos pensaram por alguns minutos. Valia a pena arriscar Esther? E se ela não conseguisse ajudar? E se eles não conseguissem salvá-la? Eles iam ter que tentar.

A mulher criou um passeio ao Museu de Astronomia para todas as crianças. Somente Dean, Sam, Esther e a garota ficaram no prédio.

Sam e Dean pegaram alguns aparelhos no carro. Mas eles não pareciam estar funcionando.

- Método antigo. — disse Dean, completamente abismado com a falha dos equipamentos.

Eles começaram procurando no jardim. Sam achava inútil. E depois de algum tempo, Dean deixou o jardim, completamente atordoado. Os irmãos Winchester não sabiam o que fazer.

O sol começava a se pôr, e os irmãos ainda não tinham terminado a busca.

Por fim, os três se sentaram nos balanços do parquinho do orfanato e suspiraram.

- Ela nunca vai me deixar em paz. — murmurou Esther, enquanto dava impulso no balanço.

Os irmãos tentavam pensar em algum lugar do prédio em que o corpo da garota pudesse estar.

E ali, em uma das janelas do último andar do prédio, uma cabeça ruiva apareceu.

- Dean! Viu aquilo? — perguntou Sam. — Na janela. Você viu?

- É... Vi. — disse Dean, sem muita animação.

A cabeçinha ruiva apareceu novamente.

- Ela está no último andar.

Sam estava decidido. Se um fantasa aparece para você uma vez, é sorte. Duas, ele já está implorando para ser achado.

- Espero que esteja certo.

Esther altou do balanço, ainda em movimento, quando os dois irmãos adentraram novamente no prédio, com mochilas sobre os ombros. Ela correu até alcançar os irmãos.

- Você viu, não viu? — ela perguntou a Sam.

- É, Esther. Eu vi ela.

Eles subiram a escada de dois em dois, chegando rapidamente ao último andar. O cômodo começava rente a escada. A porta estava pintada de vermelho.

- Eu a sinto. — disse Esther. — Sinto ela lá dentro.

Ela abriu a porta, dando de cara com a escuridão do cômodo. Dean pescou uma lanterna na mochila, e iluminou o quarto. Havia muitas teias de aranha no teto. Esther deu um pequeno passo para trás. Dean de Sam entraram no quarto primeiro. Esther veio logo em seguida.

Dean iluminou o quarto, buscando sinais da garota.

- Ela está aqui. — disse Esther.

- Ela não está aqui. — ele disse, mais para Sam do que para Esther.

Esther tomou a frente do trio, antes que qualquer um dos irmãos a impedisse. Ela foi caminhando pelo quarto, tentando não esbarrar nas antiguidades do quarto.

Perto da janela, havia um piano de cauda, e sobre ele, a garota estava sentada. Os cabelos ruivos presos em marias-chiquinhas, o laço estava rasgado, e o uniforme azul estava desbotado, e sua pele, translúcida. Ela desceu do piano.

- O que aconteceu? — indagou Esther. A garota mexeu nervosamente nos cabelos ruivos.

- Bem... — ela começou. Foi a quarenta anos...

No jardim, as crianças brincavam.

"Vamos brincar de esconde-esconde!" disse a menina. Todos concordaram. Um dos meninos se apoiou na árvore para contar, e todos saíram correndo para se esconder. E ali, brincando no meio das alegres crianças, estava a diretora do orfanato, jovem, bonita, brincalhona. Ela pegou na mão da menina, e juntas correram para se esconder. Os cabelos ruivos da menina esvoaçavam junto com os cabelos negros da mulher.

"Para onde vamos, senhora?" perguntou.

"Nos esconder, minha cara."

"Mas..."

"Shhh" a mulher disse, colocando um dos dedos na frente dos lábios vermelhos. Elas subiram as escadas. Lá fora, a contagem:
"Vinte... Vinte e um..."

Elas tinham até o trinta. Subiram as escadas correndo. No último andar, as duas entraram no grande cômodo.

"Se esconda aqui." disse a mulher, abrindo a tampa do piano de cauda.

"Mas... Senhora!?"

"Não quer ser achada, não é mesmo?" a garota assentiu. "Então entre."

A mulher pegou a pequena criança no colo, e a ajeitou ali dentro. Uma das cordas se repuxou em um 'dó' desafinado.

"Vou deixar um tento aberto." ela disse, colocando uma grossa enciclopédia ali. "Estarei no andar de baixo."

A mulher saiu do campo de vista da menina, que logo ouviu a porta bater.

"Vinte e oito..." a enciclopédia não estava aguentando o peso da tampa do piano. "Vinte e nove..." a garota começou a puxar o ar nervosamente.

"Trinta! Prontas ou não, lá vou eu!" o garoto gritou. A menina colocou as duas mãos sobre a boca. Era capaz de gritar naquela escuridão, e fazendo isso, estragaria a brincadeira. Ela fechou os olhos, e então, um barulho alto. Com o susto da menina, as cordas do piano se repuxaram, desafinadas.

A menina ficou quieta, sem saber o que se passava lá fora. Perdeu a noção do tempo. Já não havia oxigênio ali dentro.

Já não havia vida naquele corpo.

Estavam todos paralisados.

- Vocês me acharam! — ela murmurou.

Dean caminhou até o piano, tomando coragem para abrir. Por fim, abriu a tampa.

O cheiro que tomou conta do cômodo era horrível. Os três se enclinaram, e ali viram o corpo da garota, encolhida em posição fetal, com as mãos cobrindo a boca.

Ali, a garota sorriu.

- Obrigada.

E então, lentamente se dissipou em cinzas.

Eles saíram do prédio, carregando o corpo da menina envolto em um lençol. Dean pegou uma pá no carro.

Atrás do prédio, em uma parte inutilizada do terreno, ele começou a fazer uma cova.

- O que estão fazendo? — bradou a mulher.

- Ela merece algo mais que um piano de cauda.

A mulher se asustou, e não mais se pronunciou.

Quando a cova ficou pronta, a menina foi enterrada, e com um pedaço de Durex e dois gravetos, eles fizeram uma cruz e colocaram ali. Não era muito, mas também... Nada mais importava. Eles haviam resolvido caso. Esther estava bem.

- Foi... Um acidente. — murmurou a mulher. — Eu achei que ela tinha ido embora.

- Ela não está mais aqui. — assegurou Dean. — Agora... Podemos conversar em particular?

Os irmãos ficaram mais duas semanas hospedados ali.

Em um dia de sol, todos estavam fazendo seus deveres dentro do prédio. Menos Esther. Ela estava no balanço. Se sentia livre como um pássaro. Dean e Sam se aproximaram devagar.

- Esther? — os pés da menina alcançaram o chão assim que seu nome foi pronunciado.

- Vocês já vão embora? — Sam afirmou com a cabeça. — Então... É um adeus?

Perguntou a menina.

- Não. — disse Dean, que sorriu. A garota ainda tentava entender. — É um seja bem-vinda, Esther.

Os dois irmãos abriram os braços, chamando a menina para um abraço. Ela mal pôde conter as lágrimas.

- Seremos uma família? — ela perguntou.

- Sim. — disse Dean, abraçando-a forte. — Uma família.

Notas finais
Espero que tenham gostado dessa One-Shot!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!