Supernatural: Eternal Flame
9 Não Seremos Amigos!
Estava no meio da madrugada. Aquelas últimas duas semanas estavam passando muito rápido, realmente o tempo voa. Abri os olhos um pouco e Castiel estava ali, me olhando, eu não falo muito com ele, só um bom dia uma vez ou outra. No inicio ele até ficava comigo vinte e quatro horas, ele tentava falar comigo eu o ignorava. Agora ele fica apenas de noite, quando eu durmo. Deve ser porque obviamente andei o ignorando, acho que ele vem sempre ficar me vendo dormir. Todos os dias eu acordava no meio da noite e abria os olhos. E adivinha quem sempre estava perto da minha janela? Sentei-me e dei um sorriso, apesar de estar desapontada com ele. Era bom o ter ali, sentia certo medo dele, mas não era tão assustador quanto ver um filme de terror sozinha. Era um medo suportável, só que não entendi que tipo de medo. Seria medo dele mesmo, ou medo dele não estar mais ali?
– O que foi? — Ele perguntou, desviando seus olhos de mim.
– Por que você vem aqui todas as noites? — Não me disse nada — Acho que a única coisa que eu odeio mais do que me responderem com outro pergunta, é não ter resposta alguma. — Bom, se bem que eu o respondi com uma pergunta também, mas ele não percebeu.
– Só estou cuidando de você — ele disse, e eu revirei os olhos — Por que não fala comigo? — ficou observando cada detalhe do meu rosto até que vi nele, pela primeira vez, uma expressão triste. E se ele fosse diferente? Diferente dos outros anjos? Não consigo acreditar no que minha mãe disse, ele me parece tão inocente. Mais não serei amiga dele! Minha mãe deu um de seus conselhos que foram sempre muito bons, que quando não os seguias, não me saia muito bem
– Você está com medo de mim? Ou medo de se... — ele deixou as palavras morrerem, medo de se...? Eu não entendi.
– Ou? — perguntei, inocente.
– Nada... — o encarei, séria, mas pela sua expressão, percebi que ficaria constrangida em saber, já que era difícil arrancar qualquer expressão dele. Eu estou viajando tanto que não consigo entender nem o que ele quis dizer, nem me esforçando ao máximo. Na verdade, isso se chama falta de QI... Eu estou sentindo falta de falar com ele. Passar o dia sozinha em casa é horrível, sei que já deveria estar acostumada a ficar sozinha, mas não consigo. Não depois de ter o conhecido... Bom, essa semana foi tranquila sem demônios e praticamente sem o Cass, já que ele só vinha aqui enquanto eu dormia. Passei as mãos em meus cabelos. O que eu estou pensando? '' ... e praticamente sem o Cass.'' Por que eu me importo com isso?
– Eu vou embora! Desculpe, se precisar...
– Não, não precisa ir — disse, me cobrindo novamente — por que você fica o tempo todo em pé? Tem uma cadeira bem ao seu lado — ele me olhou, mas não disse nada. Parecia pensativo, o que se passa pela cabeça desse anjo? Percebi que se ficasse o observando nunca iria dormir, por mais forte que o sono fosse. Então olhei para o teto até pegar no sono. Quando acordei, ele não estava mas ali, para minha decepção. Desci as escadas, tinha uma folgada estirada no meu sofá.
– Bom dia, flor do dia! — Disse ela, com seus enfeites de sempre '' Bom dia, raio de sol '', '' Bom dia, bela adormecida '' e '' Bom dia, flor do dia ''. Eu dei um sorriso e respondi:
– Bom dia, Ster!
– Ah, o Josh vai vir aqui!
– O J-Josh? Sabe, existe uma coisa chamada '' Avisar antes '' — Eu sei que ele me salvou e se aproximou bastante de mim e da Ster nas ultimas semanas, mas o Cass me disse para que me afastasse dele, porém na escola eu desobedecia... Espera o que eu desobedecia? Desde quando ele manda em mim? Bom, o anjo está aqui pra afastar os demônios de mim, e o Josh não é um! Bom, não totalmente.
– Foi mal! Mas estava em cima da hora...
– Tudo bem... — interrompi. Ela foi em direção à cozinha e eu disse que iria buscar um casaco. Peguei o primeiro casaco que me veio à frente. Era vermelhinho e quente. Estava um frio danado. Desci e logo ouvi um barulho de copo caindo e fui ver o que houve. Ster estava com os olhos arregalados, olhando para todas as direções, me deixando preocupada. Ela somente olhava ao redor com certa inocência
– Ster...
– Carter, eu... E-Eu não consigo enxergar nada — Droga. A guiei até o sofá e disse, tentando parecer calma:
– Ster, tem um sofá atrás de você, sente-se. Isso, senta — ela tentou olhar pra trás, onde estava o sofá, seu rosto começou a tremer e seus olhos foram pra cima, ficando branco.
Tentei fazê-la me encarar, mas seu pescoço havia travado. A deitei no sofá, coloquei a mão na testa dela, e ela começou a suar frio.
Ouvi alguém bater na porta e corri pra atender.
– JOSH! — Gritei. eu estava desesperada, bom, não exatamente...
– Sentiu saudades?- Disse ele abrindo os braços para um abraço, eu apenas o puxei para dentro pela gola da camiseta.
– A Ster está tendo uma convulsão eu não o que fazer — disse gaguejando, ele ficou sério.
– Pegue uma colher na cozinha — Colher? pra que? eu não discuti, já que não sei nada de medicina.
– Coloca na boca dela, em cima da língua! — disse ele
– Pra que? — perguntei, mas sem questioná-lo
– Pra ela não engolir a língua — eu fiquei meio espantada, era a primeira vez que alguém tem um ataque desses na minha frente, mas já tinha ouvido falar sobre colocar uma colher na língua da pessoa para ela não engolir a própria língua... Só que estava nervosa de mais pra pensar nisso. Ela continuava tremendo e com o rosto travado, Josh se levantou e eu perguntei onde ele ia.
– Buscar água morna — dois minutos depois ele volta com um pouco de água em um pote de fazer miojo e com um pano. Sentou-se e pôs o pano morno na testa de Ster, ela já havia parado de tremer, mas ficou desmaiada no sofá e eu liguei pra ambulância, tinha que ter certeza que iria ficar tudo bem — Sabe, é engraçado...
– O que? — perguntei série e acho que acabei fazendo biquinho, ele riu.
– O Cabelo dela parece miojo e o seu, macarrão espaguete... — disse ele olhando pro pote de miojo e depois pra mim, eu revirei os olhos.
– Nossa sabe você é... '' muito maduro '' — disse, fazendo entre aspas.
– Se você diz... — taquei a almofada da poltrona nele pra ele calar a boca, ao menos fosse falar algo que preste! A ambulância chegou, eu e Josh fomos juntos com ela. O médico disse que essa noite ela ficaria em observação, mas no dia seguinte já iria receber alta.
Ainda bem! Ela estava acordando...
– Oi... Essa é nova pra mim! — disse ela olhando pra si mesma
– Senhorita, você nos deu um susto daqueles!
– O coração dela quase saiu pela boca! — Josh falou, só eu que acho ele um criança? e não acho graça nele?
Ster iria dormir no hospital eu e Josh tentamos insistir em ficar ali, mas ela foi teimosa e praticamente nos expulsou, mandando irmos descansar em casa. Vim caminhando com Josh, conversando, até que quando eu cheguei na entrada da minha rua.
Aquela atitude de ser brincalhão e infantil desapareceu. Ele me perguntou sério:
– Você quer mesmo conviver com um anjo na sua cola vinte e quatro horas?
– O que? O Cass não fica comigo '' vinte e quatro horas '' — disse, fazendo aspas — Senão você não conseguiria nem ter entrado na minha casa.
– Eu posso manda-lo pro céu, por um tempo! — ele disse — Só por um tempo...
– Claro que não! Não quero que você o machuque...
– Não ninguém vai se machucar, você já ouviu falar em exorcismos de demônios que os mandam direto pro inferno? Com o exorcismo certo mandamos ele pro céu, mas vai ser fácil ele voltar, pode demorar alguns dias, talvez horas, isso depende dele. Isso é, se ele quiser mesmo voltar... Qual é, você disse que ele não fica vinte quatro horas com você mesmo, mande ele pra '' casa '' pelo menos algum tempo... Faz séculos que os anjos não pisam na terra, se eles amassem a terra não acha que eles desceriam aqui direto?
– Me de motivos pra acreditar em você. Você me salvou aquele dia, mas isso não é o bastante.
– Porque você não tem escolhas — disse ele, me olhando nos olhos. Aqueles olhos me faziam entrar em transe.
Abri os olhos e estava de volta na minha... Ham? Cama? Foi tudo tão real demais para ser um sonho!
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