Supernatural
12 "Demônios à solta"
Notas iniciais
Os quatro dentro no Impala preto, fabricado em 1967 que pertencera a John e agora era de seu filho Dean Winchester. Eles estavam na estrada, de volta para a casa de Bobby.
Ella tentava relembrar de cada detalhe da noite anterior, a sensação da barba por fazer roçando em seu queixo. O cheiro azedo de suor, que era a coisa mais excitante que podia existir. O bafo quente na orelha. A língua macia nos lábios. Ela queria Dean só pra ela. E não aceitaria não como resposta. E nem ele queria dizer não, os quatro pneus de Dean Winchester estavam arriados por aquela moça de gigantes olhos negros.
Lili ao seu lado divagava sobre as estradas estadunidenses, com suas curvas, idas e vindas, como é macio dirigir naquelas estradas rodeadas de verdinho... – O carro! – bateu na própria testa
— Que carro? – perguntou Dean acordando de seus devaneios compartilhados
— Meleca! É mesmo. Ele ficou na frente do prédio.
— Que carro? Que prédio? – Sam se endireitou no banco para poder olhar as meninas
— Como acha que fomos até vocês? – Lili respondeu um tanto impaciente – Com certeza não foi a pé.
Dean e Sam soltaram exclamações
— Era do ferro-velho? – perguntou Dean
— Uhum – disseram as irmãs Brown em unissono
— Bobby vai matar vocês. – o tom de Dean carregava um riso de chacota
Voltaram a ficar em silêncio por um longo tempo depois disso. Lili estava absorta em seus devaneios apaixonados. O cabelo de Sam voava em sua direção e ela não continha as metáforas imbecis sobre como isso poderia significar que ele à amava também. Se existe um Deus foi ele que interviu pra que os pensamentos fossem interrompidos.
— Ei, ei, ei – gritou Ella apontando pra uma lanchonete do lado direito da estrada – a gente acabou não comendo nada – disse ela se lembrando de ter sido expulsa do restaurante por estar beijando Dean. Claro que eles não notaram que era a noite gay do bar.
— Nunca imaginei que ia ser expulsa de um bar. – Completou Ella
— Engraçado que nas outras quartas–feiras, ninguém nos colocou pra fora... – Dean parou pra pensar enquanto estacionava na frente da lanchonete.
Lili e Ella se entreolharam com risos contidos. As pessoas tendiam à achar que os irmãos eram um casal e isso tinha virado uma piada interna entre elas.
Eles estacionaram e Sam saltou olhando pra Dean enquanto esse lhe dava ordens muito específicas sobre um cardápio complicado:
— Você sabe o que eu quero! Com bastante cebola! – Sam rolou os olhos e foi andando
— Lili, por que não vai com ele? – Ella deu uma piscadinha pra irmã — Eu quero um cheeseburguer sem salada.
— Mais alguma coisa, majestade? – Lili perguntou saindo do carro
— Claro minha fiel súdita, pergunta se tem torta.
Lili correu alcançando Sam.
— Ah! Se você comer cebola, eu não chego nem perto de você! – disse Ella pra Dean
— Sammy, cancela a cebola! – Gritou Dean com quase todo o corpo para fora da janela.
Ella e Dean viram Lili e Sam entrarem na lanchonete.
— Espertinha – disse Dean puxando Ella do banco do fundo pro colo dele e dando um beijo.
— Você tem certeza? – perguntou Ella sorrindo com os lábios nos de Dean – que eu não sou só uma fachada para você? Quer dizer... Não é gay é?
Dean fingiu pensar por um instante e depois olhando seriamente em seus olhos, encostou ela no volante e foi beijando seu pescoço até fazê-la sentir um calafrio, depois escorregou os lábios até o ouvido e sussurrou com a voz grave
— Isso te responde?
O rádio que tocava uma música qualquer de repente começou a chiar.
— Que merda é essa? – perguntou Dean batendo com o dedo no radio
— Dean olha lá! – disse Ella apontando pra o lugar onde Lili e Sam deviam estar.
— Merda! – disse correndo pra fora do carro
Já da porta eles puderam ver a matança. Pessoas decepadas, tripas espalhadas pelo chão, sangue por todo lado, cabeças separadas de corpos. Ambos carregavam armas para o caso de um ataque. Ela tentava achar algum sinal dos pensamentos da irmã. Nada. Não havia qualquer sinal de Lili e Sam.
— P* merda! – disse Ella pegando, na porta dos fundos, um pó amarelo. Dean pegou a mão dela e cheirou
— Enxofre! – Ella olhou pra Dean arregalando os olhos.
Alguma coisa caiu em algum lugar e eles ouviram o barulho.
— Não saia daqui – Dean falou num gutural e saiu pela porta – Sam! – Ele esquadrinhou o lugar com os olhos e chamou algumas vezes, mas não houve resposta. Era um pequeno bosque cheio de lama, sem qualquer sinal de vida – Eles não estão aqui... Ella? – Dessa vez Dean estava sozinho. No bar cheio de pessoas mortas. E Elvis cantava ao fundo.
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