Notas iniciais
Boa leitura! =)

Clark e Bruce saíram da limusine e seguiram para dentro do Edifício Solaris. O horário do leilão havia chegado, mas pontualidade não era comum no mundo dos super-vilões. Clark Kent, ou melhor, Grimm ajeitava sua jaqueta de couro sem manga, a nudez dos braços ajudava na liberdade de movimentação e na exibição de seus músculos. As ombreiras incomodavam, mas também usá-las lembrava um pouco a sensação de vestir uma capa. O cabelo preto estava penteado para trás, uma mudança sutil que o diferenciava do jeito desajeitado de Clark Kent e da confiança do Superman. Clark nunca foi fã de máscaras, mas a ocasião pedia por uma, mesmo que cobrisse parcialmente o rosto — olhos visíveis, boca coberta. As botas faziam muito barulho, mas combinavam com a calça cargo igualmente preta.

— Você está pronto, Grimm? — perguntou Bruce.

Grimm assentiu com a cabeça. O silêncio e a concordância faziam parte do personagem que Clark Kent criou em meia hora de voo por Metrópolis.

A barbicha falsa ao redor da boca de Dante Blackwood ajudava na distinção do rosto público de 500 bilhões de dólares de Bruce Wayne. O visual de Dante era todo escuro, mas elegante — o terno por baixo do sobretudo, inclusive, parecia o mesmo utilizado no almoço com Clark Kent. Haviam itens escondidos sob o sobretudo, como facas e um soco inglês, este no bolso do paletó.

Grimm apertou o botão do elevador e a porta se abriu depressa. Enquanto entravam e apertavam o botão do elevador que levava à cobertura, um cabo de guarda-chuva impediu que a porta se fechasse.

Dante Blackwood reconheceu a ponta do guarda-chuva de imediato, assim como o dono baixinho de nariz pontudo com uma cartola sobre a cabeça e um terno que mal fechava os botões naquele corpo gordinho.

— Boa noite, cavalheiros — disse Oswald Cobblepot.

— Pinguim. — O tom de Blackwood foi neutro. Oswald analisou a figura de preto e o reconheceu na hora.

— Não acredito. Dante Blackwood?! Pensei que estivesse preso em Blackgate.

— Posso dizer o mesmo de você, seu tampinha narigudo.

Grimm tentou não arregalar os olhos, surpreso com a atitude de Bruce como Dante.

— Prisão alguma é capaz de segurar Oswald Cobblepot! — declarou arrogantemente o vilão, usando a ponta do guarda-chuva para pressionar o botão da cobertura. — E você? Como escapou de Blackgate?

— Subornei as pessoas certas.

Pinguim riu alto, mas parecia uma risada tão falsa quanto a barbicha de Blackwood. Cobblepot voltou sua atenção para o brutamontes ao lado de Dante, analisando-o de cima a baixo como se procurasse um ponto fraco.

— Quem é o musculoso aí?

— Este é o Grimm, um guarda-costas que contratei. Grimm, este é Oswald Cobblepot, o Pinguim.

— Hum — resmungou Grimm, os olhos fixados na cartola do Pinguim.

— Não é um cara de muitas palavras, não é? — Desta vez o riso foi baixo.

— Pois é. O último guarda-costas me dedurou para as autoridades, então procurei um perfil mais caladão desta vez.

— Preocupado com o Azulão? Heh, não precisa. A cobertura terá um energizador de kryptonita e drones para dar e vender, então se o Super-Escotário aparecer, é só ativar que ele vira mocinha.

— Eu me preocuparia com o Batman também. Soube que ele poderia estar em Metrópolis.

Grimm olhou de canto para Blackwood. Parecia um risco desnecessário mencionar o Batman, mas notou na face do bilionário um excesso de confiança pouco costumeiro.

— Os rumores são falsos — disse Pinguim. — Minha galera em Gotham avisou que aquele tanque de guerra foi avistado nas ruas de lá. Portanto, este será um leilão sem super-heróis para nos atrapalhar.

— Humpf — falou Grimm num tom revoltado.

— Não parece que ele gostou.

— Digamos que eu fiz uma promessa de que ele entraria numa briga.

— Camarada, o que mais tem por aqui é gente com rosto socável. Divirta-se, heh.

As portas do elevador finalmente abriram. A cobertura já estava com bastante gente, alguns peixes grandes de Gotham se faziam presentes assim como vilões já residentes de Metrópolis. A segurança estava reforçada com membros da Intergangue portando armas altamente tecnológicas enquanto drones sobrevoavam o céu, mirando principalmente para cima, de onde o Superman poderia aparecer durante uma intervenção.

O Pinguim saiu de perto de Blackwood e Grimm, usando o guarda-chuva como bengala enquanto mancava para longe, cumprimentando os colegas de crime.

— Não perguntou sobre a identidade do anfitrião — murmurou Clark. Bruce só conseguiu ouvi-lo graças ao comunicador em seu ouvido.

— Não faz diferença, ele não sabe mesmo.

Um segurança abordou a dupla e pediu os convites. Dante e Grimm entregaram seus respectivos cartões. Ao mesmo tempo, um garçom ofereceu champanhe para a dupla. Dante prontamente pegou, mas Grimm, com um murmúrio impaciente, recusou. O kryptoniano também usou sua visão de raio-x para analisar o champanhe e não havia nada de irregular, apertando o ombro de Dante como se confirmasse a pureza da bebida.

— Tenham um bom leilão — disse o guarda, devolvendo os cartões.

Dante agradeceu e seguiu para uma das mesas. Grimm o acompanhou, observando todos os convidados e, discretamente, ouvindo as conversas que pareciam interessantes. Killer Croc também se fazia presente num terno pouco confortável para um crocodilo gigante. Ele conversava com o Parasita sobre a NBA. Hera Venenosa e Magpie compartilhavam a mesma mesa, com uma cadeira vazia, talvez reservada para a Mulher-Gato. Curto Circuito também estava com as duas vilãs de Gotham. Grundy e Bizarro conversavam sobre a vida após a morte, mas Grundy não parecia entender a língua bizarra falada pelo clone defeituoso do Superman.

— Ei, Blackwood. Vem cá — Pinguim o chamou.

Dante hesitou por um instante, mas se aproximou da mesa de Oswald Cobblepot. A mesma mesa em que se sentavam o Metallo, Coringa, Caveira Atômica (numa roupa que cobria mãos e cabeça, impedindo que a radiação corporal escapasse do corpo) e Bane, além de duas cadeiras vazias.

— Acho que reconhece a galera das páginas policiais. Pessoal, estes são Dante Blackwood e seu comparsa, Grimm. — Grimm soltou um resmungo impaciente enquanto Dante acenou timidamente. Pinguim continuou a tagarelar: — Eu estava contando para os meus colegas sobre o dia em que joguei kryptonita no Superman.

— Aquele dia foi hilário. HAHAHAHAHA! — riu o Coringa. — Luthor estava comigo quando roubei o Laço da Mulher-Maravilha. Deveriam ter visto a cara dela. Me faz rir só de lembrar. AHAHAHHAHAHA!

— Aí os dois fugiram juntos enquanto nós três tocamos o terror na Sala da Justiça — completou Cobblepot, rindo enquanto bebia o champanhe. — Bons tempos. Pena que Luthor se sente superior demais para confraternizar com os velhos amigos.

— Fica difícil quando se é el presidente del país — defendeu Bane com seu sotaque espanhol.

— Nem sei por qual motivo ele foi convidado — falou Metallo, irritado. — Todos sabíamos que ele não viria. Mas é melhor assim, ele traria um bando de segurança para proteger aquela careca lustrosa.

— E sobra mais caviar — completou o Caveira Atômica.

— Careca lustrosa. AHAHAHAHAHA! Não era você quem queria fazer parte da equipe de segurança do presidente Luthor? — perguntou Coringa num tom provocativo.

— Ele ainda vai pedir minha ajuda. E eu vou garantir que ele se ajoelhe perante mim.

Metallo se levantou e abriu seu peitoral metálico, exibindo a kryptonita interna que servia como bateria para seu corpo. Grimm sentiu o corpo enfraquecer e suor começou a escorrer em sua testa, mas ele se virou depressa para evitar ser visto. Coringa, com um taco de beisebol, deu uma paulada na cabeça do Metallo.

— Esconde isso, idiota! Cê sabe que isso é radiação. E eu não quero morrer por causa da radiação.

— Pra mim isso não é um problema — comentou Caveira Atômica, sereno.

— Eu quero ser morto pelo Batman. HAHAHAHAHA! Ser morto pelo Batman. Em público. Televisionado. Carregado por ele e deixado em cima do capô da polícia. Seria cinema absoluto e minha maior piada.

— Que tipo de fantasia doentia es esa? — questionou Bane. — Batman merece morir!

— Alguém sabe quando o leilão vai começar? — perguntou Dante, arregaçando a manga do braço direito e exibindo seu relógio Rolex.

— Por que a pressa, engomadinho? AHAHAHA!

— Tempo é dinheiro. E enquanto estamos todos aqui falando sobre a ausência do Luthor e sobre a morte do Batman, estou perdendo tempo e dinheiro. — Sutilmente Blackwood apontou com a cabeça para Grimm.

— Relaxa, Blackwood — pediu Cobblepot, apreciando o champanhe. — A noite é uma criança. Daqui a pouco o anfitrião vai chegar.

— Quem é esse cara, por sinal? — perguntou Metallo.

— Eu achei que fosse o Luthor a princípio, mas não parece a cara dele distribuir kryptonita para outros criminosos — comentou o Caveira.

— Espera, nenhum de vocês sabe quem ele é? — perguntou Cobblepot que, após a confirmação do grupo, caiu na gargalhada.

— Qual é a graça?

— Porque eu sei quem é nosso anfitrião!

— Então fofoca aí, Oz. HOHOHOHO!

Antes que Cobblepot pudesse espalhar o nome do anfitrião, um membro da Intergangue interveio e avisou que o leilão começará em 2 minutos e que todos preparassem seus lances. Por fim, convidou Oswald Cobblepot para chamar o anfitrião ao palco.

— Opa, parece que vou ‘fofocar’ para todo mundo, afinal de contas. Com licença, senhores.

O Pinguim seguiu o membro da Intergangue até o palco, ajeitou o microfone para sua altura diminuta e pigarreou:

— Senhoras e senhores, monstros e metahumanos, boa noite. Meu nome é Oswald Cobblepot, mas vocês já me conhecem, é claro, afinal todos sabem quem é Oswald Cobblepot. — O Pinguim esperou gargalhadas, mas até o Coringa ficou sério. Com outro pigarreio, voltou sua atenção para o papel que lhe foi entregue. — Tudo bem. Ah… Sim, bem-vindos ao leilão da Intergangue, blá blá blá, vão ser leiloadas armas de destruição em massa, armas alienígenas, blá blá blá, e claro, o que todos estão de olho: A Kryptonita! Então, blá blá blá, recebam por favor nosso anfitrião, o primeiro e único líder do Planeta-Arena, Mongul!

Os aplausos vieram seguidos de murmúrios de surpresa. Clark e Bruce se entreolharam, pensativos. Uma plataforma surgiu atrás de Cobblepot revelando Mongul, um sujeito amarelo maior do que o Grundy e mais encorpado que o Bane depois de usar Veneno, com a cabeça achatada que não escondia sua origem alienígena. “Claro que seria o Mongul”, pensou Clark. Vindo do distante Planeta-Arena, onde governa com punhos de ferro, para leiloar o único utensílio capaz de eliminar o único homem no universo que já o desafiou alguma vez na vida — e que saiu vencedor para contar essa história.

Mongul recebeu os aplausos de braços abertos e mãos espalmadas, sorrindo de orelha a orelha.

— Muito obrigado! É bom ter todos aqui na cobertura do Edifício Solaris. Obrigado, senhor Pinguim. Pode se sentar agora. — Pinguim foi levado de volta para seu lugar, o nariz pontudo empinado com sua superioridade. — Me alegra ter tantos convidados aqui esta noite, pois tenho uma surpresa para vocês. Além de todos os lotes prometidos, recebi uma encomenda secreta que está neste envelope. Pode parecer pouco ou irrelevante. Quem vai querer um envelope depois de comprar tanta kryptonita? Pois lhes digo que neste envelope tem nada mais nada menos do que as identidades secretas de Batman e Superman!

Em meio aos suspiros de surpresa do público, Clark e Bruce se entreolharam mais uma vez. O olhar de Dante Blackwood era o mesmo visto em Grimm: Ambos estavam incrédulos.

— É como o Pinguim disse. A noite é uma criança — murmurou Clark pelo comunicador.

Notas finais
Espero que tenham gostado! =) Acho que vou postar nesse intervalo de quarta e domingo, como eu fazia antigamente.