Superando Você
3 Capítulo 3
No dia seguinte Frank acordou com uma dor de cabeça que não sentia há muito tempo. Se sentou na cama, e viu Brian do seu lado. Então se lembrou.
- Oh, Deus...
Ele não devia ter bebido. Mas, também não devia ter feito muitas outras coisas na sua vida. E também, a trepada da noite passada foi... explosiva. E com Brian! O empresário da banda, que sempre foi o amigo de todo mundo, e nada mais. Até a noite passada Frank nem sabia que Brian curtia caras. Bem, aparentemente ele curte. Não que tenha sido um erro horrível. Frank estava decidido a esquecer Gerard, e Brian era um sério candidato a um substituto. Não, não essa palavra. Substituto não, porque Frank não queria substituir Gerard. Nem em sonho. Nem se ele quisesse, alguém poderia substituir Gerard. O que ele sentia pelo vocalista era algo que nem ele mesmo entendia. Brian seria.... nem Frank sabia direito.
Aliás, Brian se movia e grunhia ao seu lado agora. Frank mordeu o lábio e olhou para o homem ao seu lado, que já o olhava com uma expressão neutra:
- Cara....
- Eu sei. – Frank falou, desconfortável. Não sabia o que aconteceria agora, se Brian correria dali como quem foge da morte, ou.....
Brian se sentou também, ficando ao lado dele. Frank tentou não notar no corpo dele sem camisa. Sem roupa nenhuma, na verdade. Soltou o ar que estava segurando sem notar desde que viu Brian acordando.
- Então. – o empresário falou ao seu lado, não o olhando.
- Então. – Frank repetiu, olhando pra parede. Sua respiração parou novamente. Então o outro falou:
- Eu não sei quanto a você, mas eu não tenho uma trepada boa assim há décadas. – e acendeu um cigarro. Frank pôde respirar novamente e então riu, pegando o cigarro dos dedos do outro e tragando, relaxando e sentindo-se mais confortável agora.
- É, comigo também faz um tempinho.
- Mas eu pensei que você tinha aquele... negócio com o Gerard.
- Negócios inacabados. E ontem eu resolvi acabar.
- Ah, muito obrigado pela consideração.
- Não! Quer dizer.... eu não... – Frank tentou se desculpar, mas ficou aliviado quando viu um sorriso nos lábios de Brian. Sorriu também.
Com o silencio, Frank notou que a conversa seguiria para o próximo tópico... Algo que ele estava tentando evitar desde que acordara, mas era inevitável.
- Então.... foi só isso mesmo ou você quer....
Brian o olhou, com o canto da boca levemente curvado.
- E você acha que eu iria dispensar outras trepadas como a de ontem?
Frank riu abertamente e tragou de novo. Era incrível como o empresário era simplista. Esse simplicidade já tinha salvado a banda algumas vezes.
Brian se inclinou na cama, chegando mais para perto do guitarrista e mordendo de leve seu pescoço em seguida, causando-lhe uma mistura de arrepios, cócegas e dor. Frank o afastou suavemente e também o mordeu de volta. Eles riram, Frank ainda meio constrangido, e estão se beijaram. Inocentemente no início, até Frank lamber de leve o lábio do outro, aprofundando o beijo. Brian passou sua mão pela cintura nua de Frank, sentindo como o guitarrista tinha uma estrutura frágil e pequena, e em seguida continuando a descida de suas mãos. O mais novo gemeu de leve ao sentir a mão do outro em si, então separou o beijo.
- Acho que temos que ir. Vão começar a achar que a gente morreu, ou sei lá.
Brian concordou.
- E eu tenho trabalho a fazer. Vocês só têm que tocar, eu tenho que fazer com que vocês toquem.
Ele se levantou e estava procurando sua blusa quando Frank falou, meio receoso:
- E.... nós... contamos a eles?
- Não precisa. Acho que depois de ontem, o andar todo já deve saber.
Frank riu, lembrando do quanto gritara. Também se levantou e começou a se vestir. Quando estava apenas com a calça, sentiu as mãos de Brian em sua cintura e sua voz sussurrada em seu ouvido:
- Mas vamos ser discretos, ok? Isso não é da conta de mais ninguém.
Frank se virou para olhar os olhos azuis do empresário e assentiu. Sorriu e o beijou novamente.
- Agora, — o outro falou. – eu tenho que voltar pro meu quarto. Te vejo no café da manhã?
- Eu nem sei que horas são... – ele procurou pelo quarto os dígitos vermelhos brilhantes do relógio, e viu: 10 horas. – Acha que eles já acordaram?
- Talvez. Vou ver. Até daqui a pouco.
- Até. – Frank falou, tristonho. Brian notou isso e o beijou novamente antes de abrir a porta e sair do quarto.
Frank suspirou, não conseguindo conter o sorriso. Foi terminar de se vestir.
***
Qualquer dúvida que Frank tinha sobre os outros estarem sabendo ou não, esvairou-se quando ele foi tomar café. Somente as feições dos rapazes da banda quando ele se sentou à mesa valeu mais que qualquer palavra. E claro, Ray perguntou:
- Teve pesadelos ontem, Frankie?
O guitarrista resistiu ao impulso de sorrir. Foi mais bem sucedido que Bob e Ray. Estes riram abertamente, ao contrario de Mikey e Gerard, que continuaram impassíveis. Não. Mikey estava impassível, Gerard estava com uma expressão de além- túmulo, não tirando os olhos do seu café da manhã.
- Não. – Frank respondeu normalmente, passando manteiga no pão. Olhou em volta rapidamente, e não viu Brian em lugar nenhum.
- Ah. Legal. – Bob falou, numa risada abafada. Frank dessa vez não conseguiu esconder o sorriso.
- Eu vou.... – Gerard falou de repente, se levantando. Nem terminou a frase. Ele nem sequer olhava na direção de Frank. E quase que por coincidência, Brian apareceu segundos depois.
As caras de riso abafado de Ray e Bob pioraram quando o empresário se sentou onde Gerard estava momentos atrás, na diagonal de Frank. Logo que viu a situação, ele falou:
- Ah, pelo amor de Deus. Vocês têm o que, 8 anos?
As risadas pararam, mas foram substituídas por olhares significativos. Mas Brian foi profissional como sempre e começou a explicar tudo que eles deveriam saber sobre os shows na próxima cidade. Nenhum sorriso roubado, nenhuma olhada que durasse mais que o necessário. Bem, ele ainda era o empresário deles.
Depois que Bob e Mikey saíram da mesa e Frank já tinha terminado de comer, Brian deu um jeito de chutar o seu pé pra fazer Frank o olhar. Um aceno discreto de cabeça foi o suficiente. Ele se levantou e andou até as escadas, parando quando ouviu o seu nome. Se virou e viu o empresário indo até ele, com um sorriso sutil no rosto. Os seus olhos azuis olharam em volta antes de puxar o guitarrista pela cintura e o pressionar na parede, num beijo rápido mas caloroso. Se olharam.
- Você tem algo pra fazer agora? – Frank perguntou.
- Só arrumar minhas malas.
- Eu também.
Olharam-se, descontentes.
- Ok, ok. Eu tenho que ir então. – Brian falou. – Elevador?
Frank sorriu.
***
Gerard respirou fundo. Abria e fechava a mão, diante da porta. Podia ouvir levemente os sons que eram proferidos lá dentro. Fechou os olhos, tentando ignorar a sensação na boca do estômago. Não sabia o que estava fazendo, muito menos porquê estava fazendo. Ergueu a mão como se ela pesasse como chumbo, e bateu na porta. Ouviu mais alguns sons de lá de dentro. Então a porta abriu.
- ...Oi Gee.
- Oi Frankie. – ele sorriu o mais naturalmente possível. Frank estava na sua frente usando apenas uma calça jeans, com um olhar curioso. Ao fundo, Gerard pôde ver Brian sentado na cama, apenas coberto da cintura pra baixo pelo lençol, fumando um cigarro. Tentou não olhar pra ele. Sacudiu a cabeça olhando para o chão, e continuou. – Ahm... você viu os meus óculos vermelhos? Eu não acho em lugar nenhum.
Frank o olhou com uma expressão óbvia. Do tipo “Meu Deus, o que você tá fazendo aqui, Gerard?”. Mas o vocalista apenas sorria, tentando parecer casual.
- Não, eu não vi. Só isso?
- É, é que eu tava fazendo a mala, e não achei...
- O Ray encontrou – ouviu-se a voz de Brian. – Fala com ele.
Frank nesse momento o olhou com uma expressão cansada daquilo, algo como: “Isso não estaria acontecendo se você tivesse feito algo enquanto ainda dava tempo”. Mas foi só por um segundo. Logo depois a expressão amigável e levemente curiosa voltou. Ele sorriu.
- Poisé. Até mais.
- Até.... – Gerard falou fracamente enquanto Frank fechava a porta. Ele respirou fundo e voltou pro seu quarto. Sentou na cama, olhou pra sua mala pronta e pro relógio. Ainda tinha bastante tempo. Pegou seu celular e discou o número familiar. Logo ouviu a voz que tanto conhecia:
- Alô?
- Oi.
- Hey!
- Eu não to bem.
***
Fale com o autor