Superando Você
4 Capítulo 4
- Frank, você quer parar?
- De jeito nenhum.
Brian riu, olhando em volta enquanto Frank chupava o seu pescoço com voracidade. Eles estavam atrás do ônibus do MCR, faltava uma hora para eles terem que ir embora. Todas as bagagens já estavam no ônibus, então a banda ficou por lá mesmo. Menos Gerard, que “deu uma volta”, e Brian e Frank estavam atrás do ônibus da banda, aparentemente ocupados.
O mais novo moveu os lábios do pescoço do empresário até a sua boca, mordendo seu lábio inferior levemente, sentindo o metal frio do piercing. Brian pressionava o corpo diminuto de Frank contra o ônibus, suas mãos já abrindo o botão da calça do guitarrista. Frank sorriu no beijo, e afastou as mãos de Brian. Preferiu fazer as suas próprias abrirem devagar a calça do outro e enfiar uma mão lá dentro.
- Você nunca usa roupa de baixo?
- Você sabe que não. – o empresário sorriu antes de beijar o mais novo furiosamente. Mordeu o lábio de Frank ao sentir a mão dele na sua pele. O guitarrista sorriu e começou a beijar e morder o pescoço do mais velho, enquanto ocupava a sua mão, fazendo o empresário ficar ainda mais ofegante.
Por alguns minutos os únicos sons que se ouviu foram os suspiros e gemidos baixos dos dois. Até um carro estacionar ali perto e eles pararem, um pouco vermelhos da pequena pegação escondida. Era um conversível preto velho. Frank logo notou uma cabeleira familiar no banco do passageiro, mas ninguém no banco do motorista. Foi Brian quem proferiu as palavras que Frank estava tentando não pensar.
- Aquele é o Gerard?
O guitarrista por algum motivo não conseguia tirar os olhos da sombra de Gerard, sozinho no carro. A cabeça do vocalista estava jogada ligeiramente para trás, seu peito inflava e esvaziava rapidamente, fazendo parecer que sua respiração era dificultada por alguma coisa. Gerard repentinamente levou suas duas mãos de encontro a sua cabeça, segurando firme seu próprio cabelo. Frank ficou um pouco preocupado, já que Gerard estava sozinho no carro, mas Brian não mais examinava o carro preto como ele. Sentiu as mãos do empresário na sua cintura, o incitando a continuar. Frank o beijou novamente, mas continuou com os olhos abertos, observando Gerard de longe. Parou o beijo novamente quando viu uma outra cabeça cabeluda no carro.
Levantando do colo de Gerard.
E prestando bastante atenção, reconheceu aquela cabeleira ensebada. Sua garganta ficou seca quando viu Bert sussurrando alguma coisa no ouvindo de Gerard, com um sorriso malicioso nos lábios e lambendo-os em seguida, para então beijar Gerard por fim. Voltou rapidamente sua atenção a Brian com um frio no estomago.
- Ahm, vamos mais pra lá, aqui tá cheio de.... formiga.
O mais velho o olhou, mas foi com ele até a lateral do ônibus. Então quando Gerard foi entrar no ônibus, não pode deixar de ver os dois, um com a mão na calça do outro, bocas grudadas e respirações ofegantes. Gerard olhou para baixo, querendo não presenciar aquilo. Era como se Frank quisesse que ele visse os dois juntos. Entrou no ônibus ainda olhando para o chão. Brian se separou de Frank alguns milímetros.
- Temos que ir. Já tá na hora.
Frank concordou. Tinha o rosto corado e estava levemente ofegante. Eles foram até a porta do ônibus, mas antes de entrarem Brian falou:
- E aliás.... eu notei o que você fez.
- Um pouco de ciúme nunca faz mal. – o guitarrista sorriu. – Agora, bagunça o meu cabelo.
Brian o olhou por um segundo antes de pressionar Frank novamente contra a parede do ônibus com força, e o beijar vigorosamente, passando as mãos no cabelo dele, bagunçando-o. Então se separou e falou:
- Já que é pra se mostrar, é melhor que seja autêntico, certo?
Frank sorriu e eles entraram.
***
- Bem, acho que está bastante claro quem vai ficar com o beliche acima ao do Gerard, né? – Bob falou à banda no ônibus.
- Como assim? – Gerard perguntou.
- Bem... você realmente iria querer ficar em cima do Frank?
Levou uns 2 segundos até Bob perceber o que tinha falado.
- Quer dizer, por cima.... Bosta! No beliche de cima! Pronto! No beliche de cima ao do Frank.
Gerard não notou ironia ou sarcasmo nisso, então respondeu:
- Mesmo apesar de eu [i] sempre [/i] ter ficado com o beliche acima ao do Frank, as coisas mudam. Obviamente o Brian vai ficar lá. – essa frase saiu mais fria do que ele pretendia.
Gerard estava começando a se irritar com o modo como os outros o olhavam. Já fazia uns dias que eles o encaravam como se ele fosse um litro de nitroglicerina equilibrado numa gangorra num dia de ventania. Frank estava feliz, e isso era bastante óbvio. E ele mesmo, Gerard, agora estava livre, sem o peso da responsabilidade que tinha antes, de “ter mas não ter” algo com Frank. E realmente, ele não tinha problema nenhum com Frankie e Brian estarem juntos. Eram os seus melhores amigos, claro que ele deveria estar feliz por eles. Pelo menos era assim que ele deveria estar pensando.
Então porquê o seu estômago revirava toda vez que via os dois juntos? Porquê ele ainda tinha pesadelos com a cena daquela noite, Brian e Frank entrando no quarto juntos, com olhares gêmeos de puro desejo? Porquê ele não conversava mais com Frank como fazia antes?
Todas essas questões foram feitas pela voz no fundo da sua mente. Mas outra voz, mais cruel ainda, falou a verdade:
Isso é tudo sua própria culpa.
***
No show seguinte, Gerard mal olhou para Frank, quanto mais tocá-lo. Intimamente, o guitarrista lamentou isso, pois sentia falta da amizade, até intimidade, que tinha com Gerard. Brian até agora não tinha demonstrado ciúme e isso estava incomodando Frank um pouco.
Então nesse show ele foi até Gerard e se inclinou nele, no modo mais sexual que conseguiu em tais circunstâncias. O vocalista se afastou logo, mas então viu o olhar que recebia do outro. Um olhar que dizia tudo. Então entrou na brincadeira e começou a passar uma mão pelo peito de Frank enquanto revezava sua boca para cantar e para atacar o pescoço do outro.
O show inteiro foi assim, cheio de toques e olhares. E quando acabaram, Frank pulou nas costas de Brian para ser carregado até um lugar onde eles pudessem finalmente ficar sozinhos. Então o mais velho apenas falou:
- Pensei que você não gostasse mais dele.
Frank sorriu, como quem está prestes a contar uma piada.
- Gerard é como chocolate para os diabéticos. É proibido, mas a gente não consegue evitar dar uma provada de vez em quando.
Brian não riu da comparação. Mas beijou Frank com tanta força que sentiu o gosto do sangue do outro.
E secretamente, Frank sorria, pois tinha conseguido uma das coisas que queria. Não. Na verdade havia conseguido as duas.
***
Gerard conseguiu pegar o quarto sozinho no hotel. Não queria estar com ninguém, muito menos depois daquela sessão pré-sexo gratuita que havia feito aos fãs. Ainda estava completamente suado quando se jogou na cama. Não importava, nada mais importava. A única coisa que vinha a sua cabeça eram perguntas. Perguntas sem respostas aparentemente. Por quê ficava tão excitado com aqueles toques, aqueles olhares, aquela respiração ofegante na sua nuca? Toda vez que ele e Frank se encontravam no palco era a mesma coisa. Sempre voltava ao seu quarto com os mesmo pensamentos. Não sabia o que sentia pelo guitarrista, mas agora, mais do que nunca, seria impossível descobrir. Frank estava intocável.
Seria impossível desviar seus pensamentos de Frank, quando o mesmo gritava obscenidades no quarto ao lado. Gerard pegou o travesseiro e o pressionou fortemente contra a cabeça, na tentativa de abafar o som de sexo que ultrapassava as paredes, o que era praticamente impossível já que as cordas vocais de Frank pareciam ser feitas de metano. O vocalista perdeu a paciência, já frustrado com aquela situação. Pegou o celular e seu maço de cigarros, e desceu para o hall do hotel. Estava morto de cansaço, masqualquer coisa seria melhor do que ter que ouvir os gemidos e gritos de Frank. Já no andar de baixo, resolveu acender um cigarro, quando viu uma enorme placa expressando a proibição de fumantes no local. Suspirou pesadamente e saiu do hotel. Do lado de fora, sentou-se no meio-fio com o cigarro já aceso nos lábios. Pegou o celular, e resolveu ligar para a única pessoa que poderia lhe ajudar no momento e que o estava ajudando a algum tempo.
***
- Wow... – Frank suspirou, saindo de cima de Brian.
- Há, eu sei... – o empresário tentou sorrir autoritariamente, mas falhou devido ao cansaço.
- Babaca! – apesar das palavras, Frank ria, levantando-se da cama e se dirigindo ao banheiro.
Quando voltou, brian já havia desmaiado na cama. Sorriu para si mais uma vez, vendo o corpo no do empresário estirado na cama, coberto apenas por uma parte do lençol. Precisava fumar. Vestiu a calça, sem se importar com a roupa de baixo, uma blusa, e saiu do quarto o mais sorrateiramente que conseguiu, com seu maço de cigarros na mão.
Do lado de fora do hotel, Frank suspirou pesadamente ao ver Gerard sentado no meio-fio. Andando até ele, resolveu colocar um sorriso nos lábios.
- Hey, Gee, o que você ta fazendo aqui embaixo?
Gerard quis falar que era culpa dos gritos mais orgásticos que já havia ouvido vindos do quarto ao lado, mas pensou melhor e preferiu inventar uma desculpa. Com um sorriso no rosto, respondeu:
- Não consegui dormir, e você?
- Fumar... – Frank falou abrindo o maço em sua mão. Sentou-se ao lado de Gerard e acendeu seu cigarro.
O silencio era constrangedor. Nenhum dos dois sabia o que falar. Gerard já estava ficando incomodado com aquilo. Esse tipo de situação nunca havia acontecido entre eles. Mesmo que não houvesse o que conversar, nenhum silencio havia sito tão cortante como esse. Coçou a garganta, se preparando pra falar.
- Então...uh... legal o show hoje, né? – Gerard queria se bater pela “originalidade” do papo. Frank notou, e riu.
- Pois é... bem legal... – falou, tragando o cigarro em seguida. Gerard não resistiu o que veio a sua garganta em seguida, e proferiu:
- Melhor ainda foi depois... – Frank o olhou curioso, mas sabia exatamente do que o vocalista estava falando. Resolveu se fazer de sonso, para ver até onde a coragem do outro ia.
- Do que você ta falando, Gerard?
- Ah, não se faz de cínico, porque não te encaixa. Você sabe muito bem do que eu to falando. – falou rindo, mas o frio da boca do estomago o fez se encolher um pouco. Frank riu também.
- Espero que não tenha sido isso que tenha te feito descer...
- Não... que isso... – tentou esconder o sarcasmo, mas sem sucesso. O guitarrista agora o olhava mais interessado.
- Você ficou ouvindo a gente, Gerard? – o olhou com malicia.
- Engraçadinho. Nem se eu quisesse eu conseguiria deixar de ouvir. Sua garganta deve estar machucada.
Os dois se olharam sérios por um momento, até Gerard desviar o olhar. Frank notou uma ponta de ciúmes nas palavras do vocalista, o que o fez se sentir bem. Não por ele estar fazendo mal a Gerard, mas por saber que o mais velho ainda se importava com ele. Ou seria algo mais? Com esses pensamentos, Frank sacudiu a cabeça, achando que isso seria a coisa mais ridícula a se pensar. Ele havia dado todos os indícios ao vocalista, e ele só parecia se afastar, ou ignorar. Frank suspirou derrotado, e reparou que ainda não havia parado de olhar para Gerard. Virou a cabeça rápido, mas Gerard já havia notado o tempo que o mais novo havia ficado o encarando.
- Frank...
- Olha, Gerard, eu sinto muito que você tenha ouvido, ou que isso tenha te atrapalhado de alguma forma. Não foi a minha intenção. – Frank dirigiu suas palavras aos seus pés.
- Presunçoso você, não? – ria mais uma vez, levantando-se. – Não era isso que eu ia falar. Eu só queria avisar que eu to indo.
- Indo?
- É, o Bert chegou.
A dor que Frank sentiu na barriga lhe deu vontade de vomitar. Por que estava sentindo isso? Não deveria estar com ciúmes de Gerard, se fora ele a dar o primeiro passo para que aquela situação ridícula entre os dois acabasse. Ele estava agora com Brian, e ele era o suficiente. Então por quê, mesmo assim, ainda tinha raiva em ver Gerard com Bert? Não sabia se eles estavam tendo algo serio, mas o simples fato de saber das coisas que os dois poderiam estar fazendo juntos (e realmente estavam), o deixava doente.
- Ah, tudo bem, eu vou subir então. Se cuida, Gee.
Gerard o olhou, franzindo uma sobrancelha. Não entendeu o que Frank quis dizer com aquilo, mas não teve chance de perguntar, já que Frank saíra andando rápido para dentro do hotel.
O vocalista dirigiu-se ao carro parado do outro lado da rua, e entrou batendo a porta com mais força que pretendia. Olhou para Bert, e o outro estava com a calça ligeiramente aberta. Sorriu maliciosamente lambendo os lábios, e Bert riu sonoramente.
- Vamos sair daqui.
***
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