Superando Expectativas
24 Daddy is my hero.
Notas iniciais
Como vocês estão?
O capítulo original ia ser bem diferente desse, mas resolvi reescrevê-lo. Mais pra exercitar a mente e a criatividade mesmo, tava precisando.
Espero que gostem, e divirtam-se! :)
Era começo de tarde na Corporação Cápsula.
Bulma trabalhava incessantemente desde a manhã, quando os primeiros raios solares apareceram. A franja de seu cabelo estava oleosa por conta do suor. E o motivo desse suor, era o mesmo pelo qual a cientista de cabelos azuis trabalhara durante horas.
Os geradores de energia da mansão haviam sofrido um baita curto-circuito, resultando em um completo apagão. Com a ajuda de três lanternas e uma garrafa de água, a mulher estava tendo dificuldades em achar a solução do problema. Bufando extremamente irritada, largou a chave de fenda, deitando sob o chão frio do laboratório. “Saiyajin teimoso! Falei tanto pra ele não fazer isso, falei tanto pra ele não treinar com a gravidade muito alta, se não isso ia acontecer... mas ele me escuta? Nãããão, ele só sabe olhar pro próprio umbigo. Ai, mas que raiva, Vegeta!”
Ela suspirou cansada, fechando os olhos. Procurando em sua mente pela resposta, ela rapidamente pôs-se de pé novamente. Com os olhos faiscando de determinação, Bulma pegou uma das lanternas, enquanto se dirigia para fora do laboratório.
Era sempre assim. Ele quebrava alguma coisa, ela tinha que consertar. Não era um grande problema, mas a herdeira já estava suficientemente atarefada. Não tinha tempo para encobrir os estragos que Vegeta fazia. Dessa vez, não. Ela o faria ajudar. E caso ele discordasse, sentiria a fúria de Bulma Briefs!
“VEGETA!” A voz da furiosa cientista ecoou pelo jardim externo da casa, chamando a total atenção do saiyajin.
Vegeta ergueu uma sobrancelha, curioso. Ele sabia que ela deveria estar cansada, afinal, todo o trabalho ficara por sua conta, já que seu pai e sua mãe haviam viajado naquele final de semana. “O que foi, mulher? Por que está gritando?”
“Por que eu estou gritando? Por quê? Olha aqui, você tem muita cara de pau mesmo pra me fazer uma pergunta dessas! Eu to trabalhando feito uma louca desde cedo porque VOCÊ fez nossa casa ficar sem luz, treinando em uma gravidade absurda!”
Ele deu de ombros, lançando um olhar indiferente. “Não faz mais do que sua obrigação. Você mesma diz que ama seu trabalho, não é?”
Bulma fechou as mãos em punhos, sentindo o corpo tremer pela raiva. Como era possível aquele homem ter título de príncipe, se era tão grosso? “Ah, mas eu amo meu trabalho sim. Amo tanto que to consertando uma cagada que você fez, sem reclamar. Mas você tem que entender, querido, que eu já estou suficientemente ocupada! Não tenho tempo pra essas coisas, Vegeta! Você sabia que não podia treinar sob aquelas circunstâncias, você sabia que isso ia acontecer! Então por que diabos não diminuiu a gravidade, hein?” As mãos de Bulma agora estavam segurando sua cintura, e em seu rosto, uma genuína expressão de descrença.
Vegeta mais uma vez deu de ombros, porém suspirou pesadamente. Ele não estava com a mínima paciência pra aquele tipo de discussão. “E você sabe que preciso ficar mais forte. E também sabe que se eu não treinar com uma gravidade elevada, nunca alcançarei meu objetivo. Mas que droga, mulher! Por acaso está tendo dificuldades em fazer um trabalho simples?”
Bulma balançou a cabeça, colocando sua franja para trás. “Eu... eu... ESCUTA AQUI, você tem noção do quão é difícil trabalhar no escuro? Não dá pra fazer muita coisa! Eu preciso de luz, muita luz, pra poder reparar os fios, aliás, substituí-los, já que todos foram queimados!” Claro que ela sabia que ele precisava ficar mais forte. A cientista já até havia preparado um discurso caso ele usasse esse argumento. Entretanto, ela precisava concluir trabalhos mais importantes. E pra isso, precisava convencê-lo a ajudar. “Venha comigo até o laboratório.” Ela disse, virando-se, sem mesmo dar oportunidade a Vegeta para que protestasse.
E mais uma vez, ele bufou. Conviver com Bulma era difícil. Muito difícil. Ela tinha uma teimosia páreo a páreo com a dele, e isso o deixava intrigado. Descruzando os braços, e levantando-se, ele começou a segui-la.
Quando chegaram ao seu destino, Vegeta teve que concordar com a mulher. A única fonte de luz presente eram as duas lanternas, que estavam viradas contra o painel onde os fios haviam queimado. Revirando os olhos, ele perguntou, “E então? Estou aqui. O que quer?”
Ela ajoelhou-se em frente ao painel, e colocou os óculos especiais. “Preciso que você se transforme em super saiyajin. Aquela aura dourada vai servir de grande ajuda.”
Vegeta arregalou os olhos levemente, em surpresa. “Grrrr... e por quanto tempo vou ter que ficar aqui parado?”
“Por quanto tempo eu quiser!” Ela zombou, mostrando a língua. Rindo, continuou, “É brincadeira, tá? Antes que você comece com seus sermões. Preciso que fique assim até que eu conserte tudo. Não deve demorar muito. Eu só levei esse tempo todo por causa do escuro.” Vegeta grunhiu, e Bulma suspirou. “Só toma cuidado pra não quebrar mais nada, pelo amor de Kami!”
Vegeta sorriu de canto. “Isso eu não posso garantir.”
Bulma deu a ele um olhar de ‘se você não fizer o que eu mando, faço greve de sexo’, e Vegeta, bom conhecer daquele preciso olhar, grunhiu.
“Já posso me transformar?” Ele perguntou, arrogante.
Bulma assentiu, e em segundos, lá estava ele, em todo o seu resplendor. A herdeira não podia deixar de notar o quanto ele ficava lindo de cabelos loiros e olhos verdes. Soltando uma risadinha maliciosa, ela voltou ao trabalho.
Cerca de uma hora e meia depois, o estrago havia sido reparado, e a luz finalmente voltou. Bulma sorriu a si mesma, satisfeita. Ela levantou os olhos, apenas pra encontrar Vegeta com uma expressão calma e relaxada, muito diferente da sua costumeira carranca. Fechou o painel, tirou os óculos e o jaleco branco, enquanto se aproximava do guerreiro.
“Obrigada, querido.” Ela disse, antes de pousar um delicado selinho nos lábios de Vegeta.
“Hmpf. Não há de que. Agora vá tomar um banho mulher, seu cheiro está horrível, argh!”
Bulma rolou os olhos. “Mas é lógico, passei a manhã toda no escuro, sem ar-condicionado, suando feito uma porca!” Ela respondeu. “A culpa é toda sua.”
Vegeta bufou. Olhando fixamente nos olhos da cientista, ele a puxou pela cintura. “É... a culpa é toda minha...” ele sussurrou nos ouvidos dela, fazendo um arrepio muito familiar percorrer a coluna de Bulma.
Sentindo seu coração acelerar, ela sorriu maliciosamente para ele. “Hummm... já que você me disse pra tomar banho... bem que poderia se juntar a mim, não é?” Ela murmurou, enquanto mordia o lóbulo esquerdo do saiyajin.
Ele pôde sentir sua masculinidade crescer no mesmo instante. Aquela mulher, aquela maldita mulher adorava provoca-lo. Entregando-se à excitação, ele a puxou para um beijo apaixonado e possessivo. Bulma retribuiu, enquanto arranhava de leve as costas de seu companheiro, sentindo claramente o quanto ele a desejava. Ela sorria entre as mordidas que ele aplicava em seu lábio inferior. Vegeta pôs a mão sob o cóccix de Bulma, fazendo-a deitar em seus braços.
Já iam se preparando para sair dali, quando ambos ouviram algo interessante.
“MERDA!”
Vegeta e Bulma trocaram olhares confusos e reprovadores ao mesmo tempo, já sabendo quem era o dono daquela voz. Bulma pulou para fora do colo de seu companheiro, e começou a caminhar em passos longos e fortes, indo na direção do grito. O guerreiro poucos passos atrás dela, já previa o que ia acontecer. Trunks estava encrencado, oh, e como estava! Bulma não admitia seu filho falando palavrões com tão pouca idade. Apesar de ter os pais como exemplo, o menino precisava respeitar as regras.
Ela subiu as escadas pulando alguns degraus, e sem pestanejar, abriu a porta do quarto.
“Trunks.” Ela disse firmemente enquanto encarava o híbrido, que estava deitado em sua cama com um mini game em mãos. “Repita o que você disse há momentos atrás.”
Trunks engoliu a seco. Desviando do olhar maligno de sua mãe, ele levantou-se. “N-nada não mamãe, ehehe!”
Bulma não moveu um músculo sequer. “Repita o que você disse.”
O mestiço ofereceu um sorriso sem graça. “E-eu... eu sei q-que... falei um palavrão mamãe, mas foi um bem pequenininho. D-desculpa.” Ele respondeu abaixando a cabeça. Aquele olhar estava matando-o.
Bulma suspirou pesadamente, massageando suas têmporas. “Você sabe o que acho de palavrões. Aliás, de VOCÊ falando palavras, não sabe, mocinho? Então me faça um favor: nunca mais diga isso, ok? Não até que complete a idade certa.”
Trunks concordou, dessa vez sorrindo sinceramente. “Tudo bem mamãe, desculpa mais uma vez. Mas... “ Ele hesitou por alguns segundos, antes de continuar. “com que idade eu vou poder então? A senhora nunca me disse, sabe...”
Bulma, agora mais calma, se aproximou, abraçando-o. “Huumm... quem sabe quando completar uns 15 anos. Acho que é uma boa idade, afinal, você será um adolescente, e adolescentes precisam se expressar. Mas não pense que vou deixar você falar comigo ou com seu pai da maneira que bem entender, ouviu?”
O híbrido riu, assentindo. “Pode deixar, mamãe!”
Vegeta finalmente entrou no quarto, observando-os. O saiyajin permanecera encostado contra a parede do corredor assistindo de longe, mas sentia que deveria intervir agora. Não à toa, ele tinha um bom motivo pra isso.
Escaneando o cômodo, ele percebeu que sua antiga armadura estava no canto, escondida sob algumas caixas. Fazia alguns poucos meses que ele a havia guardado, e o príncipe tinha certeza de que Bulma a colocara dentro da câmara de gravidade.
*Flashback*
“Isso não é justo!” Trunks dizia a si mesmo. “Eu já tenho idade pra treinar, to com seis anos! Por que meu pai ainda não me deixa entrar na Sala de Gravidade? Que saco!”
Chutando o ar e fazendo um biquinho, o menino encaminhava-se para a saída da escola. Ele sabia que sua mãe estava vindo para busca-lo, e Trunks se sentia um tanto quanto bobo; mimado. Era quase humilhante para o meio-saiyajin não saber voar ainda. Via seu pai voando pra lá e pra cá, e sentia inveja. O que será que o impedia de poder treinar? Afinal, vontade ele tinha. Sabia que seu pai estava cada vez mais forte, sabia que passava o dia todo treinando, e Trunks queria não só ajudar, mas como tornar-se poderoso também. O menino realmente não negava o sangue guerreiro que possuía.
Ele não sabia, mas seus pais fizeram um acordo. E em poucos dias, até que Vegeta dominasse uma técnica nova, Trunks seria iniciado no treinamento. Vegeta daria a notícia, e sabia que seu filho ficaria feliz. Porém, enquanto não dominasse a dita técnica, não deixaria o mestiço chegar perto da Sala de Gravidade.
E disso ele sabia. Que aquele local era sagrado e imaculado. Que ninguém além de seu pai, entrava ali. Com um plano em mente, Trunks chegara em casa com sua mãe, e fora direto para o quarto tomar banho e começar sua rotina de sempre. Ele passaria o resto do dia quietinho, sem levantar nenhuma suspeita. Sabia sobre a utilidade do ki, e sabia que Vegeta o sentiria caso colocasse seu plano em ação naquele momento. Ia esperar até que seus pais fossem dormir, torcendo para que tudo ocorresse como planejado.
Em torno de meia-noite, quando todos na mansão já adormeciam, o híbrido desceu as escadas na ponta dos dedos, tomando extremo cuidado para não esbarrar em nada. A Sala ficava no final do corredor leste. Trunks ainda entrou no banheiro que ficava naquele mesmo corredor para lavar o rosto e retirar o excesso de suor das mãos por conta do nervosismo. Empurrando lenta e silenciosamente, ele abrira a porta. Atônito, demorou alguns minutos para voltar a si. A sala não parecia ter nada demais, fora os botões de controle, e uma pilha enorme de robôs. Trunks se aproximou, analisando as máquinas. “Então é com isso que o papai fica mais forte... mas não é possível, esses robozinhos não parecem ser grande coisa.” O menino pensava, dando de ombros. Quando um botão vermelho chamou sua atenção, ele parou hesitante. Com a respiração entrecortada, levantou uma das mãos, se preparando para ligar a gravidade.
Ele respirou fundo, olhando ao redor. E se não fosse por sua curiosidade gigantesca, teria ido até o fim; teria apertado o botão, e teria experimentado uma sensação nada agradável. Mas, graças aos Deus, uma grande caixa no canto da Sala chamou a atenção de Trunks.
Mais do que depressa, ele virou-se, indo em direção ao objeto. Agachando-se, pôde reparar nos dizeres “armadura saiyajin”. Trunks franziu o cenho, curioso e pensativo. Num ímpeto, rasgou a parte de cima da caixa, abrindo-a. Seus olhos brilharam ao ver o que era.
“Uaaaaaaaaaaau! Será que isso é uma armadura que meu pai usava? Mas... só tem a parte de cima, e ela tá meio quebrada, e suja também...” Trunks murmurava enquanto vestia a tal armadura. Não era pesada, mas era resistente. Ele sabia que só podia ser pertence de seu pai, já que sua mãe não lutava. Sorrindo de orelha a orelha, o pequeno menino de cabelo lavanda suspirou, colocando a armadura de volta na caixa, apressando-se para pegá-la, e guarda-la em seu quarto. Queria uma exatamente igual, e faria questão de pedir para Bulma que construísse.
*Fim do flashback*
“Trunks, o que tem dentro daquela caixa?” Vegeta perguntou, tentando se mostrar indiferente.
Novamente, Trunks sentiu o sangue de seu corpo desaparecer, nervoso. Engolindo um pouco de saliva, e pensando uma, duas, três vezes antes de responder, ele bolou a melhor resposta que conseguira “Ahh... são uns brinquedos velhos, papai. Nada demais.”
Vegeta começou a caminhar a passos lentos em direção à caixa, e percebeu que quanto mais próximo ficava, mais Trunks suava. “Se estiver mentindo pra mim, já sabe o que vai acontecer, garoto.”
O meio-saiyajin sentiu seu coração pular, e saiu correndo, parando na frente de seu pai. “Tá bom, tá bom, eu falo! Há umas semanas atrás, eu... eu entrei na Sala de Gravidade, e-”
“O QUE?” Vegeta gritou, interrompendo-o. “Você sabe que não pode entrar lá, moleque! Como ousa me desobedecer?”
“M-mas papai, escuta! Eu só... bem, na verdade, eu queria muito começar a treinar logo. Tinha um botão lá, eu acho que era pra ligar a gravidade, mas não liguei! Vi essa caixa, e quando vi o que tava escrito, abri pra saber o que era.” Ele admitiu, derrotado. Foi até o objeto, e reabriu a parte de cima, mostrando a seus pais o que era. “Não sei se vocês sabem, mas... ah, que que eu to falando, claro que sabem!” Ele voltou a encarar Vegeta. “Eu sei que essa armadura era sua, e eu só peguei porque achei ela demais, papai! Ia pedir pra mamãe fazer uma pra mim...”
Vegeta grunhiu baixinho, a raiva dando lugar à compreensão. Bulma, que até então, também vira todo o espetáculo em silêncio, começou a falar “Trunks, meu anjinho... é claro que posso fazer uma dessas pra você! Mas você ainda é muito jovem, que tal quando estiver mais velho, hum?” Ela ofereceu em um tom gentil.
Trunks balançou a cabeça. “Droga! Só vou poder fazer as coisas que eu quero quando for mais velho?”
“Sim.” Vegeta respondeu rapidamente. Ele ajoelhe-se na frente de Trunks, colocando uma das mãos sobre seu ombro. “Escute, Trunks. Sei que quer começar seu treinamento, mas precisa aprender a ter paciência, pirralho. Tudo no seu tempo.”
O mestiço respirou fundo, soltando o ar lentamente. Assentindo, ele abraçou seu pai. “Tudo bem, pai. Eu espero.”
Vegeta piscou algumas vezes, surpreso com a atitude do filho. Voltando a si, o empurrou. “Argh! Você e sua mãe adoram esse sentimentalismo irritante!”
Trunks e Bulma começaram a rir, enquanto Vegeta vestia sua famosa cara amarrada. No entanto, o saiyajin não pôde deixar de se sentir orgulhoso. Trunks ainda era muito jovem, mas já possuía vontade de lutar. Com esse pensamento em mente, o sorriso de canto novamente aparecera.
***
“BRA! VEM ALMOÇAR, QUERIDA!” Bulma gritou em direção as escadas.
A princesinha saiyajin estava no auge de seus quatro aninhos. Inteligente como sua mãe, e orgulhosa como seu pai. Mas por ainda ser muito nova, e consequentemente, inocente, naquela última semana, Bra aprontara poucas e boas. Na segunda-feira, a menina havia entrado no quarto de Trunks, e descobriu algo não muito apropriado para uma criança... Ela não entendia até hoje o que aquelas mulheres nas revistas estavam fazendo sem roupa!
Na terça-feira, Bra fez um verdadeiro escândalo porque seu pai havia levado o irmão para o shopping, afim de comprar jogos e roupas novas. Bulma achou que sofreria de um aneurisma a qualquer momento se a menina passasse mais um minuto sequer chorando para que seu pai estivesse de volta logo.
Por consequência daquelas revistinhas que vira na segunda, quarta-feira, a garotinha saiu correndo mansão a fora apenas de calcinha, se exibindo para os pedestres que passavam pela calçada. Se não fosse por sua companheira, Vegeta teria matado aqueles pobres humanos, e também à Bra.
Quinta-feira, quando estava indo para a escola, Bulma negou que a princesinha fosse no banco da frente, e em um susto, lá estava ela, puxando o volante, e com sua maldita força saiyajin, o arrancara, fazendo o carro perder o controle, e um furioso Vegeta aparecer para que o pior não acontecesse.
Sexta-feira, ela começara uma guerra de comida com Trunks, sujando completamente a cozinha. Quem teve que limpar, foi o irmão mais velho, claro. Sábado, Gohan e Videl passaram na Corporação para fazer uma pequena visita, e levaram Pan também. As garotinhas, que se identificaram desde o primeiro contato, entraram sorreitaramente no quarto dos pais de Bra, e a filha de Vegeta e Bulma, espertinha do jeito que era, abrira o compartimento – agora secreto – onde sua mãe guardava a maquiagem, e fizeram questão de experimentar cada item existente, resultando em uma cientista arrancando seus fios de cabelo azul desesperadamente.
E então, era domingo. Bra brincava alegremente com suas bonecas em cima da cama de seus pais. Vegeta tirava um cochilo, totalmente alheio ao que Bra estava fazendo. Ela pegou uma de suas barbies, e não conseguindo prender o cabelo da bendita boneca do jeito que queria, Bra a jogou para longe, fazendo com que o brinquedo atingisse uma parte oca do armário.
Arregalando os olhos em surpresa, a menina desceu da cama, e foi em direção à boneca. Olhando para trás, parou por alguns instantes, certificando-se de que seu pai estava realmente dormindo. Quando teve certeza, ela abriu a porta lentamente, apenas para se deparar com uma enorme montanha de roupas dobradas. Ela sabia que aquelas eram roupas e utensílios de seu pai. Curiosa e esperta feito uma raposa, Bra começou a fuxicar.
Para a surpresa e felicidade da princesinha, no final daquelas roupas, lá estava algo bem interessante: o colan azul. Não só isso, como também toda a roupa de luta de Vegeta! As luvas, botas, parte de cima da armadura, e até o scouter. Achando tudo aquilo muito peculiar, Bra abriu um grande sorriso, tendo uma ideia. Todos sabiam da admiração que a menina alimentava por seu pai. Tendo certeza e querendo provar isso, ela vestiu toda a roupa. Fechando a porta do armário, passou alguns bons minutos se admirando em frente ao espelho. Uma genuína expressão de contentamento em seu rosto.
No andar de baixo, Bulma bufou. Ela já havia gritado uma vez, e não ia fazê-lo de novo. Subiu as escadas, e abrindo a porta de seu quarto, o queixo da herdeira, se possível, foi parar no chão. Ela levou uma das mãos à boca, tentando segurar a enorme gargalhada que estava presa.
Mas não durou muito tempo. Rindo alto feito uma louca, Vegeta acordou assustado com aquela barulheira toda. Bulma tinha lágrimas nos olhos de tanto rir, e percebendo o quão confuso o guerreiro estava, apontou para o serzinho ao seu lado.
Vegeta enrubesceu instantaneamente. “BRA! O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?! Onde achou isso, garotinha insolente?!”
A menina olhava para seu pai, confusa. “Achei dentro do armário, papai. Essa roupa é sua, não é?” Ela respondeu, oferecendo-lhe um sorriso.
Vegeta limpou a garganta, desviando o olhar. “Sim, é minha. Minha! Não te dei permissão para vesti-la! Tire isso já!”
Bra fez um biquinho. “Mas papai... eu só queria ser que nem você.” Ela admitiu, lágrimas começando a aparecer no canto de seus olhos. Não gostava quando Vegeta usava aquele tom com ela.
O saiyajin grunhiu, jogando-se na cama. “Argh...”
“Own Veggie, ela só quer ser que nem o papai! Olha, eu acho que ela ficou linda com sua roupa! Vai dizer que ela não está uma gracinha?” Bulma interrompeu, enquanto abaixava-se para abraçar sua filha.
Vegeta voltou a olhar para sua princesinha. Realmente, a roupa estava um tanto quanto fofa nela. Mas fofa não era uma palavra que se encaixava no vocabulário do príncipe. Sabendo disso, ele se acalmou um pouco, e ofereceu um pequeno sorriso de canto. “Você é igualzinha a seu irmão. Humpf. Um dia poderá vestir uma roupa dessas, mas não agora. Essas roupas são do papai, princesa. Sua mãe pode fazer uma dessas pra você quando for mais velha.”
Agora sim, ele usara o tom que Bra adorava! Ela secou suas lágrimas, voltando a sorrir alegremente. “Ebaaaaaaaa!” Comemorou, se jogando e aninhando-se no colo de Vegeta. "Eu te amo, papai!”
O príncipe suspirou, revirando os olhos. “Definitivamente, igualzinha a seu irmão.”
Bulma também sorriu, sentindo o coração palpitar de felicidade. “Eles são realmente parecidos, né? As lições que damos a Trunks estão sendo praticamente as mesmas que damos a ela.”
“É, mulher... não tenho certeza se isso é bom ou ruim.”
Bulma acenou com as mãos, como se estivesse espantando o mal humor do companheiro. “É bom, Veggie. Claro que é bom! Será que só você não percebe o quanto seus filhos te admiram?”
Vegeta abaixou a cabeça, olhando para Bra, que estava de olhinhos fechados, sorrindo docemente. “Hn. É... até que esses pirralhos não são tão inúteis como imaginei.”
Bulma riu, e juntou-se aos dois, deitando ao lado de Vegeta enquanto acariciava os cabelos de Bra. Logo Trunks, que estava na cozinha esperando impacientemente pelo almoço, também subiu para ver o que estava acontecendo, e deparando-se com aquela peculiar, e MUITO peculiar cena em família, sorriu, e juntou-se a eles também.
Eram raros momentos em que os Briefs conseguiam ficar em paz. Mas quando aconteciam, podia-se perceber o quanto aqueles quatro se amavam. Se amavam de verdade.
Notas finais
Acho que vocês também gostam, né? :3
Próximo capítulo vem só quarta que vem, voltarei a postar semanalmente, tudo bem?
Nos vemos lá, beijinhos!
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