SuperHero
4 Capítulo 3 - Frostbite
Notas iniciais
Os Guardiões estão reunidos na fábrica de brinquedos Estrela do Norte, em uma sala secreta especial, feita para tais reuniões.
Qualquer um que entrasse estranharia o grupo de cara: uma dentista de 25 anos, 1,50m, cabelos castanhos com diversas mechas coloridas, pele escura e olhos rosados, um gerente de uma loja de chocolates de 34 anos, já grisalho, com olhos cinzentos e pele clara, um terapeuta de sono mudo, loiro e muito bem humorado, e é claro, o dono da fábrica, um senhor de mais de 60 anos de idade, com uma longa barba branca e roupas vermelhas, além de diversas tatuagens e os modos de um fuzileiro naval. Porém, o que poucos sabiam é que esse grupo nada convencional era na verdade o grupo de vigilantes que vem limpando as ruas de Guardian City.
Nicolau Noel se levanta de sua cadeira para iniciar a discussão.
—meus caros amigos, que bom que puderam todos vir.
—espero que seja importante. – diz o homem grisalho. – é nessa época de páscoa que minha loja ganha mais dinheiro, eu deveria estar em casa testando receitas de ovos neste instante.
—Edmund! – a mulher respondeu. – se Nicolau nos chamou aqui, com certeza é porque é importante!
—tem razão, Tathiana. É um assunto muito sério, este que temos para falar agora.
O homem loiro faz alguns sinais com as mãos, se comunicando por libras.
—exatamente, Sandy. É sobre Jack Frost.
—o que esse moleque aprontou dessa vez? – Edmund pergunta, mal-humorado.
—nada, pelo que eu sei. – Tathiana diz. – eu tenho observado ele sair de casa todo dia de manhã, ir pra faculdade e lá ficar. Ele não tem aprontado nada! – ela diz, tentando defender o rapaz em questão.
Sandy assente, confirmando as informações de Tathiana.
“ele estuda perto do meu consultório!” ele diz, em libras. “tenho meus olhos nele sempre que posso.”
—vocês dois têm razão. Ele não tem aprontado nada. E é isso o que me preocupa.
—como a calmaria antes da tempestade? – Edmund pergunta, se encostando à parede.
—algo assim. – Nicolau diz, andando até o centro da sala. – enviei dois de meus melhores homens para trazê-lo aqui após o fiasco com o ultimo carregamento de brinquedos.
—Phil e Felipe? Admira-me que Jack ainda esteja vivo. – Tathiana diz, se remexendo, preocupada com o rapaz.
—calma, Tati. Lembre-se que ele ainda é menor de idade. – Edmund tenta irritar Tathiana.
Funciona. Ela fica vermelha como um tomate, vermelha de raiva, e parte para cima do homem mais velho.
—o que é que o senhor está insinuando, hein, senhor Edmund Aster Bunnyteeth?
—credo, falou meu nome todo. Não brinco mais!
“isso não é brincadeira que se faça, Edmund. Os sentimentos dos outros não são seu parque de diversão.” Sandy diz, reprovando o comportamento de seus amigos.
—Sandy está certo, mas esta não é a questão. – Nicolau diz, chamando a atenção para si novamente. – a questão é: os dois chegaram aqui em frangalhos, dizendo que Jack o pôs pra dormir sem esforço nenhum.
—Phil e Felipe? Me lembrem de não arranjar mais briga com esse cara.
—cala a boca, Edmund. Sua cota já se esgotou por hoje. – Tathiana diz, assassinando Edmund com o olhar. – estou por aqui com você!
“amigos, se acalmem. Norte, continue, por favor.”
—obrigado, Sandy. Bem, eu imaginei que ele iria querer vingança depois de eu ter mandado os dois atrás dele, e andei me preparando para um possível congelamento completo da fábrica. O estranho é que, como vocês reportaram, ele tem andado quieto. Ele até nos ajudou contra o Homem da Sombra. Alguma coisa está acontecendo no submundo desta cidade, algo grande o bastante para assustar até mesmo Jack Frost, o Jack Frost, que pode derrubar facilmente dois ex-lutadores de luta livre sem levantar um dedo sequer. Assustou-o o bastante para deixa-lo temporariamente fora de circulação, e é isso o que vamos tentar descobrir, juntos.
—nos uniformes? – Edmund pergunta, ansioso por uma boa briga.
—dentro e fora. Toda informação que conseguirmos é válida. E, Tathiana, tenho uma tarefinha especial para você.
—pra mim?
—sim. Sabe a estrangeira do aeroporto, aquela que foi atacada ontem à noite?
—difícil esquecer. Ela era tão bonita!
“como um pequeno anjo caído. Mas qual é a questão?”
—bem simples. Pelo que consegui descobrir sobre ela, ela se chama Elsa. Elsa D’Arendelle.
—a aristocrata norueguesa? – Edmund esbugalha os olhos.
—ela mesma.
—e o que ela está fazendo na América? – Tathiana pergunta.
—veio morar com a irmã, que brigou com o namorado. Mas isso já é oura história. Ela fez jornalismo em Oxford, e provavelmente vai tentar arranjar um emprego no Linha Reta.
—jornal o qual meu consultório é parceiro. – Tathiana diz, conectando os pontos.
—certamente. Se ela conseguir entrar, o que é quase certo, tente descobrir o que puder sobre o que ela viu naquela noite. Precisamos confirmar se ela não sabe demais.
—certo. O seguro morreu de velho.
—e o que mais?
—Edmund, também tenho uma tarefa pra você, já que perguntou.
—eu e minha língua...
—tente entrar em contato com Jack. Traga-o aqui.
—por que, exatamente?
Norte tira da parede um enorme quadro de um navio na neve, revelando um cofre atrás dele. Ele abre o cofre, que tem seis senhas diferentes, e de dentro tira um envelope em papel pardo.
—isso é...
—sim. O Homem na Lua mandou pra mim semana passada. Demorou um pouco pra decodificar, mas o que eu consegui foi isso.
Ele tira uma única folha de papel de dentro do envelope, que só tem um nome escrito em tinta preta no meio do branco.
Jack Frost.
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Elsa conseguiu fazer a maioria das coisas que tinha para fazer naquela tarde. Depois de sair da cafeteria, onde teve o inesperado encontro com rapaz pálido que ainda a intrigava, ela comprou algumas lentes e uma câmera profissional pessoal. Depois disso, chegou em casa apenas para constatar que a geladeira e os armários estavam vazios a não ser por quilos e mais quilos de café e muitas caixas de chá de camomila. Fez uma lista de tudo o que ela e Anna poderiam vir a precisar e foi às compras. Depois de algum tempo procurando, ela encontrou um supermercado perto do prédio de Anna, e foi lá que fez suas compras, não sem antes comprar um carrinho pessoal prático para levar as compras para casa. Fez as compras, e no caminho passou por uma loja de roupas, e não resistiu: comprou para si mesma um par de luvas novas. Chegando em casa, foi arrumar as compras, mas viu que o chão da casa estava imundo e os móveis cheios de poeira.
“o apartamento da minha irmã é pior do que quarto de homem solteiro...” Elsa pensou enquanto fazia uma rápida faxina na casa. Arrumou as compras, arrumou o armário de Anna, de onde ela tirou coisas que não tinham explicação nenhuma, como um cupom de bebidas do ano retrasado, e foi tomar um banho. Saiu do banho, foi navegar na internet, mais especificamente procurar emprego, com seu netbook no colo e dois jornais diferentes ao seu lado. Ficou das três da tarde até as seis da noite procurando um emprego que se adequasse a ela. Quando seu despertador anunciou as seis horas, ela se levantou do sofá, guardou os jornais e seu netbook e foi para a cozinha preparar o jantar.
E, no momento, era exatamente isso o que ela estava fazendo: preparando o jantar.
Cabelo preso em uma touquinha de rede, mãos lavadas e bom humor por já ter estabelecido uma rotina, Elsa cortava legumes para uma sopa quente quando Anna chegou em casa, barulhenta e sorridente como sempre.
—chegueeeeei! – ela anuncia, entrando como uma diva pela porta da frente. – santa mãe do céu, o que houve com a minha casa?
Elsa olha para sua irmã da cozinha, um sorriso espalhado pelo rosto.
—oi, Anna! Chegou cedo!
—Elsa! – Anna diz, jogando suas bolsas no chão. – você faxinou casa!
—sim, e ela parecia não ter sido faxinada há séculos! – Elsa diz, empinando o narizinho. – eu achei coisas constrangedoras no seu guarda-roupa, por sinal. Por que você tem uma cauda e orelhas de gatinha?
—ahn, obrigada por me livrar dessa! – Anna diz, ficando vermelha.
—não mude de assunto, meu bem. Será que precisamos ter aquela conversa?
—Elsa, eu tenho 19 anos e vivo sozinha desde os dezesseis.
—não sei como sobreviveu até hoje, mas isso é assunto para outro tipo de jornalista!
As duas irmãs caem na risada, sem saberem que estão sendo observadas.
Do alto de um telhado, perto do prédio das meninas, uma figura sombria e familiar as observa, silencioso como a brisa noturna. Ele está absolutamente quieto, parado com gelo. Seus olhos não se desgrudam da janela brilhante de Elsa e Anna, e neles há uma determinação flamejante, contrariando a cor fria de seu possuidor. Então, uma Guardiã, a Fada Do Dente, como era conhecida, aparece ao lado dele. Diferentemente dele, em seus olhos rosados há apenas um ar preocupado.
—você parece bem interessado nelas, Jack. – ela diz, pousando delicadamente ao lado dele.
—oi Tati. – ele diz. – na verdade, apenas na mais velha.
Fada arqueia uma sobrancelha em sua direção. Uma pergunta silenciosa é feita.
—é complicado. – Jack diz evitando o assunto. Ele se levanta, estendendo-se em postura. – eu teria que explicar algo pessoal demais pra você.
—você deveria se abrir com alguém sobre o que aconteceu lá, Jack. – Tathiana diz, pondo uma mão amiga no ombro dele. – guardar tudo só pra si...
—me faz mais forte. – ele diz, cortando-a.
—não, não faz. Só te faz mais... Frio.
Ele fecha seus olhos, lembrando-se de um episódio sombrio em seu passado.
Dor. Gritos de desespero. Um frio congelante, que o impedia de se mexer.
“nós vamos te melhorar, rapazinho.” Dizia o doutor. “você vai ser bem melhor do que antes.”
Jack abre os olhos. Neles há um frio maior do que todo o gelo no mundo.
—o que não me mata me faz mais forte.
Ele conjura o vento e voa pra longe de uma Tathiana triste e confusa. Uma das fadinhas pousa ao seu lado, perguntando em sua língua porque tanto medo no olhar de sua mestra.
—há uma batalha dentro dele, meu amor. – ela diz, fazendo carinho na fadinha, que parecia um beija-flor. – e eu tenho muito medo de que o lado mau vença. Se isso acontecer...
Ela olha na direção do apartamento das irmãs novamente.
—essas meninas vão estar em sérios problemas.
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