SuperHero

21 Capítulo 20 - Não Admitirei


Notas iniciais
oiee~~ pessoinha linda que lê a fanfic! pois é, né, parece que tem um motivo pro tio ed odiar tanto o jack, né? passado da elsa sendo revelado, yooo~~ sem mais so spoilers e boa leitura!!

Edmund estava na sala de treinamento observando Sandy trabalhando com Elsa. Ele observava o gelo que mais parecia água, maleável e obediente aos comandos mentais de Elsa, que estava cada vez melhor não só no controle de suas emoções – que por causa dos raios Vita estavam bem mais fortes e difíceis de controlar – como no controle de seus – cada dia mais fortes – poderes. O empresário observava de longe, e apesar de seus olhos não serem tão afiados quanto ele gostaria que fosse, já faziam anos que ele não confiava neles, apenas nas poderosas orelhas de coelho, suas orelhas, ele vivia se lembrando. De todos os colegas, Edmund fora o que pior se adaptara à vida de meta-humano. Ele não aceitava o fato de que ele jamais poderia voltar à vida que tinha antes de descobrir a maldita doença que estava pouco a pouco não apenas tirando sua audição, mas afetando todo o seu ouvido interno e acabando terrivelmente rápido com seu senso de equilíbrio, pondo-o em uma cadeira de rodas, pois ele simplesmente já não podia mais andar sozinho. Dia após dia, cada vez mais surdo, tendo que contratar enfermeiras para evitar cair quando se levantava para fazer qualquer coisa, pois ele simplesmente não se sentia cair até estar com a cara enfiada lindamente no chão. Então lhe contaram sobre a tal “cura milagrosa” das Instalações Pitch Black, e a esperança o cobriu novamente, apenas para ser completamente aniquilada, se não pela dor, pelos efeitos colaterais.

Sim, ele estava mais rápido. Mais forte, mais ágil, ouvia até melhor do que antes do tratamento. Apesar da dor excruciante, como se houvesse ácido correndo por dentro de suas veias, ele aguentava, dia após dia, apenas por poder se levantar e não cair novamente. Então ele viu suas pernas se deformando, os ossos crescendo e a pele esticando, e viu suas orelhas literalmente mudando de lugar, ficando mais peludas e compridas. Ele podia sentir cheiros melhor, e seu tato melhorou a ponto de ele sentir as pequenas vibrações de passos no corredor alertando-o de quem se aproximava. Ele tentou acabar com aquilo, quando se viu prisioneiro. Então daí, tudo correu ladeira abaixo: as experiências, a fuga do paciente zero – Jack – e apenas uma pequena luz no meio de toda a tortura na qual sua vida se transformara: ela.

“-Tathiana Queen Orson Hummingbird. Prazer em conhecê-lo!

Ele olhara para a menina que estendia a mão abertamente pra ele. Curiosamente apenas a ouviu chegando, mas não sentiu seus passos no chão.

—Edmund. Edmund Aster Bunnyteeth. – ele responde após um tempo, apertando a mão da menina claramente mais nova do que ele.

—desculpe, não pûde evitar de notar que, além de mim e mais uns dois, você é um dos poucos que ainda resiste ao tratamento e às- sabe. Experiências. – ela parece exausta, em dor.

—sim. Mas é claro, eu virei um monstro. – ele diz, olhando para longe, envergonhado de suas pernas, escondidas pelas calças, e de suas orelhas.

—não, não virou. – ela diz, surpreendentemente.

Ele olha para ela, incrédulo.

—o que a faz dizer isso?

—você não é um monstro, é adorável. Viu? – ela diz, ficando na pontinha dos pés e tocando suas orelhas, claramente fazendo um esforço gigante para se esticar o bastante a esse ponto. – orelhas de coelho! São tão macias quanto eu pensei que eram!

Para facilitar a pegada da menina, Edmund até pensou em abaixar a cabeça para ela, mas surpreendentemente a menina – Tathiana – cansou de se esticar e tirou o jaleco de paciente, revelando apenas um vestido muito curto com apenas alças muito finas impedindo-o de ir ao chão como o jaleco que ela agora descartava. Em sua pele escura, por cima de seus ombros e na parte de trás de seus braços e mãos, marcas podiam ser vistas. Grudadas na pele com estavam, qualquer um podia pensar que eram tatuagens, mas quando ela se retorceu e as marcas começaram a desgrudar de sua pele como se fossem escamas, ele viu que não eram tatuagens encrustadas em sua pele – eram asas.

Asas de libélula, que brilhavam com todas as cores do arco-íris quando a luz passava por elas. Elas eram fortes e rápidas, grandes o bastante para baterem em uma frequência absurda e tirarem a pequena menina do chão. Seus outrora longos cabelos voaram para cima de seu rosto, e ela, agora na mesma altura de Edmund, novamente tateou as orelhas dele, com mais facilidade e deixando Edmund boquiaberto.

—você é uma fada. – ele diz, não tendo tanta certeza do que falar.

—esse foi o meu efeito colateral. E agora eu sou mais forte também, mesmo sendo tão magrinha... – ela diz, se afastando um pouco, lembrando-se do vestido curto que estava usando, cujo decote não deixava muito a desejar.

—você não é tão magrinha. – Edmund diz, um certo calor crescendo dentro dele.

Os olhos rosados – outro efeito colateral do soro que fora aplicado nela – brilharam com o comentário. Ela virou para ele com um pequeno sorriso em seus lábios finos.

—mesmo?!

—claro. Você é linda, como toda boa fada. – Edmund diz, sorrindo para ela também.”

O herói espanta aquelas lembranças de sua mente, doces demais para descartar, dolorosas demais para recordar. Eram tempos sombrios, aqueles que eles passaram no laboratório, mas ao menos não os encararam sozinhos. Tathiana fora a primeira do grupo a fazer contato com Edmund, e apesar de ter sido ensinado à sua vida inteira a não confiar nas pessoas, ele quase que imediatamente confiara em Tathiana. E ela nunca fizera nada para se mostrar indigna daquela confiança. Porém, uma certa pessoa a afastara significativamente dele.

Um certo “garoto-problema” no mundo dos heróis.

Quando eles primeiro encontraram Jackson Overland fora dos muros das Instalações, ele era outra pessoa. Não era o rapaz brincalhão e otimista dos primeiros dias de teste, não era o menino solitário que só queria ver sua mãe e irmã uma ultima vez antes da morte, tampouco o cadáver frio em cima da maca de alumínio no laboratório. Ele estava diferente, e não era um diferente que Edmund gostava.

Edmund, talvez. Mas não Tathiana.

A maneira como a menina-mulher, quase dez anos mais nova do que ele, sorria e se agitava na presença do anti-herói, os olhares que ela reservava quando ela pensava que ele não estava olhando, as gagueiras, as trapalhadas- ele vira a tudo com olhos críticos. Críticos e, embora hoje ele preferisse queimar no fogo do inferno antes de admitir, feridos. Mesmo que por um momento, ele amara aquela mulher, seu raiozinho de esperança dentro e fora dos laboratórios, aquela que quebrava todas as regras e dava um jeito de entrar pela tubulação só para poder visitá-lo, e aquele menino – pois é isso o que ele é, nada mais do que um menino, mal saído da adolescência – a roubara dele. Era infantil e idiota, Edmund sabia, e por isso ele tentou, por muito tempo, manter-se o mais polido e profissional com Frost possível, mas foi literalmente um esforço hercúleo encarar os olhos rosados de Tathiana a sorrir para o rapaz de cabelos brancos, e não para o homem de cabelos cinzentos ao lado dela. Ele se tornara, do dia para a noite, frio e distante com ela, e, é claro, tendo uma personalidade forte e segura de si, Tathiana decidiu que dois podiam jogar esse jogo, e ela também fora fria com ele por muito tempo.

E então, mais uma pessoa surgiu na jogada. Elsa.

Elsa passava mais tempo com Edmund do que com qualquer um dos outros Guardiões. Mesmo com seus treinamentos diários com Sanders e o laço de amizade forte que ela e Tati desenvolveram, Edmund era a pessoa com quem Elsa passava mais tempo, e isso tivera um efeito na jovem aristocrata. Elsa era uma mulher tão forte e segura si quanto Tathiana, mas ela não era, nem de longe, doce como a fada. Ela era sarcástica, meio cruel e não se importava em brincar com os sentimentos dos outros, mesmo que não notasse que o estava fazendo, mas Edmund também era assim, então dois brincavam da mesma maneira. Eles se bicavam constantemente durante os treinos, e Elsa revelava partes mais macias de sua personalidade, como a preocupação toda vez que seu poder feria Edmund, ou o carinho em seus olhos toda vez que ele mencionava o passado nos laboratórios, ou mesmo a doçura em seu toque quando ele se revelava vulnerável e inseguro sobre sua aparência na frente dela. Ele encontrou uma inesperada amiga em Elsa, algo que ele simplesmente se assustou ao constatar. E não fora o único.

Um pouco mais distante, vendo as notícias no netbook, Tathiana tentava em vão manter sua mente nas notícias. Ela passava sem interesse pelos posts de jornais digitais sobre como havia uma certa “corrida” entre os Guardiões e a Anti-Liga, apelido dado aos Quatro Grandes pela polícia que parecia ter sido também adotado pela cidade em si. De um lado, os Guardiões limpavam as ruas da maneira que conseguiam, trazendo abaixo chefes de máfia e grandes traficantes, nunca realmente os ferindo, mas os assustando o bastante para que eles pensem mais em voltar à ativa. Do outro, a Anti-Liga matava suas vítimas sem dó ou piedade, e quando não matavam, se sentiam misericordiosos ou algo do tipo, entregavam o dito-cujo completamente ensanguentado e cheio de hematomas e ferimentos físicos literalmente pendurados na porta da Polícia de Guardian City, junto com provas conseguidas para incriminar tais criminosos e dar-lhes bons anos de cadeia e traumas físicos e psicológicos para o resto da vida.

Heróis misericordiosos ou anti-heróis impiedosos. A cidade estava realmente sendo dividida em duas facções, quase como uma guerra civil. Mas infelizmente, com tudo isso acontecendo na cidade, não era isso no que a fada conseguia se focar no momento.

Do outro lado do salão, seu melhor amigo observava a nova integrante do grupo com olhos tanto preocupados quanto orgulhosos. Ele criara uma afeição curiosa pela loira, e Tati não sabia o que pensar sobre aquele olhar. Por um lado, ela ficava feliz que Elsa não tivesse entrado na lista negra de Edmund- ele podia ser impossível de se lidar quando se irritava, como acontecia frequentemente com Jack.

Jack.

Ela também se sentia confusa sobre Jack, principalmente sobre como se sentia em relação a ele. Ele era quase de sua idade, tendo em vista que ela tinha vinte e três e o rapaz dezenove, e ele era realmente uma pessoa que Tathiana podia amar: ele conhecia seu passado, podia confiar nela, e ela gostava de seu jeito misterioso e perigoso de agir e ser. Por outro lado, havia muita coisa sobre o rapaz que despertava medo na heroína: sua falta de limites em relação à justiça e à vingança, sua impulsividade, falta de controle sobre suas emoções e poderes. Ela não sabia se o amava ou temia. Sentiu-se como tantas pessoas em Guardian City: presa entre o herói e o assassino. Durante muito tempo ela teve com quem compartilhar seus pensamentos mais obscuros, mas agora...

Agora aquela pessoa, aquele homem, que mesmo sendo tão mais velho a tratava com o respeito de uma igual, o homem que lhe estendera a mão em seus momentos mais sombrios, que sempre guardou seus segredos mais sinistros, estava distante. Distante demais para alcançar. Mas uma pessoa o alcançara, e essa pessoa era Elsa.

Elsa era um pedacinho de mistério a ser resolvido. Ela podia mudar radicalmente de doce moça aprendendo a controlar seu poder a uma assassina cruel e sanguinária, fria e metódica que mataria quem fosse ao menor sinal de perigo. Os Raios Vita acordaram nela os instintos que seus pais tanto trabalharam para adormecer, e ela voltou a se tornar aquilo que nascera para ser: uma viúva-branca.

O Projeto Viúva Branca era algo criado por uma das associadas às Instalações inspirado no Projeto Viúva Negra™ da Marvel™, que dera origem à personagem Natasha Romanoff™. Consistia em pegar os mais indetectáveis dos jovens recém-nascidos de diversos países do mundo todo para serem treinados e programados para matar. O projeto tinha o nome de viúva branca por causa de sua primeira assassina formada, uma mulher cruel e fria a ponto de matar seu próprio marido para assumir a liderança do projeto e se tornar a nova treinadora e a pessoa a escolher os bebês para serem treinados, e foi assim que ela descobriu dos meta-humanos, e se associou às instalações.

Ela ainda não contara para Elsa, mas sentia que cedo ou tarde a decisão já não seria mais dela, pois pouco a pouco Elsa e Edmund se tornavam cada vez mais próximos, e Tathiana não sabia como se sentir em relação a isso. Por um lado, ela ficava feliz que Edmund finalmente se abrira para alguém, mesmo que ele tivesse se fechado súbita e incompreensivelmente para Tati, mas por outro ela sentia ciúmes. Só não sabia de quem, exatamente.

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Notas finais
oiee~~ pessoinha legal que leu até o final! gostastes? me deixa saber, sua opinião é importante no desenvolvimento de uma boa fanfic!! não gostou? me deixa saber o porque, mas com carinho, sim? sou frágil~~ beijinhos, e até o próximo capítulo@
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.