Super Onze:Amizade vs Ódio
7 Um final de semana com Endo
Notas iniciais
O pequeno menino brincava no parquinho de areia junto com sua melhor amiga, Fuyuppe, os dois montavam um castelinho, que mais parecia um monte. Satoru cavava a areia com uma pazinha e a garotinha ia modelando, para que tomasse forma.
Endo pegou uma bola de futebol ao seu lado e colocou em cima do monte, em seguida, a menininha colocou um balde acima da bola. Seu castelinho de areia estava pronto.
—Conseguimos Satoru!
—É mesmo, haha!
—Satoru, vamos, já está tarde!—Chamou sua mãe, que tinha voltado das compras, e carregava sacolas cheias no braço.
—É minha mãe...até mais Fuyuppe.—O garotinho foi ao encontro de sua mãe, aos tropeços, e a menina ficou ali, procurando outra pessoa com quem brincar.
O brilho alaranjado do crepúsculo de Inazuma, tornava a torre de metal muito mais linda dali, mas não tardara a clarear e reluzir á cidade toda. Endo abriu os olhos devagar, uma brisa fresca entrava pela janela aberta, dava para ver a torre dali. O menino não se lembrara de ter dormido tão bem assim em toda sua vida, realmente tudo havia acabado.
Levantou-se e caminhou até seu armário. Ficou ali parado durante alguns minutos, observando uma bola de futebol surrada, relembrando todos os treinos que fizera com ela, e também pensou um pouco na Armageddon: apesar de todo o estrago que causara, quando perderam o jogo, saíram do campo disciplinadamente e não apareceram em mais nenhum lugar, cumpriram sua promessa de não destruir Inazuma. As perguntas de o porquê queriam causar tanta tormenta, se recusava a sair dos pensamentos do menino. Mas ele não podia fazer mais nada, se passaram duas semanas desde o jogo, e nada de Chirapa ou Armageddon...
Endo desceu as escadas até a cozinha, onde achou em cima da mesa, alguns ienes para comprar o café da manhã. O menino colocou uma roupa casual, vestiu chinelos e foi até a padaria, onde comprara alguns okonomiyakis.
Depois do café, ele e seus pais iriam para a igreja, como faziam todo sábado. Aquele era um dos lugares favoritos de Endo, onde ele podia confessar várias coisas, e confiar no seu deus. Mas desta vez, quando ele estava entrando, Riki saía ao seu lado, estava com a mão direita no bolso, e como sempre, os cabelos espetados, havia faltado alguns dias na escola e se recusara a dizer o motivo.
—Olá Endo...—O garoto apertou um pouco o passo, de modo que pudesse se perder no meio das pessoas.
—Ah...olá Riki...—Cumprimentou Endo, sem entender muito o que tinha acontecido.
...E, por favor, me ajude a descobrir o que está acontecendo com Riki...por favor..., Terminou de rezar, Endo.
O sábado era um dia livre para o menino, resumidamente: sem escola. Mas sempre os professores arrumavam um jeito de não permitir que este, jogasse futebol, ele tinha diversas atividades a serem feitas para Segunda, entre elas, duas pesquisas, um trabalho, e uma "entrevista", e como sua mãe gostava de o ver sempre com notas altas, o obrigava a fazê-las o quanto antes, para que pudesse ficar livre no dia seguinte.
Consequentemente, Satoru se encontrava na escrivaninha do seu quarto—num pleno dia reluzente de sol, enquanto podia ouvir pessoas jogando futebol pelas ruas—,fazendo trabalhos escolares. Torcia para que alguém chutasse uma bola e sem querer entrasse por sua janela, para que ele pudesse pelo menos devolvê-la como um goleiro...
Fora terminar todos os trabalhos só mais tarde. Então não podia perder tempo, pegou a bola no armário e correu escada a baixo. Quase deixou a deixou cair quando deu de cara com sua mãe, no meio dos degraus.
—Menino, o que está pensando, você não vai jogar futebol desse jeito, olhe essas unhas, m-e-n-i-n-o, vá corta-las antes que encravem!
Infelizmente era verdade, Endo não lembrava qual fora a ultima vez que cortara suas unhas. Subiu as escadas de cabeça baixa até seu quarto, já sabendo que não daria tempo de jogar futebol ainda naquele dia. Depois de cortar e limpar unha por unha, já era noite, suas esperanças de jogar bola já eram nulas. Então resolveu aproveitar as energias que lhe faltavam naquele dia, e lavar suas chuteiras, que já não eram mais azuis, e sim, cor de terra.
No jantar, pelo menos, sua mãe fez uma das comidas favoritas do menino: Udon.
—Ah, haha! Obrigado mãe!!!
—Isso é por ter se esforçado hoje.
O garoto, em poucos minutos, já estava repetindo pela oitava vez a comida. Seus pais conversavam sobre como estava calor na cidade—já faziam, dois meses de muito calor e sol, e nada de chuva.
—Com certeza, a próxima chuva que vier, será bem forte... —Comentou o pai.
—Tomara mesmo, já não estou aguentando mais!
Naquela noite Endo fora exausto e de barriga cheia para a cama. Aconchegou-se no meio da coberta, pegou o controle ao seu lado, e ligou a TV. Estava passando um de seus animes favoritos, de futebol.
*
Como o prometido, o Domingo fora sim, um dia livre. Como o menino não encontrou nenhum amigo por perto, treinando—deviam estar atolados de deveres—, resolveu ir até a torre de ferro treinar por conta própria. O pneu de trator fora o maior que havia achado na cidade, e ficava orgulhoso de conseguir pará-lo apenas com uma das mãos.
E de pensar que o vovô também começou por aqui... Mas... Eu me tornei mais forte do que ele...
Um som distante veio junto com um clarão. Quando Endo se virou assustado, viu que o céu havia escurecido, as nuvens eram de carvão agora, sendo clareadas por cintilantes raios que as cortavam. Uma forte tempestade estava por vir.
Mas ele não pararia por ali, com chuva ou sem chuva continuaria treinando sem descanso. Em poucos minutos, suas vestes de treinamento estavam encharcadas de água e suor, as gotas grossas caíam ferozmente contra ele. Poças de lama estavam sendo criadas. De repente, houve mais um lampejo que cortou o ar, seguido por um vento muito forte, vindo da direção oposta do pneu, e fora tão forte que jogara Endo para trás.
Mais um lampejo, e uma figura começou a tomar forma. Vindo da mesma direção do vento, Riki, estava com a mesma jaqueta branca, com as mãos no bolso, andando calmamente, com o capuz sobre o cabelo espetado. Parou de andar e apertou o olho, impiedoso para Endo no chão.
—Riki? O que faz aqui?
O menino ainda o olhava, como se não estivesse ouvindo, então apertou um pouco mais o olho direito, hesitante.
—Vá para casa... Vai pegar um resfriado—E saiu andando, devagar como havia vindo, e sem ajudar Endo a se levantar.
Riki tinha razão, Satoru já sentia que estava tremendo. Pegou suas coisas e se foi—sem encontrar Koji pelo caminho.
*
Uma coisa era apreciar a chuva do lado de fora, e outra, era aprecia-la do lado de dentro de casa. Depois de um banho quente, Endo se encontrava sentado na cadeira da escrivaninha de seu quarto, observando a chuva cair pela janela, perdido nos pensamentos, até bocejar e apagar ali mesmo.
A Segunda-feira foi recebida com raios e trovões. A tempestade não havia cessado, continuava mais forte do que nunca. Os pingos caíam com tanta força que chegava a arder. Com um "baile de guarda-chuvas", Endo conseguiu entrar na Raimon e rapidamente se abrigar dentro da escola.
Aki, Haruna, Fuyuppe e nem Natsume haviam voltado da viajem misteriosa ainda. Sempre ele se perguntava o que elas estariam fazendo, e se estavam bem.
—Endo!—Interrompeu Kazemaru.
—Oi Kazemaru.
—Encontrei isso nos vestiários do nosso time—O menino lhe entregou uma carta levemente rosada—achei melhor não abri-la, já que você é o capitão, não tem remetente nem nada...
Endo abriu a carta, e passou o olho por cima das palavras, em seguida, seus olhos afundaram.
"Estamos lhe esperando no estádio do Colégio Cinza.
P.S: Estamos com seu treinador"
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