Super-Heróis?

31 Você era mesmo um perigo


Notas iniciais
Não demorei dessa vez. Como vocês estão? Espero que bem. Aí está mais um capítulo, gente eu tô tendo cada ideia que MDS e eu já sei como vai acabar, ah não ser que eu mudo de uma hora pra outra. Boa leitura!

POV Daniel

Voltei para a cela tentando aparentar o máximo de calma possível. Às vezes parece que o passado insiste em voltar a te atormentar de uma certa forma que você se sente sufocado e as feridas que aparentavam estar cicatrizadas voltam de uma maneira mais profunda e dolorosa.

– Era a Maria Joaquina né? — perguntou-me Cirilo.

– Sim, sim. Era.

– Vocês brigaram? Não está com uma cara muito boa pra quem acabou de ver a namorada.

– Só mais uma discussão besta, não tem importância.

– Tem certeza que é só isso? Ah cara, você sabe que pode se abrir comigo não é?

– Claro Cirilo, você é um verdadeiro irmão pra mim, mas é só isso mesmo. Amanhã a gente já tá de volta.

Eu confiava em Cirilo, mas há certas coisas que só você pode confiar, é algo seu e não dos outros.


POV Majo

Abri os meus olhos lentamente e os cocei tentando me acostumar com a claridade que havia invadido o meu quarto. Mais um dia começara, só que hoje pode ser um dia definitivo.

Não estava com a miníma vontade de levantar e resolvi ficar mais uns "5 minutos" na cama. Mas todos sabem bem como acaba esses cinco minutos então pouparei o trabalho de comentar.

Por fim, tomei coragem e finalmente me levantei e fui até o banheiro. Tomei um banho e vesti uma roupa apresentável para sair. Desci e comi umas bolachas acompanhadas de um copo de suco.

Minha mãe me fez perguntas como "Onde você vai?" "Por que não está indo mais à faculdade?" e eu respondi com um simples "Conversamos depois."

Ontem depois da sorveteria com o Lucas, nós marcamos de hoje nos encontrarmos para seguirmos o pai dele e chegarmos até o Paulo. Verifiquei minha bolsa pra ver se tudo o que era necessário se encontrava lá. Confere.

Dispensei o motorista e peguei um táxi mesmo. Em questão de alguns minutos eu estava em frente à casa dele, mas não em frente tipo na porta, um pouco mais afastado. Mandei uma mensagem pra ele que não demorou a responder. Segundo ele, seu pai já estava de saída e eu teria que esperar na praça perto de sua casa.

Saí do carro e paguei ao taxista, em seguida caminhei até a praça e fiquei observando o lugar. Não demorou muito e vi seu vulto de frente a mim. Levantei e ele me puxou pelo braço andando rápido.

– Vem, meu pai já saiu e nós não podemos perder ele de vista.

– Ok, mas eu preciso te dar uma coisa.

Ele me olhou e eu abri minha bolsa ainda andando.

– Pega. — disse apontando uma arma para ele.

– Uau, isso tá começando a ficar perigoso.

– Isso sempre foi perigoso.

– Nunca entendi o porquê do meu pai não ir ao trabalho de carro, isso é estranho.

– Realmente, isso é muito estranho. — falei dando ênfase no muito.

Andamos mais um pouco, o pai do Lucas olhava algumas vezes para trás e por pouco não fomos pegos. Ele pegou um táxi e nós pegamos outro. Não sei ao certo, mas acho que ele (que até agora eu não sabia o nome, mas foda-se) percebeu que estávamos seguindo e o carro começou a acelerar.

Para o meu azar o motorista do táxi era um velho gagá que se esqueceu que no século XXI existe aposentadoria e acabamos por perder o carro de vista.

– Droga. — falei alterada.

– Ei, calma, nós não vamos desistir tão fácil, certo?

– Temos outra opção? Pois é.

– Onde estamos? — Lucas perguntou ao velho, motorista.

– Lado Oeste da cidade, meio deserto.

– Ok, nós vamos para o centro da cidade. — o motorista assentiu.

– O que você pretende fazer?

– Já que a missão não foi concluída com sucesso podemos sair por aí e depois encontrar a Irene, o que acha?

– Acho ótimo, eu já estava mesmo com muitas saudades daquela lesba louca.

– Ótimo, adoro passar um tempo com você.

– Mas Lucas, eu também queria uma coisa... Hã... Ah...

– Diz, não sou o gênio da lâmpada, mas acho que posso fazer alguns milagres.

– Que convencido, então, eu queria ir pra praia.

– Hum, então é isso que você quer? — assenti. — Motorista, mudança de rumo, vamos para a praia.

Como não tinha praia por perto, demorou alguns minutos para chegarmos. Lucas pagou o táxi e saímos. Pude sentir o vento bater contra o meu corpo e ouvi o barulho relaxante das águas.

Puxei Lucas e comecei a caminhar pela areia pra uma parte mais afastada da praia. Sentei na areia e ele fez o mesmo, eu fitava o mar e meus pensamentos estavam longe.

Ele sussurrou algo e eu me virei para olhá-lo, percebi que ele estava me olhando e fiquei um pouco envergonhada.

– O que foi? Uma coisa: não gosto que fiquem olhando pra mim, me deixa sem graça.

– Você é linda.

– Outra coisa é que eu não gosto que me elogiem, sei lá, antes eu vivia de elogios, mas hoje eu simplesmente não gosto.

Um vulto parou à nossa frente e não acreditei no que estava vendo. Ela? Como? Oi?

Carol.

– Você? O que você está fazendo aqui?

– Desculpa atrapalhar o momento de vocês, mas eu te vi aqui e não aguentei e vim falar com você, como vai amiga?

– Me chame de amiga de novo e vai levar um belo murro nessa carinha cheia de pó. — falei me levantando e ficando a centímetros dela com um olhar nada amigável.

– É assim que você trata a sua melhor amiga?

Sim, Carol era a minha melhor amiga. Não gosto de lembrar disso porque ela foi demasiada falsa. Depois que eu soube o que ela fez com o Daniel eu falei um monte pra ela e acabamos por brigar feito com direito a tapas, socos, arranhões, puxões de cabelo.

– Melhor amiga é o meu rabo, vaza daqui vadia.

– Eu fiquei sabendo que você está namorando o Daniel. Bem, depois do que eu vi agora eu nem sei mais como estão as coisas, mas enfim, que fura-olho você em Maria Joaquina, eu espera mais de ti.

– É melhor você calar a boquinha porque só sai merda, na moral.

– E quem você acha que é pra mandar eu calar a boca? Quer um trato como da outra vez?

Carol era uma psicopata. Andava com más companhias, bebia e, pelo que eu soube, fumava também, mas eu não tinha medo dela.

– Tentando me amedrontar? Não conseguiu amiga. — fiz cara de nojo ao falar amiga.

– Você precisa de uma missão Maria Joaquina, e é exatamente isso que vai receber.

Ouvi o barulho do disparo. Ela estava deitada na areia e o sangue estava escorrendo.

– Você era mesmo um perigo.

Notas finais
Sem comentários... Até o próximo!