Super-Heróis?
12 Sobrinho da gerente
Notas iniciais
POV Majo
Disse a Daniel que precisava me apressar, pra não chegar ainda mais atrasada. Demos um rápido selinho e, em seguida, pulei da cama e tomei o banho mais rápido da minha vida. Peguei uma maçã na bandeja de café da manhã que o Dani deixou em cima da cama. Peguei também a minha bolsa e corri para a lanchonete, comendo a maçã durante o caminho.
Quando cheguei já estava aberta, apenas suspirei e entrei com um sorriso.
– Está atrasada e logo hoje que é o seu primeiro dia. Se continuar assim, você perderá esse emprego essa semana mesmo. – Claúdia me recebeu com uma cara nada boa.
– Me desculpe senhora, vou fazer de tudo para que isso não se repita.
– Eu espero. — ela me fuzilava com os olhos. — Karolina qualquer coisa me chame.
– Sim senhora. – respondeu Karolina, que era a balconista. Eu a conheci ontem quando vim procurar um emprego, mas não conversamos mais que dez palavras.
Fui vestir o avental e estava muito nervosa.
– Desse jeito eu vou derramar as bandejas nos clientes. — pensei.
– Se atrasar no primeiro dia. Tome mais cuidado, a gerente daqui não é brincadeira. — falou Karolina.
– Eu vi, então o que eu tenho que fazer pra começar?
– Esse é o pedido da mesa 6. Boa sorte.
– Obrigada.
E assim foi passando a manhã. Chegou a hora do almoço e eu comprei uma quentinha que vendia ali perto e fiquei conversando com a Karolina. Ela era gente boa, tinha quase a mesma idade que eu. Fazia faculdade a noite e seus pais moravam em Angra dos Reis. Ela também tinha um namorado e pelo que percebi era muito apaixonada por ele. Eles eram colegas de faculdade, estudavam medicina.
Voltamos a trabalhar e tudo estava correndo bem, até que sem querer eu derramei café em um cliente.
– Idiota, você é cega ou tem problemas?
– Me desculpa, mas mesmo assim você não tem o direito de falar assim comigo. Vá xingar a sua mãe viado.
– Vamos pro meu apartamento e eu te mostro o viado. Se quiser eu até pago gracinha.
– Idiota, toma isso. — enchi a mão e dei um tapão em seu rosto que até era bonito. — Nem pagando milhões eu iria pra cama com você, nojento.
Todos que estavam na lanchonete fitaram os olhos na gente. Até que chegou a gerente, Claudia.
– Posso saber o que está acontecendo aqui? — ela perguntou.
– Olá tia. — disse o rapaz. — Sem querer eu derrubei o café em mim mesmo, fiquei irritado e acabei descontando na senhorita.
– Tome mais cuidado Luciano. Limpe isso mocinha. — ela disse e saiu.
– Eu poderia entregar a sua cabeça e você iria ser demitida, mas sou cavalheiro com meninas lindas como você.
– Se está achando que eu vou pedir desculpas, está muito enganado. Prefiro ser demitida a me rebaixar ao seu nível. — eu disse indo pegar algo para limpar o café que havia derramado na mesa e também no chão.
Já estava perto da lanchonete fechar. Daniel havia me mandado uma mensagem dizendo que me pegaria pra me levar a um lugar especial. O tal Luciano ainda estava lá e me olhava com uma cara de safado. Eu desviava o olhar constantemente.
Não me importava que ele era sobrinho da gerente, na próxima gracinha dele, eu me demitiria. Faltavam 5 minutos pra fechar e a Karolina saia um pouco antes por causa da faculdade. Ela me deu algumas instruções e só faltava um cliente sair, Luciano.
– Você vai dormir aqui? Eu preciso fechar a lanchonete.
– Olha como fala, eu sou o sobrinho da gerente.
– Continua sendo mais um nojento no mundo.
– Você é bem ousada né garota, mas eu gostei de você.
– Pena que eu não sou pro teu bico, agora sai.
– Como você quiser, que mau humor.
Ele saiu e eu fechei a lanchonete. Fiquei esperando o Daniel em frente dela. Vi a sombra de alguém e fiquei em alerta.
– Daniel? Para com isso. – eu esperava que fosse mesmo ele.
Senti alguém me abraçar por trás e quando me virei para beijar seu rosto, descobri que era aquele garoto idiota.
– Você é muito imbecil em garoto, vá mamar nos peitos da mamãe, vai.
Fui dar um tapa na cara dele, mas ele segurou minha mão. Daniel apareceu na mesma hora e ficou furioso com a situação.
– SOLTA ELA COVARDE.
– Calma, calma. Quem é você? Irmãozinho dela?
– Sou o cara que você vai lembrar quando se olhar no espelho. — Daniel deu um murro no Luciano, que caiu no chão.
Ignoramos o Luciano, que gemia de dor no chão. Entramos no carro e Daniel fazia suspense de onde me levaria. Eu pensava em como seria amanhã no emprego. Com certeza o Luciano contará pra tia o que aconteceu e eu seria demitida.
Xinguei ele na minha mente e me perguntava como alguém tão bonito, conseguia ser tão idiota.
– Chegamos princesa. – ele me disse e eu observei o lugar
– Um parque de diversões? Tá na hora de inovar hein!
– Droga! Péssima ideia né?
– Tô brincando marido, eu adorei.
– Trouxe você aqui pra revivermos aquele dia que não sai da minha mente.
– Então vamos primeiro na montanha russa. — Ele riu e concordou com a cabeça.
Foi tão legal como da outra vez, só que dessa vez teve mais beijos. Ele conseguia me fazer sentir como uma criança mesmo depois de um dia super cansativo.
– Hey. – ele me chamou
– O que foi?
– Eu te amo.
– Que sorte tenho eu de ter um marido romântico. Você sabe que eu também te amo né?
– Claro. – Daniel ficou em silêncio por um tempo — Quem era aquele cara que tava querendo se aproveitar de você?
– Aquele que vai lembrar de você quando se olhar no espelho. – falei com um sorriso de canto.
– Se ele continuar te enchendo, me fala.
– Não precisa se preocupar, eu sei me cuidar.
– Só tome cuidado pra não cair na dele.
– Você acha que eu sou que tipo de mulher pra ficar com o primeiro que me der uma cantada? – perguntei irritada.
– Só tô cuidando do que é meu.
– Vamos pro hotel.
– Mas já? Me desculpa, se eu soubesse que ficaria assim, nem teria tocado no assunto.
– Eu tô muito cansada e amanhã tenho que trabalhar bem cedo. E também não suporto ciúmes, trate de controlar isso ou será um problema pra nós.
Fomos para o hotel e não trocamos nenhuma palavra durante o trajeto. Ele acha mesmo que eu ficaria com o Luciano? O que mais me incomodou é que antes de meu namorado, ele também é meu melhor amigo e sabe que eu não faria isso. Quando chegamos, todos tinham acabado de chegar também.
– Como foi a noite do casal? — perguntou Valéria, estávamos na entrada do hotel.
– Poderia ter terminado melhor. – respondi olhando para Daniel. — Vocês foram pra onde?
– Fomos naquele bar onde tínhamos ido antes com aquela naja, comemorar pelo emprego. — respondeu Valéria.
– Naja? A Bela é muito gente boa. — disse Davi e Valéria ficou calada.
Cirilo e Daniel haviam conseguido emprego naquele mesmo bar e começariam a trabalhar amanhã. Ele ia me contar depois, eu acho, mas nossa noite se acabou com aquele ciúmes dele. Eu já estava caminhando para o quarto, mas senti uma mão me puxar.
– Você e o Daniel brigaram?
– Sim Valéria.
– Por que? Quero saber de tudo.
– Hoje no emprego, fui atender a mesa e deixei cair o café num cliente sem querer. O problema é que ele era sobrinho da gerente, se chama Luciano. Então ele ficou até tarde e deu em cima de mim, aí o Daniel chegou quando meu expediente terminou e me encontrou com o Luciano. Acertou um murro nele e agora está tendo umas crises de ciúmes
– Mas esse Luciano é gatinho?
– É sim, mas não me interessa Valéria. Eu só tenho olhos pro meu namorado, mas também não suporto ciúmes.
– É muito ruim mesmo amiga, mas ele vai pedir desculpas e vocês se acertar
– Eu espero que ele não fique com ciúmes de tudo, porque eu não vou conseguir suportar.
– Pois é Majo, esses homens. Vou dormir que amanhã tem trabalho, boa noite.
– Boa.
Entrei no quarto e ele estava me esperando apenas de cueca. Eu fiquei com vergonha, mas já estava acostumada, pois dormíamos juntos.
– Eu fui um idiota falando aquilo, desculpe.
– Tudo bem, é você que eu amo, okay? Não precisa ficar com ciúmes.
Eu o beijei e fomos dormir. Tive um sonho muito estranho, nele eu e o Luciano éramos noivos e estávamos numa praia, até que o Daniel chegou e deu um tiro nele, que morreu em meus braços. Acordei com o barulho do despertador e fui pro banho. Tomei o café da manhã e fui pra lanchonete.
Quando cheguei, Karolina já estava lá. Eu estava apreensiva, esperando pra ser demitida.
– O que foi que tá me olhando Maria Joaquina?
– Não tem recado pra mim?
– Não, é melhor você ir trocar logo de roupa que daqui a pouco a lanchonete abre.
Troquei de roupa e comecei a atender as mesas. Na hora do almoço, eu contei tudo o que tinha acontecido pra Karolina. Eu já cofiava muito nela e ela era muito gente boa.
Eu tava feliz por não ter sido demitida, mas minha felicidade acabou quando o vi entrar.
– Ai amiga, eu não quero ter que ir lá.
– Mas Maria Joaquina, você vai ter que ir. Respira fundo e vai lá.
Respirei fundo e fui até ele com uma cara nada agradável.
– O que você deseja?
– Boa tarde pra você também. — ele estava com um óculos escuro para disfarçar o olho roxo. — Um cappuccino, por favor.
Minha vontade era pegar o cappuccino e derramar nele.
– Karolina, esse Luciano sempre vem aqui?
– Sim, quase todas as tardes. Ele vem e estuda aqui.
– Você sabe se ele tem família ou mora sozinho?
– Por que tá querendo saber?
– Só curiosidade mesmo.
– O que eu sei é que ele mora sozinho e os pais moram no exterior, só isso. Aqui está o pedido da mesa 4.
Tudo estava correndo bem, tirando o fato do Luciano não parar de me olhar. Ele começou a passar mal do nada e eu tive que acompanhá-lo até fora da lanchonete.
– O que você tem garoto?
– Nada.
– Você passa mal assim sempre?
– Eu tô bem okay, pode voltar pro seu trabalho.
– Você vai parar de ficar me comendo com os olhos né?
– Desculpa, qual é o seu nome?
– Maria Joaquina, porque você não me denunciou pra sua tia?
– Você me acha tão mal assim?
– Você demonstrou não ser a melhor das pessoas.
– Posso mudar esse seu conceito.
– Me deixa em paz, eu tenho namorado e você viu como ele é agressivo.
– Que indelicada você.
– Ah e da próxima vez que você passar mal eu deixo você morrer. Já vi muitas pessoas morrerem antes, acredite. — ele me puxou pelo braço.
– Você me acha bonito pelo menos?
– Você é, mas não me interessa.
Ele tirou o óculos e ficou olhando profundamente nos meus olhos.
– Olhos verdes, muito lindos.
– Os seus olhos azuis também são, uma pena que por volta do olho tá roxo. – zombei.
Luciano se aproximou mais e mais, eu tentava me afastar, mas já era tarde. Ele estava me beijando e estava correspondendo. Meu Deus, eu não podia fazer isso com o Daniel. Acertei em cheio suas partes baixas com o meu joelho e voltei para dentro da lanchonete.
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