P.O.V. Jenna.

Hoje o diário da Sadie caiu no vestiário e veio parar na minha mão. Mas, eu sou melhor que ela.

P.O.V. Sadie.

Imaginem o meu desespero quando o meu diário que era para estar na minha bolsa não está lá e tudo piora quando Jenna Hamilton vem caminhando pelo corredor com ele em mãos. Ai Meu Deus! Ela vai ler pra todo mundo!

—Prestem atenção! Esse é o diário pessoal da Sadie, mas como eu sou melhor que ela eu não o li e nem vou ler! Eu vou devolver.

Ela caminhou na minha direção e me estendeu o diário.

—Relaxa, eu não li.

Eu peguei e ela saiu andando enquanto o povo aplaudia ela.

—Caramba! Ela te destruiu. De novo.

—Cala a boca Lissa!

O Matt veio falar comigo.

—Você não merecia isso. Você merecia que ela lesse o seu diário diante de todos, mas Jenna Hamilton é tudo o que você não é. Ela tem um coração de ouro, puro e nunca fez mal nem pra uma barata. Já você, você fez mal pra escola toda e até pros seus pais.

—Devia se envergonhar de tratá-la tão mal.

Disse o Jake.

—A Jenna é um amor e mesmo assim você insiste em tratá-la mal. Você espalhou os segredos mais íntimos dela para quem quisesse ouvir, mandou fotos dela se trocando para a escola toda e ainda assim ela te trata com respeito.

—Jake... ela tá fazendo de propósito! Ela quer que vocês fiquem contra mim!

—Você tem que parar Sadie ou vai ficar sozinha. Você tem mais inimigos do que eu consigo contar e se não parar de desrespeitar as pessoas especialmente a Jenna Hamilton os poucos que gostam de você vão te deixar.

Chegando em casa minha mãe ainda me passou um sermão.

—Sadie Saxton! Temos que conversar seriamente mocinha.

—Mãe...

—Senta. Estou decepcionada com você. Porque essa implicância com a Jenna, vocês eram tão amigas no jardim, a mãe dela é minha amiga e você sabe. Ela é uma boa menina. Soube o que ela fez por você hoje.

A minha mãe sempre preferiu a Jenna. Ela morre de vergonha de mim porque eu sou gorda, ela sempre diz que eu tenho que emagrecer.

Ela diz que é porque quer que eu seja saudável, porque se preocupa com as altas taxas de colesterol no meu sangue e não quer que eu vire diabética, mas eu sei que ela só quer que eu fique magra por causa da estética.

—Amanhã a senhorita vai pedir desculpas pra ela diante de todos.

—O que?

—Se não pedir eu vou te escoltar até lá e te obrigar a fazer isso. A menina não merece isso.

—Você sempre preferiu ela! Mas, eu sou a sua filha! Sou a filha gorda que você despreza!

—Querida, já conversamos sobre isso. Eu me preocupo com a sua saúde. Você tem que se alimentar melhor para viver mais e ter mais qualidade de vida.

—Você quer que eu seja magra que nem a vadia da Jenna Hamilton!

—Menina! Mas, e a peça da escola? Já foram os testes?

—Não são amanhã.

—E o que vão interpretar?

—Romeu e Julieta.

—Ótimo.

Na hora das audições eu vi que a professora gostou da minha performance, mas a Jenna tinha que aparecer.

—Mais uma candidata?

—O que? Tá falando comigo?

—Claro meu bem, mas qual é o seu nome?

—Jenna.

—Vamos lá Jenna, dê o seu melhor.

—Eu só vim assistir.

—Vai lá Jen só uma linha.

—É vai Jenna. Jenna! Jenna! Jenna!

—Tá. Mas, eu sou tipo péssima.

Eles começaram a falar.

Matt/Romeu: -Que silêncio... Que luz brilha através daquela janela? Surge claro sol, e mata de inveja a lua, vento que tu, tua serva, és mais linda que ela.

—Ai de mim Romeu...

E assim eles desenrolaram a cena do Jardim e a Hamilton não tinha nada de péssima, ela era ótima.

—Bravo! Bravíssimo!

—O que? Eu achei que tivesse ficado um lixo. Eu não sou boa atriz.

—Tem razão querida, você não é boa... você é ótima!

—Tá brincando?

—Não. Parabéns, conseguiu o papel.

—Mas, eu tenho pânico de palco!

—Você não parecia estar em pânico Hamilton.

—É que... quando eu olho pro Matt eu fico meio perdida. Parece que não tem mais ninguém com a gente.

—Ótimo. Sinto o mesmo.

Não acredito!

Que droga!

Eu fugi. Nunca fugi de nada, mas dessa vez é diferente. E a vagabunda veio atrás de mim.

—Sadie! O que aconteceu? É por causa da peça? Eu desisto do papel se é tão importante pra você.

—Você não entende não é mesmo?

—Não. Acho que você vai ter que me explicar.

—Eu não odeio você. Jenna tenho inveja de você.

—Isso é besteira...

—Não. Não é! Você é magra, é bonita, é talentosa e eu sou uma gorda que não tem talento.

—Olha, me desculpe pelo que eu disse naquele dia. Eu não tava pensando direito. Eu lamento, mas você deve ter algum talento. Todos somos bons em alguma coisa. Vem, quero te mostrar uma coisa.

De repente estávamos de frente para o espelho do banheiro.

—O que você vê?

—Uma gorda, feia e estranha.

—Sabe o que eu vejo? Uma garota bonita. Passa um pouco de blush, só uma corzinha. Arruma um pouco mais o cabelo, posso fazer um penteado legal.

—Porque tá fazendo isso?

—Porque eu sei como é quando as pessoas te tratam mal, quando você se sente depressiva, quando te chama de feia, gorda ou magrela esquisita no meu caso. Você gosta de você mesma? Seja honesta.

—Eu sei lá.

—Pensa. Se olha no espelho, esquece tudo e todos. Esquece o que os outros pensam de você por um instante e foca no que você sente em relação á si mesma.

Comecei a pensar. Me olhando no espelho eu vi que gostava de quem eu era, de como eu me parecia.

—Eu gosto.

—Então, manda os outros e o que eles pensam pro inferno. Porque o que não te mata te deixa mais forte.

Ela me ajudou, mesmo depois de tudo o que eu fiz com ela a Jenna Hamilton me ajudou.

—Valeu. E foi mal por tudo.

—Eu já nem me lembro mais. Quem vive de passado é museu.

Eu fiz algo que pensei que nunca faria na vida. Abracei a Hamilton e ela devolveu o abraço.

—Fico contente que tenhamos superado tudo. Você é uma pessoa boa, é bonita e inteligente. Não deixa esse povo te colocar pra baixo.

—Você é ótima.

Eu tava chorando na frente dela.

—Own. Vem cá. Coloca pra fora.

Ela me abraçou e eu chorei no ombro da garota que eu pensei ser minha pior inimiga.