Sunshine she’s here
1 Dia 1- Pro dia nascer feliz
Notas iniciais
Aargh — Maya suspira. — Mais um daqueles dias infernais de verão, em que todo mundo está atrasado e pra variar, um calor dos infernos.
"Todo dia a insônia
Me convence que o céu
Faz tudo ficar infinito
E que a solidão
É pretensão de quem fica
Escondido fazendo fita..."
Era assim que Maya passava o final do verão: Cheia de compromissos, atrasada e ainda por cima tendo que suportar um calor infernal, que aumentava a cada ano, assim como o cansaço que ela sentia em relação a isso. Afinal, trabalhar em uma biblioteca pública não é fácil, até por que, ela não possuía nem ao menos ventiladores, tinha que trabalhar com o pouco vento que entrava pelas janelas e olhe lá.
E o motivo de seu atraso, qual era?
A dificuldade que ela tinha para conseguir sair do fresquinho de dentro de sua casa que só o ar condicionado conseguia proporcionar a ela, e o atraso dava-se ao fato de ela ter medo de derreter naquele calor que só fevereiro possuía, por isso ela odiava mortalmente aquele mês, era o que mais a incomodava, e outro motivo desse ódio devia-se a lotação que a cidade ficava no Carnaval, claro!
Milhares de pessoas viajavam para assistir ao desfile espetacular de Carnaval que só o Rio de Janeiro possuía, e isso irritava muito Maya, ela mal conseguia andar nas ruas direito, e nesse período, ficava trancada em casa e não saía em hipótese alguma! Estava bem com seu sofá e seu ar condicionado, não precisava sair de casa em hipótese alguma... Apenas para trabalhar, e era nessa situação que Maya se encontrava, isso explicava seu mau-humor e irritação.
Correu pelas ruas lotadas do Rio de Janeiro, e chegou a biblioteca pública da cidade onde trabalhava, e ela nem sentiu um alívio em ter chegado, pois dentro da biblioteca conseguia ser mais quente do que nas ruas.
Após entrar, correu ao computador onde anotava todos os empréstimos, mandava e-mails quando um livro estava atrasado e recebia multas de atraso, que na verdade era bastante constante, por isso recebia um salário bem razoável, a ponto de conseguir sustentar seu apartamento no centro da cidade e ainda restava bastante dinheiro para sua sustentação e o que sobrava, ela guardava em sua poupança.
Maya mal havia-se sentado em sua cadeira, e já recebeu um alerta da senhora que a havia contratado. A senhora se chamava Rita, e possuía cabelos curtos e pretos, que iam até um pouco acima das orelhas, havia algumas rugas em seu rosto, e ela possuía lindos olhos azuis e usava um óculos de armação roxo, Maya costumava sempre que possível evitá-la e fazer o seu trabalho bem corretamente para que fosse liberada mais cedo, e isso de fato aconteceu naquele dia, mas não da maneira que você espera...
– Maya, tenho algo sério a te dizer... — Rita começou já em um tom mais sério, levando Maya a pensar que não seria coisa boa, e não era de fato, mas também não era tão ruim assim. — Faz algum tempo que você anda faltando no emprego, e anda se atrasando constantemente, você não está mais sendo responsável em questão de horários e comparecer ás reuniões de funcionários, por isso quero dizer que você não é mais uma oficialmente. — Rita disse isso tão rapidamente que só se lembrou de respirar depois que acabou esse longo discurso, Maya estava um pouco abatida, não havia mais modo de pagar suas contas e manter o apartamento por muito tempo, só conseguiria se manter por no máximo dois meses ou menos, mas ela daria um jeito, sempre dava, apenas conseguiu dizer um simples "Vou recolher minhas coisas e já me retiro" para Rita, e após recolher suas tralhas, e se despedir dos seus "colegas de trabalho" se assim posso chamar, ela partiu, bastante decepcionada, mas um pouco feliz, é claro, poderia passar o resto do verão no ar condicionado, ou não.
Em sua corrida para volta, acabou sendo impedida pela quantidade de gente atrasada, revoltada e irritada como Maya, que tentavam se movimentar em meio a tanta gente nas ruas, e entre toda essa correria e empurra-empurra, Maya foi rapidamente derrubada no chão por um... Cachorro! Ele era bem pequeno na verdade, era um vira-lata que parecia ter sido mistura de Labrador com um Dachshund, e começou a lamber Maya no rosto. Ela estava realmente achando ele muito fofo, então falou:
–Owwnt! — Maya fez a voz que sempre usa para falar com animais. — Você é tão peludo e lindinho... Quem deixou você aqui na rua com certeza era porque não te merecia, né coisinha fofa? — Maya perguntou para o cachorrinho ainda não nomeado.
Logo depois dessas perguntas ao pequeno, ele começou a esfregar a cabecinha no pescoço da Mayra, e isso a fez se sentir mais feliz, em pensar que estava ganhando a confiança de um cãozinho que havia encontrado na rua.
"Estamos bem por um triz
Pro dia nascer feliz
Pro dia nascer feliz
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir, dormir"
Ela estava se divertindo com os carinhos dele, e achou tão fofo o modo como ele a encarava, que ficou mais algum tempo fazendo carinho nele e o abraçando, mas quando decidiu que iria voltar, ela nem percebeu, mas o cachorro decidiu que iria a seguir, e assim foi, e Maya nem havia percebido, mas aquele cachorro realmente faria uma mudança danada em sua vida...
"Oh oh oh oh
Oh oh oh oh
Oh oh oh oh..."
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