Sunshine
2 Capitulo 2
Notas iniciais
Para ele era a melhor hora do dia. Era libertador sair da escola cheia de arrogância e valentões.
Luigi estava esperando seu irmão na entrada da escola.
Hoje a escola tinha sido especialmente infernal. Depois de passar a noite no jantar na casa de Poliana, conversando e se divertindo com ela, a solidão da escola era mais azeda do que nunca.
O jantar tinha sido a primeira vez em anos que ele se divertia com alguém da mesma idade. Poliana era muito divertida. Ela contava histórias sobre quando vivia com seus pais, os lugares que conheceu, o que eles te ensinaram e livros que ela tinha lido. Também gostava de ouvir ele falando sobre cinema e achava legal ele fazer filmes. Ela não era nem um pouco parecido com a patricinha que ele tinha imaginado, nem Yasmin ao lado deles, por insistência da mãe dela, conseguiu estragar o bom humor.
Mas hoje cedo na escola aquilo parecia ter acontecido em outra vida, ele era apenas o alvo preferido de Eric e Hugo.
O celular dele vibrou com uma nove mensagem. Mario avisando que ia com os amigos para casa. Que ótimo. Ele teria que ir sozinho.
Não estava muito quente, ele poderia ir a pé para casa sem problemas.
Ele estava saindo quando viu alguém o chamou do outro lado da rua, era a última pessoa que ele esperava ver.
Poliana seguia na direção dele, ao seu lado um pastor alemão grande, ele reconhecia aquele cachorro. Era do senhor que morava na mansão ao lado da casa dela, o esquisitão chamado Pendlenton. Aquilo era muito estranho.
A garota parecia tão animada quanto na noite anterior.
— Hey, Luigi! – ela pulou e bagunçou o cabelo dele com as mãos.
— Oi – o garoto riu enquanto arrumava o cabelo – O que você está fazendo aqui?
Ela ainda estava de uniforme, e ele duvidava muito que o cachorro tinha ido com ela para a escola.
— Eu estou passeando com o cachorro do vizinho – ela disse enquanto fazia ele pular – eu sempre faço isso depois de sair da escola.
Luigi não poderia deixar de achar engraçado, o cachorro era ENORME e ela tratava ele como o gato dela.
— Vem comigo? Quanto mais gente melhor.
— Han...Eu não sei se seu amigo de quatro patas vai gostar de minha companhia.
— Imagina, o Bob é um amor, só tem tamanho.
Ele não tinha nenhum filme gravado, tinha zerado todos os filmes que tinha baixado mais uma vez. Então não tinha nada para fazer em casa.
Por que não?
Luigi não saia com frequência, no máximo para o parque filmar alguma coisa. Ele sempre passava horas em casa jogando vídeo game e editando filmes, era assim que ele gostava de viver. Mas ele tinha que admitir que aquilo era divertido
Eles já estavam a quase duas horas lá, na praça. Eles tinham continuado a conversa da noite anterior de forma bem fluida. Ela sabia ouvir ele, isso era raro.
A tarde estava quente, até o enorme pastor alemão já parecia cansado. Luigi deu a ideia de irem na padaria do bairro.
A Ora Pães Pães estava sempre cheia, então era uma surpresa eles conseguirem uma mesa naquela tarde. Eles sentaram em uma das mesas de fora, aproveitando a sombra de uma árvore. Bob se deitou embaixo da mesa e Poliana descansou os pés em cima dele, o cachorro nem se incomodou.
A filha mais velha do dono da padaria veio atender eles, Luigi conhecia ela de vista, estudava na Ruth Goulart. Dava a impressão de estar sempre mal humorada, mas era muito bonita.
A garota saiu depois de anotar os pedidos, sem dizer nada.
A tarde estava ótima, Luigi não imaginava que iria se divertir assim saindo de casa.
==/==
O céu já estava alaranjado, daria uma boa cena mas ele estava com a memória do celular cheia. Ele estava chegando em casa depois de um dia cansativo, um dia amargo na escola e uma tarde com sua nova amiga. Há poucos minutos ele tinha acompanhado Poliana até a casa do Sr.Pendlenton.
Foi legal e ele queria fazer isso mais vezes, mas naquele momento a única coisa que interessava era chegar em casa, tirar os sapatos e descansar.
Quando se aproximava era possível notar uma pessoa parada na porta da casa vizinha. Ele decidiu apenas ignorar, como sempre fazia. Ele se chegou em sua casa, Iria apenas abrir a porta e entrar.
— Você é muito ridículo mesmo, não é? – Aquela era a segunda vez em dois dias que Yasmin estava falando com ele, uau.
Luigi parou a mão que estava preste a tocar a maçaneta mas não disse nada para responder a garota.
— Andando por aí, para cima e para baixo, com aquela garota esquisita. – ela não olhava para ele – Você é muito estupido se acha que algo bom vai sair disso.
Luigi realmente não entendia o que ela queria com isso. Ela mal falava com ele, eles eram vizinhos, seus irmãos eram amigos assim como suas mães. Mas ela nunca falava com ele. E agora ela fala com ele por espontânea vontade, dizendo coisas estranhas.
— Você tá me ouvindo? Aquela garota é...
— Cala boca – a voz dele saiu baixa, mas de maneira mais firme do que ela nunca tinha ouvido – quem é você para dizer o que eu devo fazer?
Yasmin parecia ter engolido um sapo.
— Eu só estou falando a verdade. Ela é muito bizarra. Deve ser por causa da criação, os pais dela eram hippies ou coisa assim?
Luigi apertou a maçaneta com força. Aquela menina era irritante, ele gostaria de jogar tudo na cara dela. Como ela parecia ridícula, sendo a sombra de outra pessoa. Sem opinião, sem identidade e sem rosto. Para Luigi o modo que ela vivia era mais triste do que o dele.
— Ela é minha amiga, não sua – Yasmin ainda não olhava para ele – eu gosto de estar com ela, é divertido.
— Vocês dois são toscos – o tom de voz de Yasmin era apático.
— Eu não te perguntei nada.
Ele abriu a porta, entrando e deixando a garota sozinha do lado de fora.
Fale com o autor