Sunset
6 Meu amado Josh
Notas iniciais
Pov Amy
Ai.Meus.Deuses
Eu vou matar aqueles infelizes que trouxeram aquele bicho aqui.
– ABAIXA! — Alguém gritou pra mim. Me joguei no chão colocando as mãos na cabeça em sinal de proteção, bem na hora que a cauda do monstro passou zunindo pela minha cabeça.
Ele rugiu pra nós e abriu as asas coloridas e atacou a pessoas mais perto dele. Eu, é claro.
Suas garras enormes e afiadas vieram na direção do meu rosto e eu desviei, mas o dragão negro continuou me perseguindo. Ele era mais rápido que eu e também voava, além de que, eu estava desamarda.
Riot tentou destruir o dragão atirando suas flechas nele, mas era inútil. Já que a pele do dragão era bem dura.
Percy falava blasfemeas para o monstro enquanto atacava com sua espada. Ela fazia alguns arranhões no corpo do bicho, mas ele parecia concentrado demais em mim para sentir os ataques.
Annabeth estava fora da minha vista, eu esperava sinceramente que ela estivesse pensando em algo para nos salvar, porque eu não ia durar muito com um dragão negro de 5 metros, com calda de espinhos e chifres venenosos com poderes de fogo, me perseguindo.
***
(N.A//:Vamos voltar um pouco, ok?)
Flashbeck on
Estávamos indo para a cidade encontrar os semideuses em missão aqui. Estava tudo normal. Eu estava me lembrando de tudo que vivi aqui. Era triste saber que eu não ia mais voltar.
É, eu sabia que mão voltaria mais, eu sempre soube disso. Essa é uma das coisas ruins da ver seu futuro. Você vê coisas que você não quer ver. Coisas que nenhum ser deveria saber. Afinal, saber demais sobre o próprio futuro é ruim.
Tudo que eu fiz junto do meu irmão, junto dos meus pais humanos, as coisas que eu deixei de fazer também porque não tive coragem. Tudo vinha na minha mente.
De repente eu me lembrei de uma coisa e parei:
– Espera! Tenho que me despedir de alguém. Fica ai! — Meu irmão me olhou abismado, ele ia dizer alguma coisa mas eu me virei e corri antes dele falar.
Segui a trilha que eu fazia sempre que ia visita-lo. Demorei pra decora-lá sem me perder no caminho, isso demorou 1 mês, já que ia raramente vê-lo.
Cheguei no final da trilha e virei a esquerda, me espremendo para passar pelos troncos grossos e raízes largas. A intenção era mesmo que ninguém fosse ali, era pra ser um lugar escondido.
Passar pelo longo caminho me contorcendo em meio aos ramos de espinhos e galhos era um sacrifício, mas no final sempre valia a pena. Por esse motivo eu ia pouco lá, só quando ele precisava.
Agora, entretanto, era diferente. Não era uma simples visita. Era um adeus definitivo. As lágrimas faziam rastros molhados em meu rosto e pingavam no chão de terra, outras eu acabava limpando, ou até mesmo "bebendo" quando por um evento ela vinha até meus lábios. O gosto salgado era bom.
Em certa parte do trecho eu tive que engatinhar, as vezes me arrastar. Mas depois de um (interminável) tempo, a floresta estreita se abriu revelando um bosque de grama verde. Era um lugar pequeno porém aconchegante. Tinha alguns salgueiros e pequenos arbustos de amoras. Além de uma pitangueira. Havia também resplandecendo no meio, um ipê rosa.
– Oi Adalberto. Quanto tempo! Como está você?- Disse passando a mão no tronco e nas flores rosas da bela árvore. (N.A//:Nome lindo esse, neh? '-')
– Vou me sentar um pouco aqui. Espero que não se importe. Bem, eu sei que eu não venho muito aqui, mas eu precisava me despedir de você. Você lembra de quando eu te achei destruída na estrada?- Perguntei me sentando no chão e apoiando as costas no seu tronco- Pois é, eu cuidei de você, quando ainda era uma mudinha. Eu ainda era muito pequena na época. Tinha só 5 anos, mas você não cresceu taaanto assim desde aquela época. Demora uma eternidade pra vocês ipês crescerem por completo, não é mesmo?
Suspirei, e fechei os olhos descansando a cabeça no Adalberto. Não esperava que a árvore me respondesse, ela só me trazia boas lembranças da infância. Aqui era meu cantinho sossegado e separado do mundo, onde nada importava. Onde tudo era perfeito. E só meu... ou quase. Só nosso.
– Eu esperava encontra-lo aqui. Mas vi que ele não veio hoje, ele costuma vir toda semana. Queria ter a sorte de hoje ser um desses dias. Você que tem visto ele me diga, como ele está?
– Bom, ele está ótimo pra ser sincero. Melhor agora que finalmente pode te encontrar, May!
Levei um susto. Porra, não podia ser o Adalberto, então só podia ser o...
– Joshua? — Fitei o garoto sorridente na minha frente. Chama-lo de garoto era errado. Ele era 5 anos mais velho que eu e tinha 21 anos. O sonho dele era sair deste lugar minúsculo e ir morar na grande potência que era Nova York e cursar uma Boa faculdade. Enquanto isso não acontecia, ele vinha quase toda semana visitar nossa árvore, nosso canto no mundo.
– Eu nunca entendi como você consegue fazer aquele caminho todo sem se arranhar e nem nada toda semana! — Eu disse indo abraça-lo.
Ele riu e me envolveu com seus braços musculosos. Fazia uns 5 meses que eu não vinha aqui e conseqüentemente que não o via. Só agora eu percebia o tamanho da minha saudade!
Josh, como prefere ser chamado, é filho único de uma família rica que mora na cidade. Conheci ele no mesmo dia que encontrei Adalberto(ele deu o nome) então decidimos cuidar do pequeno ipê juntos e por isso, quando o vaso que usei já não servia mais, nós o plantamos aqui.
Este lugar era do Josh antes de ser meu. Ele confiou em mim o suficiente para dividir seu paraíso secreto. Isso foi uma coisa fundamental para nossa amizade.
Riot nunca soube do Josh ou desse lugar. Ninguém da mina família ou da família dele sabia. Afinal era secreto.
– Meus deuses, como senti sua falta! — Murmurei em seu ouvido.
Ele se desprendeu de mim e me analisou:
– Eu também, muito. E nossa!. Você tá muito mais gostosa!- Ele disse divertido
– Eu sei- disse dando meu melhor sorriso travesso. Mas este logo murchou, ao me lembrar o porque de estar ali.- Mas eu não posso demorar.... Vim me despedir.
O sorriso dele também desapareceu do rosto e ele me olhou triste:
– Você vai embora?
– Vou. E — Suspirei — Não vou mais voltar. Significa que não vou mais te ver.
– Pra onde você vai? P- por que vai embora — Ele perguntou desolado.
– Me desculpa. Eu não posso te falar, mas eu até queria. — Sorri triste — Mas não vamos tornar isso uma coisa triste po...
– É uma coisa triste! — Ele me cortou — Você vai embora e eu nunca mais vou ver minha melhor amiga! May... Não vai! Por favor...
Balancei a cabeça e pisquei, tentando afastar as teimosas lágrimas de virem a tona outra vez. Em vão.
–Não dá, tá legal? Não sou eu que controlo meu destino!
Ele me abraçou desta vez e chorei em seu ombro. Ele virou minha cabeça e tomou meus lábios em um beijo. Isso era um beijo de verdade. Não aquele que eu e meu irmão demos.
Incrível como essa frase soa estranha.
Não pudemos desfrutar muito daquilo, porque eu empurrei de leve seu peito, mostrando que precisava ir. Ele se separou de mim com um último selinho e me olhou nos olhos:
– Adeus — Eu disse com a voz falha
– Não. Isso não é um adeus, May. Eu vou te encontrar de novo. Guarde essas palavras.
Sorri fraco pra ele e me virei indo embora em direção a trilha estreita, mas antes me despedi de Adalberto.
Atravessei o caminho de espinhos, sem me importar com os cortes que sangravam em meu braço. Meu coração sangrava mais.
Encontrei Riot sentado com as pernas cruzadas onde eu abandona. Ri um pouco isso.
O barulho dos meus passos me denunciou e ele se virou pra mim:
– Onde você foi? Tô aqui te esperando faz um século! Quem você foi ver? O Jay? Por que você tá com cara de quem andou chorando? E por que tá cheirando a homem?- Ele dispara um monte de perguntas, que eu apenas ignoro e sigo em frente, marchando até a cidade.
(N.A//: Jay é o esquilo do capítulo 2, pra quem não lembra. E com "cheirando a homem" quer dizer que ela tá com cheiro de perfume masculino. Porque quando nós, mulheres, abraçamos algum cara que passa perfume, fica o cheiro gostoso impreguinado nas roupas.)
– Vai me ignorar? Ótimo!
– Ótimo. — Disse seca.
– ÓTIMO!
Eu percebo que passei tempo demais com Josh, pois já estava escuro. A lua brilhava num céu pouco estrelado, mas mesmo assim era lindo de ver.
Parei com meu irmão bem atrás de mim, jogando sua mochila no chão. Usei minha visão periférica para encontrar dois semideuses perdidos. Depois de um tempo avistei-os dentro de uma lanchonete. A garota, se não me engano, Annabeth, olhava fixamente para nós com curiosidade e espanto.
Eu devolvi o olhar e me preparei para descer a colina, mas eu ouvi um primeiro grito, no meio de muitos que se seguiram.
Olhei boquiaberta e horrorizada o dragão a 10 metros de mim atacando a cidade procurando algo em meio a multidão assombrada.
Eu não sei o que elas estavam vendo. hummmm.... o que os mortais poderiam ver no legal de um dragão negro com chifres e garras medonhas, asas multicoloridas e uma cauda com uma bola de espinhos no final?
Dei um grito quando ele se voltou pra mim e rugiu levantando voo em minha direção. Eu fiquei sem reação um momento, nunca tinha sido atacada por um monstro e isso me fez perceber que eu era muito inútil.
Riot me empurrou para o chão quando uma bola de fogo passou voando por onde eu estava e atingiu uma pobre árvore. Isso me tirou do meu transe e eu levantei pronta para (tentar) lutar. Só fui me dar conta de que eu não tinha uma arma quando vi o menino de cabelo preto, Percy, levantar sua espada e a atirar contra pescoço do dragão. Ele se distraído momentaneamente, dando-me tempo de fugir.
Por mais que eu quisesse lutar, eu não tinha uma arma, e duvido que meus socos ou chutes fossem fortes o bastante.
– O Frank seria de grande ajuda agora! — Escutei Percy gritando enquanto sabia a colina.
~Quem?~
– Eu tenho uma idéia! — Riot gritou saindo disparado pela floresta.
Logo ele voltou com uma espada de madeira e uma alvajada de flechas e um arco. Vale dizer, que foi ele quem os fez.
– Ei! Cuidado. — Annabeth gritou antes de desaparecer de vista e eu corri pra perto do meu irmão. Mas no meio do caminho fui barrada por um jato de foto vindo do dragão. Fiquei um bom tempo nessa lenga lenga toda de fugir do Negrinho(sim, eu batizei o dragão negro assustador de Negrinho).
De repente, alguma coisa voando no céu cai na minha cabeça com força. É provável que faça um galo amanhã. Se eu sobreviver. O negócio que caiu em minha era a espada de madeira do Riot. Fuzilei-o com os olhos:
– Oh, imbecil! Você sabia que tacar um pedaço de madeira numa pessoa pode matar?!
– Desculpa! Agora, corre!
Opa, o dragão. É verdade.
Tentei acertar o dragão com a espada, mas se nem a espada do Percy surtia algum efeito na pele dura do monstro, o que raios um pedaço de pau vai fazer?!
No momento o dragão atacava Percy, que bravamente lutava contra o monstro. Nada demais. Ele já havia feito isso antes, mas por algum motivo, eu sabia que ele não poderia lutar contra esse. Eu sentia que era dever meu e do Riot acabar com ele. Como se fosse um teste. E sinceramente, se fosse realmente um teste, eu estava indo muito mal.
Ele arrancou com as presas enormes Contracorrente da mão de Percy e lançou longe, assim não pude ver onde caiu.
Eu só tive tempo de me esquivar para não ser atingida por sua cauda novamente. Arregalei os olhos quando vi meu ruivinho nas costas da fera com a espada de Percy. Seu braço girou a espada e num rápido movimento ela decepou um pedaço de sua asa celestial.
Um urro que provavelmente pode ser ouvido a quilômetros de distância preencher meus ouvidos.
Riot foi jogado violentamente colina abaixo, mas o dragão não estava satisfeito e correu até ele.
Desesperada para salvar meu irmão, fiz a primeira coisa estúpida que veio na cabeça. Corri e me joguei com tudo em cima de sua cauda, me agarrando nos espinhos envenenados, tomando cuidado para não me furar.
Fui subindo por suas costas, e quando Negrinho ergueu sua pata pata atacar Riot, usei toda minha força para arrancar um espinho grosso e comprido de sua lombada. Ele rugiu e tentou me morder.
Quando aproximou seu pescoço de mim para arrancar minha cabeça, aproveite a chance e cravei o espinho venenoso em seu olho esquerdo.
Sua boca se escancarou e um grito de pura agonia saiu dela . Tomei coragem e enfiei meu braço em sua garganta e rasguei o céu da sua boca.
Pulei para o chão e vacilei em meus passos enquanto corria e ouvia o dragão engasgar. Furioso e ferido ele atirou uma bola de fogo em minha direção e várias outras em sequência.
Usei seu pedaços de asa como escudo e fui me afastando enquanto a dura e resistente asa de dragão me protegia dos seus ataques.
Oh, garota! — Annabeth gritou pra mim atirando uma lança pontuda na minha direção que caiu em meus pés.
Avançei em direção ao dragão e atravessei seu coração com a lança. Ele deu seu último grito estridente antes de morrer.
Sorri triunfante, mas este sumiu quando senti uma dor cortante em minha barriga.
Minha blusa outrora branca, agora estava vermelha de sangue. Minha visão ficou turva e minha cabeça parecia que ia explodir ou entrar em chamas.
Ouvi a voz de Riot chegar aos meus ouvidos chamando meu nome, apavorado com a chance de minha morte.
O vi correndo até mim, mancando, enquanto eu caia de joelhos e me curvava e arfava enquanto aos poucos perdia os sentidos e mergulha no mundo das sombras.
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