Sunset.

9 Capítulo 9 - Delicate


Notas iniciais
Oi geeente! Eu nem vou tentar me desculpar pelo tempo que eu fiquei sem postar. Sério. Sem desculpas. Mas só queria dizer que não desisti de fic, eu só estou sem tempo ou criatividade pra continuar, enquanto isso ela fica em espera aqui nos meus afazeres. Mas... eu já tinha essa parte escrita e por isso eu resolvi postar... mas saibam que ainda não terminei, que tem mais alguns capítulos pela frente, tá? Ok? ok. Ó, existem partes que é a Marina e a Clara narrando a fic, por isso ela fica em primeira pessoa, ok? Vocês vão saber porque terá o nome delas e negrito quando isso acontecer. Do mais, é isso gente. Demorou mas saiu uma parte, tá? E obg pra quem não esqueceu da fic, par quem ainda me manda DM no twitter, pra quem manda mensagem aqui no nyah, obrigada mesmo pessoal! Um agradecimento especial para a Gisele, que fez uma CAMISETA DE SUNSET PRA MIM! Inacreditável. Um beijo para as meninas da gang e de todos os outros grupos no whats. Um bj pra todas vocês, lindas. Um bj pra namorada linda, é claro! E vamos lá... obs: https://www.youtube.com/watch?v=VnL3NfhOsBM Musica do cap. Aconselho vocês lerem ouvindo ela.

Flavinha havia acabado de desenhar carinhos nos cabelos de Vanessa até o choro cessar e ele, eventualmente, cessou. A ruiva deitada nas pernas da produtora parecia uma criança desprotegida e como poucas pessoas no mundo a vira antes, respirava em paz mesmo mantendo o semblante de dor em sua face, agora seca. Flavinha olhava aquela mulher adulta, vivida, madura... mas só conseguia enxergar uma menina; uma menina machucada demais pra pedir ajuda. Levantou-se tomando o cuidado de não acorda-la e começou a catar todas as roupas que foram jogadas ao chão, juntar os objetos quebrados e fechar as gavetas; tentando sem sucesso disfarçar os indícios de que alguém de coração partido havia passado por ali. Queria tirar Vanessa daquele quarto, daquela casa, de dentro do poço que ela se encontrava agora; mas toda vez que olhava pros olhos tão fechados da amiga, sabia que se eles abrissem naquele momento, abririam molhados. Decidiu então deixar o dia chegar.

Vanessa merecia uma noite bem dormida, mesmo tendo sido ninada pelas lagrimas, o sono agora parecia sereno demais pra ser perturbado por detalhes. Vanessa merecia um coração mais calmo, uma cama macia, um sorriso despreocupado. Flavinha olhou para aquela menina que merecia tantas coisas e o coração apertou... Agarrou os travesseiros em cima da cama e retirou o edredom fofo do armário, ajeitou tudo gentilmente sob o corpo da outra e deixou um beijo sobre sua testa.

– Vai passar. – Disse baixinho, terminando de cobrir os ombros da outra e enquanto se afastava percebeu a mão de Vanessa agarrar a barra de sua blusa, puxando-a de volta sem dizer uma palavra sequer, ainda de olhos fechados não a deixando ir.

Não foi preciso pedir. Flavinha se aconchegou entre as almofadas e voltou a deitar no tapete, se entrelaçando em Vanessa e a apertando contra seu peito, como se seus próprios braços fossem capazes de colar os pedacinhos quebrados. A noite passou assim... sem pedidos ou sons, sem promessas de melhoras ou palavras de cuidado. A única coisa que existia dentro daquele abraço era a inabalável certeza não verbalizada de que o dia chegaria. E que nele existia mais.

– Logo mais amanhã já vem.

~

Marina olhava para o relógio pendurado no estúdio avisa-la que o tempo não iria parar e esperar ela absorver tudo que aconteceu ali. Clara chegaria em algumas horas e a noite perfeita que ela planejara não iria se montar sozinha, mas se mover mostrava-se uma tarefa estranhamente difícil. Sentada, colocou os cotovelos sobre os joelhos e apoiou a cabeça nas próprias mãos, revivia todos os fragmentos da discussão que tivera com Vanessa e pra toda vez que se repetia, tudo parecia mais sofrido. Doía cada vez mais, cada vez mais fundo e cada vez mais latente. Talvez se pudesse voltar no tempo faria alguma coisa diferente, talvez não. “Sei lá”. Os pensamentos começavam com alguma lógica, mas todos se entorpeciam no meio do caminho e se resumia a duas pessoas jogando verdades cruas demais para o alto e assistindo explodir como fogos de artificio; Sem se preocupar com os efeitos coletareis daquela implosão assistida. O reconhecimento de que anos e anos acabaram de ser destrinchados tão brutalmente ainda não havia chegado, e pior, as consequências daquela “conversa” traziam arrepios de duvidas que subiam pela espinha de Marina deixando rastros de medo e fazendo seu corpo se contrair involuntariamente. “Acabou? Assim... fim?”. A bochecha latejando quente e as ultimas palavras de Vanessa pareciam ser a resposta para aquela pergunta.

Marina chacoalhou a cabeça e viu que, de fato, o tempo não havia parado pra ela. Só restavam algumas horas pra se arrumar e preparar a noite. Pensou que talvez não houvesse tempo o suficiente pra tudo que havia planejado ser feito, mas não podia desmarcar assim de ultima hora, portanto angariou todas as forças que ainda restavam e se pôs em pé, fechou os olhos e pensou em Clara entrando por aquela porta, com aquele sorriso de menina, andando em sua direção e toda a paz voltou pra dentro de si, todas as dores se tornaram consideravelmente menores e os problemas findáveis. Elas mereciam essa noite, elas haviam lutado tanto por essa noite, e não havia força no mundo que impediria Clara de entrar por aquela porta.

Então Marina chamou todos seus funcionários e deixou todas as instruções de como queria o jantar, as luzes... as flores. Explicou cada detalhe que não poderia ser esquecido e avisou que todos estavam dispensados após a chegada de Clara. Eles assentiram sem fazer perguntas ou questionamentos e algumas horas depois todos os preparativos estavam prontos, a musica estava no player e as velas acessas.

Marina subiu para o quarto e tomou seu banho sem pressa alguma. Ainda de roupão sentada na beirada da cama tentou não pensar na discussão que tivera com Vanessa, na verdade, tentou não pensar em nada. Levantou-se da cama e se deixou respirar tranquila; a casa estava pronta, o jantar estava servido e, por mais que não fizesse tantas horas assim, a saudade já batia no peito. Olhando pra todos aqueles vestidos chiques e saltos gigantescos, não teve vontade de vestir nenhuma daquelas coisas. Nada daquilo realmente importava, nem pra ela, nem para Clara. Marina só queria se vestir de amor.

Decidiu pelo short jeans básico, uma camisa branca leve e simples, e seu batom vermelho. Passou seu melhor perfume e de pés descalço desceu as escadas vagarosamente. Repassou com os funcionários, mais uma vez os últimos detalhes e sentou-se a espera de Clara. “Chega logo, Clarinha” Era tudo que conseguia pensar, era só o que queria naquele momento, ver Clara andando em sua direção com a calma de quem ama e simplesmente existir nos seus braços. A pressa da saudade se balanceava perfeitamente com a tranquilidade da certeza de que, sem duvida alguma, ela viria. E ficaria.

Enquanto andava de um lado para o outro pensou no que diria pra Clara assim que ela pudesse ouvi-la e riu. Riu ao lembrar-se do que dissera pra ela na primeira vez que a viu. “Onde encontrou tanta beleza?” Quem diz essas coisas? Ainda mais pra alguém que você nunca viu na vida. “Marina Meirelles dizia”. Pensou alto enquanto tentou lembrar-se se naquela época ela fazia ideia de como a vida era tão mais do que aquilo, tão maior do que grandes festas e pequenas paixões; Tão mais gostosa do que bebidas caras e pessoas rasas... “Eu não fazia ideia”. E talvez se fizesse, teria falado algo diferente. Talvez se Marina soubesse que aquela mulher seria a mulher de sua vida teria dito “Você é linda” ou “Você é tão linda” ou “Eu não sei como dizer como eu te acho linda”. Marina riu e pensou que era bobagem, que faria tudo exatamente como ela fizera porque se não fizesse, ela não estaria ali, no escuro, esperando pela dona de toda aquela beleza vir em sua direção pra nunca mais andar em direções separadas.

O barulho dos portões se abrindo tirou Marina dos seus devaneios e enquanto a adrenalina corria por todo seu corpo, ela assistia Clara sair do carro e ir em direção à porta gigante de madeira. Sorria pra Clara no escuro, mesmo sabendo que ela não a via e esperou... Esperou a mulher da sua vida percorrer o caminho das flores até ela.

~

Clara lia pela terceira vez o pequeno bilhete tão bem escrito que segurava nas mãos, agora tremulas. “Siga as flores. Sua Marina”.

– Minha Marina... – Sussurrou sem perceber que o fazia sorrindo para o vazio da sala.

Ela sentiu seu coração disparar dentro do peito, respirou fundo e soube que não existia lugar no mundo melhor do que em cima daquelas flores; Que de alguma maneira, os caminhos de uma vida inteira foram cuidadosamente criados pra que seus pés estivessem ali, a guiando para sua Marina.

Então voltou a focar nas pétalas espalhadas pelo chão, tão cuidadosamente arranjadas num caminho que ia se estendendo, aparentemente, pela casa toda. E sorrindo novamente olhou a caligrafia delicada, a tinta escura marcando o branco do papel permanentemente e pensou em como, se Marina estivesse no fim daquele caminho, o seguiria pra sempre.

A casa não estava tão escura como parecia do lado de fora e algumas luzes indiretas iluminavam o caminho para Clara seguir em frente e conforme deu seu primeiro passo, sem aviso nenhum, uma musica começou a tocar pela casa toda. Delicate, do Damien Rice ecoou pelos corredores escuros e chegou baixo nos ouvidos de Clara. A dona de casa abriu ainda mais o sorriso e não teve duvidas de que tudo ali, até os menores dos detalhes, foram cuidadosamente colocados por Marina.

E antes de dar o primeiro passo, Clara deixou que uma lágrima escorresse livremente pela sua bochecha. Nada doía dentro dela. Não havia dor alguma em seu corpo ou alma naquele momento. Seu coração explodia e se reconstruía em seu peito toda vez que pulsava e a gravidade parecia não se aplicar mais. A total consciência de que a partir do momento em que ela se movesse pra dentro daquela casa, ela estaria um passo mais perto da sua felicidade alegre... um passo mais próxima do amor de uma vida inteira... pediu por uma lágrima. Só uma. A ultima.

Como pedia o bilhete, ela seguiu aquele caminho de flores pela sala de TV até passar por outra mesinha, com a mesma velinha velando um outro pequeno papel dobrado, dizendo em uma caligrafia ainda mais linda...

“Cause I love you... Just the way you look tonight.

– Frank Sinatra”

Clara então fechou os olhos e foi levada de volta praquela noite que de longe, foi uma das mais bonitas de toda a sua vida. Lembrou-se dos movimentos lentos que os corpos faziam tão bem, tão juntos, como se fossem um só; Frank Sinatra cantava quase sem esforço palavras sinceras de um amor verdadeiro, e ao som das suas verdades cantadas, elas dançaram. Ela então abriu os olhos, colocou o bilhete junto ao peito e suspirou deixando um riso escapar por entre os lábios. Tentando compreender como conseguiu passar tanto tempo tendo Marina ali, nas pontas dos dedos e não sucumbir à vontade de tê-la pra si e se dar a ela por completo... como estava prestes a fazer... pra vida toda. Colocou o bilhete no bolso de trás da calça, junto com o anterior e voltou a caminhar por cima das flores.

E pra cada passo que dava, a musica ficava mais alta, o coração batia mais forte e a vontade de olhar pros olhos de Marina só aumentava. Enquanto passava pela sala de jantar, viu outro bilhete em cima da gigante mesa de madeira.

“Oh! L'amour. Va et vient rien.

– Ana Cañas”

Clara quase que não cabia dentro de si e mesmo que não fosse possível, sentia seu coração crescer dentro do peito. Nem mesmo terminou de ler a frase e já podia enxergar novamente os painéis gigantescos rodando em cima do próprio eixo e expondo as fotos que Marina fizera dela. Marina enxergou uma Clara que poucos conheciam e que, ela mesma, havia esquecido. Não houve presente melhor do que se redescobrir pelas lentes de Marina e talvez jamais haja. Clara voltou a caminhar ainda cantarolando L’amour e dobrando cuidadosamente o bilhete enquanto as flores a levavam até a cozinha e acabavam na porta que dava para a piscina. A musica agora se ouvia perfeitamente e ela podia jurar que aquele bilhete em cima do balcão de mármore era o ultimo, porque dava pra sentir Marina atrás daquela porta.

“Tentei evitar. Tentei esquecer tudo o que me lembra você. Tentei não te amar... mas olho no espelho e nada de me reconhecer. Só vejo você...em mim.

– Tânia Mara”

Clara passou os dedos sobre as palavras no papel, aquela musica fazia tanto sentido que parecia ter sido escrita pra elas. Era difícil manter a respiração compassada, as pernas firmes, o nervosismo sob controle, mas Clara o fez. Puxou todo o ar pra dentro dos pulmões e caminhou, lentamente, em direção à porta e com a mão na maçaneta deixou que alguns segundos se passassem... É agora. Click. Eu sou sua. Click. Você é minha. Click.

Quando Clara deu seu primeiro passo pra fora da casa, viu as flores sumirem sob seus pés, agora elas foram substituídas por um caminho ladrilhado por aquelas pequenas velinhas, por todo o chão até chegar à área da piscina; iluminando todo o caminho. Damien Rice cantava a todo pulmão o refrão quando Clara viu sendo projetado na parede branca do quiosque uma foto sua; uma foto que nunca vira antes. Era ela segurando uma foto polaroid na mão, sentada no chão do estúdio, completamente despercebida. De repente a foto mudou e agora era Clara de costas olhando a paisagem de Angra enquanto o sol banhava seus cabelos e o vento jogava-os para o lado. Várias outras imagens foram passando e todas elas tiradas sem que a dona de casa sequer percebesse; todas pelos olhos de Marina.

Clara não percebeu quando levou a mão à boca, sem conseguir desgrudar os olhos da projeção na parede, não sentiu Marina se aproximando atrás de si, de pés descalços e olhos transbordando. Foi quando a brisa da noite trouxe consigo o perfume que ela conhecia tão bem. Clara respirou todo o ar que pôde, fechou os olhos e deixou que os ombros, finalmente, descansassem. “Marina...”

– Oi. – Marina disse baixinho, olhando para o contorno das costas de Clara.

– Oi. – Ela não se virou, mas tinha certeza que Marina sabia que ela estava sorrindo e imóvel, continuou olhando as fotos – Essas fotos...

– Suas fotos. – Deu alguns passos em direção a Clara – Todas as vezes que eu te olhei e você não estava olhando de volta...

– São lindas... – Faltaram palavras. – Marina...

– Claro que são... – Marina alinhou seu corpo nas costas de Clara. — São suas! — Tremeu ao sentir o perfume que vinha dos seus cabelos. Ficaram a centímetros de se tocarem, mas Marina não o fez e com a mão direita rodeou o corpo de Clara estendendo a rosa que segurava em frente ao peito da outra. – Pra você. – Sussurrou ao pé do ouvido, colocando uma mexa de cabelo atrás da orelha de Clara – Eu ainda vou te roubar todas as flores do mundo... mas deixa eu começar por essa daqui.

Clara não respondeu ou agradeceu, apenas pegou o botão de rosa e com a outra mão segurou o braço de Marina enquanto se virava. Mantendo-se de olhos fechados, passou os dedos pelas bochechas da outra, colando suas testas e respirando fundo enquanto elas tentavam se sincronizar com o resto do mundo... E sim! Aquela mulher ali a amava e era sua. Só sua.

Marina sentia o carinho de Clara em sua bochecha perguntando-se se ela sabia que era ali mesmo, que ela precisava de mais cuidado. Laçou a cintura da outra com os braços, puxando a pra mais perto, pra mais junto de si, então por fim, soltou o ar que tanto segurava dentro dos pulmões. Em pé diante de fotos que passavam sem parar, ao lado da mesinha baixa cheia de comida e todo o ambiente iluminado pelo amarelo das velas, ela só soube enxergar Clara. A falta de vontade de dizer se quer uma palavra veio pelo simples fato de que já não era necessário. Todas as palavras já haviam sido ditas, tantas e tantas vezes durante tanto tempo que hoje, elas se tornaram obsoletas, completamente dispensáveis e sem sentido de ser. Pra que dizer em voz alta aquilo que está tão impregnado no ar? Pra que cortar o refrão e a harmonia da musica que saia calmamente pelos auto falantes?. E mesmo se Marina pudesse dizer tudo, de todas as maneiras dissertar sobre o seu amor e como aquele momento era um sonho se tornando realidade diante seus olhos, mesmo se ela pudesse... ainda sim não seria o bastante, ainda sim faltaria adjetivos e não seria completamente verdade e por isso... o silencio se fez completo. Ninguém tinha a intenção de quebra-lo. Ele existia ali por um motivo e esse motivo não estava aberto a discussões.

Marina abraçou o corpo de Clara e o tomou pra si com a firmeza de quem segura a vida nos braços. Deixou que seus olhos se encontrassem e se perdessem incontáveis vezes, deixou as mãos se tocarem e os corpos se juntarem ao bel prazer; Deixou os dedos desenharem juras de amor uma na pele da outra sem nunca machucar... Então o beijo veio devagar, mas a respiração não veio de jeito nenhum; O gemido baixo veio sem querer.

Elas se mantiveram assim, trocando abraços por beijos, olhares por carinho. Amor por amor, até que a musica calou e em silencio se manteve. Marina relutou em deixar a boca de Clara se afastar, pedindo sob o folego que ela permanecesse ali, só mais um pouco, só mais um beijo, só outra jura. — Você pra mim, só mais um pouquinho – E, Clara sorria alegre, com as mãos dentro dos cabelos da outra, olhando pra boca de Marina, dizendo sem pressa alguma e com a autoridade de quem diz a verdade – Sempre!

A urgência foi passando no momento em que elas começaram a perceber que existiria uma vida inteira pela frente. É como se alguém apertasse um botão. Click. Ninguém disse em voz alta, mas era a verdade inegável. A vida como se conhecia acabara de deixar de existir. E todas as coisas do mundo começaram a fazer sentido e mesmo aquelas que ainda não faziam, pareciam mais simples. A sensação de que, depois de tanto tempo, o coração finalmente achou a maneira certa de bater... era tudo que se podia sentir.

Então elas sentaram ali, beirando a mesa e ouvindo a musica preencher o ar novamente, sentindo a brisa trazer o vento de todos os cantos do mundo por entre seus cabelos. Assistindo a lua percorrer o céu negro, acompanhada por estrelas que hoje brilhavam muito mais que ontem. Marina serviu o prato de Clara e simplesmente a assistiu comer, como se qualquer movimento daquela mulher fosse um espetáculo a parte. E era.

E sobre o passado só foi falado algumas palavras. Poucas e necessárias. Não era hora, nem lugar pra se discutir algo que já não importava mais.

– Cadu? – Marina perguntou.

– Acabou! – Respondeu apertando sua mão com toda a força do mundo.

– Mesmo? – Questionou Clara sem a olhar nos olhos.

– Ei – Segurou o rosto de Marina com as duas mãos e olhou no fundo de seus olhos – Acabou! – Clara assistiu Marina relaxar todos os músculos do seu corpo e respirar novamente – Eu juro, Marina. Acabou!

– Ivan? – Deixou os olhos caírem ao chão. Temerosos.

– Te ama. – Beijo-lhe a face – E tem saudades. – Sorrio.

Era a única coisa que Marina precisava ouvir. Era a única coisa que Clara queria dizer.

– A Vanessa e eu... – Marina largou das mãos de Clara e acariciou a própria bochecha – Não acho que estamos bem. Alias... – Olhou pros olhos da outra realmente confusa – Clara, eu acho que... acabou. Tudo.

Clara chegou mais perto de Marina e deixou que a cabeça dela descansasse sobre seu ombro.

– Não sei o que aconteceu, Marina. – Afagou seus cabelos – Mas, eu duvido que tenha acabado. As coisas não acabam assim, né? – Beijou o topo de sua cabeça – E vocês... – Puxou o queixo de Marina pra cima – Vocês sempre dão um jeito de se acertar!

Marina olhou praquele sorriso gigante nos lábios de Clara e tudo pareceu tão palpável e simples. A tranquilidade de uma vida tranquila.

– É... Sempre.

E isso foi tudo que elas se permitiram dizer naquela noite sobre qualquer outra coisa que não fosse sobre o amor que elas mantinham uma pela outra. A hora passou sem ser percebida. As velas foram se apagando uma a uma sem pedir permissão e quando a ultima deixou de brilhar sobre a mesa, Clara pegou Marina pela mão e sem dizer uma palavra se levantou; fazendo o caminho das flores de volta. Ainda em silencio subiu os degraus da escada que levava para o quarto da fotógrafa e não pôde deixar de sentir o frio na barriga, pois sabia que cruzando aquela porta estaria o desconhecido para ela; mas toda vez que Marina tocava sua pele, a dona de casa tinha cada vez mais certeza que aquele desconhecido iria ser sua nova casa. A alguns centímetros da porta do quarto, Clara conseguia sentir sua mão tremula, seus joelhos fracos demais e ar escapando entre seus pulmões; por dias, semanas, meses, sonhou com aquele exato momento se tornando realidade e agora ele estava ali, se construindo em frente aos seus olhos. Conforme ela foi dando passos pra dentro do quarto, conseguiu avistar a cama cuidadosamente arrumada e disposta pra duas pessoas, as janelas escancaradas pra lua e a garrafa de vinho semi aberta sobre o criado mudo dentro do balde de gelo; Clara se posicionou atrás da cama de Marina, passou a mão sob a cabeceira de madeira e respirando fundo, tremendo, sentindo suas pernas falharem sem vergonha alguma.

Marina vinha andando atrás de Clara, examinando cada cantinho do quarto que ela conhecia tão bem, como se fosse a primeira vez que colocasse os pés ali. A meia luz que iluminava suas costas era perfeita, a brisa que entrava pela janela era fresca... não existia nada naquela cena que não fosse exatamente como deveria ser. A mulher pela qual carregava o maior amor que já sentiu na vida se encontrava ao pé de sua cama e nada parecia fora de lugar; era como se Clara pertencesse ali. Ali era onde ela pertencia e todo o resto eram só pequenos ornamentos para aquela cena. Linda cena.

Marina se aproximou de Clara sem pressa alguma, carinhosamente pegou sua mão direita e beijou-lhes os dedos, sentindo o carinho em seu cabelo, subiu os olhos pros olhos de Clara e não soube colocar em palavras o que viu. Já não existia mais nenhum pingo de medo ou nervosismo ali. Então Clara alcançou a outra mão de Marina e também depositou um beijo ali, de olhos fechados se manteve até sentir Marina fechando a distancia entre elas, abraçando sua cintura, colando suas testas e respirando descompassadamente.

– Eu te amo, tanto. Sabia? – Marina dizia sussurrando.

Clara passava o nariz pela bochecha de Marina, para cima e para baixo, sinalizando que sim, ela sabia que Marina a amava, tanto. E por ama-la também, beijou-lhe a face, a mandíbula, a ponta do nariz; beijou o pescoço, o queixo e a testa, assim fazendo o caminho até a boca da outra, onde por fim, se perderam.

[Marina]

Ela subia as escadas na velocidade de placas tectônicas. Ela tremia como se os degraus fossem feitos de corda. Ela me puxava, passo a passo, pra perto dela. E por isso eu subia, carregada pelo peso dos seus dedos, fui sendo levada pelo cheiro do seu cabelo; e mesmo de olhos fechados, acompanharia ela a qualquer lugar do mundo.

E eu olhava, pra todas as curvas daquele corpo que os meus olhos não conseguiam parar de olhar, para a pele cor de praia, que fazia contraste com a minha, assim tão mais bonita do que eu. Ela me guiava, sem dizer uma palavra, subindo as escadas sem olhar pra trás, segurava a minha mão e sem saber entrelaçava nossas vidas. Eu não consigo parar de olhar, a silhueta da minha mulher, que para em frente à porta do meu quarto e treme; eu tremo. E tremendo ela entra.

Eu não me reconheço mais. Minhas mãos suam e eu perco as palavras, como uma adolescente eu tento dizer alguma coisa, mas nada passa pela minha garganta. Ela faz isso comigo desde a primeira vez que a vi; me congela dentro desse corpo inseguro e brinca comigo, joga comigo, ganha de mim. Eu, Marina, perco no jogo que eu sempre soube ganhar.

Eu quero tirar a roupa dela, me ajoelho aos seus pés, esperando que ela entenda que no momento que meus joelhos tocarem o chão eu jamais sairia dali. E é lindo. Cada centímetro da pele dela, é lindo. Cada pedacinho do corpo que em juras não faladas, era meu de agora em diante. Ela é a coisa mais linda que meus dedos ja tocaram. E por isso eu me ajoelho, peço permissão com os olhos e ela me da a certeza de uma vida inteira. Meu peito explode, minhas mãos falham, eu quero que o tempo pare. Ela afaga meus cabelos, faz carinho na minha face e eu não quero que isso termine nunca. Eu me desespero, ela continua calma e eu me desespero, e se eu acordar nesse momento? E se isso tudo for um sonho?. Ela passa a mão na minha nuca, me lembrando que a realidade é bem mais doce agora. Eu tiro dos seus pés os sapatos, subo as mãos pelas suas pernas, ela me puxa e eu preciso dela. Preciso dela na minha pele, preciso dela nos meus braços, preciso tocar todo o corpo, beijar toda a boca, sentir cada cheiro; eu me perco nela.

E quando ela me toca eu morro vagarosamente em baixo das suas digitais. Ela sobe minhas costas com as mãos leves, me marca pra sempre e sem saber assina seu nome no que é dela. Tudo acontece devagar, o mundo desacelera, ela rasga minha blusa e eu só consigo me importar com os olhos que me olham; me olham sem medo de dizer que me querem; me querem sem medo de um dia me perder. As roupas saem de mim sem esforço, elas já não me pertencem. A blusa leve que cobria sua pele nao cabia mais nela. A calça perdeu seu proposito. A pele dela precisava da minha e nada mais. Eu tremo. "Eu sou sua" minha boca ia dizendo. "Eu sou tão sua" minha boca ia dizendo, sem me pedir permissão. Essa necessidade de dizer isso a ela não passava.

E então todas se foram, as roupas. Jogadas no pé da cama, se amontoavam amassadas e eu não queria nunca mais ter que vesti-las.

[Clara]

Era como se eu não estivesse ali... e ao mesmo tempo, todas as sensações do meu corpo só sabiam responder ao toque dela, as mãos dela, a boca dela. Não parecia real, mas todo suspiro que ela me arrancava era a realidade mais crua que eu já pude sentir.
Ela me abraçou por inteiro e naquele momento eu soube que não seria de mais ninguém, nunca mais. As mãos que desciam pelas minhas costas me arranhando, eram as mesmas que desenhavam carinhos, tão bem desenhados, sobre a minha pele. Sem conseguir ou ter vontade alguma de me mover, eu deixei ela me beijar todos os beijos. Deixei que me apertasse só pra ela, na tentativa real de nos unir em uma só.
Antes que minhas pernas desistissem de mim, ela parou de me tocar, se afastou e eu não soube lidar com a falta daquele beijo. Tentei puxa la de volta pra mim, mas ela segurou meus pulsos com a firmeza necessária pra me fazer calar, então me guiou até a beirada de sua cama e me pôs sentada, se ajoelhando diante meus pés, sem dizer uma palavra, sem deixar de me olhar nos olhos, gentilmente retirando meus sapatos.
Eu assistia o cuidado que ela manuseava cada parte do meu corpo, cada pedacinho de mim, tão importante pra ela.
Com uma das minhas mãos eu agarrei sua nuca e puxei a para perto, dessa vez sem esforço algum ela veio em direção ao meu corpo, agora deitado na cama, esperando ela pesar sobre mim.
Ela, que parecia tão pequena, me tinha inteira nas pontas dos dedos. Ela, que tanto me cuidava, me mordia o pescoço sem dó ou piedade, arrancando de mim pedaços de gemidos altos demais.
Eu conseguia sentir a presença dela em todos os lugares, suas pernas no meio das minhas, sua boca no meu ouvido dizendo meu nome como um pedido, seus dedos descendo e subindo pela lateral do meu corpo... Eu estava me perdendo dentro daqueles lençóis. E ela me buscava com um beijo.
Ela me olhava entre um beijo e outro e eu desaprendia a respirar, era como se eu não precisasse mais de ar, ou água, ou comida... eu precisava dela. Só dela. E ela ia me dizendo, toda vez que alcançava minha orelha, entre uma respiração e outra... "Eu sou sua". Arrepio. "Eu sou tão sua".
Sem pensar, eu tento desabotoar a camisa que cobre tudo aquilo que é meu por direito, mas eu não funciono com ela em cima de mim, minhas mãos não respondem aos meus comandos, eu não consigo controlar a urgência que me faz tremer, então eu paro de tentar e simplesmente desisto. Quem fez botões tão difíceis de se abrir, obviamente nunca precisou tanto de alguém na vida. Eu precisava dela e por isso voaram botões por toda a cama, culpa da minha impaciência.
Ela não deixou de me beijar quando terminou de tirar a camisa, agora em trapos e eu não consegui fingir culpa por ter arrancado sua blusa, mas também não acho que me esforcei muito. E eu deixei minhas mãos tocarem as suas costas nuas, pela primeira vez. Era muito mais macia do que eu podia imaginar, toda luz que entrava pela janela refletia em sua pele, agora levemente arranhada por mim.
Enquanto minhas mãos desciam pela sua nuca, passando pelo meio das suas costas, chegando até os dois buraquinhos que ela tem no fim da coluna, eu assisti ela tremer sob meu corpo. Dava pra ver na boca e nos olhos entre abertos que ela me pertencia. Toda pele que minha mão tocasse, agora estava sobre meu poder. Era como se todo arrepio que ela deixasse escapar agora fosse minha responsabilidade... e eu assumiria isso para o resto da vida.

[Marina]

Eu não soube lidar com a mulher nua, que agora gemia no meu ouvido, de olhos fechados, que me queria. Agarrava minha cintura com uma delicadeza impossível. Se mexia sem pudor sob meu corpo, me provocando sem saber que o fazia. Tudo que eu vivi até agora não me preparou pra isso, nenhuma mulher me preparou pra isso, a vida não me preparou pra isso. Eu tremo. Passo os dedos na sua boca e desço. Percorro seu peito e desço. Minha unhas arranham sua barriga e ela treme, agarra meus bracos e treme. Eu não paro de olhar pra ela... E desço; e ela agarra minha nuca como se eu fosse a única coisa que a prendesse na terra.

[Clara]

Ela está me deixando louca se movendo assim tao devagar em cima de mim. A calma que ela deixa sua mão escorregar pelo meu corpo não é a mesma calma que eu vejo quando ela me olha. Eu consigo enxergar que ela me quer tanto quanto eu quero ela, eu consigo perceber ela se segurando pra não arrancar toda minha roupa agora e por isso eu faço isso pra ela. Entre um beijo e outro eu tiro minha blusa. Ela me roda na cama e tira minha calça, agarra minhas pernas e sobe beijando minha pele. Eu gemo quando sinto sua lingua subir minha coxa. Eu agarro os lençóis quando o ar quente que sai da boca dela me queima. Ela me tortura mesmo sem saber, com a sutilidade de um toque, de um beijo, daquele olhar que ela me lança antes de me despir por completo. Ela me tortura e sem vergonha nenhuma me faz morrer mais um pouco sem ter dó de mim. Meu corpo se arrepia, eu não consigo mais manter os olhos abertos e ela me procura; eu não sei se ela consegue me ouvir mas eu vou dizendo seu nome, entre uma respiração e outra, eu chamo o seu nome "Marina" vou sussurando no seu ouvido enquanto suas mãos descem meu peito. "Marina" minha voz me falha e ela arranha minha barriga. "Mari..." eu agarro sua nuca e gemo enquanto ela me descobre. Inteira.

Notas finais
Por enquanto é isso gente. Por favooor, comentem pq eu quero muito saber o que vocês acharam do meu jeito de escrever. Tudo bem? Oooobg. E até daqui uns 8 meses kkk brincs.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.