Notas iniciais
Essa é um pequena história inspirada pela música "Sunflower" do filme "Sierra Burgess é uma loser", é uma música muito linda. Mais um Naruhina. Enjoy!

— Eu não entendo,Hina! Disse uma Ino, que parecia realmente confusa.

Essa tem sido a frase que eu mais tenho escutado desde o fatídico dia em que meu melhor amigo, Naruto Uzumaki, resolveu se declarar para mim.

Se eu gosto dele? Sim. Na verdade posso afirmar que eu o amo. Você deve estar se perguntando: Mas então doida, por que você não aceitou a declaração dele?

Bom, eu já disse que ele é meu melhor amigo, não é mesmo? É justamente por isso que eu disse não, ele não gosta de mim, para ele eu nunca vou passar de uma simples irmãzinha. No entanto, só eu pareço compreender este fato, de forma que simplesmente decidiram que eu seria a vilã da história. Quando na verdade, ninguém sabe realmente um terço de toda essa confusão.

Nessa história eu deveria interpretar o papel de uma simples coadjuvante, mas ao que parece fui arrastada para o enredo principal, como um surpresa, que não me agradou nenhum pouco. Talvez um dia eu já tenha desejado ser a "protagonista feminina", mas a vida me ensinou que viver por trás das câmeras é bem melhor.

Você não deve estar entendendo nada, não é mesmo? Então vamos do começo.

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Eu conheci Naruto quando tinha 5 anos, no maternal para ser mais exata, ele sempre chamou atenção pelo seu jeito extrovertido e animado de ser, e bem… Digamos que eu era totalmente o oposto, e como todos queriam ser amigos do Uzumaki, eu acabava ficando exclusa, até que um dia, ele me chamou para brincar e bem, eu aceitei e desde lá nos tornamos melhores amigos, daqueles inseparáveis, fazíamos tudo juntos, éramos quase como irmãos.

Quando entramos na adolescência, eu me lembro bem, Naruto se desenvolveu mais rápido que os meninos da nossa turma, o que acabava chamando a atenção das meninas, mas como ele ainda era lerdo, não dava moral para nenhuma, pelo menos naquela época.

E com todo mundo se desenvolvendo, eu aos 13 anos de idade ainda era uma "tábua", e pior, não tinha crescido, ou seja, eu era uma "tábua baixinha". Minha mãe sempre me consolava dizendo que eu seria uma flor a desabrochar mais tarde, como um girassol que precisa do sol para se iluminar, eu precisava esperar o "sol florir em mim".

Mas novamente parece que ninguém na escola pensava da mesma forma, e por este motivo Naruto terminava por me proteger dos meninos malvados, o que contribuiu para ganharmos a fama de "namoradinhos". Algo que para ele era impensado, pois aos seus olhos éramos irmãos, o que naquela altura do campeonato começava a me incomodar. Não éramos irmãos de verdade, não compartilhávamos laços sanguíneos. Então poderíamos ser namorados, certo?

Bom, depois de um tempo percebi, que eu estava encrencada. Eu estava apaixonada, apaixonada pelo meu melhor amigo.

E como acontece naquelas histórias de amor da televisão, em um belo dia, a verdadeira flor chegou. Roubando desta forma o protagonismo das minhas mãos.

Sakura, era o nome dela, linda, reluzente, como uma flor de cerejeira que espalha suas folhas, era assim que ela era, com olhos tão verdes, cabelos em um tom exótico de rosa, e um corpo cheio de curvas que claramente estavam a florescer, ela chegou chamando a atenção de todos, e como todos, Naruto também não foi excessão.

Ele passou a babar pela rosada, sonhar com ela, andar com ela, e aos poucos foi me deixando de lado. Ainda consigo recordar suas palavras ao justificar que deveríamos nos distanciar, pelo bem de seu amor platônico pela rosada.

— Hinata, é melhor nos afastarmos um pouco, todos pensam que somos namorados, e não posso deixar que Sakura pense assim também. Você entende, não é? — Ele disse, parecia ter pensado muito naquela decisão.

E sim, eu entendia, eu também estava disposta a fazer tudo o que pudesse para ajudar o meu amor, e assim fomos aos poucos nos distanciando, o suficiente para nos tornamos apenas vizinhos de porta, já que sua casa ficava bem em frente da minha.

Eu passei a observá-lo, sempre correndo atrás dela, e sempre sendo rejeitado. Chegava a ser patético, mas quem espera sempre alcança, não é? E eu torcia para que ele fosse feliz, mesmo longe de mim, mesmo que não fosse comigo.

No início do ensino médio, Tenten, Temari, Ino e até mesmo Sakura se aproximaram de mim, graças a um trabalho em equipe, nascendo assim grandes amizades, e quem diria? Eu me tornei muito amiga da rosada, o suficiente para saber que ela era loucamente apaixonada por Sasuke, um dos amigos que Naruto havia feito depois do nosso afastamento, e pasmem… Sasuke também rejeitava Sakura da mesma forma que ela rejeitava Naruto.

E como eu fico nesta história toda? Bom, apenas acompanhava cada capítulo dessa novela como uma boa espectadora. Assista a tudo, como o dia em que para fazer ciúmes no Sasuke, Sakura beijou Naruto na frente de todo mundo na aula de Educação Física (e lá se foi o primeiro beijo dele, pelo menos foi com ela, o "grande amor" da vida dele).

E bom, advinhem com quem ele compartilhou toda a sensação de felicidade que estava sentindo? Isso mesmo! Com a vizinha, vulgo eu, Hinata Hyuuga.

E quando eles dormiram juntos pela primeira vez? Sasuke havia dito que Sakura não era mulher para ele, pois nem "mulher" ela era ainda… Advinhem com quem ela deu um jeito na situação? Isso mesmo, Naruto Uzumaki. E eu? Bom, esse foi um dos capítulos que eu fiz total questão de não assistir, e nem saber nada sobre, mesmo quando Naruto veio me contar, ou quando Sakura quis desabafar sobre ter tomado uma decisão errada.

Eu não poderei culpá-los, poderia? Eu sentia todo o meu coração se partir, mas o sorriso mascarado era certo, eu deveria estar feliz por meus amigos. E eu ficaria, mesmo que por dentro as coisas estivessem uma bagunça, mas isso era algo que ninguém poderia saber. O que importava era a felicidade deles, não é mesmo? Eu aplaudia cada ato, como uma boa espectadora faz.

Mas como em toda história, o autor resolveu dar uma reviravolta inesperada e em um belo dia Sasuke resolveu se declarar para Sakura, isso na frente de toda a turma e pasmem? Eles começaram a namorar ali mesmo. E Naruto? Ficou acabado, totalmente perdido. Eu não sabia que aos 18 anos alguém poderia sofrer tanto por amor. (Alguém que não fosse eu).

Certa vez cheguei em casa logo após uma saída com as meninas, e Nancy, nossa empregada me informou que alguém me esperava no quarto, eu não sabia quem poderia ser, mas para ter entrado e ter recebido permissão para subir, é porque era alguém conhecido, talvez Neji meu primo, ou Shino, e até mesmo Kiba, meus únicos amigos de infância, além de Naruto, que infelizmente moravam em outra cidade.

Então imagine o meu espanto ao me deparar com Naruto ali, deitado na minha cama, como costumava fazer quando éramos crianças. Porém ele estava um caco, os olhos completamente vermelhos, e cheirava a bebida. Ele tinha tomado um porre por causa do mais novo casal 20.

— Dói tanto Hina, por que ela não me ama? — Ele perguntava mais para si mesmo, do que para mim. Parecia mais um desabafo.

Era estranho ver um homem daquele tamanho chorando igual a um bebê por causa de uma amiga minha. Sem dúvidas, ele a amava de verdade. E eu fiquei ali escutando todas as suas lamúrias: sobre como o beijo dela tinha gosto de chocolate, como ela cheirava a cereja, como o corpo dela se encaixava no dele de forma exagerada. Todo tipo de informação que apenas contribuía para trincar um pouquinho mais as rachaduras do meu coração.

E toda esta situação serviu para novamente nos aproximar. O que fez com que os poucos Naruto começasse a me enxergar. Eu finalmente havia desabrochado, não era mais uma tábua baixinha, havia demorado, mas eu me desenvolvi e estava bem mais avantajada que as outras meninas da minha idade, o que contribuía para que eu usasse roupas mais largas e confortáveis, eu nunca gostei de ser o centro das atenções e elas me ajudavam nisso.

Naruto e eu voltamos a fazer tudo juntos, íamos para a escola, andávamos juntos, comíamos juntos, voltávamos juntos e saíamos juntos sempre que podíamos. Parecia que tudo havia voltado ao normal. Até que um dia, estávamos no último ano do ensino médio, perto das férias do meio do ano e Naruto me chamou para sair, mas uma saída diferente, ele queria um encontro, só nós dois. E eu me perguntava se finalmente ele havia me notado, se eu havia deixado de ser a irmãzinha dela, se agora para ele eu poderia também ser uma mulher.

O encontro foi perfeito, como acontece naqueles filmes de romance clichê. Nesse dia pela primeira vez eu decidi usar um vestido, um floral que eu havia ganhado da minha mãe no natal, e bem, ele era totalmente lindo, apertado no busto, e soltinho na parte de baixo, ia até pouco mais da metade da coxa, o que ressaltava meu corpo, bom, eu queria parecer bonita para o Naruto, e pela primeira vez eu percebi seus olhos brilharem por mim.

Ele foi como um príncipe durante todo o tempo em que ficamos juntos, assistimos a uma comédia e o filme valeu muito a pena, principalmente a companhia — foi o que ele disse. Após o encontro, na porta da minha casa, ele segurou minhas mãos com as suas, as entrelaçou, e olhando nos meus olhos.

— Se eu te beijasse agora, você me daria um tapa? — Perguntou olhando em meus olhos, como se procurasse alguma coisa ali. Eu nervosa apenas balancei a cabeça em negativa, quando ele se aproximou do meu rosto.

— Eu quero tentar, Hina, quero que a partir de hoje você seja prioridade em minha vida. — Disse sussurrando em meu ouvido.

Senti meu corpo todo perder o equilibro quando ele segurou na minha cintura me puxando mais para perto de si, e apenas sorri, sentindo-o se aproximar, eu automaticamente fechei os olhos, aquele era o momento pelo qual eu tanto tinha esperado, o meu primeiro beijo, e com o carinha por quem sempre fui apaixonada.

Eu esperei, porém o beijo não veio, ele apenas riu e me soltou. Disse que estava saindo de viagem no dia seguinte, mas que na volta terminaria o que começou.

Eu tenho que aprender a não deixar as coisas para depois, mas agora você é prioridade para, Hinata. — E dizendo isso, ele sorriu e partiu, me deixando ali, na vontade.

Parece que tudo deu certo, não é mesmo? É aqui que a história se torna uma "tragicomédia".

Durante o mês que se passou, Naruto simplesmente desapareceu, não respondia minhas mensagens, se quer as visualizava, não atendia as ligações, e havia me bloqueado em todas as redes sociais. Eu realmente não entendia o que tinha acontecido, e mal aproveitei as férias preocupada com ele. Mas logo a resposta veio, quando Sakura atualizou suas redes sociais com uma foto dos dois, com a seguinte legenda "o melhor namorado do mundo".

E eu simplesmente não entendi nadinha, e por apenas 5 minutos, apenas por 5 minutos eu me permiti sentir raiva deles, raiva por ter sido usada, por ter sido passada para trás, raiva por ter acreditado, raiva por ter sonhado, raiva por ter amado e por ter esperado ser amada também.

E durante esses minutos, ao fundo na sala Hanabi ouvia uma canção, uma canção que pareceu se encaixar muito bem dentro do que eu estava vivendo, como se fosse uma resposta a minha mágoa silenciosa, a toda a dor que eu havia guardado dentro de mim, sempre achando que não esperava nada em troca, quando na verdade queria tudo.

Era exatamente como a letra desta canção...

Meninas rosas em vasos de vidro,

Corpos perfeitos, rostos perfeitos

Todas pertencem a revistas

As garotas que os garotos querem

Ganhando o que quer que joguem

Eles estão sempre em um nível diferente

Me espreguiçando como se eu não ligasse

Desejando que você pudesse me ver ali

Mas eu sou um girassol, um pouco engraçada

Se eu fosse uma rosa, talvez você iria me querer

Se eu pudesse, mudaria da noite pro dia

Eu me transformaria em algo que você gostaria

Mas eu sou um girassol, um pouco engraçada

Se eu fosse uma rosa, talvez você me escolhesse

Mas eu sei que você não tem ideia

Que este girassol está esperando por você

Esperando por você

Sem espinhos do lado de cá

Escondendo esse medo da rejeição

Com esta altura, eu nunca me senti tão pequena

Não estou acostumada com essa atenção

Permanentemente em suspensão

Eu queria não me importar com nada

Me espreguiçando como se eu não ligasse

Desejando que você pudesse me ver ali

Mas eu sou um girassol, um pouco engraçada

Se eu fosse uma rosa, talvez você iria me querer

Se eu pudesse, mudaria da noite pro dia

Eu me transformaria em algo que você gostaria

Mas eu sou um girassol, um pouco engraçada

Se eu fosse uma rosa, talvez você me escolhesse

Mas eu sei que você não tem ideia

Que este girassol está esperando por você

Esperando por você

Mas eu sou um girassol, um pouco engraçada

Se eu fosse uma rosa, talvez você me escolhesse

Mas eu sei que você não tem ideia

Que este girassol está esperando por você

Esperando por você

Era isso, para ele eu era apenas um girassol, e ela era a menina rosa da canção.

E o que eu fiz? Apartir dali, absolutamente nada. Não chorei, não esperniei, não sufoquei mais, apenas compreendi que eu nunca seria ela. E que eu nunca quis ser.

Naruto havia apenas me usado, ele não gostava de mim, se quer me respeitava. Ele não merecia todo o amor que eu sentia. E se eu conseguia amá-lo tanto assim, eu poderia me amar também.

Foi quando decidi mudar, contei tudo para a minha mãe e ela me levou para o shopping, como em um belo clichê, cortei os cabelos(dizem que quando uma mulher o faz, é por que superou sua decepção), comprei roupas novas, mas não mudei a minha personalidade, eu era boa e isso não era mal, eu aprendi a redirecionar as emoções a quem merecia. E passei a me amar, um pouquinho mais a cada dia.

Logo as aulas voltaram e com elas o mais novo casal do colégio, Sakura e Naruto. Ela me contou que Sasuke a havia traído com Karin, e que Naruto a havia consolado, eles acabaram se encontrando nas férias, ambos passaram-nas em Nova York, e que tinha resolvido tentar com Naruto, já que ele havia dito que poderia fazê-la feliz, como Sasuke jamais fez.

E Naruto, que passou o tempo todo ao lado de Sakura, veio me visitar em casa, mas mamãe não permitiu que ele entra-se, ele não tinha mais esse direito. Ele me pediu desculpas, disse que confundiu seus sentimentos, que me amava mais como uma irmãzinha, e que era Sakura era quem ele queria como mulher, mas que não queria perder nossa amizade.

Eu ouvi tudo calada, para depois dizer que estava tudo bem — e realmente estava, pois sentimentos são como flores, precisam ser regados para crescer, são capazes de se manter sozinhos, mas se muito machucados sucumbem e começam a desaparecer.— que seríamos vizinhos, e que poderíamos ser amigos. Ele me abraçou, mas eu não retribui, então pediu desculpas mais uma vez, e foi embora.

E assim passaram-se longos 4 anos, após o termino do ensino médio, cada um seguiu seu caminho. Temari se casou com Shikamaru e logo engravidou de Shikadai, Ino engatou em um romance com Sai, um carinha que tinha conhecido na faculdade de farmácia, Tenten e Neji, meu primo, estavam noivos.

Outro que também estava de casamento marcado era Sasuke, e advinha com quem? Com Sakura! O que aconteceu? Ambos acabaram indo para a mesma faculdade de medicina, o que contribuiu para os belos chifres que eles colocaram em Naruto e Karin. E por falar neles, Karin conseguiu um emprego na África, e foi morar para lá.

Enquanto Naruto, estava terminando seus estudos em Engenharia da computação. Após a descoberta e término com Sakura, ele ficou realmente mal, e resolveu descontar na bebida, o que atrapalhou seus estudos.

E eu? Bem, eu me formei em Licenciatura em Pedagogia, e atualmente sou professora do jardim de infância no qual conheci o Naruto. Após tudo o que aconteceu, eu dei total apoio a ele, ajudando-o com a bebida e tudo mais, acabamos nos aproximando de novo e voltamos a ser os velhos bons amigos de infância.

Mas como o autor da nossa história não estava contente com esse fim, resolveu dar outra reviravolta e isso aconteceu a mais ou menos 3 meses atrás, quando Naruto achou que seria uma boa ideia se declarar para mim na frente de todo mundo, no noivado de Neji e Tenten. E o pior foi saber que todos os nossos amigos, inclusive meu primo, o apoiaram nessa ideia maluca. E agora eu estava aqui mais uma vez, respondendo a Ino, o porquê de dizer não para a declaração de Naruto.

Eu o conheço melhor do que ninguém, sei que ele quer me compensar por tudo, por ainda estar ao lado dele até o dia de hoje, por nunca ter virado as costas para ele, por não tê-lo julgado, ele sabe que eu o amo, mas o que ele não sabe, é que eu também aprendi a me amar, e que ser a segunda opção, que a qualquer momento pode ser trocada, que pode ser pisada e machucada que ainda vai continuar lá, não é mais o papel que eu quero desempenhar nessa história.

Naruto prefere rosas, Ino. Mas eu me descobri sendo um girassol. Sendo assim, ele não pode mais me cativar.



Notas finais
É isso! Até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!