Sunflower
1 Capítulo Um — Férias com o papai!
Notas iniciais

Florence Snape acordou naquela manhã completamente animada. Mal levantou da cama e já estava se arrumando, cantarolando pelo quarto enquanto procurava por seus tênis all-star amarelos, com a escova de dente na boca e o cabelo meio preso e meio solto.
Flora, como preferia ser chamada, não era uma pessoa muito matinal, apesar de gostar muito do nascer do sol. Mas aquele era um dia especial para a garota de onze anos, e ela não se cabia de felicidade. Era o dia que iria para a casa de seu pai, passar as férias junto dele e da meia-irmã, e Flora estava morrendo de saudades deles.
Ela morava com a mãe desde sempre, pulando de país em país enquanto a mais velha estudava feitiços e se aperfeiçoava na técnica, se tornando uma bruxa muito poderosa e reconhecida. Flora amava estar com a mãe, era sempre uma diversão, já que o jeito animado e desbocado da mãe rendia boas risadas, porém, sentia falta do pai e as férias com ele eram sempre muito esperadas.
Quando terminou de se arrumar e de checar pela segunda vez se todas as roupas em seu malão estavam devidamente arrumadas, ela saiu do quarto descendo as escadas da pequena casa alugada em que estavam morando nas últimas semanas. Colocou as mãos no bolso do macacão jeans que usava, saltitando até a cozinha a procura da mãe.
Porém, ela não estava lá e nem na sala, fazendo a garota suspirar e subir as escadas novamente, caminhando a passos lentos até o quarto da mãe e abrindo a porta branca calmamente. Dorotheia McKinnon ou, como carinhosamente sua filha a chamava, mamãe, estava dormindo a sono alto na escuridão do quarto. As cortinas pesadas estavam totalmente fechadas, fazendo a luz do sol ser impedida de entrar no quarto da mais velha.
Flora foi até a mãe, subindo na cama com cuidado e abraçando a mãe.
— Mamãe. — Chamou enquanto apertava o abraço, fazendo a mulher acordar e murmurar coisas incompreensíveis. — Mamãe, já são nove horas. O papai deve estar esperando a gente, e ainda temos que tomar café.
Dorotheia gemeu, se virando para a filha e a abraçando de volta, apoiando a cabeça nos cabelos loiros escuros da filha.
— Querida, seu pai não vai morrer se tiver que esperar um pouco. — A voz dela pastosa, rouca e sonolenta. — Dorme mais um pouquinho aqui com a mamãe, sim? Podemos ir depois do almoço.
— Mas mamãe, o papai não gosta de esperar. A senhora sabe que ele não gosta. — A menina retrucou, fazendo bico.
Dorotheia riu baixo, apertando a menina nos braços.
— E é exatamente por isso que eu sempre me atraso. — Se separou da filha, sorrindo para a garota. — Mas estou vendo que quem não consegue esperar hoje é você, mocinha.
— Estou com saudades do papai e da Lily, mamãe. E quero mostrar o Walkman para a Lily, ‘pra gente ouvir músicas juntas!
Dorotheia suspirou, tinha absoluta certeza que Lily não iria querer ouvir música com Flora e que isso acabaria em uma carta bem triste que faria Dorotheia querer ir até a casa de Severo e ensinar aquela garotinha ciumenta a tratar sua filinha melhor.
Na verdade, queria que Flora parasse de se importar tanto com a aceitação da meia-irmã, mas era impossível. Era sempre irmã para cá, minha irmã para lá, durante as semanas que antecipavam as férias da garota com o pai.
— Ok então, florzinha. Eu vou me arrumar e enquanto isso você toma café, que tal?
Flora sorriu, animada.
— Sim! — Se desvencilhou dos braços da mãe e desceu da cama, indo em direção a porta. — Se arruma rápido, mamãe.
Ela pôde ouvir do corredor o “tá bom, tá bom” que sua mãe resmungara. Desceu novamente para a cozinha, abrindo a geladeira e pegando o leite e depois pegando o cereal no armário. Se sentou na bancada com sua tigela de cereal e começou a comer enquanto balançava os pés, já que o banco alto não a deixava alcançar o chão.
Dorotheia desceu quase vinte minutos depois, o rosto ainda um pouco amassado e os olhos pequenos de sono. Passou pela garota, fazendo um carinho rápido nos cabelos dela e foi direto para a cafeteira, agradecendo aos céus por ter alugado a casa mobiliada já e com aquele maravilhoso eletrodoméstico que fazia seu café rapidamente.
— Gostei da camiseta. — Dorotheia comentou, fazendo a menina sorrir com o elogio. A camiseta em questão era uma branca com diversas estampadas de girassóis espalhadas pelo tecido.
Flora gostava muito de flores, em especial dos girassóis, já que tinham um significado tão bonito e eram tão lindos, sempre virados para o Sol. E a cor favorita da garota era amarelo, o que fizera ela gostar ainda mais da flor.
Quando ambas já estavam de café tomado, Dorotheia ajudou a garota com seu malão e, com um aceno de varinha, diminuiu o objeto até que estivesse num tamanho tão compacto que cabia em seu bolso. Flora, acostumada com a magia, apenas colocou sua mochila nas costas e deu a mão para a mulher.
Em um segundo estavam na sala aconchegante e no outro em frente à casa dos Snape. Aparatar sempre era uma experiência incrível e um pouco desconfortável para a garota. Seu estômago sempre se revirava e ela tinha que ficar alguns momentos parada e de olhos fechados para evitar o vomito. Dorotheia, entendendo assim que Flora fechou os olhos, se apressou para a porta da casa e bateu duas vezes, logo sendo atendida pelo rosto ameno de Severo Snape.
Ele olhou para a mulher e logo depois para a garota, um pouco atrás, de olhos fechados e parada feito uma estátua.
— Ela ainda tem problemas com aparatação, vejo. — Comentou, sorrindo para o rosto franzido da filha.
Quando ouviu a voz do homem, Flora abriu os olhos rapidamente e sorriu, um sorriso tão largo que parecia iluminar. Correu até o pai, abraçando-o pela cintura.
— Papai! Eu estava com tantas saudades! — O homem apenas retribuiu o abraço, também dizendo o quanto sentiu falta da garota.
— Leve suas coisas para o seu quarto, querida. A mamãe precisa conversar um pouco com seu pai. — Dorotheia falou sorrindo para a garota, que apenas assentiu e se separou do pai, entrando na casa segurando as alças da mochila amarela.
O quarto da garota era logo ao lado do da irmã, e tinha uma placa na porta branca, toda enfeitada com florezinhas e borboletas ao redor de seu nome. Flora entrou no quarto, colocando a mochila na cama e indo até o quarto da irmã, batendo incontáveis vezes na porta, mas sendo ignorada.
Voltou para o quarto, olhando pela janela e procurando por Lily no jardim, não tendo sucesso na busca. Perguntaria pela irmã ao seu pai assim que ele e sua mãe acabarem de conversar.
Enquanto esperava, retirou o Walkman da mochila e colocou os fones, dando play na fita dos Beatles, uma banda trouxa que gostava muito. Flora tinha muito contato com a cultura trouxa, pois Dorotheia não limitava a garota apenas ao mundo bruxo. Em todas as viagens que fizeram pelo mundo a fora, Flora obtinha um pouco mais de conhecimento sobre os não-mágicos e se encantava com o modo de viver deles.
Snape não aprovava muito o apreço que Flora tinha pelos trouxas, mas tentava não se intrometer. Lily também gostava de uma coisa outra, principalmente livros. Flora sempre dava livros trouxas de presente para Lily!
Tempo depois, a porta do quarto foi aberta e Dorotheia estava lá para se despedir da filha. Colocou o malão dela no canto do quarto, e foi até a cama da mais nova.
Flora retirou os fones e se sentou para abraçar a mãe, que começou com seu discurso de todas as vezes que precisavam ficar separadas. Eram pequenas precauções, e sempre terminava com “qualquer coisa, envie uma carta que eu irei correndo até onde você estiver”.
Flora acompanhou a mãe até a porta e acenou para a mulher, antes dela aparatar de volta para casa. Snape colocou as mãos nos ombros da menina, fazendo-a olhar para ele.
— Eu sei que você esperava passar um tempo comigo, Flora, mas o papai está um pouco ocupado. — Ele começou, vendo os ombros da garota caírem e um bico se formar nos lábios rosados. — Vou te mandar para a casa dos seus padrinhos, tudo bem? Você pode brincar com Draco e Lyra, e Lily já está lá desde o começo do ano.
— Nós vamos nos ver antes de eu ir para Hogwarts? — Falou apreensiva, segurando as mãos no peito. Severo odiava ver aqueles olhinhos claros de Flora tão tristes, mas tinha um trabalho para fazer por Dumbledore, e não poderia deixá-lo de lado.
— É claro, querida. Nós vamos fazer compras no Beco Diagonal, precisa comprar sua varinha e seus materiais escolares.
A menina assentiu, entendendo.
— Tudo bem, papai. Pelo menos a Lily vai passar as férias comigo, né? — Sorriu, tentando ver o lado bom da coisa. — Eu trouxe um livro bem legal ‘pra ela, acho que ela vai gostar.
Severo fez uma careta, prevendo o gênio ruim de Lily quando descobrisse que Flora passaria as férias com ela.
— É claro que vai. — Concordou.
Não fazia nem mesmo uma hora que Flora estava na casa do pai, e logo já estava saindo de lá. O malão foi novamente compactado, e logo eles aparataram em frente a Malfoy Manor.
Foram recebidos pelos elfos domésticos da família Malfoy, que pegaram os pertences da mais nova e desapareceram, deixando-os na sala enorme e macabra dos Malfoy.
Narcisa foi a primeira a aparecer, elegante em seu vestido preto e adornada por joias, ela sorriu ao ver a afilhada mas logo fez uma careta ao ver os trajes trouxas da garota. Sempre falava para Severo desistir dessa ideia de guarda compartilhada e tirar Flora das mãos daquela bruxa liberal e traidora do sangue, que era a mãe da garota.
— Madrinha! — Flora falou animada para a mulher, a abraçando carinhosamente. O abraço, entretanto, pouco durou.
— Florence, querida. Você está ainda mais bonita do que da última vez que a vi. — Narcisa ajeitou o cabelo revolto da garota, sorrindo minimamente.
— Obrigada, madrinha. — Sorriu agradecida. — Onde estão Lyra, Lily e Draco? Estou com saudades deles.
— Lily está no jardim, querida, e Lyra...
A matriarca Malfoy, entretanto, foi interrompida pela filha mais velha que adentrava a sala junto do irmão mais novo. Flora sorriu assim que viu os amigos, indo até Lyra e a abraçando, logo depois abraçou Draco.
A família Malfoy não estava tão acostumada com demonstrações abertas de afeto, mas sabiam que aquele era o jeito de Flora. Ela era uma menina carinhosa, que deixava claro quanto gostava das pessoas com gestos e atitudes.
Talvez fosse por isso que todos sabiam que a garota não era a maior fã do patriarca da família, Lúcio Malfoy causava arrepios na pequena Snape, e ela sempre ficava quieta e encolhida quando ele estava por perto. Porém, naquele dia, Lúcio estava no Ministério para a alegria de Flora.
— Por que vocês não acompanham Florence até o quarto dela? E peçam para que Nyx avise Lily que sua irmã já está aqui.
— Claro, mãe. — Lyra concordou, e Flora logo se despediu do pai, seguindo-os para o segundo andar da enorme mansão.
Flora, assim como Lily, tinha um quarto na Malfoy Manor. Ele não era tão sofisticado quanto os dos moradores da mansão, porém era muito mais elegante que qualquer quarto que Flora já tivera na vida.
As cores dele eram claras, de um marfim frio e todos os móveis ali pareciam tão antigos quanto a propriedade. Flora logo se dirigiu para a cama de dossel, sentando-se no colchão macio e nobre, com Lyra a sua frente e Draco ao seu lado.
Lyra começou a falar sobre as novidades e sobre Hogwarts, e de como a garota Snape iria gostar da escola de magia. Draco, animado e nada parecido com a criança que era ao lado do pai, falava em como queria que a amiga caísse na Sonserina junto à ele, mesmo que ele próprio não tenha sido selecionado e que aquele era o primeiro ano dele também.
Lily, entretanto, não foi ver a irmã, o que deixou Flora um pouco chateada, mas ela entendia a irmã então deu espaço para ela. Iriam se ver no jantar, então não tinha o que se preocupar.
Depois de Draco e Lyra se retirarem do quarto, Flora se dirigiu para o enorme guarda-roupa e procurou entre as roupas sofisticadas que sua madrinha comprara para ela, algo que fosse mais leve e menos sério, para que usasse no jantar.
Depois de um banho de banheira, Flora estava perfeitamente arrumada em um vestido branco de mangas compridas e que ia até acima do joelho, e com sapatilhas rosa champanhe nos pés. O cabelo, perfeitamente trançado por Lyra.
Todos os Malfoy estavam perfeitamente sentados na mesa de jantar, quando a menina desceu. Ela se desculpou pelo atraso, sentando-se ao lado de Draco e procurou pela irmã.
Quando perguntou para sua madrinha onde Lily estava, recebeu a resposta de que a garota estava indisposta aquela noite. Mas Flora bem sabia que aquela era apenas uma das muitas desculpas que Lily inventaria para que não tivesse que aguentar ela.
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