Notas iniciais
Inspiração para o capítulo: Thom Yorke - Hearing Damage.

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Música — Thom Yorke — Hearing Damage

(clique aqui para ouvir)

Corremos em direção da fogueira, o coração acelerado. Havia algo de muito errado, pela urgência do chamado de Sam.

Encontramos com Paul tremendo em pé, ao lado de uma Rachel agora acordada e assustada.

A tensão era evidente na expressão de todos.

Os únicos garotos transmorfos que ainda estavam ali eram Paul, Leah e Quil.

– Foi o sinal! — Paul murmurou entre dentes assim que ouviu nossa aproximação.

Jake imediatamente começou a tremer.

– Que sinal? — perguntei engasgada, com um peso em meu peito já sabendo a resposta.

– É a criatura Nessie. – ele respondeu sem olhar para mim e completou. – Quil você fica para ajudar Paul.

Dito isto, acenou com a cabeça para Leah que imediatamente se posicionou a seu lado e ambos se viraram para a mata.

– Não! — eu praticamente gritei segurando seu braço, impedindo-o de ir para a floresta.

Meu peito doía apenas com a possibilidade dele ter que enfrentar o Filho da Lua.

– Renesmee, por favor! — ele me implorou. — Preciso ajudar meus irmãos! — ele me disse com os olhos angustiados.

Não! — Meu subconsciente gritava para mim. E se eu o perdesse? Como viveria sem ele?

– Então eu vou com você! – eu respondi com a voz engasgada.

Ele arregalou os olhos.

– Não! – Jacob ecoou meu apelo. – Por favor, fique e ajude Paul e Quil a proteger os outros. Estou te pedindo! — Ele segurou meu rosto entre as mãos e me deu um beijo rápido antes de me soltar — Eu prometo que vou despedaçar este demônio que se atreveu a se aproximar de você... — ele jurou entre dentes.

Antes que eu pudesse implorar mais uma vez para que ele ficasse, Jake me deu as costas e correu com Leah para as arvores ao sul, sem esperar minha resposta.

Coloquei a mão na testa, as lágrimas ameaçando caírem, a respiração presa na garganta. Minhas mãos tremiam, quando as passei nervosamente pelo cabelo.

Isto não está acontecendo! — eu gritava em minha cabeça. Jake e os outros lobos estavam todos correndo perigo.

Como fui burra em acreditar que a criatura havia deixado o continente!

Todos me olhavam em silêncio, apenas esperando que minha crise passasse e com certeza desejando que todos voltassem em segurança.

Paul tremia da cabeça aos pés, a adrenalina correndo por seu corpo estando todos nós tão próximos ao perigo, principalmente sua mulher e seu filho. Eu podia ver o conflito em sua cabeça. Ele queria estar próximo de Rachel para protegê-la e ao mesmo tempo temia se transformar próximo dela.

– Quil, precisamos nos transformar. — ouvi ele dizendo. – Temos que estar preparados.

Me virei para olhá-lo. Ele me encarava e pude entender a súplica em seus olhos. Aproximei-me de Rachel.

Ela colocou sua mão quente na minha.

– Vai ficar tudo bem. — ela sussurrou — Eles sabem o que estão fazendo. – sua voz era firme e convicta.

Não, não sabem! — eu queria dizer a ela, mas não encontrava voz. Jacob não sabia. Sam não sabia. Nenhum deles sabia com o que estavam lidando.

Alguém poderia se ferir.

Jacob podia se ferir! — meu subconsciente egoísta tornou a gritar para mim, me arrepiando com seu realismo.

Meu Jacob estava em perigo e eu não podia fazer nada para ajudar.

Pelo menos não parada aqui!

Paul saiu da mata, com Quil a seu lado, já transformados nos lobos gigantescos. Paul me lançou um olhar agradecido.

Desviei os olhos dele.

– Sinto muito! — murmurei para o chão, soltei a mão de Rachel e disparei nas árvores na mesma direção que Jacob e Leah haviam partido, com o uivo angustiado de Quil soando em minhas costas.

Senti espinhos cortando minhas roupas e minha pele, quando passei por um arbusto, mas não me importei.

Tudo que eu podia sentir era o cheiro de Jacob e meu corpo se lançava diretamente para ele, enquanto eu lutava para dissipar os pensamentos negativos.

Eu iria ajudar! Não podia ficar simplesmente a espera enquanto a razão da minha existência podia estar perecendo. Eu não sou uma criança ou uma humana que precisa ser protegida. Eu tenho força suficiente para ajudar.

O cheiro dele ficava cada vez mais forte e eu sabia que eles estavam perto.

Um uivo horripilante cortou o ar frio da noite e foi capaz de levar o gelo de pavor a minha alma.

Era Jake eu tinha certeza. Mas minhas pernas não paravam de correr. Meu coração estava gelado, e minha respiração entrecortada.

Mas eu continuava em frente.

De repente, o cheiro me atingiu. O cheiro ácido da criatura repugnante que me perseguiu, acertou em cheio em minhas narinas fazendo todo meu sistema respiratório arder.

Mas o medo que senti no outro dia, era uma leve sombra comparada à ira que senti agora.

Eu iria matá-lo! Iria arrancar seu coração com minhas próprias mãos, por ter atacado Jacob!

O gelo em meu coração deu lugar ao calor da fúria.

O cheiro da criatura ficava mais forte, assim como o cheiro de Jacob e eu ouvi a batalha. Ouvi os rugidos estranhos do demônio, que insistia em arruinar minha vida.

Quando avistei a clareira, outro uivo cortou os céus de La Push.

Por um segundo eu hesitei na linha que cortava a clareira e a floresta e tudo que pude registrar era que Jacob estava bem. O alívio me inundo por míseros ¼ de segundos.

Então pude ver o quadro de horror em minha frente.

Embry estava caído, ensanguentado e inconsciente em sua forma humana. O choque me manteve paralisada.

Collin e Brady também estavam muito feridos, mas em forma de lobo, os dentes a mostra, na frente do corpo de Embry, o protegendo.

Sam estava com uma pata ensanguentada e mancando, mas continuava atacando junto com Jacob, Leah, Seth e Jared, as criaturas horrendas em minha frente.

Eram três.

Elas tinham quase três metros de altura e se apoiavam nas patas traseiras. O pelo era negro e desgrenhando e possuíam as orelhas achatadas contra o crânio. Moviam- se em grande velocidade apesar de seu tamanho.

Eu percebi exatamente o momento que uma delas, a mais próxima a mim, sentiu o meu cheiro. Suas narinas se dilataram ela paralisou seu ataque a um dos lobos. E então, olhou para mim e um arremedo de sorriso surgiu em seu rosto.

Seus olhos eram totalmente cinzas exceto a pupila que era de um negro sombrio.

Mas a criatura não sorriu por muito tempo. Jacob aproveitou este momento de distração dela e arrancou a sua cabeça com os dentes.

Vi em minha frente o corpo da criatura tremer e se transformar de volta a forma humana mutilada e sua cabeça rolar até meus pés, mas não lhe lancei um segundo olhar, por que uma outra criatura agarrou com seus dentes imundos o flanco esquerdo de Jake, que uivou de dor.

Num instante, tudo a minha volta ficou vermelho e pude sentir o gosto metálico da fúria em minha língua.

Não pensei. Apenas agi.

Avancei contra a criatura agarrei-lhe pelas costa enquanto puxava seus braços, para trás. Seu corpo era pegajoso. Ela soltou os flancos de Jake e começou a girar comigo para que pudesse soltá-la. Mas não a soltei até ouvir o estalo de seus ossos se partindo e seus membros se separando do corpo, fazendo a criatura soltar um rugido de dor. Do seu tronco esguichava um líquido quase negro. Ela cambaleou para frente e Leah avançou contra a sua cabeça, enquanto Seth prendeu-lhe as pernas com os dentes. Eles puxaram seu corpo que se partiu ao meio.

Vi em minha visão periférica Sam e Jared matarem a terceira e última criatura. Eles a desmembraram e eu podia ver pedaços por todos os lados.

E foi como se meu coração parasse. Minha respiração não saia enquanto o silêncio preenchia a clareira.

Não eram os corpos de criaturas de três metros, asquerosas que estavam ali.

Eram jovens. Crianças humanas.

Olhei para o rosto mais próximo e eu senti que minha alma havia deixado meu corpo. Uma linda garota asiática, com longos cabelos negros, fitava com olhos vazios e extremamente claros, o céu escuro e chuvoso de Forks. Sua boca estava suja de sangue sem fluxo, já que sua cabeça estava separada de seu corpo.

Desviei os olhos, só para encarar o rosto de um jovem loiro que aparentava uns 15 anos e de outro afro descendente. Não conseguia olhar mais.

Qual deles eu havia ajudado matar?

O choque me paralisou outra vez. Não percebi que estava chorando até Jacob estar ao meu lado, em sua forma humana acariciando meu rosto, limpando-as delicadamente, com mãos trêmulas e respiração ofegante. Quando ele havia se transformado de volta?

Seu rosto era um reflexo do meu, de pura angústia.

As lágrimas desciam como correntezas em meu rosto, mas não prestava mais atenção nelas. Jacob estava bem. Um pouco ferido, mas vivo.

Eu era egoísta demais e pude ficar feliz em meio ao caos a minha volta.

Ele me puxou para um abraço e eu apertei meus olhos com força, tentando dissipar as imagens dos jovens mutilados no chão da floresta.

Os soluços balançavam meu corpo. As lágrimas não cessavam e Jake sussurra em meu ouvido, coisas reconfortantes em sua língua nativa.

– Vai ficar tudo bem, Nessie... — ele sussurrou, me embalando.

Sua voz me trouxe uma nova rodada de lágrimas.

Eu não conseguia e acho que nunca conseguiria administrar todos estes turbilhões de emoções totalmente distintas.

Eu estava imensamente feliz por Jacob estar bem. E ao mesmo tempo a opressão em meu peito pelas vidas humanas perdidas só aumentava.

Tão jovens! E nós os matamos. A ideia de autodefesa não diminuía minha enorme culpa.

Eram criaturas inconsequentes. Talvez nem soubessem o que estavam fazendo. E mesmo assim, nós os matamos.

Me sentia nauseada. Meu estômago dava voltas, mas o calor de Jacob lutava bravamente para expulsar meu mal estar.

Após alguns momentos em seus braços, fui capaz de abrir meus olhos de novo. Os corpos já não estavam ali. Apenas o sangue derramado sobre as folhas secas, eram a prova de que tudo que vi era real. E também a cena seguinte.

Sam e os outros estavam improvisando uma maca para Embry. Ele ainda estava inconsciente, mas seu corpo estava convulsionando. Seu metabolismo já estava tentando curá-lo.

Podia ver as lágrimas silenciosas correndo no rosto de Leah e a intensa preocupação de Sam e dos outros. O rosto jovem e alegre de Seth estava contorcido de pura agonia.

Todos possuíam algum tipo de fratura ou ferimento.

Senti o golpe da realidade mais uma vez. Não devia estar aqui, perdendo tempo chorando como uma criança mimada. Eles estavam feridos e precisavam de um médico. Jake precisava ajudar Embry e não perder tempo me consolando.

– Preciso ligar para Carlisle. – sussurrei e ele acenou com a cabeça concordando, mas não me soltou.

Suspirei tentando acalmar minha voz enquanto o tom de discagem soava uma vez.

– Alô. – a voz reconfortante do meu avô soou do outro lado da linha.

– Carlisle. Sou eu. – minha voz estava horrível. Pigarreei para que ele não ficasse muito preocupado. – Por favor, venha a La Push! Os garotos estão feridos.

– Você está bem? – ele perguntou, sua voz tingida de preocupação. – O que aconteceu?

– Eu estou bem. – menti. Ao menos estava bem fisicamente. – Por favor, venha rápido! Quando chegar aqui, eu te explico.

Desliguei o telefone com as mãos trêmulas novamente. Isso não podia estar acontecendo! – eu repetia mim mesma.

– Jake, está ferido? – questionei me lembrando da mordida que Jacob havia levado. A sua bermuda estava empapada do sangue que escorria de sua coxa esquerda.

– Não Nessie, estou bem. – ele me deu um sorriso que não chegava aos olhos. – Já está começando a curar. Não se preocupe com isso.

Encarei seu rosto nobre. Ele tinha uma alma tão pura. Era capaz de subjugar a própria dor, para evitar meu sofrimento.

– Leah? – ouvi Sam chamar com a voz embargada. – Avise a todos na praia o que aconteceu. Diga-lhes que vamos levá-lo para minha casa e nos encontraremos lá.

Leah imediatamente se lançou no ar, transformando na loba cinza gigante e disparou para a praia.

Eles ergueram a maca improvisada e correram o máximo que podiam por um caminho que provavelmente levaria mais rápido até a reserva.

Jacob me envolveu novamente em seu abraço quente, que prometia afastar todas as sombras de horror a minha volta. As lágrimas tornaram a descer agora quentes e silenciosas em meu rosto.

Ele me ergueu em seus braços e continuava a murmurar em meu ouvido suas palavras de conforto. Eu escondi meu rosto em seu pescoço sentindo seu cheiro e fechei os olhos novamente, enquanto ele me carregava de volta para casa.

Como eu podia depender tanto dele? Ele precisa de meu apoio e consolo, sendo que estava ferido e à seus irmãos. Mas como sempre ele dava o que eu precisava, não importa o quanto fosse difícil para ele.

*****

Ouvi o exato momento que Rachel, Kim e Emily viram Embry no estado que estava. O choro de dor delas cortava a minha alma, me fazendo sentir tudo que elas sentiam.

Embry agora estava gritando de dor. Cada grito dele era uma faca cravada em meu peito.

Aquelas pessoas. Todas ali. Eu as amava como minha própria família. E toda dor que eles sentiam, eu sentia junto.

Estava encostada em Jacob em um canto da sala de Sam. Embry estava no quarto acordado e o processo de cura começava de forma errada. Sam Jared e Quil estavam lá com ele tentando acalmá-lo, enquanto nós esperávamos Carlisle chegar.

Rachel veio até nós e nos abraçou. Não disse nada. Apenas nos abraçou.

Ouvi o carro de Carlisle chegando em alta velocidade. Em questão de milésimos de segundos, ele entrou na casa.

Seus olhos dourados, carregados de preocupação, varreram a sala até pousarem nos meus. Seu alivio foi obvio quando ele viu que eu realmente estava bem.

– Seus pais estão te esperando na fronteira. – ele murmurou de forma compreensiva e virou as costas para seguir para o quarto de Sam.

Ele não precisou que ninguém dissesse para ir até Embry, pois seus gritos ainda não haviam cessado.

Apertei novamente o braço de Jacob, pedindo a ele que me levasse dali. Rachel tocou nossos rostos antes de virarmos para a porta. Sem dizer uma palavra Jake me puxou para fora da casa e me levou até a frente da casa de Billy onde estava o Rabbitt.

A chuva havia começado a cair muito forte, como se o céu estivesse chorando por toda a tragédia que aconteceu.

Eu sentia minhas pernas dormentes e sabia que era coisa da minha cabeça. Fisicamente eu não podia sentir isto. Mas emocionalmente eu estava entorpecida.

Jacob dirigia em silencio. Eu não precisava que ele falasse. Apenas a sua presença era suficiente. Mas eu sabia que deveria lhe oferecer palavras de conforto, dizer que Carlisle faria o necessário para ajudar Embry e que seria suficiente.

Mas não tinha forças para dizer nada. Meu coração estava estraçalhado de todo o horror que presenciei. Se eu dissesse qualquer coisa tornaria a chorar e só pioraria as coisas.

Eu devia ter forças para ficar com Jacob na reserva, para dar-lhe apoio enquanto o amigo passava por tudo isto.

Mas não conseguia.

– Nunca mais faça isso. – Jacob me disse, com a voz embargada, sem tirar os olhos da estrada.

Encarei-o com um nó na garganta.

– Jake... – disse num fio de voz, enquanto tocava o ombro dele.

– Eu poderia tê-la perdido. – ele continuou, ainda sem me olhar. – Você me entende? Você poderia ter morrido!

Minha boca se abriu, mas nada saiu dela. O que ele queria que eu fizesse? Que ficasse parada esperando ele morrer?

– Não me peça para ficar parada, enquanto você está em perigo. – sussurrei. – Por que eu nunca vou ficar.

Ele parou o carro de repente, os freios e pneus protestando contra a frenagem brusca. Seus dedos tremiam no volante e ele fechou os olhos, respirando fundo tentando se acalmar.

Quando os abriu novamente, sua expressão não era de fúria, mas de angústia.

– Sabe como eu me sentiria, se tivesse acontecido qualquer coisa com você hoje? Sabe o que eu faria mim mesmo? – ele praticamente gritou para mim. – Droga, eu te amo Renesmee! E nunca iria me perdoar se você tivesse se ferido hoje!

Eu o fitei com os olhos arregalados.

– E você? Tem alguma noção de como EU me sentiria? – gritei de volta. – Nunca deixaria você sozinho Jacob! E nunca vou deixar. Se for pra morrer, morreremos juntos!

Foi como se eu tivesse me libertado. A verdade em minhas palavras, me deixou atordoada. Ele teria que compreender!

Jacob fechou os olhos, novamente contendo sua fúria. Meu coração parecia pesar duas toneladas em meu peito, enquanto ele absorvia.

Quando os abriu novamente, me fitou com tanta ternura, que todas as minhas sombras se afastaram e eu fiquei contemplando a luz em seus olhos.

O puxei para um abraço tão apertado que eu poderia muito bem partir ao meio. Não me importava. Tudo que eu queria e precisa neste momento era de seus braços a minha volta.

Quando nos afastei um pouco, foi somente para colar meus lábios nos seus, com uma paixão que beirava o desespero. O calor nos encheu de uma forma que chegava a queimar.

Ele nunca havia me beijado desta forma, como se nossa vida dependesse disto. Talvez fosse a raiva por eu ter ido atrás dele. Talvez fosse medo de ter me perdido. Algo havia mudado. Seu medo de se entregar já não estava mais ali. Jake me beijava com toda a paixão contida e eu retribuía.

Eu sentia suas mãos percorrendo meu corpo com força. Eu o imitei percorrendo as minhas por seus braços fortes e pelos ombros largos, até chegar a sua nuca e minhas mãos agarrarem seus cabelos.

Quando nos separemos, estávamos sem fôlego. Encostei minha testa na dele e nossos olhares se encontraram. Ficamos assim, nos encarando enquanto nossa respiração voltava ao normal.

– Eu te amo. – ele sussurrou jogando seu hálito quente e delicioso em meus lábios.

– Eu te amo. – ecoei, minhas mão prendendo novamente o sua nuca.

Nos separamos quando um carro em alta velocidade, parou no acostamento do outro lado da rodovia.

Eram meus pais. Desci no meio da chuva sem se importar se estava me molhando. Minha alma já estava aquecida com o calor de Jacob. Ele também desceu e aguardou ao lado do carro.

Me joguei no pescoço frio de Edward. Ele enterrou o rosto em meu cabelo.

– Renesmee! – ele arfou. – Estávamos tão preocupados!

As lágrimas quentes tornaram a descer por meu rosto.

Me separei de meu pai, apenas para me lançar contra a minha mãe, que não disse nada, mas sua expressão era de quem estaria chorando se pudesse. Neste momento, agradeci aos céus por tudo ter acabado sem que eles precisassem se arriscar. Ela me segurou em um abraço apertado e frio.

Ouvi Edward trincar os dentes quando ouviu na mente de Jacob tudo que havia acontecido. Esperei acusações, por ele não ter cuidado de mim, nem evitado que eu me envolvesse na luta. Mas elas não vieram.

– Sinto muito Jacob. – ele murmurou.

Jake balançou a cabeça em resposta, mas seus olhos traiam a tristeza que estava sentindo.

– Eu sei. – foi tudo que ele disse.

Meu pai tornou a entrar no carro, enquanto Bella me puxava para a parte de trás do veiculo.

– Venha. Vamos sair da chuva. – ela murmurou.

Olhei de volta para Jacob. Ele estava encostado no carro e murmurou um “ até mais ”. As poucas horas que ficaria afastada dele, seriam uma tortura. Mas pelo menos uma vez na vida, eu teria que empurrar para baixo meu egoísmo e deixar que ele cuidasse da família dele.

Bella enrolou um cobertor em mim e eu encostei na janela fria, olhando para Jake enquanto nos afastávamos.

E o que vi não era o homem que protegia sua tribo e sua matilha com a própria vida e despertava em mim uma paixão avassaladora.

Ele era apenas um menino, triste e desconsolado encostado em um Rabbit vermelho, numa estrada escura e chuvosa.

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Notas finais
Capitulo não muito longo, porque essa semana corri demais com a campanha eleitoral, então não consegui escrever muito... Mas semana que vem tem post maior, ok? PS: Esse é um dos meus capítulos preferidos! ♥