Notas iniciais
Olás! Sim, eu sou uma enrolona maldita que não posta, que não atualiza as fics antigas.... mas eu sou uma enrolona maldita que escreveu mais um capítulo de Sun Goes Down! Bom, espero que vocês gostem. Uma coisa importantíssima: eu tinha mencionado um Malcolm Dove no último capítulo, o cara para quem Connor deve dinheiro. Numa pequena mudança de planos, eu joguei esse Malcolm OC no lixo, e agora é Ethan Nakamura (vai ser importante para a história mais tarde, e eu quero usar o máximo de personagens da série possível). Um beijo especial para Laura Okuma, que já descobriu meu Easter Eggs da série! hahahah e eu achando que ainda ia demorar um pouquinho. Esse capítulo está um pouco mais difícil, boa sorte com essa hahaah Capítulo dedicado a Rock Queen, minha beta, para não perder a tradição.

Eu chego no Meio-Sangue quando as primeiras gostas de chuva começam a molhar meu casaco.

O bar está lotado. Não é nenhuma surpresa, considerando que é o último dia do semestre. Todos já entregaram os trabalhos, terminaram as provas e estão procurando por alguma diversão, é claro. Mas tem uma multidão no lugar, do tipo que eu não vejo desde Saint Patrick’s Day. Tenho que acotovelar meu caminho em direção ao balcão, ficando na ponta dos pés para ver aonde vou.

Silena e Miranda estão sentadas em uma mesa do canto. Fica bem claro que elas estão vestidas para matar, se é que isso faz algum sentido. Silena está usando um vestido azul e jaqueta de couro preta, o cabelo caindo sobre seus ombros perfeitamente. Já Mi está com uma regata dourada brilhante com um top preto por baixo e aquelas botas que nós compramos em um brechó no mês passado (a etiqueta dizia vinte dólares, mas ela conseguiu convencer o caixa a fazer por doze dólares e algumas moedas que estavam em seu bolso).

Talvez eu não tenha escolhido a melhor noite para o jeans escuro surrado, bata branca e botas de cano curto marrom. Prender meu cabelo no típico meio-rabo provavelmente também não foi uma ótima ideia.

“Hey, você viu isso?” eu pergunto para Silena, quando me sento e coloco a pesada bolsa no banco ao meu lado com bastante cuidado. “Está chovendo.”

“Dá pra parar de sorrir desse jeito?” Miranda resmunga com uma careta. Eu a ignoro, sorrindo um pouco mais. “É assustador.”

“É que eu realmente gosto de chuva.”

“Todo mundo sabe, Kit Kat”

“Alguma ideia sobre como começar?” eu mudo de assunto, revirando os olhos. “Onde nós vamos procurar por Hitch?”

“Três caras, Katie” Silena repete numa voz repreendedora, balançando a cabeça “Três caras.”

“Não eram só dois caras e meio?” Eu pergunto franzindo o cenho. “O terceiro cara achou a metade que tinha perdido?”

“Eu falei com Jake. Ele está definitivamente interessado, mas acho que ficou um pouco preocupado com aquela história do nariz.” Silena barganha. “Eu disse para ele que era lenda urbana.”

“Nada disso.” Eu nego.

Eu olho ao redor, analisando cuidadosamente o bar. Tento ao máximo não pensar sobre narizes e chaleiras quebradas, mas não consigo afastar nenhum dos dois da minha mente. Silena começou a andar com a gente alguns meses depois que aconteceu, quando a coisa toda já era velha demais para os principais tópicos de uma fofoca. Não tenho certeza se ela sabe a verdade, mas não me incomodo de contar. Quanto menos falarmos sobre a história do nariz, melhor.

“Katie, a arte dele é até muito legal. Mas você acha que realmente vale a pena?” Miranda diz, o que é realmente preocupante. Ela nunca contesta toda essa história de Hitch.

“Eu não estou acreditando em vocês duas. É claro que vale a pena. Hitch não é como os outros caras.”

Na verdade, eu quero dizer que Hitch não é como Michael, meu namorado do ensino médio que me traiu assim que pôs o pé na faculdade (coisa que ele continuou fazendo repetidamente, durante dois meses, antes que eu descobrisse). Hitch não é como Leo, que terminou comigo porque eu não quis pagar maconha para ele e seus amigos. Hitch não é como Will, que disse que jornalismo é uma matéria idiota e que eu estava desperdiçando meu tempo. Hitch não é como Dylan, que me embebedou naquela festa mês passado. O mundo está cheio de babacas, mas Hitch não é um deles.

“Se você diz.” Miranda dá de ombros. “Nós estamos aqui para completar a lista, certo?”

“Certo.” Silena resmunga, obviamente a contragosto.

Tenho que admitir que é estranho estar no Meio-Sangue numa sexta à noite. Como eu passo a maior parte do tempo atrás do balcão, não costumo chamar meus amigos para vir aqui em minhas noites de folga. Geralmente nos encontramos no café na Karl Street. Silena trabalha lá aos sábados à tarde, lendo fortunas. Às vezes ela lê cartas de tarô, às vezes ela pede para analisar as linhas da palma de sua mão, mas no geral as consultas são apenas longas conversas sobre amor e desilusão.

Silena jura que ela é meio médium. Eu adoraria não acreditar nela, mas suas previsões tem essa mania irritante de se concretizar. Ela previu que eu era alérgica a suco de romã, uma coisa que eu nunca tinha experimentado. Quando eu bebi meio litro em nome da ciência, fiquei tão vermelha que Connor me chamou de pimentão por semanas.

“Silena tem um sentimento.” Miranda diz, sorrindo e se inclinando para frente. “Conta pra ela, Si.”

“Érhm...”

“Fala!” eu peço. Silena encolhe os ombros, mas não diz nada. Miranda sorri um pouco mais e por fim denuncia.

“Ela acha que os próximos caras que entrarem por aquelas portas são os caras com quem nós vamos acabar a noite.”

“Vocês já viram os caras que costumam vir aqui?” pergunto com uma careta.

“Ela tem razão, Si.” Miranda concorda. “Não é um público particularmente cativante.”

“Não menospreze o sentimento.”

Nós três olhamos para as portas. O Meio-Sangue parece prestes a implodir por conta da superlotação, mas as portas não abrem. Parece que todos que querem estar aqui já estão aqui.

“Tanto faz.” Eu decido. “Nós temos que focar em terminar a lista de todo jeito.”

“Shhhhiu!” Silena faz, balançando a mão direita para mim. “Não menospreze o sentimento.”

Nós voltamos a encarar as portas. Quando já estamos prestes a explodir de tanta expectativa, alguém finalmente entra.

“Sem chance.” Eu e Miranda dizemos, perfeitamente sincronizadas.

“Viu? É só o Connor.” Eu acrescento, aliviada. Connor sorri e acena para nós, uma vez que ele é alto o suficiente para ver através da multidão. A porta se abre novamente e um moreno tropeça para dentro, balançando gotas d’agua de seu casaco azul marinho.

“E Polux” Miranda diz, se sentando mais ereta e passando a mão nervosamente pelo cabelo. “Rápido: Como eu estou?”

“Ótima.” Eu reviro os olhos. “Como sempre.”

“É sério, Kay. Essa blusa não é demais? Eu sabia que essa blusa era demais, eu devia ter escolhido outra coisa. O que você acha da blusa?”

“A blusa está ótima.” Eu asseguro, mas Miranda continua me encarando de uma forma esquisita. “É sério!”

“Quem é aquele?” Silena pergunta, e eu volto minha atenção para a porta novamente. Não consigo evitar uma careta de desgosto. O que ele está fazendo aqui? Mais importante ainda, por que Connor o trouxe aqui? A melhor noite da história da Califórnia acaba de azedar consideravelmente.

“Travis Stoll.” Respondo.

“Vish.” Silena murmura, entendendo a gravidade da situação. Ela inclina levemente a cabeça, crítica. “Eu sabia que ele era parecido com Connor, mas ninguém me avisou que ele era a maldita fotocopia do irmão.”

“Eu vou matar o Connor.” Eu digo, enquanto observamos os três garotos batalharem seu caminho em direção à nossa mesa.

Algumas coisas demoram uma eternidade. Esperar por um ônibus quando está chovendo. Depilar após um longo inverno. Ficar em uma fila para comprar ingressos da sua banda favorita. Receber resultados de uma prova importante. Infelizmente, descubro que andar até a nossa mesa não é uma dessas coisas.

Eu pisco e eles estão aqui, em pé ao redor da pequena mesa. As luzes parecem piscar um código morse para mim: corra. Encontre Hitch. Mate Travis Stoll. Esconda o corpo.

“Hey.” Connor diz, com um sorriso charmoso. Ele cumprimenta eu e Miranda com um beijo, e acena com a cabeça para Silena, que está do outro lado da mesa. Então faz as apresentações. “Travis, essa é Silena. Só um aviso, ela é médium. Então não vá pensando coisas feias. Polux, você conhece Miranda e Katie. Miranda e Katie, acho que vocês conhecem Travis.”

“E aí, florzinha?” Travis diz, olhando para mim de um jeito estranho.

“Cala a boca, Stoll.” Eu respondo, lançando o pior de meus olhares de censura para Connor. Ele estremece levemente.

“Já foram trinta segundos e ninguém matou ninguém. Vou considerar isso um bom sinal.”

Travis olha para mim como se desejasse desaparecer. Acredite, Stoll, se eu tivesse o poder de conceder desejos, você já teria se transformado em fumaça e sido levado pelo vento. Os três se sentam, e eu tenho que me controlar para não rir quando percebo que ele tenta se sentar no lado oposto da mesa, porém Connor é mais rápido ao pegar o lugar ao lado de Miranda.

“Alguém quer ir tomar um ar?” Polux pergunta. Ele poderia ter sugerido pular de um precipício e Miranda o seguiria de qualquer jeito. Não acho que ir para o lado de fora na chuva seja uma boa ideia, mas o Meio-Sangue cheio é realmente claustrofóbico. Os dois se levantam e andam em direção a porta, seguidos por Connor. Silena olha para mim e para Travis e por fim se levanta, seguindo os outros.

Eu olho para Stoll. Ele está arrumado demais, com uma camisa social azul clara de mangas compridas lacoste. Olhando pela janela, faz um dedão para baixo para Connor. Eu espero ele se virar para mim, e então faço um sinal da paz, com os dois dedos levantados para cima. Ele me devolve os dois dedos. Eu dou o dedo do meio. Ele me devolve o dedo do meio. Eu não sei nenhum outro sinal, então invento um. Três dedos. Toma essa. Ele levanta quatro. Eu cubro seus quatro e aumento para cinco. Ele pula direto para dez e faz uma coisa com seu dedão que me perturba. Eu volto para o dedo do meio. Ele me devolve o dedo do meio.

“Ótimo!” Silena se senta novamente. “Vocês estão se comunicando.”

“Não acredito que você ainda está brava.” Travis diz.

“Você passou a mão em mim.”

“Você quebrou meu nariz.”

“Você quebrou o nariz dele?” Silena pergunta. “Você passou a mão nela?”

“E quebrou minha chaleira.” Eu acrescento.

“Foi um acidente.” Travis argumenta.

“Espera.” Silena pede. “Como você passa a mão em alguém por acidente?”

“A outra parte.” Ele revira os olhos. “A coisa da chaleira. Um pequeno erro, e você quebra meu nariz.”

“Você tem sorte que eu quebrei só seu nariz.” Eu digo.

“Você tem sorte que eu não chamei a polícia, florzinha”

Eu rio com escárnio.

“Claro. Pode chamar a polícia.” Digo. “Nós podemos aproveitar a oportunidade para fazer um boletim de ocorrência para abuso sexual, não é mesmo? E nem me faça começar com aquela história das fotos.”

Connor, Polux e Miranda se sentam novamente. “Você sabia que Katie quebrou o nariz do Travis?” Silena pergunta.

Travis fecha os olhos e bate a cabeça contra a parede silenciosamente.

“Yeah. Eu levei ele no hospital.” Connor diz, rindo. “Ele teve que esperar durante umas quatro ou cinco horas, em uma daquelas camisolas que deixam sua bunda completamente exposta.”

“Eu não acredito que ele passou a mão em você.” Silena diz.

“Eu vou pegar uma bebida.” Eu puxo Connor pelo ombro. “Connor, você também precisa de uma bebida, não é mesmo?”

“Eu preciso de uma bebida?” Silena pergunta, animada. Eu lanço um olhar de censura para ela. Santa curiosidade.

“Não. Você precisa de zero bebidas.”

Connor cambaleia, me seguindo em direção ao balcão. Eu espero até estarmos a alguns bons cinco metros da mesa para começar a falar.

“O que diabos ele está fazendo aqui?”

“Você quer conhecer Hitch, não é mesmo?” Connor devolve e eu sou obrigada a concordar. “Travis o conhece muito melhor do que eu. Pode ser que saiba onde encontra-lo.”

Eu hesito. Existem Michaels de sobra, e Wills suficientes para fundar um pequeno país da Europa. Mas só existe um Hitch. E encontra-lo em uma única noite, após anos de seguir pistas e rumores sem nenhum sucesso, não vai ser fácil. Não estou em posição de recusar ajuda. E se para encontrar Hitch eu precise aguentar uma noite com o maior babaca do universo, talvez nem seja um preço tão grande a pagar assim.

“Vamos, Katie. Travis não é tão ruim assim.”

“Tudo bem.” Eu resmungo. “Ele pode ficar. Mas eu juro, Connor, se ele me chamar de florzinha mais uma vez, eu quebro o nariz dele. De novo.”

“Justo.” Connor decide. “Sua vontade é uma ordem e Travis será notificado.”

Eu rio, empurrando ele com o ombro. Definitivamente vou sentir saudade disso quando estiver em Nova York.

“Hey! Quíron!” Eu chamo, inclinando meu corpo sob o balcão. Ele olha para os lados levemente desesperado, limpando alguma bebida derramada, e sorri ao me ver.

“Katie!” diz andando em minha direção. A orla de clientes que tenta chamar sua atenção para fazer um pedido reclama, insatisfeita. “Que bom que você chegou. Eu estou desesperado. Vamos, pode pegar seu uniforme lá atrás e...”

Eu sorrio gentilmente.

“Quíron, é sexta feira.” Lembro-o. “Ontem foi meu último dia. Eu vou para Nova York no primeiro voo de amanhã, lembra?”

“Eu sei, eu sei.” Ele diz balançando a cabeça. “Robb está preso num acidente de metro da linha doze, não sei quando ele vai conseguir chegar. Você não viu minha mensagem?”

“Na verdade, não.” Respondo, encolhendo os ombros. Mal posso acreditar que ele está lidando com esse caos sozinho e não consigo deixar de me sentir um pouco solícita.

“Katie, querida, eu estou desesperado. Você já olhou para esse lugar?”

Eu hesito. Mal acredito no que estou prestes a dizer.

“Certo. Eu te ajudo.” Digo, e posso ver os ombros de Quíron relaxar claramente. “Mas só durante uma hora. No máximo.” Me apresso em acrescentar. “Eu tenho planos.”

Ele agradece, várias vezes, e então se vira para atender um dos clientes. Eu suspiro, e sorrio sem graça para Connor.

“Então... Uma pequena mudança de planos.”

Notas finais
Meio-Sangue, Miranda e Polux, Connor e Miranda, Travis e Katie, Silena médium.... Quem gostou? hahahhaha E alguém já tem alguma teoria para a coisa do nariz? Ou para a coisa da chaleira? Ou para a coisa das fotos? Faça uma autora feliz, escreva uma review! haahhaha Beijinhos e até o review :)