Summertime Sadness
10 Wating For a Girl Like You
Notas iniciais
– Como assim vão precisar de mim? – perguntei com a testa franzida.
– Preciso que você e a Annabeth distraiam o Sr. D e o Quíron enquanto eu entro no escritório deles e pego as bebidas do Sr. D. Leo me disse que ele tem um grande estoque.
Aquele plano era quase maluco, quase. Na verdade, eu realmente achei que poderia dar certo, era um plano bom.
– E como eu e Annie vamos distraí-los?
Annabeth revirou os olhos.
– Como que você acha, Cabeça de Alga? Para de ser lerdo e bota esse monte de alga para funcionar! Somos os lideres das equipes, é só perguntarmos algo sobre as tarefas ou sobre o Acampamento. O importante é levarmos eles para longe da Casa Grande.
– Isso está parecendo ser muito fácil... – eu disse meio desconfiado.
– É por que é fácil, Percy! – Luke disse um pouco impaciente. Qual era o problema daquele povo com a paciência?
– Ok, ok! E vocês, o que vocês vão fazer enquanto isso?
– O que você acha, Percy? – Silena revirou os olhos – Acha que a clareira vai ser arrumada sozinha?
– Ah, é... tem isso! Então tudo bem, vamos logo com isso. Mais quem vamos chamar?
Eles se entreolharam e Annabeth pigarreou.
– Não queremos chamar a Rachel. – Thalia foi direta e todos abaixaram a cabeça.
– Por que não?
– Porque ai não teremos que chamar a Calypso. – Charles disse como se fosse obvio e eu olhei para Leo.
– Cara, é sua namorada! Você não vai falar nada?
– Ela não quer falar comigo porque acha que eu tenho algo com a Annabeth! Calypso ta ficando é maluca!
– Calypso e Rachel então... ela deu um ataque de ciúme porque disse que estava com a Annabeth de madrugada. – eu disse estendendo as mãos e todos me fitaram incrédulos. – O que foi?
Annabeth estava absurdamente vermelha, e então eu percebi que havia contado para todos os nossos amigos que passamos a madrugada juntos.
– E o que raios vocês estavam fazendo juntos de madrugada? – Luke perguntou com as sobrancelhas arqueadas.
– Fomos caminhar, só isso. – Annabeth respondeu rapidamente e Leo me olhou desconfiado. – Então, vamos começar logo a fazer as coisas, já escureceu.
– Ok, mas... Cadê o Nico, pessoal?
– Ele está fazendo outro trabalho para gente, Percy. – Thalia respondeu e Luke revirou os olhos – Anda, vamos, temos algumas bebidas para roubar.
***
Poderia dizer que a parte mais fácil da noite foi arrumar as bebidas e comidas, – Thalia fez tudo sozinha e eu e Annabeth só ficamos puxando o saco do Quíron e do Sr. D – já o resto... Thalia e Annabeth desapareceram depois que conseguimos pegar as coisas da Casa Grande, sobrando para mim, ter que arrumar a clareira toda com o resto do pessoal até uma da manhã. Talvez isso não tivesse sido tão difícil assim, mas era cansativo demais, mas não podia negar que tinha valido a pena. Havia um arco feito completamente de flores na entrada da clareira, uma mesa que – não me pergunte como – Chris havia conseguido para botarmos os salgados, doces e as batidas; uma caixa de som grande que seria boa o suficiente para animar a festa e flores penduradas em tudo qualquer lado (ideia da Silena...).
Nico não havia aparecido até meia-noite, mas quando apareceu estava trazendo um grande rolo preto em uma mão uma caixa grande apoiada entre suas costelas e seu braço.
– Silena, trouxe tudo que Thalia pediu. – ele disse com um sorriso no rosto entregando o rolo para Silena e botando a caixa em cima da mesa.
– Vamos logo com isso então. Meninos, vou precisar da ajuda de vocês enquanto Nico se vira com as luzes.
– Luzes? – Luke perguntou com a testa franzida.
– Claro bobinho, ou você acha que vamos dançar sem luzes?
Meninas realmente sempre pensam em tudo.
Silena desenrolou o grosso pano preto e segurou em uma parte. Ela foi até a árvore mais próxima e prendeu o pedaço do pano numa parte bem alta da árvore que ela conseguiu alcançar com a ajuda de uma cadeira. Imitamos o que ela havia feito em outras árvores, fazendo com que a clareira ficasse totalmente coberta e escura. Então bolinhas coloridas começaram a dançar nas árvores e no nosso recém-feito teto. E então uma luz roxa muito forte se acendeu e meu tênis branco brilhou.
– Luz negra? – eu sorri – Você é genial Silena!
– Agradeça a Annabeth, Percyto! Ela ainda deve trazer as tintas neon! – ela disse sorrindo dramaticamente – Muito obrigada meninos, agora vocês já podem ir se arrumar. E não se esqueçam de tomar cuidado com a Rachel e Calypso.
Enquanto voltávamos para o chalé eu pensava em como iria sair escondido sem que Rachel e Calypso não notassem. Annabeth havia ficado com a parte boa, pelo menos todos gostavam das pessoas do chalé dela.
Me despedi da Silena e Clarisse, então entrei no chalé com os meninos tentando não fazer barulho. Assim que entramos cabeças viraram em direção a porta.
– A festa tá de pé, Percy? – alguém na escuridão perguntou.
– Sim, sim! – falei num sussurro rápido e houveram risadinhas e depois silencio.
Eu, Nico, Luke, Chris e Charles entramos no vestiário e tomamos o banho mais rápido e silencioso das nossas vidas. Vesti uma camisa azul, minha calça jeans desgastada e um tênis. Deixei meu cabelo bagunçado do jeito que eu gostava e estava pronto.
– Ah, por favor... Vocês parecem mulheres tomando banho. – disse revirando os olhos ao ver que só eu estava pronto enquanto todos tomavam banho ainda.
– Para de ser machista, Percyto! – Charles disse imitando a voz da Silena e todos rimos.
Sai do vestiário e, de novo, muitos rostos se viraram para mim.
– Já está na hora, Percy? – reconheci a voz da Piper.
– Não. – disse e chequei no relógio – Vocês ainda têm meia hora. Nos vemos lá.
O acampamento estava totalmente silencioso. O céu estava estrelado e o lago refletia a lua perfeitamente. Fui andando em direção a floresta, então ouvi Dynamite tocando. Era incrível o jeito que a floresta escondia tudo o que acontecia lá dentro. Sorri e andei mais rápido até a clareira. Assim que passei pelo arco de flores minha calça brilhou por causa da luz negra. Annabeth e Thalia eram as únicas ali, e pude perceber o porquê delas terem desaparecido. Thalia havia cortado o cabelo, que antes batia quase na sua cintura, agora estava acima do ombro e totalmente repicado. Ela usava uma calça preta toda rasgada, com uma blusa do AC/DC um palmo abaixo do seu quadril, uma jaqueta de couro e coturnos. Sua maquiagem pesada destacava seus olhos azuis elétricos e ela e Annabeth riam de algo. Annabeth... Senti que havia comido um tijolo inteiro de uma só vez. Meu estômago afundou e minhas mãos formigaram. Annabeth usava um short escuro, uma blusa com estampa de oncinha que brilhava como a minha calça e sapatilhas, mas seus cabelos geralmente ondulados estavam lisos e com três mechas coloridas. Seu rosto estava pintado com tinta azul e laranja neon. Ela estava ousada.
– Hey, Percy! – Thalia disse enquanto Annabeth pintava o rosto dela. – Liga as luzes porque daqui a pouco o pessoal vai chegar e depois a Annie pinta seu rosto.
Passei pelas duas sem falar nada e fui até a mesa onde estava o som e o receptor da luz, liguei todos e olhei o lugar, vendo todas aquelas luzes juntas.
– O que tem de bebida? – perguntei me sentando na mesa, ao lado de Annabeth e Thalia.
– Tem tudo. Desde ICE até Jack Daniel’s – Annabeth disse sorrindo.
– E esse negócio colorido aqui? – perguntei apontando para uma grande bacia onde tinha alguma coisa colorida e degradê.
– Vodka em gelatina. – ela respondeu sorrindo ainda mais e se afastando no rosto de Thalia, que agora estava completamente pintado. – mas não está totalmente solido, está derretendo.
Ela se virou para mim com o pincel em mãos. A única coisa que pensei quando vi seu rosto inteiro, era que ela estava parecendo uma índia muito sexy.
– Sabe, não acho que esse lance de tinta vá combinar comigo... – eu disse tentando tirar meu rosto da direção das mãos de Annabeth. Ela estalou os lábios.
– Para de frescura, Jackson. Não vou fazer nenhuma viadagem com você.
Decidi confiar na sua palavra e abri minhas pernas, onde ela entrou e se apoiou na mesa para poder me pintar melhor.
– Ah, eu amo essa música! – Thalia gritou por cima de uma música antiga que começava a tocar.
Eu e Annabeth rimos. Senti suas mãos passarem pelo meu rosto cuidadosamente enquanto a tinta gelada me arrepiava.
I've been looking too hard I've been waiting too long.
As mãos macias de Annabeth pararam por um instante e ela fitou meu rosto, estalou a boca novamente e trocou de tinta, voltando a passar o pincel pelo meu rosto.
It feels so right so warm and true, I need to know if you feel it too.
Esse trecho da música me arrepiou e Annabeth hesitou, senti suas mãos tremendo levemente.
I’ve been wating for a girl like you to come into my life.
Puxei o queixo de Annabeth e a forcei a olhar nos meus olhos.
It’s more than a touch or words we say.
Eu não via momento melhor para beijá-la, fazer o que eu deveria ter feito quando estávamos na montanha. Apenas Thalia estava ali e sabia que isso não seria problema. Botei minhas mãos na cintura de Annabeth, ela se inclinou levemente e largou o pote de tinta e o pincel em cima da mesa, botando uma mão na minha nuca.
From the moment I wake up till deep in the night there’s nowhere on earth that I’d rather than holding you, tenderly.
Aproximei nossos rostos e vi que seus lábios estavam entreabertos e sua respiração estava pesada, imaginei que eu estaria assim também. Juntei nossos lábios antes de perder a coragem de fazer o que eu queria fazer. Pedi passagem com a língua e ela cedeu, um arrepio percorreu todo o meu corpo e eu a beijei com mais vontade, esquecendo completamente que apenas há três dias eu a odiava e achava que ela era apenas mais uma loirinha irritante de Los Angeles. Mas eu sabia que ela não era assim, eu sempre soube. Eu só fui orgulhoso demais para perceber que a garota que eu esperei por muito tempo, era ela.
Ouvi gritos e risadas vindos do lado de fora da clareira. Annabeth se separou de mim rapidamente e pegou o pote com tinta e o pincel, indo para onde Thalia estava com um sorriso provocativo no rosto e nos olhava. A música já havia acabado e agora tocava apenas uma batida. Eu me senti incrivelmente feliz e com uma vontade absurda de dançar. Pessoas começaram a entrar na clareira e já iam pro meio da “pista” de dança. O local só não estava lotado porque era incrivelmente grande e os campistas não eram suficientes para encher aquilo tudo.
Peguei um copo e enchi com a vodka em gelatina, fui pro meio da pista e comecei a dançar ridiculamente com Nico. Pessoas de rostos colorido estavam dançando, bebendo, comendo, ou fazendo tudo ao mesmo tempo. Depois de um tempo, eu estava meio tonto por conta da quantidade de bebida que eu havia ingerido sem comer nada. Alguns casais estavam se pegando, vulgo se comendo, perto das árvores, outros ainda dançavam. Luke e Thalia haviam sumido e eu procurava desesperadamente por Annabeth, mas as luzes me confundiam.
– Percyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyy! – Drew veio para o meu lado e passou a mão pelo meu pescoço – Quando você vai largar a Rachel para podermos ficar juntinhos, heeeeeeeeeeem? – ela perguntou mais bêbada do que eu e em seguida saiu gritando de volta para a pista de dança.
Fui até a mesa, pegando uns salgadinhos e comendo com ferocidade. Corri meus olhos pela clareira novamente procurando por Annabeth, mas ela havia simplesmente desaparecido. Continuei comendo na mesa tranquilamente, me sentindo muito melhor e observando todos se divertindo. Me perguntei se teria alguma chance daquela festa acabar antes do amanhecer, e pensei no que Quíron acharia se todos estivessem de ressaca no dia seguinte, trancados no quarto e sem fazer nada. Coitado... Olhei novamente em volta e achei Annabeth. Na verdade só a reconheci por causa da blusa de oncinha que brilhava no escuro, porque havia o corpo de alguém tapando o seu. Estreitei meus olhos e tentei dominar a raiva que crescia dentro de mim. Fui andando em direção a ela e vi que o Valdez estava tentando beija-la, mas Annabeth conseguia desviar por pouco. Cerrei meus punhos e tranquei o maxilar. Nunca gostei desse Valdez mesmo.
Cutuquei seu ombro e ele se virou para mim, sorridente e visivelmente bêbado. Annabeth me olhou assustada. Sorri para Leo e em seguida soquei sua cara com toda a minha força. Ele caiu no chão com a mão na sua boca e me olhou assustado. Alguém no meio da festa gritou “BRIGA!” e Annabeth falava algo que eu não entendia. Não sabia se era por causa da bebida que ainda fazia efeito, ou se era a raiva que me dominava. Subi em cima de Leo e comecei a dar socos no seu rosto. Alguém segurava meus braços, mas eu consegui me soltar e continuei o batendo. Minha visão ficou turva assim que ele me deu um soco certeiro no olho. Dei mais um soco na sua barriga e então conseguiram me tirar de cima dele.
Annabeth me olhava assustada encostada numa árvore e Thalia a abraçava de lado. Connor e Travis levantaram Leo e eu vi que fiz um bom estrago no seu rosto. A música não tocava mais e todos nos olhavam.
–AHÁ, EU SABIA! EU SABIA QUE VOCÊS ESTAVAM FAZENDO ALGO! ESPEREM SÓ ATÉ QUÍR... Percy? – Rachel estava no arco de flores acompanhada de Calypso.
– Leo? – Calypso disse assustada e correndo até seu namorado. Rachel veio na minha direção, mas eu me afastei dela.
– O que aconteceu? – Calypso perguntou e só havia raiva na sua voz.
– É, Percy. Conte para sua namorada como você me bateu! Conte que você me bateu por causa da Annabeth! – Leo cuspiu as palavras e Rachel me olhou desacreditada.
Eu sorri.
– Conte para a sua namorada, Valdez, como você estava tentando beijar Annabeth sem ela querer!
– V-você estava o que? – Calypso perguntou e o rosto de Leo empalideceu.
– Não foi bem assim, Caly... me escute, por favor!
E então Calypso foi embora e Leo, mesmo todo machucado, foi atrás dela. Que amor!
Olhei para Rachel sem medo nenhum, mas ela não me olhava. Seu olhar estava diretamente em Annabeth, que ainda estava apoiada na árvore com Thalia do seu lado.
– Sua vadia... – Rachel gritou indo em direção a Annabeth e a deu um tapa na cara. – Sua puta de meia tigela, eu vou acabar com você! – todos olhavam de olhos arregalados e paralisados. Eu não conseguia mover um músculo.
Annabeth virou se rosto para Rachel e sorriu. E então tudo o que aconteceu foi rápido demais. Annabeth puxou Rachel pelos cabelos e a levou até a mesa, afundou a cabeça da Rachel na bacia onde tinha a vodka em gelatina, que agora estava totalmente derretida.
– Nunca... – ela afundou a cabeça da Rachel novamente – Suje meu nome com essa boca sua cheia de veneno novamente!
Sua voz estava cortante como uma faca, até eu fiquei com medo. Rachel assentiu sem ter mais nenhuma opção. Seu cabelo, rosto e pijama estavam cheios de vodka e coloridos por causa do corante que havia na gelatina para ela ficar degradê. Ela se levantou e saiu da clareira. Todos começaram a bater palmas e Thalia ligou a música novamente. De repente parecia que nada havia acontecido. Fui até Annabeth que estava apoiada na mesa e a abracei.
– E eu pensando que você era do tipo santinha...
Nós rimos.
– Aprendi umas coisas com Thalia, sabe... Ela é dessas revoltadas.
Eu dei um beijo na sua testa e ela pegou minha mão, me puxando para fora da clareira.
– Para onde vamos? – perguntei com a testa franzida.
– Cuidar do seu machucado no olho, está sangrando.
Passei meus dedos na têmpora e vi que realmente estava sangrando.
– Valdez deve estar muito pior. – eu dei um sorrisinho.
– Você não precisava fazer aquilo. – ela disse séria.
– Veja pelo lado bom: se eu não tivesse batido nele, você não teria tido a chance de dar uma lição para Rachel.
Nós rimos e sentamos num tronco perto do rio.
– Tira a blusa, Cabeça de Alga.
– Annabeth, existem quartos para isso, sabe. Não precisamos fazer no meio da floresta, é meio nojento.
Ela me olhou confusa.
– Eu não vou transar com você, Percy! Quero sua blusa para molhar e limpar seu machucado.
– Ahh, sim. Entendi.
Tirei a blusa e ela olhou para o meu corpo mordendo levemente o lábio inferior antes de se abaixar e molhar a blusa no rio, eu dei um sorrisinho de canto.
– Mas a parte da transa ta de pé, né?
– Você tem quantos anos? Cinco? – ela disse pressionando a parte molhada no machucado.
– Depende... Crianças de cinco anos transam? – ela pressionou com mais força e eu me encolhi, sentindo dor.
Annabeth estava levemente corada.
– Não vou transar com você, Cabeça de Alga. – ela disse se abaixando e molhando a blusa mais uma vez.
– Não vai transar hoje ou não vai transar tipo nunca?
Ela soltou um suspiro, passou a blusa pelo machucado mais uma vez e me entregou.
– Você ainda tem namorada, Percy.
Fiz uma careta.
– Vou considerar isso como um não hoje. – ela sorriu e eu a puxei para mais um beijo, esquecendo tudo o que estava em nossa volta e quem eu era.
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