Summertime Sadness
28 Summertime Sadness
Notas iniciais
O grande fato da minha vida, era que não importava o quanto eu queria odiar Percy por todas as merdas que ele havia feito comigo, eu simplesmente não conseguia. Só de vê-lo ali, parado esperando por uma resposta minha, os olhos verdes me olhando eletrizantes, meu coração já batia descompassado e eu sentia todo o meu inferior se revirando. Isso era tão frustrante! Eu já havia passado por muita coisa nos últimos dias, o efeito de Percy sobre mim deveria ser nulo, mas não era — todas as vezes que eu o via, sentia como se me apaixonasse por ele novamente, era sempre do mesmo jeito. Eu me sentia uma menina indefesa que não sabia como agir na frente da paixão de quinta série.
– Não acho que essa seja uma hora boa, Percy. — Nico disse, ficando ao meu lado e abraçando meu ombro.
De onde ele havia surgido? Eu não tinha ideia. Mas fez sentido quando olhei para trás e vi Bianca encostada num carro que não estava ali quando cheguei.
A expressão de Percy passou de raiva para susto, e depois para compreensão, mas acho que não no sentido bom da palavra. Ele passou a mão pelo cabelo, puxando as pontas pretas e seu corpo caiu sentado na pequena escada da varanda.
– Nós vamos… ahn, entrar! — Hera disse, segurando a mão de Zeus e dando a volta na casa, provavelmente iriam entrar pela porta dos fundos.
Quando a cabeça de Percy levantou, lágrimas inundavam seu rosto e mãos. Ele parecia devastado e, de repente, eu vi que também me sentia assim. Saí dos braços de Nico e dei um passo da direção de Percy.
– Annabeth, não! — Nico gritou, me puxando de volta — Eu não consigo acreditar que mesmo depois do que ele fez, você voltará assim, de bandeja.
– Nico, por favor, não complique mais as coisas. — eu murmurei
– Não! Não, você é quem está complicando tudo! Eu pensei que estivéssemos bem, pensei que…
– Não… você apenas confundiu tudo, Nico. Me perdoe, mas eu não posso — um soluço involuntário saiu da minha boca e eu olhei para Thalia, buscando ajuda. Ela pegou seu celular e discou algum número. Dei mais um passo para longe de Nico. — Eu não posso ficar com você.
– Sempre foi ele, não é?
– Você sabe que sim. — respondi, sentindo as lágrimas que eu tanto tinha medo, começarem a cair dos meus olhos.
Ele assentiu com a cabeça e sua boca se abriu para logo em seguida, se fechar novamente. Independente do que ele iria falar, eu não sei se tinha forças para ouvir. Nico se virou e andou em direção ao carro. Bianca abriu a porta, e eu me lembrei que nunca a agradeci por Frederick, e se eu não fizesse isso agora, não sei quando seria minha próxima chance.
– Bianca. — chamei e seus olhos negros se viraram em minha direção. — Obrigada por… Obrigada.
Um sorriso apareceu em seus lábios e ela encaixou um óculos de sol no rosto.
– Sempre que precisar, Annie… Nos vemos por ai.
Nico entrou do lado do motorista sem olhar para mim, e assim os dois foram embora. Suspirei antes de me virar para Percy.
Ele ainda estava sentado na escada, mas parecia estar melhor — diria até sorridente. Revirei os olhos, mas não pude evitar um sorriso.
– Sempre foi sobre mim? — ele perguntou, andando até mim e segurando minha cintura.
Estalei os lábios e o empurrei para longe.
– Eu ainda quero ouvir o que você tem para falar. — eu disse, começando a andar para a parte de trás da casa, onde tinha a piscina e um balanço que eu adorava.
– Olha, adoro que vocês estejam quase bem, mas isso não é motivo para me deixarem que nem uma loba solitária na entrada da minha casa! — Thalia reclamou e, quase no mesmo instante, um carro cor de cobre virou a esquina e parou em frente à casa.
– Luke te fará companhia. — eu disse, piscando e continuei andando.
Sentei-me no banquinho de um dos balanços e Percy se sentou ao meu lado. Quando ele começou a falar, seus olhos não estavam na minha direção. Observei seu maxilar trancado, uma pinta que eu nunca havia percebido, dava um ar sexy àquela parte do rosto dele. Seu nariz era levemente arrebitado, mas também de um jeito sexy. Seus cílios eram pretos, grossos e grandes, talvez até maiores que os meus, seus olhos verde-mar contribuíam para o tornar uma pessoa perfeita. Eu não sabia porquê, mas de repente, cada detalhe de Percy parecia importante para mim. Seus lábios carnudos e definidos se moviam de um jeito sexy enquanto ele falava. Uma palavra que define Percy é essa: sexy.
– Você está escutando alguma coisa do que eu estou falando? — ele perguntou, olhando-me de forma divertida.
– Não mesmo. — respondi com um sorriso — Mas pode repetir tudo, porque eu realmente quero ouvir uma explicação aceitável.
Ele respirou fundo e voltou a falar:
– Eu não sei porque fiz aquilo, não sei porque escolhi Bianca à você. Eu e ela tivemos uma coisa há uns anos, e eu acabei fazendo uma merda com ela, porque é isso o que eu faço: merda. Faço isso com todos, mas na maioria das vezes não tenho ideia do que estou fazendo; simplesmente faço. E lá no acampamento não foi diferente, mas eu só percebi o que havia feito quando eu olhei para baixo e quem eu segurava era Bianca, e não você. Eu juro que tudo o que eu não queria era te perder de novo, mas uma parte de mim falava que era o mesmo com ela; eu não podia perder nenhuma de vocês. Minhas pernas escolheram por mim naquele dia, e céus, eu juro, Annabeth, que se tivesse uma chance de mudar o passado, eu nunca teria trocado você por Bianca…Em nenhuma das duas vezes. Eu não sei qual é o meu problema, porque eu só percebia o quanto sentia sua falta quando você não estava mais por perto, e eu quero voltar para Chicago sabendo que daqui a um ano, no próximo verão, você estará esperando por mim.
Eu sorri com sua declaração, mas senti um certo enjoo por dentro, como se cada palavra que ele havia dito não tivesse efeito algum por mim além de felicidade — nada daquilo me surpreendia. Eu não queria me sentir assim. Eu queria me sentir surpreendida com todas aquelas palavras maravilhosas, queria puxá-lo pela mão, subir até qualquer um dos quartos de hóspedes e transar loucamente com Percy até minhas pernas não aguentarem mais. Queria falar as três benditas palavras que eu senti que estavam me sufocando todo o verão, ansiando para serem ditas — mas agora não pareciam nada mais que uma ideia absurda. Como eu poderia dizer algo tão sério para uma pessoa que só conhecia há dois meses?
De repente eu percebi que a perda de alguém que você realmente ama, pode te afetar de maneiras inimagináveis. A partir do momento que eu vi o corpo da minha mãe caído na beirada do rio, eu sentia como se nada mais importasse — e no fim das contas, não importavam mesmo. Tudo teria fim, tudo iria acabar, de um jeito ou de outro. Eu queria mudar, mas não queria virar uma adolescente puta revoltada com a morte da mãe, e a prisão do pai ausente; Eu queria mudar, porque interiormente e já me sentia diferente. Mas enquanto eu olhava dentro dos olhos verde-mar que eu tanto adorava, eu percebi que Percy esperava uma resposta da Annabeth de dezesseis anos que tinha a vida normal, que todos os problemas se resumiam à garotos; e perceber isso me deixou triste.
Porém, tudo o que eu fiz, foi me levantar e sentar em seu colo. Senti suas mãos vagarem perdidas pelas minhas coxas e entrarem por debaixo da barra do meu vestido. Segurei sua cabeça entre minhas mãos e o beijei como nunca havia beijado antes. Seus lábios macios massageavam os meus com delicadeza, porém firmes. Nossas línguas travavam uma guerra para explorar o já tão conhecido lugar. Parei nosso beijo com um selinho prolongado e encostei nossas testas. Não percebi que estava chorando até sentir o gosto salgado das lágrimas em minha boca.
– Por que está chorando? — Percy perguntou. Os olhos verdes me fitavam confusos, e sua testa estava levemente enrugada.
– Não é nada, estou apenas feliz. — menti, passando as mãos pelo rosto, tentando me livrar de todo aquele fardo. — Você quer subir? — perguntei não muito inocente.
O sorriso brincalhão reapareceu em seu rosto e ele balançou a cabeça, negando.
– Tenho um avião para pegar, e já estou um pouco atrasado. — ele disse me dando um selinho.
Soltei um muxoxo e me levantei do seu colo. Percy segurou minha mão e juntos andamos até a frente da casa, onde Thalia e Luke pareciam estar discutindo.
– O que houve? — Percy perguntou quando nos aproximamos.
– Isso, Luke! Conte para eles essa maravilhosa notícia! — Thalia exclamou, as mãos na cintura.
– Meu pai quer que eu vá para a Inglaterra, Londres, assumir uma filial da empresa dele.
– Deus, eu estou com tanta raiva! — Thalia gritou — Por que logo você? Por que não mandar um daqueles papa-anjo que ele tem por lá? E Hermes quer abrir uma filial do correio dele? Ótimo! Mas que abra nos Estados Unidos, porra, e não em outro continente!
– Thals.. — ele tentou.
– Nem me venha com essa de Thals seu imbecil! Ah, Castellan, eu sou capaz de matar um búfalo nesse exato momento se você não sair da minha frente!
– É, Luke, parece que você não está com sorte hoje… — comentei abraçando Percy.
– Me diz quando é que eu estou. — ele resmungou, pegando a chave do carro.
– Me espera, eu também estou indo. — Percy disse, beijando minha testa. — Só me prometa que vai me ligar, e que vamos nos ver no próximo verão no acampamento. — ele murmurou para mim — E que, por favor, não vai arrumar nenhum moleque enquanto eu não estiver por perto.
– Eu prometo. — disse sorrindo.
– Nos vemos nas férias de inverno. — ele disse, se afastando.
Segurei sua mão e o puxei para mim de novo, antes que fosse tarde demais. Selei nossos lábios por um momento e então o soltei. Percy me deu um sorriso grande antes de se virar e ir em direção ao carro.
– Por que somos tão idiotas quando se trata de garotos? — Thalia perguntou, me abraçando.
Não respondi, e nem precisava. Eu não sabia o que iria mudar, e se soubesse, não acho que faria algo para mudar. Algumas raras vezes, as coisas podem mudar para melhor — e eu torcia com todas as minhas forças para essa ser a minha situação -; Ele não sabia, e eu me odiava por isso, mas assim que Percy entrou no carro, eu soube que aquela seria a última vez que nos veríamos.
Kiss me hard before your go, summertime sadness.
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