Atena estava na parada na porta do meu quarto, me olhando de forma furiosa. O que eu tinha feito dessa vez?

– Bom dia, mãe. – eu disse me apoiando com o cotovelo na cama

– Você sabe que horas são, Annabeth?

– Acho que eu não devo me preocupar com a hora mãe, é verão, não tenho compromisso algum.

– Ah, não tem compromisso? Acho bom que você não tenha esquecido que eu te matriculei para um acampamento de verão.

Meu sangue gelou.

Sim, eu havia esquecido totalmente. Varri minha mente pensando numa resposta convincente para dar a ela, mas sabia que nada adiantaria, porque eu já tinha me ferrado falando que não tinha compromisso nenhum. Uma coisa que eu sabia muito bem sobre minha mãe: Ela odiava quando as pessoas marcavam algo e não cumpriam. Mas eu não marquei nada, foi ela...

Certo?

Vi a sua pele branca, lisa e perfeita ir para um tom estranho de vermelho.

– Quanto tempo eu tenho para arrumar as coisas?

Não sei se a minha pergunta fez sua raiva aumentar ou diminuir, mas o olhar de Atena ainda estava de arrepiar os pelos do braço.

– Vinte minutos até o ônibus passar aqui para te buscar.

– V-vinte minutos? Mas mãe, como posso arrumar minhas coisas e me arrumar em vinte minutos?

– Isso você que resolva, mas quando o ônibus do acampamento chegar, eu te quero pronta, estamos entendidas?

– Eu não posso simplesmente ficar em casa e curtir minhas férias de verão com meus amigos?

– Sozinha, você quer dizer? Convenci os pais de Thalia e Luke a deixa-los ir também.

Sorri com a noticia, imaginando que meu verão talvez não fosse ser tão terrível. Talvez.

– Mas porque eles não me falaram nada?

Atena revirou os olhos.

– São adolescentes, vocês são todos irresponsáveis e parece que quando falamos com vocês entra por um ouvido e sai pelo outro. Agora, rápido Annabeth, quinze minutos.

Levantei da cama num pulo e peguei minha mala, abri meu guarda-roupa e joguei todos os meus shorts e blusas dentro sem nem olhar. Botei algumas calças, dois casacos, chinelo e dois tênis, botei roupas e objetos íntimos. Olhei no relógio e vi que tinha dez minutos. Nunca, em toda a minha vida, eu tinha arrumado uma mala tão rápido como agora.

Entrei no banheiro e tomei um banho reconfortante. Peguei um dos shorts e uma blusa da minha mala, calcei um tênis e soltei meus cabelos. Estava com grandes cachos loiros e bonitos, dei de ombros e os prendi em rabo de cavalo. Meus olhos cinzas estavam quase brancos agora. Estava pronta. Sentia que havia corrido numa maratona.

Não que eu quisesse ir a esse acampamento, mas eu não tinha realmente uma escolha. Como em casa só era eu e minha mãe, a decisão dele era a que prevalecia sempre. Eu nunca havia ido a um acampamento antes, e fiquei imaginando como era esse... Será que haveria fogueiras e lagos? E as pessoas... não planejava fazer amizade alguma lá, afinal deve ir gente de muitos lugares diferentes, e eu não era muito de manter coisas a distância.

Suspirei quando ouvi uma buzina de ônibus. Fechei minha mala e desci as escadas com cuidado. Minha mãe me olhava de baixo com um sorriso no rosto, como se estivesse orgulhosa. Revirei os olhos.

– É, você conseguiu.

– O que faria se eu não tivesse conseguido?

– Não queira saber, filha — seus olhos brilharam intensamente. – Bom verão, Annabeth, e não se esqueça de mandar notícias.

– Será que lá tem pelo menos sinal de telefone? – eu perguntei já com a porta da frente aberta, via o ônibus branco com laranja, com as iniciais CHB na lateral.

Atena soltou uma risada e me deu um beijo na testa. Sorri com seu gesto. Ela nunca foi muito de demonstrar carinho.

– Beijos querida, se cuide.

– Tchau mãe, eu irei.

Então fechei a porta e fui à direção do ônibus, o motorista sorria amigavelmente para mim. Entrei no automóvel e logo ouvi os gritos de Thalia me chamando para sentar na penúltima cadeira com ela e Luke.

Botei minha mala na parte de cima e me sentei no colo de Thalia.

– Por que você não me avisou que íamos para um acampamento de verão?

Ela franziu as sobrancelhas.

– Pensei que você soubesse Annie.

– É, sua mãe ligou pro meu pai e combinou tudo certinho com ele, não tive a mínima chance. – Luke disse desanimado.

– Minha mãe havia comentado comigo, mas eu realmente não lembrava. Passei um sufoco para arrumar tudo.

– Essa Annabeth não muda nunca... – Luke comentou e nós três rimos.

– Annie, você pode ser loira, linda e gostosa, mas leve não é. Então, por favor arrume uma cadeira para você sentar.

Revirei os olhos e olhei para o ônibus procurando um lugar. Havia um vazio no outro lado do corredor, na mesma direção das cadeiras de Thalia e Luke, mas havia um menino sentado lá. Estava com um óculos rayban preto que combinava com sua pele branca e seus cabelos negros. Ele usava uma blusa laranja que com as mesmas iniciais da lateral do ônibus que destacavam seus músculos. Imaginei que fosse a blusa do acampamento, o que me fez pensar que não era a primeira vez dele ali.

– Quem é o menino? – perguntei a Thalia.

Seus olhos azuis elétricos fitaram o menino por um momento e ela deu de ombros.

– Ele me é familiar, mas não lembro o nome. – ela fez uma pausa – Annabeth, você já está livre para sair do meu colo.

Soltei um risinho, me levantei e fui sentar ao lado do Gato Misterioso. Ele nem olhou para mim, parecia estar envolvido demais com a música que tocava nos seus fones e com a paisagem do lado de fora. Só havia grama e mais grama, e mais grama. E uma árvore. Peguei meu celular e comecei a jogar.

O tempo passava e o caminho não mudava, com toda certeza estávamos muito longe de Los Angeles. Eu já estava cansada de jogar. Me virei para Thalia e Luke e os dois dormiam. Lindos, eu pensei. Sempre gostei da ideia de eles dois namorarem, mas eles são teimosos demais para aceitar qualquer conselho. O Gato Misterioso ainda escutava música e olhava a paisagem, como alguém poderia ser tão antissocial?

– Ei.

Me virei para trás e vi uma menina de cabelos até os ombros, lisos e castanhos, toda vestida de rosa e sua blusa tinha umas partes com glitter. Ela sabia que estávamos indo para um acampamento?

– Olá – sorri para ela.

– Sou Silena, você aceita uma bala?

Achei aquilo estranho, mas aceitei.

– Annabeth, e obrigada.

Ela sorriu como se aquilo não fosse nada e estão botou seus fones de novo. Me virei para frente e vi que o Gato Misterioso tinha um leve sorrisinho no rosto, sorri internamente.

A paisagem lá fora mudou, e o ônibus virou numa curva. Pude ver uma cerca de madeira dividindo a estrada da propriedade e mesmo ali do ônibus, pude ver dois chalés grandes de madeira, um era azul e outro vermelho. O azul tinha um imenso tridente preso ao lado e o vermelho, uma grande coruja feita de mínimos detalhes. Vi um campo que tinha madeiras reunidas em forma de triângulo e imaginei que fosse para a fogueira, um grande lago azul e transparente, uma casa grande branca e azul, e atrás de tudo, tinha uma floresta densa de grandes pinheiros e árvores. Era, sem duvida, um dos lugares mais lindos que eu já tinha visto.

Notas finais
O que acharam?
Até o próximo, beijosss