Summertime Sadness

3 Keane's Letter


Notas iniciais
Ainda pequenos, mas tamos ai...

POV Claire

~ Flashback On

Keane passou correndo pelo pátio da escola, contando algumas moedas na palma da mão. Fui atrás dele. Ele tinha me evitado esses últimos dias, mas eu queria conversar com ele. Nem que fosse para acabar com a amizade.

Ele entrou na fila da cantina. Parei atrás dele, sem saber o que dizer. Respirei fundo, cutucando seu ombro com a mão trêmula. Ele se virou, ficando tenso ao ver quem o chamara.

— O que foi? – Curto e grosso. Me senti um pouco mal com aquilo, mas tentei não demonstrar. Ele costumava ser tão caloroso, uma pessoa quase aconchegante, mesmo de longe.

— Você fica me evitando. – Ele desviou o olhar alguns segundos. – O que houve?

— Nada. Só não quero nada com você. – Cada palavra parecia um chute no estômago. Magoava. Eu já devia ter imaginado, mas ainda assim, doía.

— É ela, não é? – Ele franziu o cenho. – Sua namorada me odeia, Keane, eu sei.

— Ela tem razão. – Ele deu um passo, seguindo a fila. – Você é uma covarde qualquer.

— Covarde? Por quê?

— Reaja, Claire, reaja uma vez na sua vida e vai entender. – Ele se virou, me ignorando. Saí da fila, deixando-o em paz. As palavras dele fizeram meus olhos se encherem d’água.

Ele estava falando dos meus pais, das brigas em que eu nunca me envolvia. E eu sabia que ele tinha dito a verdade. Eu só não queria acreditar que ele tivesse esfregado aquelas palavras na minha cara.

Aquele era o fim. Keane não chegava a ser um grande amigo, mas eu gostava dele. Me virei, achando Derek entre a multidão de alunos. Ele sorriu tristemente ao me ver. Corri até ele.

~ Flashback Off

POV Derek

Eu me lembrava vagamente quem era Keane, mas sabia que ele tinha feito mal a Claire. Pelo menos ela chorara por ele. Era um garoto grandão, fofo de um jeito que lembra um ursinho de pelúcia, tímido.

Entrei na escola, o som das sirenes e do disparo ainda ecoando na minha mente. Olhei o pátio fervilhando de adolescentes, todos uniformizados, andando de um lado para o outro.

Não demorei muito a encontrar o garoto que eu procurava. Ele segurava sua mochila sobre o ombro, olhando de um lado para o outro, como se estivesse fugindo de alguém.

Peguei a caixinha na mochila e peguei a carta dele. Ele também só tinha uma, como eu. Me perguntei se a dele teria sido maior. O que ela diria pra um cara que a fez chorar? Por que ela tinha me dito tão pouco? Eu não merecia mais, se realmente tinha sido a força que ela teve por tanto tempo?

Sacudi minha cabeça, me impedindo de pensar aquilo. Eu tinha falhado em impedi-la, não tinha direito de nada. Não merecia nada, a não ser toda aquela culpa que eu sentia.

Caminhei até o garoto, que tinha parado para abrir um dos escaninhos. Ele ergueu os olhos quando parei ao seu lado, franzindo o cenho. Será que ele sabia quem eu era?

— Cara, sua roupa está... – Ele olhava para meus joelhos. Sujos, com o sangue dos pais dela. Meu estômago voltou a embrulhar.

— Claire...ela se matou. – O rosto do garoto ficou extremamente pálido. Ficou desconcertado. Como o de alguém que liga. Ou se arrepende instantaneamente. – Ela te deixou isso.

Entreguei a carta e saí de perto dele. Tinha que ir ao banheiro, lavar aquele sangue das minhas calças. Fui para lá, tremendo.

POV Keane

Peguei a carta. O garoto saiu correndo, sem esperar uma reação. Ele mesmo parecia desconcertado. Não me importei. Ele era o amigo dela, era compreensível que estivesse tão abalado. Eu mesmo estava.

Encarei o envelope branco, com meu nome escrito à caneta, cuidadosamente fechado. Fiquei em dúvida por um instante, se deveria ou não abrir o envelope. Eu realmente queria saber o que ela dizia?

Subi as escadas para o segundo andar, indo para minha sala de aula. O envelope ainda na minha mão. Me sentei na minha carteira, deixando a mochila no chão.

A curiosidade foi maior, por fim. Abri o envelope e tirei a carta. Desdobrei-a e respirei fundo. Comecei a ler.

Keane,

Não sei bem porque estou fazendo isso...

Você tinha razão, eu sou covarde. Nunca fiz nada para ajudá-los. Só percebi que estava sendo covarde quando eles passaram a me odiar, a me culpar.

Você foi importante para mim. Você me ajudou a perceber que o mundo precisa de pessoas como eu para poder ser corajoso. O mundo só é corajoso para enfrentar os covardes...

Só te peço para não se esquecer de mim. Você me ajudou a tomar essa decisão. A única da qual não me arrependi.

Claire.

Eu mal consegui ler a última frase. Minha mão tremia tanto, eu todo tremia. Respirei fundo. Ela acabara de dizer que eu tinha sido culpado, em parte, pelo suicídio. Qual era o problema dela? Qual era o meu?

Coloquei a carta dentro do envelope e a guardei na mochila. A professora entrou na sala, me distraindo um pouco. Mas a culpa não me deixava.

Notas finais
E então, o que acharam?