Summertime Sadness

24 How To Save a Life


Notas iniciais
Oi, gentes :3 Então, digamos que a fic está entrando numa fase de finalzinho .q Então, acho que pra ficar mais legal, eu decidi escrever um capítulo pra cada personagem ^^ E pra começar é capítulo da Carlotta :3 O título é a música do The Fray :) Aproveitem

Acordei exausta. Tinha ficado até tarde, lendo e relendo o que eu escrevera. Queria que fosse, pelo menos, tão libertador quanto a carta dela pra mim foi.

Fiquei até duas e meia da manhã com a folha na mão, pensativa. Estava bom o suficiente? Fui dormir por causa do cansaço. Apaguei por cima das cobertas, ainda segurando a folha.

A manhã estava horrível. Vesti uma roupa escura qualquer, um vestidinho preto com sapatos de salto, e prendi o cabelo num coque. Finalmente, o dia do adeus. Meus olhos ardiam só de pensar.

Keane me mandou uma mensagem, avisando que já estava chegando. Imaginei quão difícil aquilo seria para ele. Se culpou tanto por ter afastado Claire, sendo que a culpa foi minha.

– Não temos tempo pra isso. – Falei, pegando a folha dobrada e colocando-a no bolso da jaqueta que eu estava levando. Estava até tremendo de ansiedade.

Deixei a casa, esperando Keane no portão. Ainda estava tão cedo. Eu normalmente estaria dormindo naquele horário.

O pai de Keane dirigia a pick up da família. Todos os quatro estavam no carro, calados. Me sentei atrás, ao lado de Keane, dando bom dia.

– Ei, Ursinho. – Beijei-lhe a bochecha, percebendo rastros de lágrimas recentes. Ele sorriu fraco em resposta, retribuindo o beijo na testa.

– Trouxe sua folha? – Afirmei com a cabeça. Ele segurava uma sacola no colo.

– Estou ansiosa. – Comentei, olhando Corey. O garoto olhava a janela, calada.

– Todos estamos.

Fomos o resto do trajeto em silêncio. Eu tinha trazido comigo óculos escuros, um que Keane me deu. Eu quase sempre o usava, mas agora parecia tão horrível colocá-lo.

Chegamos ao cemitério. Os pais de Keane foram direto para o velório, calados. Corey ficou com o irmão e comigo, cabisbaixo. Devia ser difícil para ele, presenciar aquilo. Tanto que ele chorava.

– Pode esperar aqui, Corey. – Keane falou, bagunçando o cabelo do irmão.

– Eu quero ir. – Ele disse, secando o rosto. – Eu consigo.

– Olha pra mim. – Keane abaixou-se na frente de Corey e falou, sério. – Chora o quanto você quiser, ok? Você não é menos homem por isso. Pelo contrário, você é mais maduro por reconhecer suas fraquezas.

– E eu não vou chorar.

– A gente não vai te amar menos se você chorar. Olha pra mim. – Keane voltara a chorar, livremente. – Vai lá.

Corey foi atrás dos pais, mais confiante. Abracei Keane de lado, os olhos lacrimejando.

– Queria ter tanta coragem assim. – Comentei, indicando Corey.

– Ela vai amar o que tiver escrito. Prometo. Eu sei disso. – Ele falou, respirando fundo. – Vamos?

– Sim. – Concordei, andando com ele. Se Keane tinha força, eu também teria.

O velório era com caixão fechado. Eu podia imaginar. Ninguém ia querer vê-la depois de se matar de forma tão horrível. Respirei fundo, segurando a mão de Keane.

Tinha pouca gente. Eu podia ver Michael num canto do lugar, com os fones de ouvido. Kramisha e Lily estavam chegando. Não via Derek ainda. E o casal do enterro dos pais, junto do filho.

– Cadê o Derek? – Perguntei. Ele ia vir, claro que ia. Tinha que vir.

– Deve estar atrasado, não?

Eu não sabia quem tinha organizado o velório e o enterro, mas fez um bom trabalho. Um arranjo lindo de flores com uma mensagem. Respirei fundo.

Rezei em silêncio pela alma de Claire. A religião dizia que suicídio era uma passagem direta pro inferno, mas aquela garota não merecia aquilo. O lugar de Claire era no céu, cuidando de nós.

Derek chegou. Ele estava de terno, com as mãos no bolso. Parecia um zumbi, pálido e com olheiras. Se eu mal dormi, conseguia imaginar o quanto ele devia estar cansado.

Foram uns quinze minutos de espera, cada um se arrastando tanto quanto um dia inteiro. Já estavam preparando tudo do lado de fora do velório, para o enterro.

O tempo acabou. Nos juntamos para rezar e, depois da oração, fomos atrás do caixão, para onde ele seria enterrado. Michael quase engasgou ao ver a cova perto das raízes de uma árvore.

A hora chegara. Com o caixão dentro da cova, apenas esperando para ser coberto de terra, nos ofereceram a chance de uma última despedida.

– Eu...eu quero ler algo... – Falei, pegando minha folha no bolso. Todos me olhavam, calados.

“Claire.

Acho que já é meio tarde para isso, mas quero pedir desculpas...o que senti foi um ciúme bobo de Keane. Me xingo todos os dias por ter acabado com a amizade de vocês.

E quero te dizer, que você é incrível. Você é linda, inteligente, simpática...e corajosa.”

Tive que parar para reprimir um soluço. Keane continuava parado do meu lado, dando um sorriso fraco.

Coragem, Claire, independente do que qualquer pessoa fale. Alguns podem dizer que suicídio é para os fracos, mas é realmente? Quanta força é necessária para tirar a própria vida, sem espaço para arrependimentos?

Sei que eu jamais conseguiria. Por mais que quisesse liberdade, paz...eu continuaria sofrendo.

Não mais me importo, Claire. O que você fez já foi feito e, infelizmente, não há mais volta. Eu agradeço seu perdão, mesmo que tenha que agradecer desse jeito. E espero que, seja pra onde quer que você tenha ido, você encontre sua tão ansiada liberdade...que esteja bem.

Porque sinto sua falta.

Era tão estranho. Sempre me achara tão indiferente em relação à Claire, e agora descobria que nunca fora. Que sempre me preocupava quando via a garota chegando atrasada à aula, com os olhos vermelhos de choro. E que sempre esperava que ela desse um jeito.

Ela deu. E nem ela nem seus pais estavam ali para falarem ou fazerem mais nada. E saber que nunca mais teria que vê-la com o rosto inchado de tanto apanhar era realmente triste mas...

Libertador.

Não éramos grandes amigas. Nunca fomos. Mesmo assim, convivíamos bem. Ela até se preocupou em se afastar de Keane.

Soltei a folha e comecei a chorar, Keane me abraçando, também soluçando, mas calado. Corey também chorava, os olhos presos na folha no chão.

Imaginava Claire escrevendo aquelas cartas, como deve ter sido ruim. Cada palavra no papel, uma certeza cada vez maior de nunca mais ver ninguém. De partir e não voltar. E devia doer tanto.

Olhei para Derek. Parecia ainda pior do que o restante da semana. Imaginei que todos estavam. Ver o caixão deixava tudo mais real, e mais difícil de aceitar.

Obrigado. Ele movia os lábios, sem fazer qualquer som. Acho que falei parte do que Derek queria dizer mas não conseguia. Dei um sorriso fraco para ele.

Fiz minha parte.

Arrependia-me de não ter perdoado-a antes, mas como eu dissera, era tarde.

Notas finais
Gostaram desse esquema do capítulo ser só da personagem? Bjs, até a próxima :)