Summer lovin'
1 Pilot
Notas iniciais
Beiijos, N.
POV Natasha
Eu respirei fundo e abri a porta do carro, com medo do que iria encontrar atrás daquela porta. Maldito o dia em que tive a brilhante ideia de me inscrever em um summer camp de música junto da minha prima dois anos mais nova, Sabrinna, e seu irmão gêmeo, Matthew. Agora aqui estavam nós, na porta daquele lugar, que infelizmente não parecia nada com o Camp Rock, gastando meus dias preciosos de férias restantes em Miami que poderiam ser sido gastos em compras. E é aqui que vou passar duas semanas.
—Divirtam-se crianças!– minha mãe gritou com a janela do carro aberta, o que me fez revirar os olhos.
“crianças...” bufei. Já tinha 16 anos, estava no segundo ano do colegial, beijado 15 caras e ainda sim era tratada como um bebê.
O lugar tinha paredes transparentes, e nelas estava uma placa com o nome da escola: Live! Studio. em amarelo neon. Ao abrir a porta daquele lugar, demos de cara com um montão de criancinhas brincando e fazendo barulho nos corredores da escola. Ótimo! Aposto que esse vai ser um daqueles lugares onde eu vou ser confundida com a monitora e vamos cantar músicas da Taylor Swift versão Karaokê enquanto rodopiamos no palco.
—Olá! Vocês são... – um homem de uns trinta anos nos abordou. Ele era moreno e usava óculos retro que cobriam grande parte de sua face. O seu moletom com o nome da escola entregava que ele deveria ser um dos professores do lugar.
Depois de nos apresentarmos, fomos dirigidos a uma sala que ficava logo ao lado, que estava repleta de cadeiras lotadas de pessoas, crianças e adolescentes, se assim posso dizer. Tinha um palco com uma bateria, dois pianos e alguns microfones instalados nos amplificadores, e acima de nós um sistema de luz bem legal. Analisando cada uma das pessoas sentadas, percebi que tinham muitas criancinhas pequenas, e notei cinco ou seis meninos que realmente aparentavam ter minha idade. Não tive muito tempo para olhar para eles, e aquele mesmo instrutor nos pediu para sentar dizendo que os professores estavam chegando.
Três adultos entraram na sala, dois homens e uma mulher; o primeiro se apresentou como Zayn, aparentava uns 20, 30 anos, usava um gorrinho na cabeça e sua face era coberta por uma barba e um óculos de sol tartaruga espelhado. Não pude deixar de notar o quão charmoso ele era. O segundo era um homem chamado Beto em seus 30, 40, anos daqueles que pode-se chamar de fofinho. Era careca e gordinho e não parava de sorrir nem mesmo um minuto. A terceira era uma ruiva, de olhos azuis, em seus 20 anos. Eu podia notar os meninos babando por ela, a ”Ms. Taty”, provavelmente porque ela era a única adulta com uma vagina daquele lugar. Esses adolescentes com esse excesso de testosterona...
Zayn ditava as regras do lugar, assim como toda vez que você está prestes a decolar em um avião, ou toda primeira aula de um ano escolar novo em que o professor diz coisas óbvias como “Não converse em minha aula”. A única diferença era que ele falava em um inglês muito rápido e dizia coisas como “Respeitem os instrumentos da escola”. Fomos separados em 3 diferentes grupos de acordo com a nossa idade, que seriam a nossa banda enquanto estivéssemos lá. Cada banda foi dirigida a uma sala diferente e guiada por um professor diferente, que no meu caso e da Sabrinna, era o Zayn.
A nossa sala era um estúdio de gravação com duas portas, paredes cor vinho, instrumentos diversos, com luzinhas de natal no teto. Era um lugar bem legal... Só quando sentamos e fomos obrigados a nos apresentar, nome, idade, nacionalidade, instrumento, é que tomei tempo para analisar quem seria a minha companhia para essas duas semanas.
—Meu nome é Gabriel, eu tenho 17 anos, sou brasileiro, toco guitarra a 3 anos. – quem diz isso é um menino loiro com cabelos mais hidratados que os meus que vão até os seus ombros. Seus olhos são castanho claro, e ele aparenta ser muito simpático. É o típico menino que tem tudo pra ser bonito; mas não é meu tipo. Ele é muito... certinho, sei lá. Com o canto do olho reparo em minha prima babando por ele. Claro! Ela sempre foi o oposto de mim.
—Meu nome é Fiona, eu tenho 17 anos também, sou colombiana, toco guitarra a 1 ano mas cantei minha vida inteira. – a menina é um pouco mais baixa que eu, ela deve ter 1,50 por aí. Tem cabelos castanhos ondulados que vão até o peito, e que peito gigante! Os olhos castanhos são redondos e grandes, ocupando seu rosto todo.
Minha prima se apresenta, diz seu nome, que tem 14 anos, que é Nova Iorquina mas que vem de uma família metade brasileira metade japonesa, e que está lá para cantar. Ela é linda. Seu cabelo é liso e vai até a metade das costas, começando castanho claro e se tornando loiro aos poucos. Os traços orientais não estão tão presentes nela como estão em mim, então seus olhos tem um tom castanho claro.
Chega a minha vez e eu me apresento, assim como todo mundo:
—Meu nome é Natasha, tenho 16 anos, vim do Brasil para fazer esse curso, canto a 3 anos e é para isso que estou aqui. – recebo a atenção das pessoas da sala, o que me faz corar. Eu diria que sou uma menina de uma beleza ordinária. Nunca fui alguém muito confiante, mas também não me acho feia. Tenho cabelo longo liso castanho escuro que vai até um pouco mais que a metade das costas. Diria que eu tenho um corpo bonito para uma menina da minha idade, e é o que provavelmente mais gosto em mim. Eu diria que eu sou a típica menina do colegial que procura um amor pra dar graça a vida e ainda está descobrindo onde se encaixa nessa sociedade complicada.
Dois irmãos se apresentam, dizem que são da Venezuela e não entendo bem seus nomes, mesmo que sejam muito parecidos. Decido nomeá-los de Juan1 e Juan2 por enquanto. Apesar de serem gêmeos de 15 anos, os dois não tem nada a ver um com o outro. Um deles, moreno, alto, está lá para cantar e o outro, loiro, magrelo, de óculos, para tocar piano. Um outro menino se apresenta como Julio, de 16 anos, Brasileiro, que toca guitarra a 2 anos. Ele é muito magro, alto, e tem cabelo encaracolado preto. Meu deus quanto brasileiro nesse lugar! Por fim o último se apresenta:
—Meu nome é Liam, tenho 18 anos, toco guitarra a 4 anos e sou daqui mesmo. – me permito olhar a quem acabou de dizer isso. Moreno, com uma barba rala, e olhos verdes. Um pouco mais baixo do que os outros, deve ter cerca de 1,70. Está vestido com uma blusa preta de caveira e uma bermuda cinza. Algo em sua aparência e seu jeito de falar me chama a atenção.
Nos apresentam nossos horários de cada dia. Primeiro horário era a atividade de integração. Isso era, jogos, atividades, que ajudavam a nos conhecermos melhor. Depois tinha a hora da composição, em que juntavam duplas para compor uma música juntos que depois era apresentada para o resto do grupo. Na hora do almoço, íamos em um parque vizinho pra comer, e por último tínhamos o ensaio da banda. Todo dia, de segunda a sexta, nós íamos cedo e voltávamos para casa as 3 da tarde.
Enquanto recebíamos esses avisos, estávamos todos sentados no chão em uma roda, o que não seria tão ruim se eu tivesse escolhido uma roupa apropriada para isso. Mas na verdade estou com um cropped branco e uma saia jeans, o que torna complicado encontrar uma posição digamos não... reveladora. Enquanto me mexo tentando decidir onde colocar as pernas percebo um olhar queimante sobre minha pele daquele menino que tinha me chamado a atenção. Qual era o nome dele mesmo... ah é, Liam. Que abusado! Quando ele repara que estou olhando ele olha para baixo. Fecho as pernas e opto por ficar numa pose desconfortável, mas comportada pelo menos.
O dia passa voando, típico primeiro dia meio atrapalhado, e logo estamos ensaiando a música Radioactive com a banda toda. Pensando bem, até que nossa banda tem pessoas...interessantes. Acho que não vai ser tão chato isso aqui no final das contas.
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