Summer Vacations

2 Capítulo 1


O carro já estava apilhado de malas e, como sempre, as minhas ficam para último. Coloquei mais uma mala no carro e fui lá dentro buscar a última – a minha. A minha mala estava a abarrotar, mas também, era só uma, portanto tinham de me dar um desconto!

- Credo, Sá! Tanta coisa! – Disse a minha irmã mais velha que devia ter umas três malas, todas a abarrotar como a minha.

- Madalena, vou ignorar esse teu comentário. – Ela não me ia estragar as férias, não desta vez, como aconteceu no ano passado, que todas as noites se enrolava com alguém e eu tinha de ouvir como é que tinha sido na manhã seguinte. Ah! E como vocês calculam, eu fiquei a ver navios.

- Como queiras, anormal. – Ela fez um balão com a pastilha que mastigava como um ruminante e revirou os olhos, enquanto mandava mensagens a todos os amigos – sim, amigos.

Eu abri a porta do carro e sentei-me no único lugar vago – o que é atrás do condutor.

- Prontos meninos? – Perguntou o meu pai, vendo se todos tínhamos o cinto de segurança colocado. – Hey, Sara, tenta não arranjar problemas nestas férias, okai? – O meu pai disse aquilo baixinho só para eu ouvir.

- Pai! Eu agora estou muito mais madura! Não precisas de te preocupar. – A Madalena riu-se.

- Pois! No ano passado dizes-te o mesmo! – Ela continuava a rir-se e a fazer ar sínico enquanto mastigava a pastilha.

- Cala-te, okai? – Disse eu a ignorar completamente o comentário dela.

- Olha lá! Tem mais respeitinho! Sou tua irmã mais velha e mais inteligente! – Ela pôs a mão como se me fosse dar uma estalada.

- Mais inteligente?! Madalena, tu acabas-te o décimo segundo ano á um mês atrás! Já para não falar que tiveste quatro negativas! – Olhei para a mão dela. – E o que é que estás a pensar fazer com essa mão esticada para mim?

- Cala-te! – Recostei-me ao meu assento com os braços cruzados e um sorriso vencedor espaparrado na cara.

O meu pai arrancou com o carro. As malas tremiam cada vez que passávamos num buraco, numa lomba ou simplesmente, quando o meu pai travava e arrancava, e tremiam o suficiente para me bater na cabeça. Portanto, á terceira lomba já estava cheia de dores de cabeça, porque também não ajudava o barulho do telemóvel da minha irmã a receber mensagens de cinco em cinco minutos nem a música aos altos berros do MP4 do meu irmão.

- Pai, falta muito para chegar-mos? – Eu tinha que fazer aquela pergunta desesperadamente.

- Falta. – Recostei-me outra vez no meu assento, desta vez aborrecida. Olhei para a janela do meu lado do carro e fiquei ainda mais entediada do que antes. Só se viam árvores e mais árvores, de vez em quando uma cabra ou uma vaca — e sim estou a falar daqueles que têm quatro patas, não da Madalena.

Da última vez que vi os meus primos em Guimarães, eles tinham tido uma pequena menina chamada Eva. Na altura eu tinha 12 anos. Lembro-me de um primo meu em terceiro grau, quero dizer, não me lembro bem do seu aspecto, mas lembro-me que ele existia e na altura, devia ter uns 17 anos, se calhar 18, não tenho a certeza.

- Mãe, como é que se chama o filho da tia Francisca? – Perguntei, inclinando-me para a frente.

- Pedro, acho eu. – Afirmou a minha mãe, fazendo com que a minha irmã largasse o telemóvel e prestasse atenção á nossa conversa. – É um rapaz encantador e ouvi dizer que é um querido para a irmã. – Disse a minha mãe, olhando para a minha irmã, através do espelho, muito discretamente. – Mas porquê a pergunta? – Inquiriu a minha mãe, erguendo uma das suas sobrancelhas escuras.

- Nada, estava-me só a tentar lembrar como é que se chamava o primo e não conseguia lembrar-me do nome dele. – Respondi, encolhendo os ombros e voltando a recostar-me no meu banco.

- Que idade é que ele tem? – Perguntou a minha irmã, ainda muito interessada na conversa com que eu comecei com a minha mãe.

- Acho que este ano vai fazer 22 anos. – Respondeu a minha mãe, tirando uma garrafa de água da sua mala, abriu-a e bebeu um gole.

- É só quatro anos mais velho! – Exclamou a minha irmã contente. E assim, a partir da minha curiosidade, a minha irmã e a minha mãe começaram numa conversa infindável sobre o incrível mundo de Pedro.

Notas finais
Obrigado por lerem e por favor comentem c:
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.