As férias chegaram, baby!

Os dias em que passei virando noites estudando para as provas do dia seguinte e para concluir os trabalhos em grupo estão acabados! Por enquanto, pelo menos.... Mas não quero me preocupar com isso agora.

Para quem não me conhece, oi! Eu sou Anne Boonchuy e sou uma estudante do primeiro ano do ensino médio. Por estar de férias, estou indo passar o mês na casa dos Plantars, uma família adorável que conheci a dois anos atrás, quando viajava com minha mãe e acabei me perdendo. Eles me ajudaram a encontrá-la, e fiz amizade com eles nesse meio-tempo. Por vezes nos víamos nos fins de semana quando podíamos.

Após muito implorar para minha mãe, ela deixou que eu passasse algumas semanas na casa deles. E aqui estou eu, no banco do passageiro do carro da minha mãe enquanto escutamos alguma música em tailandês e observo a paisagem de florestas e lagos do lado de fora.

— Promete se cuidar? – minha mãe quebrou o silêncio.

— Prometo!

— Trouxe tudo que precisa? – continuou.

— Sim, mãe!

— É que eu me preocupo com você. Sabe disso, não é?

— Sei sim.

Ela segurou minha mão por um tempo. Minha mãe podia ser bem carinhosa quando queria.

Voltei a olhar para as árvores coníferas do lado de fora e algumas montanhas ao fundo. A viagem não era muito longa, mas eu gostava de observar para que passasse mais rápido.

Pouco tempo depois, notei uma casinha no meio da floresta. Suspirei, tentando conter a empolgação. Vi de relance minha mãe sorrindo. Ela sabia que eu gostava deles e fico feliz que ela entendia isso.

Adentramos na floresta por caminho não asfaltado. Fiquei aliviada de não ter chovido nas últimas horas, assim a lama estava seca e não correria risco de sujar o carro e minha mãe mudar de ideia.

Ao nos aproximarmos e provavelmente terem escutado o barulho do carro, os Plantars saíram da casinha com sorrisos de orelha a orelha. Sprig e Polly pulavam de alegria.

Saí do carro assim que ele parou e corri abraçá-los. Demos gritinhos de felicidade enquanto nos abraçávamos e pulávamos. Para Hop Pop, dei um abraço apertado o que o fez reclamar de seus ossos enfraquecidos.

Minha mãe trouxe a mala e os cumprimentou rapidamente. A abracei fortemente e ela retribuiu.

— Você se cuida filhota? – Ela saiu do abraço para me olhar nos olhos enquanto segurava meu rosto com uma das mãos.

— Sim senhora.

— Minha bebezinha.

— Mãe! Não sou mais bebê. – Reclamei e ela sorriu.

— Cuidem bem da minha filha. – Ela olhou para os Plantars com uma expressão meio assustadora. Estava mais para um aviso. – Até mais. – Ela acenou e acenei de volta com os outros, até que o carro desse meia-volta e se afastasse.

— Ok. O que faremos primeiro? – me virei para entrar na casa já me sentindo a vontade o suficiente para isso.

— Anne, sabia que a Polly ganhou o campeonato de xadrez lá da escola? – Sprig comentou enquanto ele e os outros dois adentravam a casa.

— É sério?

— É sim, eu sou a melhor. – Polly se jogou no sofá. – Ninguém chega aos meus pés.

— Isso é o que vamos ver. – Digo, desafiadora.

— Sabe que não vai conseguir. – Sprig sussurra ao meu lado,

— Sei disso. – Respondo em outro sussurro.

— Ah é? Pois isso é o que vamos ver. – Polly exclama e sai correndo subindo as escadas para buscar seu tabuleiro.

— Farei um chá para vocês. – Hop Pop se pronuncia, indo para a cozinha.

— Obrigada! – Agradeço, enquanto exploro a casa com os olhos. Já tinha vindo aqui algumas vezes, mas sempre tem algo novo para ver.

— Ei Anne. O lago não está congelado dessa vez! – Ele diz, me relembrando da última vez que vim aqui, no inverno. – Quer ver?

— Claro. A Polly... – começo.

— Nah. Ela nos encontra lá se não ficar muito irritada da gente ter saído sem ela. – Ele afirma e eu disparo pela frente.

— Quem chegar por último é a mulher do sapo! – grito e ouço ele reclamando atrás de mim.

Corro em meio às árvores e alguns galhos caídos, por vezes tendo que pular alguns troncos e desviar de raízes, temendo que eu me distraía, caia e quebre os dentes. Minha mãe não ficaria feliz com isso.

Paro bruscamente no fim do relevo. Para ir até o lago é preciso ir por outro caminho, porém por mim está ótimo só o vendo assim, logo abaixo de mim e com a luz do sol reluzindo na água.

Sorrio observando a paisagem. Realmente é lindo. Ainda mais no verão.

Inspiro o ar fresco e escuto os passos de Sprig se aproximando.

— Há! Ganhei. Agora você é a mulher do sapo! – brinco e me viro, mas não é Sprig quem vejo.

— Surpresa! – Marcy diz, estendendo os braços para cima e dando um pulinho.

— Marcy? – fico sem reação por um segundo e é ela quem se aproxima e me dá um abraço. – O que faz aqui?

— Ora vim passar as férias! Ideia do meu pai, na verdade. Disse que tinha que ensinar eu e a minha mãe a sobreviver na natureza então aqui estamos nós! – ela explicou.

— Ah, isso é ótimo. Vou passar as férias aqui também. – Murmuro. Para mim a ficha ainda não caiu.

— Legal! Podemos nos ver mais vezes! Ah, a propósito, Sasha está aqui também.

— Como é? – Fico sem saber o que pensar. Por que elas duas teriam vindo? Universo, você me paga.

— É. Vi ela em uma das cabanas mais pro outro lado do lago. Deve ser a casa de férias dela que ela vivia dizendo mas nunca admitia onde era pra fazer a gente pensar que ela tinha uma casa na praia. – Ela diz rapidamente e depois ri. — Podemos falar com ela depois, o que acha?

— Ah... – Tento pensar rápido. – Claro.

Talvez essas férias se tornassem mais memoráveis do que eu imaginava.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.