Summer Promise
2 Two
Notas iniciais
Segundo capítulo de SP, espero que gostem!
Two
Na manhã seguinte, Rebeca acordou com o barulho do mar. Parecia um gigante respirando tranquilo a cada ida e volta das ondas. Abriu as cortinas e se escorou na janela olhando as gaivotas sobrevoarem a praia, procurando comida. Parecia encantada com o oceano, era tão azul, e aquela linha tão fina no horizonte que parecia não terminar, a divisão perfeita com o céu completamente sem nuvens. O sol batia nas aves brancas fazendo-as parecer um flash no céu. As ondas iam e vinha, apagando pegadas de pessoas que provavelmente correram ali pela manhã. Tudo parecia novo.
Vestiu-se rapidamente quando se lembrou do compromsso com a tia. Um jeans rasgado, o all star surrado e a camiseta do Iron Maiden, e estava pronta. Correu para a cozinha e disse um bom dia animado para Tom, que retribuiu no mesmo tom da sobrinha.
- Que cheiro ótimo tio!
- Adivinhe o que eu estou preparando para você. – Bec pensou um pouco e sorriu em seguida.
- Panquecas! – Ele fez um highfive com a garota, indicando que ela acertara. Ele tirou a primeira do fogo, e colocou em um prato estendendo para a sobrinha. Indicou a manteiga e calda na mesa, e em poucos segundos ela estava sentada, devorando a massa.
- Eu mesmo quem fez a massa, e devo admitir, está merecedora de um premio!
- Estou impressionada. – Ela comentou com a boca cheia. Bec cortou mais um pedaço da panqueca, e encheu de manteiga levando o garfo a boca quando Mariah entrou na cozinha.
- Bec, querida, o que você pensa que está fazendo?
- Tomando meu café da manhã? – Ela tentou colocar o menos possivel de irônia na frase.
- Meu amor, você sabe quantos carboidratos tem esse pedacinho de massa? Não é o desjejum apropriado para uma moça que quer seus olhos e cabelos brilhando.
- Será que eu quero mesmo? – Perguntou baixinho para si mesma. Mariah foi a geladeira e pegou algo, batendo no liquidificado e entregando para a sobrinha. A aparencia era terrivel, e o cheiro não ficava atrás. – Tia, você quer mesmo que eu beba isso?
- Claro querida, beba tudo. Vou me trocar e quando voltar esteja pronta, sua sessão com o especialista em cores começa daqui a pouco, não se atrase. – Saiu da cozinha pomposamente, deixando Bec olhando o copo com uma cara horrivel.
- Eu não vou beber isso!
- Parece ótimo. – Tom comentou divertido.
- Beba você então! – Disse sarcastica.
- Eu não, sua tia tentou mudar minha alimentação uma vez, pra mim chega! – Rebeca pegou o copo e jogou o conteudo na pia, dando duas garfadas na panqueca e enchendo a boca.
- Não conte nada para ela, ok? – Tom deu risada e assentiu, vendo a sobrinha correr para o banheiro.
- Seu segredo está seguro comigo. – Bec riu, já no corredor, e foi para o banheiro escovar os dentes. De lá, ouviu a tia ligar a mercedes preta e abrir o portão. Terminou a higiene e correu ao quarto, pegar a bolsa e sair depressa até o carro, já com os fones do ipod no ouvido.
- Querida, você vai assim? Bem, não importa, não temos tempo agora. – Bec olhou para suas proprias roupas. A camiseta do Iron Maiden era uma lembrança do primeiro show da banda que havia ido com o pai, gostava muito dela. A calça e o tenis também eram algo que usava no dia a dia e que a deixavam confortavel, mas o comentario da tia fez com que se sentisse cafona.
Tom apareceu na porta, acenando para elas e desejou boa sorte para Bec, apenas movendo os labios. “Acho que vou precisar” ela pensou.
Quando Mariah entrava na corrida das compras, nada fazia com que ela parasse. Nas primeiras horas, o tempo passou voando. A primeira parada foi a especialista em cores, que Mariah tanto falava. Era uma senhora elegantissima, amiga da tia há muitos anos. A mulher “vestiu” Rebeca com as cores que ela julgava lhe cair bem. Rebeca suspirou aliviada quando reparou que na maioria, suas roupas eram das cores que a seleção apresentava. Mas de todo jeito, suas roupas eram em maioria em tons escuros, preto, cinza e branco.
- Essas são as suas cores, jamais vá as compras sem essa seleção. – Rebeca assentiu e olhou para a seleção. O verde de seu maio não estava lá, e o azul claro da blusa que usou na noite anterior quando saiu, também não. Nunca soube o quanto era desinformada a respeito de moda.
Enquanto perambulavam por lojas chiques, Bec tentava acompanhar o pique da tia. Quando o assunto se envolvia com compras, Mariah ia a todo vapor e nada estava fora do seu limite de preço.
Ao meio dia pararam para almoçar. Mariah levou Bec até um restaurante escuro e silencioso. Bec não gostou do lugar, mas a tia afirmava que era o unico ambiente decente em todo shopping. A menina a acompanhou, e se jogou sobre um dos assentos da mesa em que estavam, empurrando as sacolas contra a parede enquanto Mariah fazia os pedidos, quando a atendente saiu, a mulher olhou para a sobrinha.
- Estou achando nosso progresso muito lento, querida. Você parece com medo de experimentar as coisas, já andamos por várias lojas e você não provou um maiô sequer. O que está acontecendo Bec? – A menina passou as mãos pelos cabelos, e resolveu ser sincera com a tia.
- Não sei se gosto das mesmas coisas que você, tia. As peças que compramos até agora são coisas basicas, mas não sei se vou me sentir bem usando algo do que você está comprando. Nunca fiz tantas compras assim na minha vida!
- Querida. – Mariah sorriu e pegou a mão da sobrinha. – Já disse que hoje quem paga sou eu. É um prazer enorme para mim estar aqui com você fazendo isso tudo. – A garçonete chegou com os pedidos colocando na frente delas. – Vamos lá, vamos começar a comprar!
- Vou tentar me soltar. – A menina respondeu, levando a primeira garfada da comida até a boca.
- Isso me leva a outro assunto Bec. Você tem que ser mais extrovertida se quiser fazer amizade com o pessoal da praia. De inicio, eles são assim mesmo, não a conhecem, mas seja dona de você mesma, dê o primeiro passo, seja ousada e tenha coragem!
- Sei não, tia. Não é meu jeito.
- Pois então se faça assim, diga a você mesma que tudo que você quiser é seu.
Bec olhou com vontade para a bandeija de sobremesas que a atendente mostrava e apontou a torta de chocolate com nozes.
- Aceito aquela ali.
- Querida! – Exclamou a tia.
- Acabou de dizer que tudo que eu quiser é meu. – Rebeca sorriu para a tia, que riu divertida deixando por um momento que sua capa de sofisticação fosse removida, revelando a moça simples que foi um dia.
- Ok, mas coma rapido seus carboidratos para sairmos e comprarmos mais!
Rebeca assentiu, e comeu depressa, sentindo-se um pouco mais animada. Depois de pagar, a tia arrastou a sobrinha para uma loja, até a sessão onde haviam apenas roupas de banho. Bec já tinha experimentado pelos menos dez maiôs, quando a tia chegou com um que parecia encanta-la.
- Olhe Bec! Experimente esse, acho que vai ficar maravilhoso em você. – Bec pegou a peça e analisou. Era realmente bonito, na cor preta com um estampa pequena em azul na frente. Nas costas, as alças finas se trançavam. A garota assentiu e foi para o provador. Colocou o maiô e então se sentiu satisfeita, estava realmente bom nela! Saiu do provador sorrindo, esperando a reação da tia. – Ah querida, lindo! Não disse? Está perfeito. Vamos levar ele, ok?
- Obrigada, tia! – A menina disse sinceramente, fazendo a tia sorrir verdadeira de novo.
- Que isso meu bem, não precisa agradecer. – Ela sorriu mais uma vez, e voltou para o provador. Quando chegou até o balcão, reparou no tanto de roupas empilhadas ali, enquanto a atendente terminava de passar tudo no caixa e informava o valor para Mariah.
- São oitocentos dolares e trinta centavos. – Sorriu para Mariah e Rebeca perdeu o folego. Na maioria das vezes, sua mãe costumava fazer suas roupas, e quando saiam para comprar, não podiam gastar mais que cem dolares numa tacada. Mas esse era o jeito da tia, e era com ela que Bec estava agora.
- Ah, querida, inclua esses brincos. Acho que eles vão ficar ótimos com aquele vestido preto, não acha Bec?
- Claro. – Respondeu ainda estupefata. A moça sorriu, e passou o brinco também. Em seguida Mariah tirou o cartão de crédito da carteira, e Bec resolveu andar pelas araras de roupas, tentando não pensar que no fim do mês, quem pagava as contas era o tio. Sentiu-se mal por isso.
- Vamos Bec? – Mariah chamou a sobrinha que a acompanhou. Na saida da loja, passaram na sessão de cosméticos e Mariah puxou a sobrinha, alegando que seu perfume estava quase no fim. Pediu o tamanho maior de um perfume que Bec não sabia qual era. A tia então olhou para a menina, e teve uma idéia repentina, dizendo para ela e para a balconista. – Que acha de fazermos sua maquiagem aqui? – Bec se preparava para dizer que era melhor não, quando a moça concordou animada, e Bec desanimou por completo. Roupas eram uma coisa, maquiagem outra. Não era muito fã de passar tinta no rosto, mas ok, se a tia queria, porque não? Já haviam comprado pelo menos metade do shopping.
Rebeca se viu sentada em frente a uma mesa, com as luzes voltadas para ela e varias maquiadoras a sua volta. Ela suspirou quando uma delas passou a sombra em sua palpebra. A cada minuto, sentia algo diferente ser passado em seu rosto, seja o pó compacto, que fazia seu nariz coçar, ou o lápis preto, que apesar da familiaridade por ser a unica maquiagem que usava, fez com que algumas lagrimas escorressem em sua bochecha, a julgar a forma com que a moça passava ele em seus olhos.
- Pronto. – Disse a maquiadora. – Olhe-se no espelho. O que acha? – Bec abriu os olhos devagar. “Será que sou eu?” Pensou.
Era ela, mas não parecia. Aparentava mais idade e maturidade. E seus olhos? Como nunca tinha notado o quão bonitos eram? Rebeca se olhou no espelho deslumbrada, com uma pontada de animação crescendo no peito.
- Os olhos dela tem o formato perfeito. – Disse a maquiadora. – Ela pode fazer o que quiser com eles, no que diz respeito a cores. Eles tem uma cor azul-esverdeada, tão diferente!
- Sério? – Rebeca perguntou curiosa.
- Claro. – Afirmou a outra. – Conheço modelos que dariam tudo para ter olhos como os seus. – Rebeca estava radiante. Sentia uma empolgação como se tivesse feito algo que não deveria. A mãe permitia apenas o pouco lapis preto que ela usava, o que a fez não gostar muito de maquiagens.
- Você fez um ótimo trabalho. – Mariah comentou para a maquiadora. – Vamos comprar um produto de cada que você usou.
- Tia, tem certeza?
- Claro querida. – Mariah acenou para a atendente, a Bec ficou em silencio, ainda digerindo tudo. Mariah pagou a mulher, e as duas sairam da loja, ainda com mais sacolas. – Bom, temos apenas uma parada agora, caso você queira saber.
- Qual? – A menina perguntou curiosa, embora imaginasse o que era.
- O salão de Josh! – A mulher disse teatral, como se aquilo fosse mudar a vida de Rebeca. A menina sorriu ao ver a manobra da tia e pensou “Bom, parece que é agora ou nunca!”
Às quatro e meia da tarde, Mariah estacionou a Mercedes preta na garagem e Rebeca saiu correndo com as sacolas por todo braço, ansiosa para saber o que Tom diria sobre seu novo visual. Queria a opinião de Jéssica, mas como não podia ver a amiga agora, se contentava com o que o tio diria. Sabia que ele seria sincero.
- Hey mocinha, acalme-se! – Mariah riu, e abriu a porta, encontrando Tom sentado na frente do computador com uma pilha de papeis ao lado. – Tã tã tã tãaam! – Anunciou teatralmente. Tom olhou Bec, e por um instante pareceu chocado, mas depois sorriu.
- Minha nossa, se eu soubesse que você ia trazer uma estrela de cinema para o jantar, eu teria vestido algo mais apresentavel. – Bec riu, e se colocou na frente do Tio.
- Que é que você acha? Meu cabelo ficou bom assim, curto? – Estava curto mesmo, pouco abaixo das orelhas. Josh havia feito escova e deixado ele todo cheinho. Quando temrinou, todos os cabelereiros elogiaram a menina dizendo que estava deslumbrante.
- Você ficou estonteante Bec, se não estivesse com a mesma roupa com que saiu hoje cedo, não teria te reconhecido. – Bec ficou animada com a resposta do tio.
- Obrigada! Você nem imagina o tanto de coisas que compramos Tio! E sabe o que mais? A consultora de cores fez uma seleção das cores que eu devo usar, e graças a Deus as cores de quase todas as minhas roupas está lá, isso significa que não preciso abandonar minhas camisetas. – Ela riu gostosamente, e Mariah balançou a cabeça, rindo da sobrinha.
- Não disse Tom? Isso era tudo que ela mais precisava, umas comprinhas para elevar a auto estima dela, agora, tudo vai caminhar como deve ser. – Tom passou o braço pela cintura da esposa e sorriu para ela.
- Você estava certa de novo, Mariah Howre!
- Eu sempre estou. – Ela deu uma piscadinha para ele.
- Você tinha razão tia! – Bec chamou a atenção deles novamente. – Esse brinco vai combinar perfeitamente com aquele vestido preto, queria poder usar eles agora mesmo!
- Ótimo, porque vocês não se arrumam e eu levo minhas “namoradas” para jantar? – Bec sorriu animada, e Mariah acenou concordando.
-Acho uma ótima idéia querido. Porque não vamos até a cozinha do siri? Bec vai adorar!
- Estou pronta em cinco minutos. – Ela gritou já da escada, equilibrando as sacolas nos braços, fazendo os tios rirem. Aquela noite seria decididamente agradavel.
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