Summer O'Connor - Whatever
5 Bruxa?
Acordara no outro dia mais cansada do que quando fui dormir, não fui a casa de Dixie como ela havia me pedido, achava aquilo muito aterrorizante pra a gente simplesmente sentar em um sofá e assistir uma comédia romântica ou um filme de terror. Não sei como ela conseguiu entrar novamente em casa. Incrível essa naturalidade, como se não tivesse acontecido nada.
O pedaço de papel me assombrou a noite toda, ficara pensando se aquilo era realmente pra mim, quem sabe a pessoa se enganara de bolsa ou coisa assim não é mesmo? Que besta, quem eu estava tentando enganar? É obvio que seria pra mim. Nada fazia sentido, nada mesmo. Ficara pensando por horas, juntando as peças, a morte de Lorena, o recado no papel, Ash e minha mãe mais estranhos do que nunca antes da festa, não havia sentido algum.
Me veio na cabeça se o recado era uma ameaça ou um aviso, ambos seriam ruins, mas ficaria com o "aviso". É aquela coisa, "quem avisa, amigo é". Mas não sei se enquadra muito bem nessa situação porque envolve morte! "Foi só o começo". Ecoava em minha cabeça!
Meus pensamentos foram interrompidos por uma batida na porta.
– Filha, posso entrar? — Pediu já entrando em meu quarto.
– Claro.
– Precisamos conversar — ela me olhou com olheiras abaixo de seus olhos.
– Pode falar — falei me sentando.
– As coisas estão começando a ficar complicadas, e cada vez mais difíceis . — ela parou de falar, tentando achar palavras certas para se expressar. — então, achei melhor chamar seu pai, pra gente ter uma conversa em família.
– Espera ai! Família? Só pode estar brincando mãe — a olhei pasma. — Desfasa isso, não falarei com ele, diga que estou bem e dispenso reuniões.
– Ele esta lá embaixo.
– Como é? — fiquei surpresa
No mesmo instante, desci as escadas, sem dar tempo a minha mãe se explicar ou falar o que quer que seja. Cheguei a entrada da sala, ele estava lá, parado de costas olhando pela janela, de terno e seus sapatos pretos, seu cabelo grisalho e com as mãos nos bolsos. Fiquei observando por alguns segundo, fizera tanto tempo que eu não o virá, me bateu uma saudade, uma vontade de abraça-lo e voltar aos velhos tempos, pena que não seria como antes, tive vontade de chorar eu confesso, por mais que eu tenha um rancor quanto a ele, mas é meu pai, sinto sua falta mais do que qualquer coisa.
– Pai — o olhei com os olhos cheios de lágrimas.
– Summer — ele abriu os braços para me receber.
Ao mesmo tempo que eu queria abraça-lo, queria ficar parada o olhando, jogar coisas nele e o acusar de tamanha saudade que me causara, de não estar comigo nas horas difíceis, ou nos meus aniversários. Corri o abraçar, minhas saudades superaram meu orgulho.
Conversamos sobre todos os acontecimentos da minha vida, contei que não tinha usado o carro que me dera, e também sobre noite passada, menos sobre o bilhete, resolvi pensar que talvez fosse besteira, alguma brincadeira sem graça. Minha mãe se juntou a nós e começamos a rir, lembrando do passado e das festas em família.
O rancor que sentia por ele, ainda estava em mim, é claro que nada era como antes, mas não posso me desfazer dele como um par de sapatos. Não é uma pessoa que seja passageira em minha vida, é meu Pai.
– Filha, já que estamos todos aqui, eu e sua mãe precisamos falar com você. — ele me olhou sério — realmente não é uma coisa simples de se contar, e de inicio vai achar que estamos loucos — ele deixou escapar uma risadinha.
– Na idade média — começou minha mãe — começaram a perceber certa religiosidade diferente, certa cultura... — ela escolhia as palavras com cuidado — não que foi lá que começou isso, mas foi lá que começaram a punir certas pessoas e criaturas, ou seja, foi lá que descobriram a bruxaria.. — minha mãe parou de falar e me olhou.
– Ok, já passei por isso nas aulas de história — eu ri.
– O que sua mãe esta querendo te dizer — falou meu pai — é que, não estamos sozinhos nesse mundo, não existem apenas o que você acredita que existe ou o que seus professores do colegial te falam até hoje — disse cuidando o que falava — Summer, querida, vai muito mais além disso, muito mais!
– O que eu tenho a ver com isso? — Pedi meio confusa.
– Somos bruxos! — Disse meu pai abrindo um sorriso enorme.
Acho que ele estava pensando que eu ia gostar da ideia.
– Perdão, como é? Vocês só podem estar brincando — levantei do sofá e dei te costas a eles.
– Summer, por favor, nos escute, é importante — disse minha mãe.
– Escutar o que? Um monte de baboseiras?
– Filha, senta, por favor.
– Ta bom — sentei-me de novo no sofá.
– Eu sei que foi difícil a separação de sua mãe e eu, mas foi para o seu próprio bem querida..
– Para o meu próprio bem — o olhei com raiva — você se separa de mamãe, fica com outra, não me liga, e some no mundo e diz que foi para meu bem? E agora vem com essa história de bruxas? Poupe-me por favor!
– Você tem toda a razão de ficar com ódio de mim, mas deixe-me terminar, depois me critique a vontade — disse meu pai. — Vai parecer estranho para você de inicio, mas temos como provar a você, então escute-nos. Eu e sua mãe viemos de uma longa linhagem de bruxos, e nos apaixonamos tendo assim, você. Mas quando você era um bebê, uma pessoa invejosa por nossa felicidade, e por vinganças antigas, sobre antepassados, afirmou que roubaria você de nós, com medo, nos separamos, e sua mãe hoje não tem mais poderes, pois, doou todos para você, para que você não fique desprotegida..
– Tenho poderes — eu ri — vocês estão brincando comigo. É tipo aquelas pegadinhas não é? Só pode — elevei o tom de voz.
– Summer, é sério. E não terminei. Não pense que deixei sua mãe por alguma outra mulher, não mesmo. Já se passaram muitos anos e só depois de quase 6 anos me juntei a outra pessoa, assim como eu pude ficar com outra mulher, sua mãe tem todo esse direito também.
– Mas ela me disse que tinha ido embora com outra mulher.
– Sim, eu sei disso. Mas não é verdade, perdoe-nos por ter mentido à você todo esse tempo, e por não te-lo passado ao seu lado.
– Por que? Porque nunca vira me visitar?
– Pois assim, eu à ameaçava, não podia deixar nada de errado acontecer a você. Por isso Ash tem cuidado de você por mim..
– Ash? — os olhei séria.
– Sim, alias, tem coisas a saber dele também. Mas creio que será melhor você falar com ele — meu pai deu um breve sorriso.
– Sim, será melhor — não sabia mais o que pensar, que loucura aquilo.
– E sobre a morte de Lorena — meu pai começou a falar de novo — recebi um recado naquela manhã, algo um tento suspeito, e comuniquei Ash e sua mãe sobre o ocorrido. E creio que o mesmo homem que estava a sua procura quando pequena, esta de volta, e esta na cidade, talvez fora ele que tenha matado Lorena, não tenho certeza ainda — ele segurou minha mão — e é por isso que estamos te contando agora, para você aprender a se proteger, e claro, irei te ensinar tudo.
– Desculpa, mas preciso sair — levantei — preciso processar tudo isso, desculpe-me.
– Tudo bem, irei ficar aqui por um período.
– Tudo bem — dei um sorriso, e dei de costas para eles saindo pela porta.
Aquele bilhete então era de verdade, e era pra mim mesma, mas não conseguia interpreta-lo, se era de alguém tentando me avisar para a minha segurança, ou para mim tomar cuidado com a mesma que a escreveu. Que loucura, não estava conseguindo processar tudo, eu, bruxa? Mas em que vida? Isso é coisa de faz de conta.
Não entendia, porque só agora esse homem veio atrás de mim? Meu Deus, tantas perguntas!
Sentei-me no banco um quarteirão á frente da minha casa, e ficará ali, por alguns minutos sentada, olhando para o chão, sem nenhuma reação. Até que alguém sentou-se ao meu lado, mas eu estava muito preocupada com tudo, para fazer o esforço de olhar ao lado.
– Oi.
Olhei para o lado, era ele, com seus olhos pretos que me cegara na primeira vez que o vi, perfeito como a escuridão da noite
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