Summer Night
3 Capítulo 3
— Pode ser um mal-entendido — disse Doojoon após eu ter contado tudo a ele. ele era o único que sabia dos meus sentimentos por Minho desde o começo —. Você só pegou metade da conversa, não é?
— Sim, mas não sei... — hesitei eu, pensativa — Está tudo tão confuso.
— Yoona não faria isso com você. Converse com ela para esclarecer isso.
— Eu sei — respirei fundo —. É, talvez tenha sido só um mal-entendido mesmo. Mas obrigada por me ouvir, como sempre — eu sorri.
— Vou te contar uma coisa — disse ele —. Já estava querendo te contar a algum tempo, mas acabei tomando umas decisões e vejo que agora é a melhor hora.
— Estou ouvindo.
— Eu conheci uma garota. No começo, não prestava muita atenção nela, mas acabamos virando amigos. Ela é linda, inteligente e bem legal. Achava-a como todas as outras. Ela é bem famosa e tem muitos fãs. Sei que muitos homens fariam de tudo para ter um encontro com ela, mas ela não me impressionava tanto assim.
— Eu a conheço? — perguntei.
— Deixe-me terminar minha história primeiro — ele sorriu.
— Desculpe.
— Nós acabamos virando melhores amigos. Sempre conversávamos um com o outro. Ela precisava de mim e eu dela. Acabei desenvolvendo um sentimento por ela, mas não queria admitir para mim mesmo. Foi difícil. Ela, com certeza, era diferente do que eu achava que era e ia me impressionando cada vez mais com ela. Eu tinha medo de falar isso, de mostrar meus sentimentos. Ela nunca demonstrou interesse por nenhum homem até que um dia ela me falou que estava interessada por alguém. Eu pensei e pensei e cheguei à conclusão de que não queria estragar nossa amizade, ela é muito importante pra mim. Achei que a melhor solução era deixá-la ir, estar sempre ao seu lado e querer vê-la sempre feliz. E é isto que estou fazendo desde então.
— Mas você ficou bem depois? — perguntei.
— Sim — respondeu ele —. Nunca estive melhor. Nós ainda nos falamos sempre e ela sempre está ao meu lado, assim como eu estou do dela. Isso me faz feliz.
— Mas o que isto tem a ver com toda minha situação? — perguntei.
— Você não consegue reconhecer quem é a garota de quem estou falando? — perguntou ele.
— Não — falei devagar —. Você nunca me falou de nenhuma garota. Essa é a primeira vez.
— O que eu quero dizer — disse ele — é que você é capaz de impressionar qualquer um. Assim como impressionou a mim.
— Oppa — disse eu, assustada —, você gostava de mim?
— Isso é um pouco embaraçoso — ele riu —. Achei que nunca teria coragem de te contar. Mas fique tranquila. Não sinto mais nada — ele sorriu. Acabei relaxando um pouco depois que ele disse isso.
— Desculpa — disse eu —. Eu não sabia de nada.
— Você não precisa se desculpar por isso — disse ele —. Mas pense no que eu disse. Você pode impressionar qualquer um. Nunca tenha medo de demonstrar seus verdadeiros sentimentos. Eu vou estar aqui caso precisar de um amigo.
— Como sempre esteve — olhei para ele e sorri —. Obrigada por tudo, oppa, de verdade.
— Não precisa agradecer por nada — disse ele —. Melhores amigos são para isso. Vamos voltar. Já está tarde.
Ele ligou o carro e saímos do parque. Sempre íamos para lá quando precisávamos conversar um com o outro. Doojoon parava seu carro de frente para o parque e ficávamos conversando. Sempre íamos à noite já que de manhã é mais fácil sermos reconhecidos.
Doojoon levou-me até meu apartamento. Subi e Yoona estava esperando-me na sala.
— Posso saber o que está acontecendo com você? — perguntou ela — Ficamos te esperando e você não aparecia. Minho disse que você estava esquisita e saiu com alguém.
— Não está acontecendo nada — respondi eu, um pouco grossa —. Estou cansada. Só quero descansar.
— Yuri — Yoona chamou-me, gentilmente —, vamos conversar. O que houve?
— Não houve nada, Yoona — estava um pouco irritada —. Só quero descansar.
Peguei uma troca de roupa e tomei um banho. Fui para o nosso quarto sem olhar na cara dela e deitei em minha cama depois de apagar a luz. Sei que estava sendo dura com ela, sei que Doojoon estava certo quando disse que era bom eu esclarecer as coisas com ela, mas eu estava com cabeça quente. Não conseguia pensar em nada direito. Só queria descansar e ver como se desenvolveria mais um dia.
Talvez tenha sido um mal-entendido. Talvez eu devesse ir mesmo falar com Yoona, mas queria esperar mais um pouco.
Minho e eu éramos muito amigos. Sempre fazíamos par e conversávamos bastante, mas depois que percebi meus sentimentos por ele, fui me afastando. Ele era amigo de todas as outras garotas e eu não queria ser apenas mais uma. Afastamo-nos bastante um do outro. Eu me arrependia, lógico, mas não imaginava que acabaria assim. Só queria saber como essa história irá se desenvolver, mesmo que eu me machuque.
O dia seguinte foi a mesma rotina do dia anterior. Ensaiei com Minho e ele ainda insistia em perguntar o que eu tinha. Eu o ignorava, o que o deixava mais preocupado.
— Yuri — chamou Minho quando estávamos indo embora.
— O que você que? — perguntei.
— Por que você está assim? — perguntou ele — Eu te fiz algo? Nós éramos tão amigos antes e nos afastamos. Agora você está assim. Eu juro que não sei o que fiz.
— Estou casada. Vamos embora — disse eu.
— Yuri — ele pegou meu braço e senti uma corrente elétrica percorrer meu corpo. Puxei meu braço de sua mão e fui para o vestiário.
Peguei minhas coisas e Seohyun chamou-me para esperar esvaziar o vestiário. Conversamos sobre a produção do clipe e os ensaios, coisas do dia-a-dia, até as meninas saírem e o vestiário estar mais vazio.
Estava voltando para sala de ensaios para pegar minhas coisas quando resolvi falar com Yoona. Estava virando o corredor quando a vi com Minho, de novo.
— Ela está estranha mesmo — disse Yoona —. Voltou tarde para o apartamento e não quis conversar.
— Pra mim chega — disse Minho —. Não quero continuar com isso. Vou falar com ela.
— Não vai, não — Yoona o puxou —. Você disse que não queria assim.
— E não quero — disse ele —, mas se continuar assim... Ela está estranha. Não fala comigo e não sabemos por quê.
— Calma, oppa. Espera mais um pouco. Vamos ver como isso se desenrola e encontramos uma solução para que dê tudo certo e seja do jeito que você quer, do jeito que deveria ser.
Minho falou algo baixo e não estava conseguindo ouvir. Aproximei-me mais e senti meu celular caindo do meu bolso. Fez um barulho alto. Peguei-o do chão e sai correndo sem olhar para trás. Não sabia para onde ir, mas meu corpo levou-me automaticamente para o terraço da SM.
Por que estavam falando escondidos? Por que não podiam falar na minha frente que ele só estava brincando comigo? Minha melhor amiga não se importava mais comigo? A amizade que tive com Minho não foi o suficiente pra ele querer o meu bem?
Eu estava confusa e a bola em minha garganta crescia cada vez mais. Sentei-me na cadeira que havia sentado quando estava ali com Minho e desabei no choro. Não estava acreditando que tudo aquilo estava acontecendo mesmo.
— O que está acontecendo com você? — ouvi a voz de Minho muito perto em meu ouvido. Virei rapidamente — Juro que não entendo o que eu fiz pra você estar assim.
Levantei e estava indo em direção a escada para voltar para a sala de ensaios. Ele segurou minha mão e me puxou. Nossos rostos estavam muito próximos. Ma parte de mim quis empurrá-lo e sair correndo novamente, mas outra me prendeu ali, não me deixando sair.
Minho levantou uma mão e tocou meu rosto, limpando uma lágrima que caia. Empurrei a mão dele e me afastei.
— Acho que preciso te falar — disse ele —. Não queria, mas acho que não vai ter jeito.
— Falar o que? — eu quase gritei — Que você só está me tratando diferente porque te mandaram? Só está tentando chamar atenção pra SM? Que você sabe dos meus sentimentos? Que a Yoona sabe de tudo e vocês estão rindo pelas minhas costas?
— Que sentimentos? — perguntou ele e eu paralisei.
— Pára de brincar — disse eu.
— Não estou brincando — disse ele —. Se você me falar sobre esses sentimentos, eu te falo sobre o que eu falo com Yoona.
Eu o encarei e virei para voltar.
— Você gosta de mim. Você se afastou de mim e enfraqueceu nossa amizade por causa disso — disse ele e eu virei para olhá-lo —. Só queria ouvi de você.
— O que? — perguntei eu, brava.
— Yoona me disse.
— Como ela...?
— Você não sabe os motivos dela, então não julgue sem antes saber — interrompeu-me ele —. Ela é sua amiga. Você sabe que ela não faria isso com você sem um motivo.
— Mas por que ela fez isso? — perguntei, gritando — Agora você vai querer ficar rindo de mim com ela? — eu estava exagerando, mas não conseguia segurar meu nervosismo.
— Pára com isso, Yuri — pediu ele.
— Parar com o quê? Vocês que tem que parar... — Minho se aproximou e me abraçou. Foi tudo tão rápido que não tive reação.
— Deixe-me explicar, por favor — ele parecia estar implorando —. Não queria que fosse assim, não queria te perder assim. Por favor, deixe-me explicar.
— Minho, solte-me — pedi a ele.
— Não vou soltar até você se acalmar e me deixar explicar. Por favor, Yuri — implorou ele. Senti uma gota em meu pescoço. Não estava chovendo. O céu estava aberto e cheio de estrelas. Minho apertou-me mais forte e senti outra gota. Ele estava chorando.
Afastei-me devagar e olhei para ele. Era a primeira vez que o via assim e aquilo me assustou. Levantei minha mão e enxuguei seu rosto com meus dedos. Ele inclinou a cabeça na direção de minha mão e sorriu fraco.
— Você pode me deixar explicar? — perguntou ele. Fiz um sinal de afirmação com a cabeça. Ele sorriu mais e pegou minha mão, entrelaçando nossos dedos e puxando-me para ver a vista noturna de Seoul do terraço — Como você sabe daquilo tudo?
— Ouvi você falando com Yoona — respondi —. Acabei ouvindo sem querer quando vocês estavam na sala de ensaios ontem e hoje no corredor.
— Você só ouviu aquilo?
— Sim, por quê? — perguntei eu — Era pra ouvir algo mais?
— Você não ouviu a conversa inteira então — disse ele, pensativo —. Suas amigas não vão se importar se eu te roubar pra mim hoje, vão?
— Por que se importariam? — perguntei, ficando confusa.
— Você não se lembrou mesmo — disse ele mais pra si mesmo do que pra mim —. Venha, preciso fazer algo antes de te falar tudo que tenho pra falar.
Ele me puxou até a mesa. Vendou meus olhos com um lenço e foi pegar algo.
— Minho? — chamei-o.
— Só um minuto — ele estava perto de mim, pela sua voz. Tirou a venda dos meus olhos. As luzes estavam apagadas, só havia a luz de velas em cima de um bolo a minha frente —. Parabéns pelo seu aniversário — disse ele.
— Que dia é hoje? — perguntei eu, assustada.
— Cinco de novembro, Yuri — disse ele com uma voz de desaprovação — Faça um desejo e sopre as velas.
Obedeci e tudo ficou escuro. Ele segurou minha mão.
— Não se preocupe. Estou aqui. Não precisa ter medo do escuro — disse ele.
— Como você sabe que tenho medo de escuro? — perguntei e ele riu. Dei um empurrão de leve nele — Cadê meu presente? — perguntei eu, rindo.
— Hm — ele pensou —. Aqui — ele deu um beijo e minha bochecha, fazendo-me corar. Ainda bem que as luzes estavam apagadas —. Agora vamos conversar. Tenho muita coisa pra te falar — disse ele. Acendeu as luzes e segurou minha mão novamente, puxando-me para onde estávamos vendo a vista de Seoul à noite.
Fale com o autor