Summer Love
14 Se arrependimento matasse
Notas iniciais

— Quarenta e um, quarenta e dois, quarenta e três, quarenta e quatro, quarenta e cinco, cinqüenta!
Percy sabia que era errado trapacear, mas se Nico e Jason tinham se escondido bem, já não estavam por perto para ouvi-lo contar. O menino abriu os olhos e olhou em volta, procurando qualquer sinal da presença de um dos primos na sala. Para garantir, checou atrás do sofá e das cortinas. Vazio. Seguiu em direção ao corredor, sempre cauteloso para que ninguém passasse por si de surpresa. O próximo lugar que olhou foi a cozinha, mesmo sabendo que era improvável encontram alguém ali, já que não existiam esconderijos.
Foi em direção ao escritório, tomando cuidado para não fazer barulho e denunciar sua posição. Alguém bateu na mesa, e Percy correu para ver quem era. Jason tinha uma careta e passava a mão na cabeça. Assim que viu o primo, o loiro tentou sair de seu esconderijo, porém, Percy foi mais rápido e alcançou a sala antes do mais novo.
— Bati! — gritou, e Jason bufou.
— Sem graça. — resmungou — Espero que o Nico salve o mundo.
— Acho que ele não vai fazer isso. — riu do mais novo.
Percy continuou sua busca pelos cômodos, entretanto, mais de dez minutos depois, ele já tinha rodado a casa inteira e nem sinal de Nico. Até mesmo Jason, que tinha decidido ficar no sofá esperando, já começava a ficar impaciente. Cansado de fazer nada, se junto ao primo para procurar o caçula, mas ele não teve mais sucesso que Percy.
— Eu falo que ele consegue se esconder nas sombras. — o loiro reclamou.
— Ninguém consegue se esconder nas sombras, Jason. — revirou os olhos — Já olhou nos quartos?
— Sim, e nem sinal dele.
Percy franziu o cenho e desistiu. Não se importava em deixar o mais novo ganhar.
— Nico! Você ganhou! Já pode sair! — Percy gritou, mas não ouve resposta, o que acabou preocupando os dois meninos.
Os olhos azuis de Jason o encaravam de forma nervosa, alarmada.
— O que vamos fazer? Será que ele foi abduzido por alienígenas?
— Primeiro, nada de pânico. — respirou fundo — E não viaja, Jason. O Nico só é muito bom nesse jogo.
— Talvez ele esteja lá fora.
Percy olhou para a porta que dava no quintal e piscina, se perguntando se Nico estaria escondido lá. Tinha quase certeza que não, afinal, a brincadeira era dentro da casa.
— Vamos nos separar. Você olha lá fora e eu vou procurar no segundo andar de novo.
Jason concordou e saiu. Percy subiu as escadas e refez o caminho de mais cedo, começando pelo quarto de seus pais, o de hóspedes e, por fim, o seu. E mais uma vez não encontrou o menino.
"Eu perdi o Nico, tio Hades vai me matar!", pensou em seu desespero. O menino sentou na cama e passou as mãos pelo cabelo, puxando os fios curtos. Certo. Inspira, expira e não pira. Nada de pânico. Nico tem que estar em algum lugar.
No silêncio do quarto, ele conseguiu ouvir uma respiração lenta e ritmada. Levantou a cabeça, atento ao som que parecia vir de seu guarda-roupas. Vagarosamente, ele se levantou e foi em direção ao móvel azul. Abriu as portas tentando não fazer barulho e quase riu do que encontrou.
Nico estava encostado na parede do guarda-roupas, dormindo tranquilamente. Percy conseguia ver um fio de baba escorrendo pelo canto da boca do menino, denunciando o sono profundo.
— Nico! — praticamente gritou.
O mais novo abriu os olhos assustado e olhou para o primo, com uma expressão ainda sonolenta.
— O que? — perguntou com a voz grogue.
— Eu não acredito que você dormiu no guarda-roupas no meio da brincadeira! — brigou, apesar de seu alivio.
Percy puxou o menino para fora e o abraçou, ficando feliz em saber que seu tio não o mataria agora.
— A brincadeira já acabou? — Nico perguntou contra sua camiseta — Será que pode me soltar?
— Já, caveirinha. Você ganhou. — disse, fazendo o outro sorrir vitorioso.
— Percy! Eu ouvi você gritar.
Jason entrou no quarto alarmado, mas sua expressão suavizou quando viu o caçula ao lado de Percy.
— Onde ele estava?
— No guarda-roupas.
— E por acaso o ele foi parar em Nárnia? — perguntou confuso.
Percy riu e negou com a cabeça.
— Bom, agora que está tudo bem... alguém quer jogar vídeo game?
~*~
Percy sentia-se péssimo. Era como se a culpa pelo desaparecimento de Nico caísse toda sobre seus ombros. Ele não deveria ter saído com Annabeth e deixado Nico sozinho. Devia ter, no mínimo, dito o que planejava para o mais novo, e não deixá-lo no escuro como fez. Talvez isso tivesse evitado a pequena discussão que Nico teve com Jason e, conseqüentemente, impedisse que Hades descobrisse. Seu tio mal o olhava agora, e Percy não estava se importando com isso no momento. Ele não ligava se sua família iria julgá-lo ou deserdá-lo. Tudo que queria era encontrar Nico e levá-lo para casa, são e salvo.
Estava andando pelas ruas de Los Angeles, olhando em cada lanchonete, loja ou beco desde às sete da noite do dia anterior. O sol já começava a dar sinais no horizonte, e por mais que se sentisse cansado, Percy ainda não queria parar sua busca. Com as pernas cansadas pelo esforço, acabou sentando-se na calçada, apoiando os braços sobre os joelhos. A movimentação de carros era pouca devido ao horário, e se não fosse pelos surfistas que se dirigiam para a praia para aproveitar as primeiras ondas do dia, o bairro estaria quase deserto. Percy considerou a ideia de continuar seguindo em frente, mas Nico não podia ter ido tão longe assim.
Seu celular vibrou dentro do bolso, e Percy puxou para fora e leu a nova mensagem. Jason pediu que voltasse para casa. Por um segundo, achou que aquilo significava que Nico tinha voltado e que agora estava tudo bem, mas o loiro informou que também não teve sorte.
Não se importando com a distância que estava da mansão, Percy voltou andando até sua rua, aproveitando para dar uma segunda olhada e ver se encontrava o moreno de olhos castanhos.
Jason estava na esquina do quarteirão quando chegou. O loiro parecia igualmente cansado e tinha uma expressão triste. Percy considerou a hipótese de que ele também se sentia culpado. Jason nunca quis causar uma discussão, todavia, sua necessidade de fazer com que Nico se expressasse tinha causado toda a confusão.
Os dois caminharam em silêncio até a construção branca. Assim que abriram a porta, Bianca praticamente correu até a entrada, esperando notícias.
— Alguma coisa? — ela perguntou.
Jason negou com a cabeça e a garota relaxou os ombros.
— Fratellino stupido. — murmurou em italiano.
— Seus pais já voltaram? — Percy questionou.
— Ainda não. Acho que não tiveram sucesso. Tio Zeus, Tia Gwen, Thalia e Luke também não. — murmurou.
Bianca sentia-se frustrada por simplesmente ficar em casa esperando. Ela sabia que já tinham pessoas demais envolvidas na busca, mas simplesmente não queria ficar parada. Poseidon e Sally passaram as últimas horas a seu lado tentando acalmá-la, sem êxito. Mas agora, vendo como seus primos também pareciam acabados pelo que estava acontecendo, a garota se sentiu mal por se achar a única a ter direitos de surtar.
Jason se adiantou e foi em direção a sala, jogando-se sobre o sofá. Poderia dormir ali mesmo. Seus olhos pesavam e suas pernas doíam devido a todo o esforço que fez nas ultimas horas. Percy, que tinha uma expressão igualmente cansada, pensou em também ficar por ali mesmo e tentar descansar um pouco.
— Você deveria ir pro seu quarto. — Bianca disse para ele, antes que o moreno de olhos verdes pudesse sequer sentar no sofá branco — Talvez não seja bom você estar aqui embaixo quando meu pai chegar.
O moreno sentiu aquelas palavras pesarem em si, sabendo que era verdade.
— Certo, então eu vou só…
A voz de Percy morreu no meio da frase e ele decidiu sair para tomar um ar. Passou pela sala e foi até a varanda, fechando a porta de vidro atrás de si. Sally estava preocupada com o filho, assim como Poseidon. O homem seguiu o garoto, achando que talvez ele precisasse conversar com alguém.
Percy parecia perdido em uma realidade paralela enquanto a brisa bagunçava seus cabelos. Por um momento, Poseidon jurou ver seus olhos marejados, porém, o mais novo não queria se dar ao luxo de chorar naquele momento, por mais que o desespero em seu interior suplicasse para ser extravasado.
— Você também está bravo comigo? — Percy perguntou sem olhá-lo nos olhos.
— Não pelo que você acha que estou. — Poseidon respondeu — Não posso condená-lo por ter se apaixonado por alguém, Percy. Se Nico é a sua escolha, não vou ficar bravo ou ser contra. É a sua felicidade em jogo. — suspirou — Mas fiquei decepcionado em saber o que fez com Annabeth.
Percy abaixou a cabeça, encarando a areia. Ele se arrependia de ter traído, e esperava que Annabeth pudesse perdoá-lo verdadeiramente um dia.
— Eu sei que fui um babaca por isso. — murmurou.
— As pessoas erram na vida as vezes. Pelo menos, você se arrependeu, e isso já significa algo. Existem aqueles que fazem coisas horríveis com os outros e não sentem um pingo de remorso. — suspirou — Por mais difícil que seja perdoar em algumas situações, tenho certeza que Annabeth não deixará de ser sua amiga.
— Eu espero que sim. Ela é minha melhor amiga.
— As coisas vão ficar bem. — colocou a mão sobre o ombro do filho, que virou seu rosto para fitá-lo — E nós vamos achar Nico. Ele tem que estar em algum lugar.
Percy concordou e voltou a encarar o mar, observando as ondas quebrando na areia.
— Por que não vai dormir um pouco?
Apesar de se sentir cansado, Percy não queria ir para cama. Acabou cedendo porque não queria deixar os pais ainda mais preocupados.
Assim que entro no quarto que dividia com os primos, o mais velho sentou-se em sua cama e encarou a de Nico, que estava impecavelmente arrumada. O Nintendo DS estava jogado sobre o lençol, e Percy nunca se sentiu tão triste em vê-lo desligado.
O garoto tirou os tênis e deitou-se de barriga para cima, encostando a cabeça no travesseiro e tentando relaxar inutilmente. Ele sabia que não conseguiria dormir nem por um minuto.
~*~
Nico não sabia onde estava quando acordou. O cheiro de mofo impregnava suas narinas e a falta de luz dificultava sua visão. Conseguia ouvir uma música irritantemente animada de fundo, e sua cabeça latejava com o som.
— Bom dia, bela adormecida. — alguém disse — Boa tarde, na verdade. Eu não pensei que aquele sonífero fosse tão forte. Você dormiu um dia inteiro!
— O que…?
Como se recebesse um choque, Nico recordou-se de estar andando pelas ruas do Los Angeles quando atingiram um dardo em seu pescoço. Um maldito dardo. Tentou se levantar do chão em um movimento brusco, e foi puxado de volta para baixo. Só então notou que uma de suas mãos estava acorrentada a mesa de metal fincada no chão.
Olhou para o lado, encontrando um homem que, apesar de não aparentar ser tão velho assim, tinha cabelos grisalhos e estava sentado em uma cadeira de madeira desgastada. Tinha um pacote de cheetos na mão, e comia o salgadinho como se estivesse assistindo algum filme qualquer.
— Aonde pensa que vai? — Nico abriu a boca para dizer algo, mas o grisalho levantou o dedo alaranjado pela coloração do petisco, pedindo silencio — Shiu. Essa é a melhor parte da música. — fechou os olhos, esperando o refrão — I’m hooked on a feeling/ I’m high on believing/ That you’re in love with me
Por um momento, Nico pensou que isso fosse algum tipo de piada ou pegadinha. Talvez fosse até mesmo um sonho. Um sonho muito esquisito. Mas também um daqueles que se da risada sempre que acorda. Queria acordar e estar em sua cama, mas tudo parecia real demais parar ser apenas uma criação de sua mente.
— Quem é você? — o garoto perguntou, tendo a leve impressão de que já tinha visto aquele rosto em algum lugar.
— Não se lembra de mim? Assim me magoa. — colocou a mão sobre o peito, fingindo-se de ofendido — Conversamos no parque uma vez, lembra? Você até recusou minha pipoca. Perda sua, estava muito boa.
Buscando suas memórias, o adolescente finalmente conseguiu reconhecer aquele rosto. Era difícil esquecer uma cicatriz como aquela que cortava o rosto de Rick.
— O cara que brigou com a esposa? — quis confirmar.
— Ah, isso foi mentira, se quer saber. Não tenho esposa. Atualmente, sou viúvo. — comentou — Já fui casado uma vez. Faz uns dez anos, talvez onze. Não tenho certeza. — coçou o queixo, pensativo — A questão é que com o tempo, percebi que ela era muito irritante. Quando me cansei de vez, decidi que era hora de acabar o relacionamento. — colocou dois dedos do lado da cabeça, imitando uma arma — Pow. Quando o corpo foi encontrado, disseram que foi suicídio. Sei encobrir bem as pistas. Aceita um pouco de salgadinho? — estendeu o pacote — Ah, é. Suas mãos estão presas. Uma pena.
Nico sentiu-se arrepiar e seu interior estremecer de medo. Aquele cara não podia ser mentalmente saudável. Notou as facas espalhadas sobre a mesa e engoliu o seco. Em que merda estava metido?
Rick notou o olhar assustado em direção aos seus instrumentos e sorriu divertido. Colocou o pacote sobre a mesa e bateu as mãos, limpando os farelos que estavam grudados. Pegou sua adaga favorita, a que tinha um cabo vermelho com detalhes em prata, e a ergueu no ar.
— Bonita, não é? Sempre gostei de coisas afiadas. Tesouras, facas, adagas, espadas medievais, katanas… São fascinantes. Observar uma pele ser cortada e o sangue escorrer pela fenda é muito interessante. Já fez isso?
— Por que estou aqui? — perguntou em um sussurro, ignorando o pequeno discurso do outro.
O grisalho se levantou e aproximou-se de Nico, agachando na sua frente.
— Digamos que meu chefe tem contas a acertar com seu pai. Ele tem muito dinheiro, não é? Quanto será que paga para te ter de volta? — passou a ponta da faça sobre a bochecha branca do garoto, que tentou afastar seu rosto — Me pergunto se tenho que te devolver inteiro. Se incomoda com cicatrizes?
Nico olhou incrédulo para homem.
— Qual seu maldito problema? — a raiva em sua voz transparecia, e Rick não gostou do tom.
— Olha como fala comigo, moleque. — advertiu — Lembre-se que posso fazer o que bem entender com você.
Para provar a veracidade de seus palavras, Rick forçou a ponta da lâmina contra o rosto do mais novo, cortando a bochecha direita. O sangue escorreu pela pele clara e Nico gemeu de dor sentindo o corte arder.
— Melhor assim. — Rick de afastou, observando o rosto manchado. — Vou ser sincero com você, Nico. Eu não gosto muito de trabalhar com seqüestros. Não sou do tipo que faz devoluções, mas pagando bem, que mal tem?
— Acho que você pegou o filho errado, então. — foi sarcástico — Hades não pagará nada pra me ter de volta.
— Brigaram, é? — cruzou os braços — Deixe-me adivinhar, ele descobriu sobre o namoradinho loiro?
Rick quase riu da expressão de choque no rosto do garoto.
— Ficaria surpreso com o quanto sei sobre você. Não que ser stalker seja algo para se ter orgulho, mas gosto de ficar bem informado.
Um barulho de chiado ecoou na sala, e o grisalho olhou para trás irritado para o rádio que perdera sua sintonia. Estava na hora de comprar um aparelho novo.
— Maldita antena.
Rick saiu de perto de Nico, voltando para tentar encontrar uma estação que pegasse naquele fim de mundo.
~*~
Faltavam poucos minutos para as cinco da tarde, horário em que completariam 24 horas de desaparecimento de Nico. Hades e Maria planejavam ir a delegacia assim que os ponteiros chegassem a posição correta, e o homem esperava que isso não fosse necessário. Ele não conseguiu relaxar por um único minuto desde que seu filho caçula sumiu. Girava o celular do garoto entre os dedos, se perguntando porque ele simplesmente não tinha levado a porcaria do aparelho consigo. Tinha a esperança de que Nico entraria por aquela porta a qualquer segundo, pedindo desculpa pelo sumiço. Hades provavelmente gritaria com ele, mas ficaria feliz ao mesmo tempo. Aliviado, na verdade. E pediria desculpas por todas as asneiras que disse. A ideia de algo ter acontecido ao seu único filho fazia seu coração gelar.
Se arrependimento matasse, Hades já teria pisado em sua cova. Ele ainda estava bravo com toda a situação, entretanto, seu medo ultrapassava as barreiras de qualquer irritação. E começava a pensar que talvez tivesse sido duro demais. Devia existir um motivo para Nico nunca ter lhe contado sobre sua sexualidade, e a julgar por sua reação, ele já não culpava o garoto por ter escondido por tanto tempo. Hades jamais parou para pensar de fato sobre o que achava de homossexualidade, afinal, nunca achou que alguém de sua família pudesse ser gay. E quanto mais pensava, mais achava que podia não ser algo tão ruim assim. Apesar disso, ele ainda não conseguia aceitar que, de todos os homens e garotos da face da terra, Nico tinha escolhido Percy.
Toda a casa parecia ter um clima pesado. Quase ninguém conversava, e quando o faziam, o assunto acabava em alguma discussão. Os nervos estavam à flor da pele.
Naquele momento, a maioria dos presentes se encontravam na sala. Sally e Gwen estavam na cozinha, fazendo algo para comerem. Por mais que a preocupação tirasse o apetite, não podiam ficar de estômago vazio.
Zeus falava alguma coisa no telefone do lado de fora da casa, passando a mão nervosamente pelo cabelo inúmeras vezes. O mais novo dos irmãos nunca mostrou muito apego por seu sobrinho caçula, porém, ele era parte da família e não podia ficar parado. Tinha alguns contatos em Los Angeles, e cobraria aqueles que lhe deviam favores para ajudarem a encontrar o garoto.
— Você acha que algo de ruim aconteceu? — Bianca perguntou.
A morena estava sentada ao lado de Hades no sofá, seus olhos castanhos inchados e vermelhos, devido as horas que passou chorando durante a tarde. Um choro silencioso que expressava sua preocupação. Hades passou o braço pelos ombros da filha, puxando-a para um abraço. Bianca se agarrou a camisa do pai, mordendo o lábio e fechando os olhos para não chorar novamente.
Percy observava os dois do outro canto da sala com uma expressão triste. O clima de depressão estava começando a abalar seu pensamento positivo de que, logo, tudo isso passaria. Suspirou e esfregou o rosto, tentando afastar o cansaço de si. Permaneceu olhando para baixo, tentando distrair-se com os fios do tapete claro.
Teve a impressão de que alguém o encarava, e para ter certeza de que não era apenas sua imaginação, ergueu o rosto. Os olhos negros de Hades o fuzilavam como se pudessem colocar fogo no garoto, e aquilo o incomodou.
— Será que dá para parar de me olhar desse jeito?
— Estou incomodando? — o tom de ironia estava claro em sua voz.
— Está. — respondeu irritado —Olha, eu entendo que esteja com raiva, mas...
— Sim, eu estou com muita raiva! — interrompeu o mais novo — Nico ainda estaria aqui se não fosse por você.
— Por mim? — questionou incrédulo — Quem foi que praticamente o expulsou de casa dizendo que ele não era mais seu filho?
— Escuta aqui, seu insolente...
— Chega! — Poseidon praticamente gritou, fazendo os dois se calarem — A culpa não é de ninguém, tudo bem? Nós nem sequer sabemos o que aconteceu com Nico. Então, ao invés de começarem a discutir de novo como duas crianças, que tal tentarem manter a calma e agir como pessoas racionais?
Hades e Percy fecharam a cara, irritados. Ninguém se atreveu a falar, e o silêncio desconfortável do recinto foi quebrado apenas pelo toque do telefone.
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