Summer Love
1 Pais que destroem planos de férias
Notas iniciais
Hades andava de um lado para o outro da sala de espera, ansioso. Checava o relógio na parede de cinco em cinco segundos. Quanto tempo ainda demoraria? Estavam ali há seis horas! O parto de Bianca não demorou tanto assim. Poseidon estava sentado, ora acompanhando os passos do irmão com os olhos, ora observando as duas crianças que rabiscavam as folhas na pequena mesa. Já tinha dito inúmeras vezes para o mais velho ficar calmo, que tudo daria certo.
— Será que aconteceu alguma coisa? — questionou aflito.
— Ora, irmão, deixe de bobagem. Essas coisas demoram. Por que não se senta?
Hades assim o fez, mas não parava de agitar as pernas. Não deu dois minutos antes que já estivesse em pé novamente. Poseidon riu, cruzando os braços. Voltou sua atenção para as crianças rechonchudas de três anos. Bianca parecia um pouco impaciente como o pai, já Percy estava mais preocupado em encontrar mais gizes de cera para terminar seu desenho. Foi então que o barulho alto de choro rasgou o silencio. Choro de criança. Hades finalmente parou, estático. O médico apareceu no corredor em alguns minutos, aproximando-se deles.
— Correu tudo conforme o planejado. Sua esposa está bem e o bebê é saudável. — sorriu — Um menino.
— Um menino. — Hades repetiu alegre — Nico.
— Pedimos para que esperem um pouco, vamos levá-los para um quarto e então poderão vê-los.
O médico saiu dali, deixando Hades com um sorriso bobo no rosto.
— Parabéns. — disse Poseidon, colocando a mão no ombro do mais velho.
— É um menino.
Eram raras as vezes em que se via o homem de cabelos negros, que costuma ser tão serio, bobo daquela forma. Quase impossível, na verdade. As únicas vezes que Poseidon já tinha visto-o dessa forma foi quando se casou com Maria e no nascimento de Bianca.
— O que aconteceu, papai? — perguntou a menininha, com os olhos brilhando.
— Você ganhou um irmãzinho. — pegou a filha, girando-a no ar — Nico.
— Nico? — Percy questionou, como se finalmente tivesse a resposta pela qual esperou o dia todo. Pegou um giz roxo escuro e terminou o desenho com pressa.
— Podemos ir vê-lo? — a pequena perguntou ansiosa.
— Já vamos poder.
O medico voltou e pediu para que o acompanhassem. Percy segurou a mão do pai enquanto a outra segurava o desenho da forma mais delicada que conseguia. O quarto onde estavam era claro e iluminado. Maria tinha o bebê nos braços e apesar de parecer cansada, ela sorria.
— Ele é tão pequeno. — disse Bianca, subindo na cama para observar melhor o irmão — E rosado.
— Você também era assim, mocinha. — a mulher disse.
— Eu posso segurá-lo? — Hades pediu.
Maria sorriu. O marido não precisava perguntar. Estendeu o bebê e Hades o pegou em seus braços com todo o cuidado do mundo. Tão pequeno. Por um momento, Poseidon jurou ter visto os olhos do irmão marejados. O mais velho sentou-se na cama ao lado da família.
— Por que não vai mostra seu desenho para eles, campeão? — Poseidon cutucou Percy antes de se afastar. Precisava ligar pra Zeus e contar a novidade.
O menino andou um tanto incerto para perto dos outros, e subiu na cama, entregando o desenho para Maria.
— Eu fiz pro Nico. — disse — É a nossa família. Tem você, o tio Hades, Bianca, mamãe, papai, tio Zeus, tia Gwen, Thalia e Jason.
— E cadê você? — Maria perguntou com um sorriso gentil nos lábios.
— Aqui, do lado do Nico. — apontou para a figura menor ao lado de um bebê enrolado num pano roxo escuro.
— É lindo, Percy. Ele vai adorar.
Percy se inclinou para ver o primo, e aquela foi a primeira vez que viu os olhos castanhos curiosos.
— Meu nome é Percy. — se apresentou — Nós vamos ser grandes amigos.
[...]
15 anos depois.
O tic-tac do relógio parecia ser mais alto a cada segundo que se passava. A maioria já ignorava o que a professora de inglês dizia, a única coisa que seus cérebros preguiçosos pensavam era que em poucos minutos estariam livres. Férias de verão, finalmente. Nada de exercícios, trabalhos ou professores irritantes. Apenas festas, diversão e fazer o que bem entenderem. Percy olhava para o pátio pela janela, distraído. Queria sair logo dali. Checou o próprio relógio, já preparando os ouvidos.
— Espero que aproveitem as férias para lerem algumas obras clássicas. Haverá uma prova quando voltarem. E não se esqueçam...
O barulho ensurdecedor do sinal foi acompanhado de gritos empolgados. Sra. Harris nem conseguiu terminar sua fala. Alunos estúpidos. Alguns já tinham recolhido suas coisas e saído da sala. Papéis de lições estavam espalhados pelo chão e nem sequer tinham a preocupação de recolhê-los.
— Uma música de fundo e estaremos no High School Musical. — Grover ironizou, se aproximando do melhor amigo.
— Qual é o time? — Percy brincou.
Grover revirou os olhos e o outro riu, guardando seu livro na mochila antes de colocá-la sobre os ombros. Os corredores estavam tumultuados, e era quase impossível chegar aos armários. Grover tagarelava algo sobre estar planejando ser voluntário em parque ecológico agora que estavam de férias, e essa ideia parecia horrível para Percy.
— O que acha de irmos em alguma lanchonete? — Jackson sugeriu, cortando o papo do amigo — Estamos de férias, precisamos comemorar e estou morrendo de fome. E você pode ver Juniper.
Grover corou, mas só um pouquinho.
— Pode ser.
Percy sentiu seu corpo ser envolvido por braços delicados e sorriu. Virou-se para beijar a namorada, levanto-a do chão.
— Ei, ei ,ei. — Grover tentou chamar a atenção dos dois — Vamos com calma, comportem-se, ainda estamos na escola.
— Mas eu estou me comportando. — o moreno se defendeu assim que se afastou de Annabeth.
— Não quero nem saber o que vocês fazem dentro de quarto paredes, então.
— É realmente melhor você não saber. — a loira respondeu divertida.
Annabeth entrelaçou os dedos com os do namorado, andando ao seu lado.
— Rachel vai dar uma festa na casa dela amanhã. — informou — Nossa presença está confirmada, não é?
— Você indo a uma festa sem que eu tenha que pedir cem vezes antes? — Percy arqueou a sobrancelha — Quem é você e o que fez com a minha namorada?
— Sua namorada conseguiu nota máxima em todas as provas. — sorriu orgulhosa — Acho que é motivo para comemoração.
— Concordo plenamente. — sorriu de volta — Você vai, certo Grover?
— Trabalho, parque.
— Ah, Grover, é de noite! Vamos lá, por favor. — Annabeth insistiu.
— Mas vou acordar cedo no domingo, sem chances!
— Sem graça. — Percy resmungou.
Grover mostrou a língua para o melhor amigo, que riu da infantilidade. Já estavam no estacionamento, a caminho do carro do moreno — um maserati spyder conversível vermelho. Quem vê, acha que Jackson é um grande mimado. Não que ele não fosse, sempre ganha presentes incríveis do pai, mas tem que fazer por merecer. Poseidon é dono de uma rede de hotéis de luxo espalhados pelos Estados Unidos e Europa. Talvez alguns achem engraçado o nome do homem, mas o avô de Percy foi um grande admirador da cultura grega, resultando o fato de seus três filhos terem os nomes dos três grandes deuses.
— Onde vamos? — Annabeth perguntou assim que entraram no carro.
— Lanchonete meio-sangue. — Percy respondeu, dando partida.
A lanchonete meio-sangue não fica muito longe da escola, e era popular entre os alunos. Tinha a temática grega e um ótimo cheeseburguer duplo. Ótimo lugar para se ir depois da escola, principalmente nas sextas. As mesas eram decoradas cada qual baseada em um deus diferente, e como sempre, Percy convenceu os outros dois a se sentarem na mesa azul, de Poseidon. Annabeth preferia a mesa de Atena, a com corujas — seu animal favorito— desenhadas, mas o namorado sabe ser teimoso quando quer.
— Hey, pessoal. — Juniper usava uma camiseta laranja, o uniforme do local. Aproximou-se da mesa com o bloco de papel em mãos e um sorriso no rosto como sempre.
— Oi, Juniper. Como vai? — Annabeth perguntou.
— Estou bem. — respondeu — E vocês? Estão de férias agora, não é?
— Finalmente. — Percy sorriu aliviado.
— E quais são os planos? Ouvi falar que você vai fazer trabalho voluntário de novo, Grover. É verdade? — sorriu para o garoto de cabelos castanhos.
— É. Eu... — sorriu envergonhado, seu rosto vermelho — É verdade sim.
— Isso é muito legal da sua parte. — comentou, antes de voltar a sua postura profissional — Então, o de sempre?
— Sim, senhora. — Percy confirmou.
— Então são dois cheeseburguer duplos e dois milshakes de morango para Percy e Annabeth – dizia enquanto escrevia – E um milkshake de chocolate e porção de fritas para o nosso amigo vegetariano Grover. Mais alguma coisa?
— Só isso, Juniper.
— Volto já. — afastou-se da mesa, indo ao balcão.
Grover observou a ruiva se afastar, um sorriso bobo em seus lábios.
— Sério cara, você precisa chamá-la pra sair. — Percy comentou — Sua queda já está virando um abismo.
— Não é tão fácil quanto parece. — resmungou.
— Você realmente deveria, Grover — Annabeth se manifestou — E eu acho que ela gosta de você também.
Grover sorriu de canto.
— Você acha? — foi esperançoso.
— Chame de intuição de feminina.
— E vamos ser sinceros, Juniper é bonita. Não vai fizer solteira pra sempre. — Jackson avisou.
— Eu... eu vou tentar. — Grover garantiu — Será que podemos mudar de assunto?
— Não é estranho o fato de que em agosto começa nosso último ano letivo? Colegial está acabando. — Annabeth comentou.
— Eu acho que estou aliviado com isso. — Percy ficou pensativo.
— Mesmo com a ideia de que depois tem que ir pra faculdade?
O moreno de olhos verdes fez uma careta.
— Você sequer já escolheu o que vai fazer na faculdade, Perseu? — a loira arqueou a sobrancelha — E nem venha com a ideia de biologia marinha de novo.
— Ainda tenho um ano pra pensar. — deu de ombros.
— O que é pouquíssimo tempo!
— Nem todo mundo sabe o que vai fazer desde sempre, Annie. E aposto que sua vaga em Harvard já está garantida.
— Não é tão simples.
— Como não? Seu boletim é impecável e sua mãe dá aula lá.
— Estavamos falando sobre você, cabeça de alga.
— Percy vai fazer faculdade se surf. — Grover debochou.
— Seria muito legal se existisse uma. — o moreno ficou pensativo — Mas sabe que eu não subo em uma prancha há anos.
— E daí? Surfar é que nem andar de bicicleta, uma vez que se aprende, nunca mais esquece.
— Vou me lembra disso quando estiver no mar.
— Prontinho, pessoal.
Juniper colocou os pedidos sobre a mesa, e em meio a conversas e brincadeiras, acabaram de comer e foram embora. Grover era o que morava mais perto, então ele foi a primeiro a ser deixado em casa. Percy seguiu seu caminho, indo para a casa de Annabeth, que mora com o pai e a madrasta.
— Entregue. — parou em frente ao terreno.
— Sabe, Percy... meus irmão saíram e meu pai e minha madrasta só voltam de noite. — a loira se aproximou do namorado — Sabe o que isso significa?
— Que a casa esta vazia?
— E isso quer dizer que...?
— Que não tem ninguém em casa?
Annabeth revirou os olhos e respirou fundo para não dar uma resposta ignorante para o moreno. Ao invés disso, beijou-o e retirou a chave do contato, saindo do carro. Percy sorriu e foi atrás dela.
[...]
– Você não pode fazer isso!
– Não só posso, como estou fazendo. Lamento, Ares, mas está demitido. – Hades nem sequer tirou os olhos da papelada em sua mesa para responder o homem frustrado a sua frente.
— O que eu fiz?
— A questão é o que você não fez. — guardou um dos envelopes na gaveta e encostou-se na cadeira. — Lembra que pedi para tentar fechar negocio com aquela editora de Nova Iorque?
— Mas você sabe que eles não...
— Falei com o dono há uns 40 minutos, virão assinar o contrato na segunda.
— Oh...
— Você nem sequer tentou, não é? E essa não foi a primeira... como os adolescentes dizem hoje em dia? “Mancada”? — questionou pensativo — Não é a primeira mancada que você dá. Então sugiro que vá até a sua sala, guarde suas coisas e saia antes da empresa fechar. — checou o relógio de pulso — Você tem meia hora ou a segurança vai te ajudar.
— Vai se arrepender, Hades. — disse com raiva — Guarde minhas palavras.
— Claro, claro, vou sim. — respondeu desinteressado.
O homem saiu da sala praticamente soltando fumaça pelas orelhas e nem se importou quando esbarrou em Maria, que estava indo para a sala do marido.
— O que aconteceu? — a mulher perguntou assim que entrou.
— Ah, sabe como é quando demito alguém. — deu ombros e se aproximou da esposa, depositando um beijo cálido em seus lábios — Alguns não aceitam muito bem.
— Ares definitivamente não aceitou. — concordou — Está pronto?
— Só preciso guardar alguns papeis e falar com Caronte. Depois, poderemos ir. — respondeu, organizando os envelopes e documentos em sua mesa — Bianca e Nico?
— Estão na sala de espera.
— Milah, será que poderia pedir para Caronte vir até minha sala? — disse ao telefone.
— Claro, só um momento, Sr. Hades.
Alguns minutos depois o vice-presidente estava na sala.
— Queria falar comigo, chefe? — perguntou calmamente.
— Como sabe, vou entrar de férias e espero que mantenha tudo em ordem na minha ausência. Não se esqueça da reunião com o dono daquela editora de Nova Iorque na segunda de manhã.
— E também tem a reunião com os sócios terça a tarde, almoço com a dona Sra. Collins sobre seu novo livro na quarta. Relaxa, chefe. Tudo vai sair conforme o planejado.
— Ótimo. — Hades estreitou os olhos, avaliativo — Qualquer coisa, Milah poderá lhe auxiliar. Nos vemos em um mês. Vamos, Maria?
Pegou sua pasta pessoal e saiu da sala, acompanhado da esposa.
— Finalmente! Achei que nos deixariam esperando até amanhã. — Bianca reclamou — Estou morrendo de fome!
— Desculpa a demora, princesinha. — Hades beijou a testa da filha.
— Não me chame assim, pai. Já tenho 17 anos, sem contar que é constrangedor. — resmungou.
— Certo, certo. — olhou para o filho, que estava concentrado no vídeo game portátil — Tudo bem, Nico?
— Eai, pai. — disse distraído.
— Bom, vamos? — Maria chamou a atenção — O que vai ser hoje? Pizza, talvez?
— Comemos pizza semana passada. — Bianca lembrou.
— Comida japonesa? — a mais nova fez uma careta.
— Que tal comida italiana? — Hades sugeriu, e as duas concordaram — Nico?
— Tanto faz.
— Comida italiana, então! E a propósito, já arrumaram as malas? — questionou, enquanto aguardavam o elevador.
— Já, sim. — respondeu Bianca.
— Ótimo, pois o vôo sai amanhã cedo. E esse ano o tio Poseidon passará as férias conosco.
— O que? — Nico questionou, tirando a atenção do jogo pela primeira vez — Pensei que apenas o tio Zeus fosse, como todo ano.
— Ora, e qual o problema? Poseidon também ia quando você era mais novo. Ele disse que esse ano conseguiu arranjar um “espaço na agenda”. — fez aspas no ar, lembrando da conversa com o irmão ao telefone — Como se Zeus e eu não fossemos ocupados!
— Pensei que fosse ficar feliz, Nico — disse Maria — Há quanto tempo não vê Percy?
— Desde que nos mudamos. — deu ombros — Mas enfim, que horas sai o vôo mesmo?
— Oito da manhã.
O mais novo murmurou alguma coisa como “odeio acordar cedo” antes de começar uma nova fase em seu jogo.
[...]
Percy estacionou o carro na garagem da mansão azul clara e desligou o motor. Pegou a mochila e desceu, entrando pela porta da cozinha – que estava com um cheiro de comida muito agradável. Jogou as chaves na mesa ao lado da porta e estranhou ver as coisas no pai sobre a mesa da sala de jantar. Ele não costuma chegar cedo em casa.
— Cheguei! — gritou, esperando alguma resposta.
— Aqui em cima, filho! — ouviu a voz de Sally que parecia estar vindo do quarto.
Subiu as escadas rapidamente e foi até a ultima porta do corredor. Entrou na suíte espaçosa e se surpreendeu ao ver as malas em cima da cama e os pais arrumando as coisas.
— Eai, campeão. — Poseidon o cumprimentou — Como foi a escola?
— Er, oi, pai. Normal, eu acho... — respondeu — Vão a algum lugar?
— Ah, sim. Nós vamos pra Califórnia. — Sally disse animada.
— “Nós”? Estou incluído?
— Claro que sim! Lembra daquela casa na praia que íamos todo ano quando você era menor? — o homem perguntou e Percy confirmou — Bom, nos últimos cinco anos não tivemos a oportunidade por causa do meu trabalho, mas dessa vez deu tudo certo.
— Claro, foi um pouco complicado conseguir as passagens tão em cima da hora, mas deu certo no final. — Sally sorriu — Não é ótimo, filho? Você vai rever seus primos e se desintoxicar de Nova Iorque.
— Claro, claro.. Vamos quando?
— Amanhã de manhã.
Percy arregalou os olhos.
— Amanhã?! Mas de noite tem a festa da Rachel, e...
— Vamos lá, Percy! Essas suas festinhas acontecem todo fim de semana. Não vai morrer se ficar um mês sem elas.
— Um mês?! — questionou incrédulo — Um mês inteiro?
— Algum problema? — Poseidon arqueou a sobrancelha, analisando o filho que engoliu o seco.
— Não, claro que não. — disfarçou — Eu... vou arrumar minhas coisas então.
O moreno saiu dali, indo para o seu quarto e fechando a porta com força. Bagunçou os cabelos e socou o ar, como se ajudasse a acabar com a frustração. Não queria ir para a Califórnia. Tinha planejado muitas coisas. E agora teria de passar as férias em família? Ver Thalia, Jason, Bianca e Nico? Ok, meio que não tinha mais amizade com os primos. Principalmente com Nico. Mas essa já é outra historia. Pegou o celular do bolso e deslizou o dedo sobre a tela, desbloqueando-o. Foi até as mensagens e enviou uma para o primeiro contato.
“Não vou poder ir a festa da Rachel amanhã.
Na verdade, não contem comigo pra nada por um mês”
Para: Annie, às 6:52 p.m.
Jogou-se na cama e fitou o teto. Estava com preguiça de pegar a mala em cima do guarda roupas e arrumar suas coisas. O celular vibrou.
“O que você fez, cabeça de alga?”
De: Annie, às 6:54 p.m.
“Não fiz nada, meus pais que resolveram ir
para a Califórnia”
Para: Annie, às 6:55 p.m.
Colocou o aparelho sobre a cômoda, ignorando as novas mensagens que chegavam. Talvez Annabeth tivesse ficado tão frustrada quanto ele.
— Filho, arrume suas coisas para não ficar na correria amanhã. E daqui a pouco o jantar vai estar pronto, então não demore para descer.
Sally saiu tão rápido quanto entrou no quarto. Percy levantou a contra gosto e puxou a mala, jogando-a em cima da cama. Pegou algumas roupas e jogou lá dentro, sem se importar em dobrá-las. Colocou alguns calçados e fechou o zíper, tirando-a da cama e colocando perto da porta. Pegou o iPod em cima da escrivaninha e colocou uma musica. Bem que podia dormir agora e torcer para acordar com tudo isso sendo um sonho.
— Percy! Jantar!
Percy bufou e se levantou da cama, mal humorado. Para Poseidon e Sally, o jantar foi animado, os dois não paravam de falar o quanto estavam ansiosos para as merecidas férias. Já Percy estava pensando em que tipo de doença seria ruim o suficiente para que pudesse convencer seus pais a deixá-lo em casa.
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