Summer Camp
2 Viagem Torturante
Notas iniciais
P.O.V Da Jade
Cat: — Pela estrada afora eu vou bem sozinha, vou levando doces para a vovozinha, o caminho é longo e deserto, tem um lobo mau morando aqui por perto... — A ruiva cantava com aquela vozinha melosa e irritante, detonando com canções infantis, ela errava as letras e cantava do jeito dela. — Eu vou, eu vou, para a casa agora vou, tara-tim-bum, tara-tim-bum, eu vou, eu vou... — Só podia ser retardada. — Um patinho na lagoa, dois patinhos na lagoa, três patinhos na lagoa e a mamãe pata procurando... — Era cada uma. — Lá vem o lobo mau para assoprar as casinhas dos três porquinhos, lá vem o lobo mau enchendo o peito de ar para soprar... — Ninguém merecia aquilo. — A dona Aranha subiu na minha cama... — Me emputeci e perdi a paciência.
Aquilo era uma tortura.
Jade: — CALA A PORRA DA BOCA, VALENTINE! NINGUÉM AGUENTA MAIS TE OUVIR CANTAR! — Berrei.
Prof. Sikowitz: — Jade West! — Me repreendeu. — Olha a boca, mocinha. Que coisa feia! — Não parecia zangado, mas estava sério.
Cat: — Poxa, eu só estava tentando animar a viagem... — Fungou e lamentou chorosa.
Revirei os olhos, aquela garota era tão patética.
Beck: — Ela é assim mesmo, professor, se incomoda com tudo! — Comentou.
Jade: — Fica na sua, ninguém pediu a sua opinião, intrometido! — Virei para ele e lhe lancei o meu pior olhar de zangada.
Beck: — Ei, você não tem o direito de gritar com a Cat, se não queria vim se divertir por quê não ficou em casa? — Retrucou.
André: — Ui! — Exclamou.
Jade: — Não é da sua conta, Oliver. Faço o que quero e grito com quem eu quero, e ninguém não tem nada a ver com o que eu faço ou deixo de fazer! — Rebati, furiosa.
David: — Toma! — Zombou o Mason, o novato.
Sinjin: — Essa é a minha garota! — Me deu apoio e eu o fuzilei mostrando que não estava para as gracinhas dele.
Oliver me olhou carrancudo e o André cochichou algo.
Beck: — Se está bravinha, desconta em mim, não precisa ficar descontando nos outros! — Ele estava mesmo me enfrentando?
Nossos colegas assistiam a nossa discussão. Trina falava mal de mim para a monitora. Robbie e Cat estavam assustados. O professor tomava água de Coco parecendo interessado na discussão. David Mason e Scott Sullivan zombavam do Oliver. Sinjin torcia por mim, e eu estava com uma louca vontade de esganar o Oliver.
Jade: — Ah, mas vou mesmo! Você é um péssimo amigo e tem que tomar vergonha na cara, Oliver! Vou te dar o que você merece! — Levantei decidida a ir para cima dele.
Tori: — JÁ CHEGA! PAREM OS DOIS COM ISSO! PELO AMOR DE DEUS, ESTAMOS NUMA VIAGEM TÃO LEGAL E VOCÊS ESTÃO ACABANDO COM O CLIMA DIVERTIDO! — Berrou farta, me segurando.
Olhei para a Vega pasma, nunca eu tinha visto ela daquele jeito. Toda nervosinha.
Jade: — Me solta! Você quer apanhar? — Olhei para sua mão em meu braço.
Tori: — Não! Ninguém aqui quer apanhar! Agora senta, West ou vou pedir para o Sikowitz para eu trocar de lugar e sentar com o André! — Ameaçou.
Jade: — Você não se atreveria. — Apertei a mão dela.
Tori: — Duvida? — Ergueu uma das sobrancelhas bem feitas.
Bufei e sentei contrariada, se ela fosse sentar com o Harris, eu teria que aturar o imbecil do Oliver pelo resto da viagem e aquilo não acabaria nada bem.
[...]
P.O.V Da Sam
O Gibson puxava o coro e a galera ia no embalo, menos eu. Jamais bancaria a tonta cantando musiquinhas idiotas. Mastiguei mais um biscoito de chocolate. Eu tinha duas opções, dormir ou comer... Carly ia sentada ao meu lado, toda animadinha. Até o monitor gato estava se divertindo e cantando com a galera. Olhei para trás, espiando por cima do assento, o Benson estava espremido entre a Shannon e a Wendy, não sei o que aquelas desmioladas viam naquele nerd sem graça.
Era cada uma.
Billy dava em cima da Valerie, ela apenas olhava as unhas pintadas de rosa e fazia caretas.
— UH UH UH UH UH UH! FOREST VALLEY CAMPING, LÁ VAMOS NÓS! — Continuavam gritando em coro.
Aquilo era uma viagem com pacientes de um hospício e eu não sabia?
Gibby: — GIBBEEEEEH! MAIS UMA VEZ, GALERA! — Porra, eu não merecia aquilo.
A Srta. Briggs ia sentada lá na frente, se fingindo de surda, o que era um milagre, ela devia reclamar e mandar os idiotas calarem a boca. Ou a velha estava dormindo?
Levantei para dar uma espiada, Carly me mandou sentar, ignorei e fui me segurando nas barras de ferro... A professora estava mesmo ferrada no sono, de boca aberta, roncando e ainda por cima usava tampões rosas no ouvido.
Quando voltei para o meu lugar, a Shay não estava mais ali e sim o pateta do Benson... Que merda. A vaca tinha trocado de lugar, mas por quê?
Sam: — Vaza daqui! — Falei para o Nerd.
Freddie: — Por quê? — Franziu o cenho.
Sam: — Porque estou mandando. Quem teve a ideia de trocar de lugar? — Indaguei.
Freddie: — Pedi para a Carly. As meninas estavam me incomodando. — Explicou.
Sam: — Problema seu. Agora se manda, Benson. Destroque de lugar com a Carly! — Ordenei.
Freddie: — Eu não, os incomodados que se mudem! — Discordou.
Alguém pediu para eu sentar, não dei ouvidos.
Sam: — Escuta aqui... — O ônibus deve ter passado por um quebra-molas ou por um buracão, subiu e desceu, me desequilibrei e fui parar em cima do Benson.
Maldita hora... Por quê não resolvi sentar logo?
Billy: — A PUCKETT ESTÁ AGARRANDO O BENSON! AÊEEEEEH! A COISA ESQUENTOU, PESSOAL!!! — Gritou o engraçadinho.
— BEIJA! BEIJA! BEIJA! — Os meninos puxaram o coro.
Meu rosto ardeu de pura raiva e vergonha. Eu ia esganar um.
Sam: — Me solta, imbecil. — Falei entre dentes.
Eu estava no colo dele e o Nerd boboca ainda me segurava.
Freddie: — Você caiu em cima de mim. — Parecia um pouco constrangido.
Sam: — Preferia ter caído de cara no chão! — Gruni
Billy: — ESPEREM ATÉ CHEGARMOS NO ACAMPAMENTO SE QUEREM TER PRIVACIDADE NO MATO! — Gritou e aquilo foi a gota d'água.
Sam: — Oras, seu...
Srta. Briggs: — SENTE-SE AGORA MESMO NO SEU LUGAR, SAMANTHA! — Era a velha chata.
Eu queria protestar, mas acabei obedecendo. Ouvi as risadinhas vindo lá de trás. Eu ia me vingar do maldito Boots.
Tirei um pacotinho de balas Fini do bolso e abri. Joguei uma na boca.
Freddie: — Me dá uma? — Teve a cara de pau de pedir.
Sam: — Não! E fica quieto, se abrir o bico, te jogo pela janela! — Ameacei.
Droga de viagem torturante. Por quê fui inventar de ir?
[...]
P.O.V Do Beck
André: — Por quê você deixa a sua garota te tratar assim? — Perguntou em voz baixa.
Beck: — A West não é minha garota, somos apenas amigos. — Respondi.
André: — Nunca rolou nada não? — Ainda estava desconfiado.
Beck: — Claro que não. — Neguei.
Qual era o problema dele?
André: — Uhum, sei... — Me deu vontade de bater nele. — Estou a fim da Tori. — Cochichou.
Beck: — Ah, não me diga. Me conta uma novidade. — Ironizei.
André: — Haha, engraçadinho! — Deu um soquinho no meu braço.
Beck: — Por quê não chega junto? — Perguntei.
André: — Acha que eu devia? Será que tenho chance? — Sorriu.
Beck: — Acho. Por quê não? Tenta a sorte, irmão. — O incetivei.
André: — Valeu. Vou seguir o seu conselho, cara! — Se animou.
A West era minha amiga desde o fundamental e eu não gostava de estar brigado com ela. Tentei fazer as pazes, mas a morena era difícil. Qual é? Foi só um furinho com ela, o que tinha demais naquilo? Por quê as mulheres tinham que ser tão complicadas?
André: — A Jessie está gamadona em você. Pediu até teu número. — Falou.
Olhei para o meu amigo confuso.
Beck: — Quêm? Que Jessie? — Estava boiando.
André: — A gata de lábios sensuais. Jessica. Jessica Peterson. Líder de torcida. Pernas bronzeadas. — Deu as dicas.
Beck: — Ah, saquei! — Me virei e olhei para a garota que conversava com a Trina.
Muito gata mesmo. Sorri para ela que passou a mão no cabelo e mordeu o lábio inferior.
André: — Esse é o meu garoto! — Meu amigo deu tapinhas em meu ombro.
Beck: — Não vejo a hora de chegarmos no acampamento! — Sorri, malicioso.
[...]
P.O.V Do Freddie
Irritante. Mandona. Bravinha. Folgada... Argh! A Puckett era mesmo osso duro de roer. Pensa numa garota complicada, viajar sentado ao lado dela não estava sendo nada agradável. A criaturinha não parava de comer. Para onde ia tudo aquilo?
Sam: — Dá para parar de olhar? — Me deu uma cotovelada.
Freddie: — O quê? — Aquilo doeu, massageei meu braço.
Sam: — Por quê não trouxe lanche para você? — Ergueu o pacote de salgadinhos de presunto. — Você está aí cobiçando os meus...
Freddie: — Mas eu trouxe, tá em algum lugar, na minha mochila... — Expliquei com calma.
Sam: — O quê? — Me olhou interessada.
Freddie: — Sanduíches de tomate com alface e barrinhas de cereal sem açúcar. — Respondi.
Sam: — Eca! — Torceu o nariz. — A sua mamãe também amassa frutinhas para você? — Indagou.
Freddie: — Amassa! A sua também? — A encarei.
Ela riu e notei que a danada estava zombando de mim.
Sam: — Ai, ai, ai! — Tapou a boca, abafando a risada.
Freddie: — O que foi? — Franzi o cenho.
Sam: — Cara, que patético! Ainda bem que a minha mãe não pega no meu pé e nem para em casa! — Contou.
Freddie: — A minha pega até demais... — Murmurei.
Sam: — Azar o seu! — Pegou mais um punhado de salgadinhos e colocou na boca.
Lambeu os dedos e estalou os lábios. Notei que suas unhas eram curtinhas e pintadas com esmalte preto.
Sam: — Você tem cheiro de bebê. — Comentou.
Freddie: — É o amaciante que a minha mãe usa e hoje ela passou talco em mim. — Falei.
A loira gargalhou e acabou derrubando os salgadinhos.
O ônibus deu um solavanco daqueles e eu tombei em cima dela, caindo de cara em seus seios. Sam deu um berro.
Sam: — Vou matar você! — Avisou e eu enguli em seco.
Por quê aquela viagem não acabava logo?
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