Sumerin e Nu'lian
2 Nu'lian.
Notas iniciais
Nu'lian sentia um vazio enorme em seu peito, um vazio de uma coisa que ele dependia para continuar.
Era o vazio do amor que Sumerin sentia por ele, Nu'lian sabia que esse amor ia diminuindo a cada dia, e isso doía nele como um soco no estômago.
– Nu'lian? Tudo bem? — perguntou Benar. Nu'lian não havia percebido que o amigo estava parado ao lado dele.
– Sim Benar, estou ótimo. — mentiu Nu'lian, querendo poupar a atenção do Dragão para algo que realmente fosse proveitoso, como um plano ou algo assim.
– Não está, não. — disse Benar, com um tom de certeza na voz. — Eu te conheço, Nu'lian, e sei que você não está bem, mas se não quiser conversar à respeito, sem problemas.
Nu'lian se permitiu um sorriso, o amigo estava coberto de razão: ele não está bem.
– Sumerin... Sumerin é o problema. — o Dragão Real disse, parecendo segurar o choro. — Eu a magoei...
– Sumerin não conseguiria ficar brava com você por mais de dois dias. — riu Benar, mas Nu'lian não achava graça nenhuma. — Daqui a pouco ela volta e te pede desculpas, confie em mim.
Mas Nu'lian sabia que ela não o faria. Das outras vezes que a garota havia ficado brava com ele os motivos haviam sido banais, como ter a ignorado durante um dia inteiro, ter perdido o urso de pelúcia dela quando eles tinham 4 anos e coisas assim, dessa vez era realmente sério e Nu'lian não suportaria ficar sem Sumerin, ele enlouqueceria.
Nu'lian engoliu todos os seus pensamentos e sorriu para o amigo.
– Tomara, tomara mesmo... — ele disse, vagamente, e Benar deu aquela conversa por encerrada e saiu andando, provavelmente procurando Vin.
O Dragão de Água tentou pensar em algo que ajudasse a busca pelos amigos, mas nada lhe vinha a cabeça, apenas Sumerin.
– Oi Nu'lian, teve alguma ideia? — perguntou Vin, com o mesmo tom de voz autoritário e parecendo estar de mau-humor pelas noites mal dormidas.
– Ainda não, Vin, desculpe-me. — confessou o Dragão, timidamente.
Vinshu parecia ter entendido que havia algo errado com o amigo, pois lançou um olhar desconfiado.
– O que anda te incomodando, Nu'lian? Já se passaram dois dias que você está estranho, e Sumerin também. — ele pareceu notar a situação. — Aconteceu alguma coisa?
– Sumerin está esgotada. Eu também. — ele disse, por fim.
– Esse é realmente o único motivo? — Vinshu perguntou, querendo ir mais a fundo na história.
– Não. — admitiu o amigo. — Sumerin me irritou, ela culpa Garo-lin por tudo e diz que está ficando mais e mais longe de seu sonho a cada dia que se passa, ela ainda disse que eu não preciso mais dela e de sua promessa... disse que Garo-lin poderia me proteger e pediu para eu a deixar em paz...
Vinshu arregalou os olhos. Sumerin e Nu'lian quase nunca se desgrudavam, os dois se ajudavam e se protegiam. Sempre que algo acontecia à Nu'lian, Sumerin era a primeira a tomar uma atitude e vice-versa. Os dois falavam que eram como irmãos, mas os outros Dragões pareciam saber que havia algo mais naquela forte amizade e... Sumerin pedir para Nu'lian a deixar em paz e dizer que não vai mais o proteger era uma coisa impensável até então.
– Fale com ela, Nu'lian. — aconselhou o Dragão de Raio. — Fale com ela o mais rápido possível sobre seus sentimentos. Todos nós já sabemos, não precisa esconder, mas Sumerin parece nem desconfiar e você precisa falar.
Nu'lian nunca pensara sobre seus sentimentos e muito menos sentira vontade de os contar. Ele era apaixonado por Sumerin e seu jeito animado e alegre que sempre o fazia sorrir, será que estava tão claro assim?
– Está bem. — ele concordou, se dirigindo até o cômodo onde a Dragão de Metal conversava com Benar animadamente.
– Ben, venha cá um minuto. — o Dragão de Água disse, e o amigo falou alguma coisa para Sumerin e se dirigiu até onde o loiro estava.
– Sim?
– Tenho que conversar com a Sumer sobre... — o Dragão enrubesceu. — Sobre meus sentimentos... você poderia ajudar a Garo-lin e o Vinshu com os planos, por favor?
Benar acenou com a cabeça e disse um animado "Boa sorte" para o amigo, que suspirou e sentou-se ao lado da Dragão.
– Ahn... oi Sumer. — ele disse, a garota o encarou fixamente.
– Oi. — ela disse, com frieza.
Nu'lian fechou os olhos, o olhar frio da garota cortava como mil facas.
– Sumer, você não precisa falar nada, só me ouvir. — ele disse e a Dragão concordou com a cabeça. — Nós somos inseparáveis, dói ficar longe de você e quando você fala comigo é como se minhas energias se renovassem para eu poder continuar, Sumer, e sem você eu sou inútil. Todos os outros Dragões já perceberam os meus sentimentos por você, exceto a linda Dragão de Metal. Eu te amo, Sumerin, te amo não só como uma irmã ou uma amiga, e não ligo se você me odeia, vou continuar te amando até o dia que o meu preço a se pagar me esgote.
Nu'lian respirou pesadamente e foi envolvido por Sumerin em um abraço apertado.
– Nu'lian eu.. eu fui uma idiota e... — Sumerin ia começar, mas Nu'lian a apertou ainda mais no abraço.
– Não fale nada, não precisa falar, eu te perdoo Sumer. — ele disse, encostando de leve os lábios nos da amiga, quer dizer, não apenas uma amiga agora.
– A minha promessa. — disse Sumerin, fazendo Nu'lian a soltar e olhar diretamente em seus olhos. — Continua. Para sempre.
– Até o meu preço me esgotar. — corrigiu Nu'lian.
Sumerin negou com a cabeça.
– Para sempre. — repetiu, e Nu'lian a envolveu novamente em um abraço, não planejando soltá-la por um longo tempo.
Risadas foram ouvidas e exclamações alegres. O novo casal olhou para trás e viu os Dragões e Garo-lin.
– Eu sabia que esses dois iam acabar juntos. — disse Benar, que só faltava bater palmas de tanta empolgação.
– E eu nunca nem tinha desconfiado mas estava claro o tempo todo! — riu Garo-lin.
– Esses dois... conseguem achar amor mesmo em tempos tão sombrios. — sorriu Vinshu. — E conseguiram me fazer sorrir. Obrigado.
Nu'lian sorriu de seu jeito gentil e Sumerin de seu jeito animado. Os outros três resolveram deixá-los a sós.
– Eles foram meio inconvenientes mas... — começou Sumer.
– Foi um inconveniente bom. — terminou Nu'lian e os dois riram.
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