Suitai Monogatari - O Declínio do Conto
9 Parte 1 - Capítulo 1.8 - Berlim
Notas iniciais
Com uma sensação de como se eu tivesse me afogado e tivessem me feito uma boca a boca, eu acordei.
No desespero do momento cai da cama e logo senti calor, me levantei e observei que havia uma janela, ao abri-la logo vi, uma cidade que parecia muito com as árabes, um clima quente e uma poeira considerável, olhando para baixo, vi nas ruas pessoas passando usando turbantes, o que confirmou minha suspeita. A última coisa que me lembro foi de ter estado com Tokki em Kelheim, antes do choque que foi a viagem via teletransporte. Mancando por falta de força nas pernas, andei da janela até a porta, onde uma pessoa de pele morena e um bigode preto gigante falou comigo.
—Olá, sr. Octavius, você dormiu bastante, né? Deseja comer algo? Temos pão e café. — ofereceu o homem sendo simpático.
—Ah, obrigado, eu aceito. — naquele momento ele me acompanhou até a mesa, e me ajudou a sentar, enquanto ele foi pegar o pão e o café. Ao sentar perguntei. — Você pode me responder uma coisa? Onde é que estamos?
—Ah sim, imagino que Tokki não tenha te falado nada como o esperado. Bom, aqui é Argel. Bem-vindo a Argélia. Depois do ocorrido em Kelheim, não restaram muitas bases do movimento, a maioria se rendeu ou foi descoberta, agora todos que restaram estão tendo muita cautela para não serem pegos. Entre os que foram descobertos, descobrimos que haviam muitos agentes duplos, então não sabemos em quem confiar de verdade, mas não se preocupe enquanto a mim, eu fui treinado pelo próprio Tokki em si, devo muito a ele, mesmo que ele tenha morrido, não trairei logo você que ele tanto gostava em uma hora dessas. — Ao completar essa frase, ele colocou o pão e o café na mesa para que eu pudesse me servir, e logo me passou mais um informe. — O Sr. Friedrich deve chegar aqui a qualquer momento, como eu te disse, estamos numa corda bamba, então infelizmente você vai ter pouco tempo para descansar agora que acordou.
Tudo que me restava então era comer, para me distrair, pedi a ele que se apresentou como Aziz, ligasse a TV, ao ligar, só escutava os dizeres em árabe, que logo foram trocados por Inglês, lembro de ter lido algo em um livro sobre isso, todos os países para acabar com as barreiras linguísticas, aderiram uma língua única, apenas os árabes atualmente por resistirem e continuam a manter a língua viva. Enquanto eu assistia, ouvi alguém batendo na porta, eu achei que era o tal do Friedrich que Aziz havia me falado, e acertei na mosca, o cumprimentei e terminei de beber meu café, para que em seguida seguíssemos para o quarto onde pudéssemos conversar em particular.
—Enfim, olá Octavius, acho que você não me conhece, eu sou Thomas Friedrich, já se passaram três dias desde o que aconteceu em Kelheim, imagino que você saiba o que aconteceu com Tokki, né? — Acenei positivamente com a cabeça. — Que bom então, podemos pular e ir para a parte que importa.
—Mas posso te perguntar uma coisa antes, já que Aziz me disse que não podemos confiar em ninguém. Faz muito tempo que você está no movimento?
—Ah, pensando assim, não. É algo bem recente, eu nem imaginava me juntar, mas aí, minha esposa Elizabeth foi descoberta e morta, e eu senti que não podia aceitar sua morte tão facilmente, então resolvi ajudar, é normal que você não me conheça mesmo e desconfie de mim, mas eu posso te garantir que sou de confiança.
—Ah, então você era o noivo dela, meus pêsames, Tokki a achava uma boa agente, eu imagino que não tenha realmente muita opção nesse momento, creio que se você fosse um desses duplos, eu e Aziz estaríamos afogados em nosso sangue agora, me diga qual é o plano.
—É um tanto simples, sendo sincero, primeiro preciso que você coloque esse dispositivo atrás de sua orelha, ele se assemelha a um aparelho auditivo, mas ele funciona como um modificador de face, a Rainha sabe que você está vivo, e o massacre que vem ocorrendo recente de nossas bases em diversos pontos é uma reação a isso. A mais recente foi um atentado que culminou na morte de Bianca, presidente da Nova União do Leste. Em seguida, nós teremos que ir a Berlim, a Rainha dará um discurso no Olympiastadion, antes da final da DFB-Pokal sobre as recentes, que são pra elas, conquistas. Cerca de 1km do local, existe um prédio abandonado, tudo que você precisa fazer é subir até o topo e dar um tiro certeiro nela, acho que não teremos outra chance depois dela.
—Ok, como é o esquema de segurança?
—Costuma ser fraco, não se preocupe, como esse prédio atualmente está marcado para demolir, acredito que você irá facilmente chegar a cobertura.
Nisso, apertamos as mãos, e Friedrich disse que estávamos de saída e falou para mim tomar um banho antes de irmos. Tomado, me despedi de Aziz e agradeci pelos cuidados e fui. Apesar do nervosismo, consegui sair com tranquilidade de Argel e ir para Berlim, o passaporte falso que Friedrich arrumou para que eu passasse no teletransporte funcionou muito bem.
Entramos em seu carro, algo que não morreu mesmo com o teletransporte, muitas pessoas ainda adoravam andar com eles, agora muito mais por prazer que por necessidade. A casa de Friedrich mostrava o quão rico ele era, o prédio era cercado por completo, não via nem como uma mosca invadiria, fomos em direção ao estacionamento. Antes de entrarmos, Friedrich falou com o porteiro para pegar a chave.
—Olá, Senhor Thomas, como está hoje?
—Bem.
—Muito bom. Vejo que está acompanhado, quer cadastrar a digital dele para que ele possa entrar e sair com tranquilidade?
—Não será necessário, ele vai embora amanhã.
Após o papo com o porteiro, entramos, Thomas depois explicou que no normal, o prédio dele havia sistema de biometria, e que excepcionalmente hoje não estava funcionando, por isso teve que pedir por chaves. Enquanto ele me explicava isso, eu olhei para o rosto do porteiro, ele parecia desconfiado, eu me perguntava se ele me reconhecia, achava meio improvável por causa do dispositivo que Friedrich me deu, então fiquei mais tranquilizado.
A madrugada bateu, eu tentei dormir, mas não consegui nada. Depois de algumas horas, resolvi me levantar, peguei uma água e fiquei olhando para a rua que estava deserta devido ao horário. Ao menos era o que devia ser na teoria, pois na prática vi uma atividade estranha. A julgar pelo apartamento de Friedrich, aqui não parece ser um local que uma polícia, que não aparentava ser uma polícia comum, e sim a GSG9, viria para fazer algo. Quando vi uma sombra se movendo para cá, minha suspeita do porteiro se confirmou e ele realmente me reconheceu e denunciou. O que me perguntava naquele momento era o que realmente aconteceu para essa falha ter acontecido, como eu nunca saberia de verdade, aceitei que provavelmente foi uma falha no equipamento e falha nossa que não notamos.
Acordei Friedrich o mais rápido que pude, ele levantou correndo em desespero, ele me deu um endereço de onde eu deveria ir para poder pegar a sniper. Naquele momento, tudo que ele pode me oferecer no momento foi uma pistola e algumas munições para recarga. Como Friedrich é um agente pra lá de novato, ele não é muito bom com armas, ele conta mais mesmo com sua experiência de luta, ele era mestre em alguma arte marcial que não me recordo o nome. Ele me contou no caminho do aeroporto de Argel que lutava desde criança, então logo creio que ele não terá problemas em cobrir minha retaguarda, enquanto isso acontecia, a GSG9 se aproximava cada vez mais do apartamento. Eu e Friedrich fomos até a porta e aguardamos, silenciosamente eles se aproximavam do apartamento, nossos ouvidos aguçados que ouviam os leves passos que aconteciam no corredor.
Nos colocamos nos lados da porta, eu na direita e ele na esquerda, e esperamos, no momento que eles arrombaram a porta, várias granadas de luz foram disparadas, uma em linha reta e a outra em direção ao corredor, cobrimos nossos rostos e ouvidos, e mesmo que um pouco atordoados, tivemos que levantar do jeito que estávamos e partir para a briga, não demorou muito para que a pessoa da retaguarda deles pedisse por reforços enquanto brigávamos com homens fortemente armados e com colete.
Dos que entraram no apartamento, eles portavam metralhadoras, dentre as quais eu peguei uma, uma vizinha ouviu o barulho e abriu a porta, eu logo saí correndo até a casa dela para que eu pudesse tirar ela do fogo, já que mais um passo ela entraria no meio da confusão, ao entrar no apartamento dela, me sentei em frente a porta, e dei um sinal para avançarmos, já que por menor que a chance fosse, aquilo era que nem Kelheim, eu precisava descer se quiséssemos ter alguma chance de fugir. E assim começamos a trocar tiros pelo corredor, de começo não funcionou por causa do escudo que eles trouxeram, mas quando Friedrich notou uma granada que estava em um dos soldados desacordado, ele puxou o pino e tacou, serviu ao menos para criar uma abertura, nos levantamos e saímos correndo, ao chegar perto deles, eles atiraram, mas desviamos e usamos as metralhadoras que tínhamos para desacordá-los.
Chegamos a escada, onde outra rodada de inimigos nos esperava. Friedrich parecia um asiático lutando, então não preciso nem narrar o que aconteceu. Chegamos ao estacionamento consideravelmente bem considerando tudo, mas ainda estávamos cercados para todos os lados, e a única coisa que nos separava dos agentes eram os carros. Perto do último carro, quem era o comandante deles gritou.
—Em nome da rainha alemã, se renda Octavius.
Eu ao lado de Friedrich só consegui comentar: -Meu deus, sério, precisava falar esse clichê? Não é óbvio que eu não vou me entregar?
—Sei lá, faz parte do papel dele dizer isso. — respondeu Friedrich, comigo respondendo com um Pois é.
A alternativa que nos restava era trocar tiros e torcer pelo melhor, abatemos alguns, mas estava ficando impossível devido a munição cada vez mais próxima do fim. Até que vimos o que seria a nossa salvação, perto da roda de um dos carros, havia uma tampa de bueiro, um milagre a nosso ver, puxei o quanto foi possível. E numa cena clichê, Friedrich me disse que ficaria para distrai-los, como eu sabia que por mais clichê que fosse, tratei de aceitar e dei no pé o mais rápido que pude, eu não realmente sabia por onde eu tinha que seguir, mas fui, enquanto Friedrich terminava como o esperado, preso pela GSG9 depois de ter ficado sem munição. Eu naquele momento já estava longe dali.
Passou-se cerca duas horas andando por linhas de metros desativadas, no meio do caminho achei uma conexão, e achei que era bom seguir pelo metro, o lugar que antes recebia dezenas de pessoas, agora só tem escuridão e desabrigados aqui e ali.
Nessas duas horas, cheguei ao meu destino, o prédio em ruínas provavelmente ficou assim depois da guerra, várias das casas ainda tinham alguns pertences dentro. Fiz o reconhecimento do local e logo saí, para que pudesse ir ao endereço que Friedrich havia me fornecido, ele ficava na zona turca da cidade. Apesar de onde o prédio do tiro não estar muito movimentado, aqui eu verificava uma grande movimentação de segurança, apesar de não ter visto nenhum alarme gigante por causa do que aconteceu no prédio de Friedrich (o que parecia mais ter sido abafado), eu como um perseguido, via muitos policiais para todo o lado, eu tomava bastante cuidado para que eu não fosse reconhecido.
Pegando a arma, logo voltei, a cada minuto que se passava, as ruas ficavam mais cheias de policiais, era um sinal de que estava chegando a hora. Discretamente, desci para o metro mais próximo que tinha, antes que os policiais que estavam perto me avistassem.
Caminhei o mais rápido possível de volta para o estádio, chegando lá, percebi rapidamente que havia patrulhamento na entrada do edifício, e em toda a rua. Pouco chegava a ser uma piada sem graça perante a realidade.
Ao chegar na altura do prédio, avistei dois policiais na entrada, decidi me aproximar, fingi querer saber como chegava ao estádio, quando um deles começou a passar as informações e o outro ficou a me observar, eu me movimentei o mais rápido que pude e bati em ambos de forma para desacordá-los, um deles tomou uma maletada na cara e o outro foi desacordado com uma chave de braço, movi os dois para dentro, não me importava se viessem reforços, afinal eu não estaria mais ali dentro de alguns minutos.
Subindo as escadas para o terraço, mais alguns policiais que faziam uma última ronda de checagem, apareceram, tiveram o mesmo destino dos dois na porta. Subi o mais rápido que pude, comecei a montar a sniper, enquanto isso, uma mulditão começa a gritar, sinalizando que chegou a hora.
Coloquei a munição na arma, engatilhei e me coloquei a mira, agora tudo o que restava era aguardar era a Rainha Alemã sair do carro e chegar ao microfone, todo esse processo demorou cerca de 2 minutos, com a mira ajustada e tudo pronto para atirar, fiz o disparo, que em alguns segundos a acertou. Antes que eu pudesse suspirar, eu já havia sumido do local.
—------------
Epílogo
Ao tiro alcançar no que era chamado Rainha da Alemanha, algo estranho era avistado pelos seguranças, não havia sangue, para dizer a verdade, não havia nada que indicasse uma morte humana, apesar da rainha alemã não se mexer.
Último grande representante do movimento por um acaso, Thomas Friedrich acabou sendo solto depois de feia uma autopsia no corpo da rainha, ela não era sequer um humano, se tratava de um robô, os mesmos que foram banidos há tempo tempo que não havia mais sequer uma pessoa viva para lembrar das existências do mesmos,
Aproveitando a bagunça, o cargo de “rainha” foi banido pelo eleito Thomas Friedrich seis meses depois do ocorrido em Berlim, ele anunciou que autodenominaria Chanceler.
Friedrich não demorou para anunciar que o mundo estava na realidade era em guerra, e não apenas em conflito, como se deu a entender nos muitos anos sob influência da antiga rainha alemã. Naquele exato momento, mais de 330 mil “pessoas” simplesmente desapareceram, a maioria ligada a política que comandava o mundo do jeito que estava, sem entender nada do que estava acontecendo de verdade, o mundo aceitou a explicação mais simples devido a revelação do que era a rainha alemã.
Assim acabou o invisível muro que separava os dois lados, o movimento pode finalmente pode ser dissolvido e o mundo entrou em estado de calmaria.
Fale com o autor