Suitai Monogatari - O Declínio do Conto
6 Parte 1 - Capítulo 1.5 - América
De acordo com os livros que eu vi quando cheguei aqui, a história dos EUA mudou drasticamente nesses séculos.
Apesar de ter mudado os EUA, a história começava no antigo Brasil. Depois do devastador governo Dilma em 2018, o país só se recuperou plenamente em 2030. Mas como brasileiro tem memória curta, toda a recuperação foi pro ralo, e tivemos novamente um governo de esquerdistas. Enfurecidos, houve uma ameaça de separatismo que logo ficou calada e esquecida, até que no começo de 2100, houve finalmente uma separação entre as duas partes.
Os Estados Unidos do Sul era composto do Rio de Janeiro pra baixo, e a parte acima ficou nomeada como Nova Holanda, em homenagem ao passado holandês da região.
Eventualmente a Nova Holanda também se cansou do governo, e os ditos de esquerda tudo fugiram do país para evitar uma confusão. Como não havia mais esquerdismo no Caribe, eles foram para os EUA, onde uma onda esquerdista surgia.
Os EUA daquela época estava com problemas financeiros e as quatro partes estavam divididas.
Os conflitos foram crescendo e crescendo até que eclodiram e deram início a que foi chamada II Guerra Civil Americana. Os sentimentos do Sul logo vieram à tona, e eles foram os primeiros a declararem independência e adotaram uma economia liberal, surgia a República Unida Texana, com o Texas sendo a capital (outros estados eram o Novo México e o Arizona, e eventualmente houve a anexação de mais 3 estados: Arkansas, Lousiana e Oklahoma).
Em seguida veio Washington, com suas ideias de centro, eles conquistaram numa votação os direitos sobre o Alasca e o Hawaii. A capital continuou sendo Washington, mas assim como o antigo Brasil, a cidade mais importante era a Califórnia (as outras cidades eram Oregon, Nevada, Utah, Colorado e Wyoming).
A influência dos esquerdistas no leste, que o país era chamado de Nova União do Leste, fazendo referência à antiga União. A capital era Flórida, já que esquerdistas adoram uma praia e como eles adoravam já o local, ficaram por ali mesmo, as outras cidades eram a Georgia, Alabama, Missisipi, Carolina do Norte, Carolina do Sul e o Teneese. Mas originalmente Arkansas, Lousiana e Oklahoma eram parte do país, mas enfurecidos, pediram ser anexados pelos Texanos, e assim como a Ucrânia, os Lestianianos, pouco puderam fazer para evitar a anexação da Crimeia deles.
E o que restou do antigo espírito dos EUA, se uniu e fez os Estados Unidos do Norte (mesmo que eles não ficassem exatamente do norte, no máximo a capital Nova York ficava ao Norte). As cidades eram Nova York (Capital), Massachusetts, Pennsilvania, Michigan, Maine, Virginia, Indiana, Iowa, Ohio, Nova Jersey, Delaware, Maryland, Kentucky, Missouri, Minnesota, Nebraska, Kansas, Wisconsin, Vermont, Connecticut, Rodes, Hampshire e Nova Lincoln (antiga Washington DC, que teve o nome renomeado para não ser confundida com o atual país Washington em homenagem a Abraham Lincoln, e perdeu o status de capital por ter ficado muito destruída durante a guerra civil).
Os Texanos, EUN e os Washingtoneses, todos eram países prósperos e que tinham as contas em dia, e o povo estava satisfeito, com exceção dos Lestenses, que era um país instável e que frenquentemente havia conflitos, o mais famoso é o da anexação. Apesar de tudo, o governo central deles tenta a todo custo, e uma das fontes de dinheiro deles atualmente é justamente… a gente.
Aparentemente, os países que apoiam o movimento têm acordos que é basicamente o que mantêm esse país, que recusa as Novas Mulheres por considerá-las “opressoras aos conceitos do movimento deles”, seja lá o que isso significar.
Aqui a pessoa mais importante do país, o governante chave, ainda é chamado de presidente, a atual presidente é uma pessoa chamada Bianca Ellison.
Segundo Tokki, essa tal de Bianca é uma pessoa muito “estranha”, ela é uma figura-chave no movimento que abre esse pedaço de terra aos poucos e tenta resolver a vida das pessoas para que elas parem de querer serem anexadas pelos vizinhos.
Ela surgiu faz uns 5 anos e nunca mostrou o rosto, sempre usando uma máscara, sempre discursa usando-a, e ninguém jamais encontrou uma foto de como seu rosto é. O que podemos notar de seu corpo é a ausência clara de peitos, talvez por ela ser do que hoje chamam de Novos Homens, que pelo que eu percebi, tem menos peitos no geral.
Avaliando pelo corpo, ela, nos meus tempos originais, com um cabelo curto, facilmente se passaria por uma reverse trap que todo mundo acharia que é homem.
Para Tokki, a “melhor parte” da Bianca ser a atual presidente daqui, é que digamos, ela gosta bastante dele, talvez demais...
–Tooooooooooooooooooooookki – gritou uma voz que ao mesmo tempo pulava em cima de Tokki.
–(Ah droga, é a Bianca) – pensou Tokki.
–Tokkizinho, quanto tempo, por que você nunca mais falou comigo, tava ficando chateada já. — disse Bianca enquanto sufocava Tokki com um abraço em seus peitos inexistentes.
–Ah, é que sabe, planos pra lá, planos pra cá, é uma guerra sabe, nem sempre dá tempo de se comunicar com os amigos de fora. Aliás, poderia me soltar? Eu até gosto de abraços assim, mas prefiro que seja com grandes peitos. — disse Tokki querendo que Bianca o soltasse.
–Hmpf, que seja. -disse Bianca ao soltar Tokki e dar um soco na cabeça dele. — Mas então Tokki, pra você ter vindo aqui, é porque a coisa tá feia, né?
–Sim…
Naquele momento Tokki explicou tudo o que se passara no ataque em Okinawa, aquela cena estava grudada na sua mente, ele ainda não tinha superado aquilo, e dava para sentir em seu tom de voz. Bianca, apesar de seu jeito estranho, é ao mesmo tempo bastante séria quando se trata de relações, sejam de amizade ou políticas. Ela entendeu a situação e falou que nos ajudaria no que precisássemos naquele momento. Tokki agradeceu e, dessa vez, foi ele que a abraçou, Bianca apenas sorriu.
Após o abraço, Bianca nos levou aos nossos quartos, eles ficavam num prédio comum, mas na pobreza que a população em geral vivia, o nível comum ali podia ser considerado de classe média alta. Ela nos mostrou o local que era com 2 quartos, e nos deixou à vontade.
Havia uma cama ali, eu, desacostumado com toda aquela questão do teletransporte, estava exausto com aquilo tudo, a correria foi gigantesca. Fiquei olhando para o teto e pensando nas coisas, enquanto eu divagava sobre nada na minha mente, ouvi passos se aproximando.
Tokki provavelmente se aproximava do meu quarto, ele vem suspeitando de mim já faz algum tempo desde que eu cheguei, imaginei que seria esse o momento que finalmente teríamos nosso embate. Alguns segundos depois, ele entrou no meu quarto e puxou uma cadeira que estava próxima do raque do quarto, e ficou me encarando por cerca de 2 minutos antes de falar algo.
–Então você não é o Octavius mesmo, não é? – perguntou Tokki confirmando as expectativas minhas.
–Era tão óbvio assim, é? Tava achando fácil demais todos me aceitarem assim tão fácil. — argumentei a pergunta do Tokki.
–Então se você não é o Octavius, quem é? – disse Tokki enquanto puxava uma pistola 9mm do bolso e a apontava pra mim. – Me dê uma razão para eu não te dar um tiro aqui e agora.
–Eita carai, vamos com calma aí tá? Eu não estou aqui para conspirar contra você, tá? Estou aqui para te ajudar. — disse surpreso com Tokki querendo me matar.
–Então me diga, quem é você? Da onde você veio, e por que você se parece tanto com o Octavius? — perguntou Tokki enquanto colocava a pistola 9mm no raque.
–Bom, meu verdadeiro nome não importa, o que importa é que eu estou aqui para te ajudar. Você quer matar a rainha da Alemanha, não é?
–Bom, sim, esse é meu objetivo de vida, até para vingar Octavius, mas isso não responde quem você é.
–Então eu vou te explicar, eu sou um ser multidimensional, geralmente eu entro no lugar de alguém que exista nos mundos e resolvo os problemas, eu estou aqui para isso.
Tokki riu do que eu disse.
–Hahahaha, então tá bom, sr. multidimensional, eu vou ficar de olho em você, apesar de não sentir maldade vinda de você, ainda é muito estranho que seja idêntico ao Octavius, se fizer alguma besteira, te mato na hora, viu? Esteja preparado para amanhã de manhã, ok?
Eu apenas sinalizei que sim com a cabeça e vi Tokki recolhendo a pistola 9mm e saindo do quarto. Engoli a seco a situação e sabia que a chave para ser sucedido era conquistar a confiança dele. Respirei fundo e logo encostei minha cabeça novamente ao travesseiro, fiquei pensando por um tempo o que ele queria me mostrar, mas o cansaço foi mais forte que o pensamento, e não tardou para que eu dormisse.
Naquela noite eu dormi por cerca de 8hrs, sonhei com o mundo original, eu tinha vontade de comer balas Gini novamente, mesmo sabendo que era improvável elas existirem naquele mundo. Aos poucos algo me acordou. Era Tokki quase me expulsando da cama na real, porque a Bianca já havia vindo ali mais cedo dar uns “pegas” nele pra acordá-lo, como não podia descontar nela a frustração, veio me acordar, até para me mostrar o que ele queria.
Ao acordar, eu dei um soco em Tokki para ele parar com aquilo, ele ficou puto e me mandou sair logo.
Logo levantei e fui ao banheiro, onde me deparei com uma cena bizarra. Lá estava Bianca, ainda nua, tomando banho. Com Tokki gritando comigo, não consegui ouvir o barulho, o bizarro naquele momento era nem mais as genitais (a título de curiosidade, Bianca era um Novo Homem), eu já havia me acostumado com a ideia. Bizarro foi… sem peitos, não havia nada, liso demais, fechei a porta e fingi que vi nada, depois que ela terminou o banho, ficou se agarrando em Tokki enquanto eu assimilava tamanha falta de peitos em uma pessoa só.
Depois de passado o trauma ao ver Bianca nua, Tokki pediu a ela que enviasse um carro para que fôssemos ao campo de treinamento, Bianca mais uma vez agarrou Tokki e ficou fazendo ciuminho que ele iria abandoná-la mais uma vez, Tokki por sua vez, fez um olhar que logo pôs Bianca em seu lugar, ela ligou para os serviços e logo um carro apareceu.
Tokki claramente conhecia o local que estávamos, devido ao custo, muitas pessoas não tinham carros na União do Leste, então mesmo para a hora, chegamos rápido ao local (o país era tão ultrapassado que mesmo carros sendo algo ultrapassado no mundo todo, era consideravelmente caro aqui, e o teletransporte existe literalmente apenas para o governo, já que ainda era tratado como novidade).
Fomos até um local isolado, um galpão gigante que parecia nossa antiga base era o melhor jeito de descrever.
Era um antigo porta navios, provavelmente um galpão onde algum riquinho guardava barcos séculos atrás, ou na época que foi construído era um local para trazer drogas (as drogas são legalizadas em todo o mundo desde o fim da guerra entre os Novos).
Tokki puxou de seu bolso uma chave e se dirigiu ao portão, fechado com um cadeado, logo ele acenou e me pediu para vir até ali, sem muita escolha, acabei indo.
Quando cheguei ali, Tokki me pediu para empurrar o outro portão, empoeirado, eu engoli toda aquela poeira que vinha para cima de mim e abri um dos lados junto de Tokki.
Ao abrir o portão completamente, logo notei algo bem grande, do tamanho de um prédio pequeno, quando reparei que havia ainda mais espaço no chão, então aquilo devia ser ainda maior. Tokki se aproximou e puxou um pano que o cobria. Ao levantar poeira ao remover o pano, logo eu vi: Era um fodendo robô gigante.
–Sr. Multidimensional, esse é o Nirvash. — disse Tokki, apresentando a mim o robô.
–Mas, por que ele se chama Nirvash? — perguntei a Tokki, imaginando já a resposta.
–É porque eu gosto de Eureka Seven, ué.
–Então tá, né… — repliquei agora sabendo que Tokki era um fodendo otaku do futuro. — Mas você me trouxe aqui só para isso?
–Ué, não tá bem óbvio? Você precisa aprender a pilotar os robôs, ué. — me respondeu Tokki enquanto me chamava para chegar mais perto. — Tá vendo que é bem profundo? O Nirvash é apenas o começo, no fundo tem mais ainda. Tudo aqui é ativado por voz.
Tokki logo ordenou que saísse o Nivarsh, e ele realmente saiu, a estrutura logo se abriu, e sob o sol, só se via o Nirvash, assim que o Zaku saiu, Tokki me obrigou a subir e treinar, o que seria útil, visto que até hoje eu só tinha visto em animações robôs gigantes pilotáveis. Era mais complicado que eu imaginei pilotar um. E assim, nosso treinamento durou mais de um mês aqui na costa californiana, até que eu aprendesse a lutar (e foi um sacrifício, é bem mais difícil que parece os controles).
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