Suitai Monogatari - O Declínio do Conto

3 Parte 1 - Capítulo 1.2 – Resgate


2 horas antes

Nos subúrbios de Tokyo, lá estava uma pessoa. No país que mais sofreu com o declínio da falta de crianças, era atualmente um país de terceiro mundo, economicamente falido pela falta de recursos naturais que sobrevive graças ao fato deles serem aliados do novo governo mundial. Sub-alternos da Alemanha, o país que se tornou o país mais rico do mundo, o Japão era uma base na batalha contra os “extremistas”.

Depois da Batalha de Istambul, onde supostamente Octavius foi morto, o governo alemão deu suas ordens ao Japão, manter os olhares máximos no Estado Independente de Okinawa, que se separou do enfraquecido Japão por razões econômicas e que terminaram sendo políticas também, visto que a Okinawa independente se tornou o lar dos “extremistas”.

Era mais um dia qualquer, as pessoas iam trabalhar. O Japão que para sobreviver se tornou cada vez mais um país de estrangeiros que queriam reconstruir o que já foi um dos maiores países. Era um dia ensolarado, as notícias indicavam o enfraquecimento dos extremistas, mas em um metro em Ikebukuro algo estranho aconteceu.

Uma pessoa que aparentava estar morta para o mundo apareceu ali, era Octavius, o líder dos extremistas. Foi um caos generalizado quando ele foi visto, o Japão era aliado da Alemanha, que era o principal país das Novas Mulheres, viu a situação como preocupante, apesar de nem todos no Japão concordarem com o governo atual, ninguém queria sair de sua vida mundana e ser tachado de terrorista, então logo chamaram a polícia.

Como se tratava de uma situação de emergência, a polícia utilizou o teletransporte para poder chegar lá com urgência. O teletransporte era uma tecnologia comum naquela época, a maior parte dos países de primeiro mundo a tinham, mas para um país pobre como o Japão, apenas policiais e pessoas de elite realmente podiam bancar e ter acesso à tecnologia.

Como o teletransporte era algo instantâneo, em questão de milésimos a estação foi isolada, todos que usariam o metro tiveram acesso liberado ao teletransporte como pedido de desculpas pelo inconveniente. Para as pessoas foi algo bom, já que poderia andar pelo menos uma vez num serviço tão banal na época.

Mas segundo testemunhos, Octavius não havia aparecido há muito tempo na estação, quando a primeira pessoa chegará ela informou em seu testemunho que ainda ouvirá a frase: “Corpo totalmente restaurado”. Essa frase era o que indicava que a viagem foi bem-sucedida.

Naquele momento, o suposto Octavius ainda desacordado, começou a acordar, e não era à toa, só se ouviam os gritos da polícia e ele só via as armas na sua cara. Uma das pessoas que estavam na estação ficou no local, filmando o ocorrido que vazaria logo depois à imprensa. Ele logo foi avistado e, para não ser tomado o celular, o escondeu com sucesso, e logo foi apenas expulso por “atrapalhar o serviço policial”.

O suposto Octavius acordara vendo essa pessoa sendo expulsa, ele como não era o Octavius real, não sabia o que diabos se passava, apenas ouviu que estava sendo preso, e após o comandante falar isso, logo foi levantado, e sem resistência, foi colocado em um carro policial, que chegara no local naquele momento para levá-lo à delegacia.

Foi uma rápida viagem, a hora do rush ainda não havia começado na antiga capital da tecnologia.

Chegando à delegacia, a imprensa estava lá, eles foram alertados pelo vídeo e era uma notícia de grande interesse mundial, não dormiram no ponto, os abutres da imprensa logo se movimentaram. O delegado logo falou que não explicaria nada, mas o rosto de quem foi preso foi visto e se confirmou, um dos terroristas mais procurados estava vivo.

Foi um viral, no Rwitter só se falava nisso, a internet que era controlada pelas Novas Mulheres logo ficou sabendo, e não tardou de emitirem um comunicado que buscariam o prisioneiro em 48hrs e que não deveriam fazer nada com ele além de manter sua segurança.

O delegado é claro que não daria nenhuma foda para aquilo, ele interrogaria Octavius, afinal, ele ainda tinha 48hrs até que as Novas Mulheres viessem até Tokyo.

Sem tardar, Octavius foi posto na cadeira do interrogatório. Era uma mesa bem ao estilo dos filmes policiais dos anos 2000, metálica prateada e a cadeira do mesmo material.

–Huh, então você que você é o famoso Octavius? Prazer, eu sou o comandante Sakamoto.

–Oc quem? Eu não me chamo polvo. — disse o suposto Octavius ironizando o chefe policial. – Pode me dizer onde que eu estou?

O suposto Octavius começou a acordar naquele momento, sua velha mania de fazer piadinhas estava afiada, apesar de estar grogue naquele momento. Sakamoto, enfurecido com a piadinha, logo requisitara um aparelho de teste de sangue. Naquela época, um pequeno aparelho fazia um teste de confirmação de identidade, bastava colocar o dedo indicador e em poucos segundos apareceria quem a pessoa é.

Ele teve seu braço puxado pelo Sakamoto, que puxou seu dedo sob ameaça de quebrá-lo, mesmo que fosse um blefe, não tinha o porquê recusar, pelo contrário, ele ao menos com isso poderia saber qual seria o nome que ele seria chamado naquele mundo, ele não tinha um nome próprio mais, quando decidiu se tornar um ser multidimensional, abandonou seu antigo nome e tomava o nome que as pessoas achavam que era para si, era uma forma simples, Octavius seria apenas mais um nome dentre vários que ele já teve em todas as viagens.

A máquina confirmou, e ele sabia que para sobreviver naquele mundo ele teria de adotar aquele nome, ele achou um nome ridículo, Octavius parecia nome de gente que gostava da Roma antiga, com aqueles nomes com “vius”.

–Bom, e se eu for esse tal de Octavius, vai fazer o quê?

Sakamoto se enfureceu e o socou.

–Sua mãe ligou seu intestino grosso ao cérebro, né? Porque tu só fala merda. Sua causa é nobre, mas o jeito que vocês fazem é simplesmente horrível, apenas sacrifica pessoas.

Naquele momento em que ele foi socado, seu rosto caiu um pouco, e ele notou um pequeno pedaço de papel, não sabia quando foi escrito, mas nele dizia que os seus amigos logo chegariam para salvá-lo. Mesmo sem saber quem são esses tais amigos, ele logo entendeu que só podia ser coisa boa, no atual estado, mesmo sem entender o que acontecia, sabia que se ficasse ali, seria morto sem poder ajudar aquele mundo a resolver seu problema. Depois de ler, levantou a cabeça e viu que Sakamoto sorriu por alguns segundos, e com isso concluiu que tudo que estava acontecendo ali era fingimento e que eles estavam do seu lado.

Ao mesmo tempo em que acontecia o interrogatório, o ataque estava começando, já faziam mais de 6 horas que Octavius havia sido preso. Tokyo, por agora ser um lugar enfraquecido, era também corrupto, foi fácil invadir a cidade para resgatar Octavius. Por debaixo dos panos, haviam muitos aliados do movimento no lugar, sem alarde, pela baia de Tokyo, um exercito numeroso se adentrava na cidade, tudo para o resgaste de Octavius, sob o comando de Tokki.

Tokki foi um dos últimos a descer, o seu plano era, enquanto seus homens atacavam de diversos lados, ele pegaria Octavius pelo fundo.

Com uma imensidão de carros, o exercito japonês, que estava mobilizado onde Octavius se encontrava, logo notou algo estranho e não tardou para começar os tiros.

Em vantagem numérica, o grupo de Tokki estava massacrando o exercito japonês que até conseguia fazer algumas baixas no inimigo, mas não era suficiente para contê-los.

Enquanto a bala comia nas frentes da delegacia, Tokki chegava por trás. Plantaram uma bomba C4 na parede onde ficava a sala do interrogatório. A delegacia tinha três salas para interrogatório em seus 3 andares, Sakamoto o levou para a do térreo visando facilitar o resgate.

Quando Sakamoto ouviu o sinal, ele foi mais para perto da porta, para não sofrer com a explosão. Ao explodir o C4, alguns policiais que estavam por perto tentaram resguardar o local, mas sem sucesso, já que os homens de Tokki logo acabaram com eles.

Para que não desse a impressão que Sakamoto deixou que pegassem Octavius, ele tomou um tiro na perna em posição não-letal, afinal, eles precisavam daquele aliado, e caso ele saísse intacto do ataque, levantaria suspeitas.

Sem obstáculos ,Tokki pegou Octavius e o jogou dentro da van, e foi embora. O caso que apareceria no mundo no dia seguinte como um sinal que o grupo ainda estava firme e forte, caiu como uma luva para eles, e para elas ligou o alerta vermelho.

Quando entrou na van, logo os homens de Tokki avisaram via rádio que o ataque foi bem-sucedido e que eles poderiam recuar, o que não tardou para acontecer.

Mas Tokki sentia algo estranho, ele que tinha esperanças daquele ser Octavius, logo caiu por água abaixo, mas por ninguém notar, ele ficou calado e apenas ficou olhando pra pessoa que, aos olhos de todos, era Octavius, mas ele sabia no fundo de seu coração que não era.

Aquela pessoa era alguém, uma pessoa desconhecida, era muito parecida com Octavius. Tokki o conhecia há anos, ele saberia se aquele fosse realmente Octavius, o que não era, ele apenas naquele momento olhou e olhou.

Nosso amigo que era visto como Octavius notou a mesma coisa no olhar dele. Não queria enganar ninguém ali, mas tinha que manter as aparências, e por isso tinha que fingir ser a pessoa que eles achavam que era, não havia muita opção.

Ele olhou para Tokki e sabia que deveria falar com ele depois, seria ele a pessoa que o ajudaria a entender o que acontecia naquele mundo e como ele ajudaria a solucionar o que foi enviado para fazer.

Sem forças militares, a saída de Tokyo foi tranquila, como andar numa estrada expressa de noite, rápido e tranquilo. Sem obstáculos, eles voltariam para Okinawa pelo mesmo lugar que entraram.