Notas iniciais
Então, nova fic. Pretendo postar toda semana (Juro).

Antes de começar a ler seja lá o que for isso, acredito que o leitor deve uma resposta, não a mim, claro, mas a si mesmo.

– Você acredita em magia?

Se a resposta for não, aconselho que feche isso agora. Não fechou? Certeza? Então lá vai mais uma

— Você acredita em magia de verdade?

Não estou perguntando se acredita em magia como algo verídico, mas sim afirmando sua veracidade e perguntando se a reconhece. Felicidade, tristeza, angustia, surpresa, medo. Todos os citados são as mais puras demonstrações de magia que você poderia ter. Agora pergunto mais uma vez

— Você realmente acredita em magia?

Para os poucos que não fecharam a página e foram fazer qualquer outra coisa, vamos aos fatos. Estou em um ônibus. As janelas ao meu lado estão abertas e consigo ver o tumulto do outro lado da rua. Um acidente. Provavelmente o de sempre, carros, bebidas, postes, mortes, etc. Uma mulher percebe que eu estou olhando para lá e retribui o olhar. Volto a fitar o banco em minha frente.

– Será que o motorista do carro ainda está vivo? – Pergunto-me silenciosamente na tentativa mais sem sentido que consegui de encontrar alguma resposta.

Acho que a vida foi feita para ser assim, uma busca incessante e extremamente cansativa de respostas e sentidos inexistentes. Estou no 5º período de psicologia, pretendo começar um estágio semestre que vem, ou seja, minha vida está encaminhada, mesmo assim, não me sinto nem um pouco satisfeito. É como se, mesmo com todos os caminhos dando certo, e com todo o esforço que sempre aplico a tudo que faço, nunca me sentisse tão satisfeito quanto deveria e nunca encontrasse o real sentido de estar fazendo aquilo.

Um grito irrompeu meus pensamentos. Era o motorista. O ônibus estava sem controle, indo diretamente em direção à uma parede. Não preciso ser nenhum físico para dizer que na velocidade em que estávamos, se o ônibus colidisse com aquilo, duvido que sobraria uma parte viva em qualquer pessoa ali dentro. E aí entra outra das grandes ironias da vida, por mais sem sentido, mais idiota, mais vaga que seja sua existência, o ser humano tem sempre um extraordinário medo da morte. Parei para reparar, mesmo que estivesse com minha vida encaminhada, nunca realizara nada que realmente fizesse diferença na vida de ninguém, e, pelo visto, nunca realizaria também. Se fosse fazer algo, teria de ser feito agora. Se algo tivesse que acontecer, teria de acontecer agora. Fechei os olhos, me preparei para o choque, tudo ficou em silêncio.

Não senti o choque do acidente. Ao abrir os olhos vi que o ônibus estava a alguns centímetros da parede e me perguntei como que o motorista teria conseguido frear estando em uma situação daquelas. Olhei para o lado com o canto do olho, a mulher ao meu lado parecia estar em choque, assim como a que estava atrás dela. Nenhuma das duas mexia um músculo sequer, ficavam apenas encarando a parede como o mesmo olhar sem sequer piscar. Foi então que eu percebi. Não foi o ônibus que parou. Na janela, vi pessoas no meio do pulo para fugir do ônibus que estava prestes à atropela-las. Estavam voando. Estavam inertes. Eu também não conseguia me mexer. O tempo havia parado e eu nem ao menos me atrevia em perguntar como. Pequenos passos atrás de mim começavam a ecoar.

– Olá, meu novo puppy! – Disse um homem que chegara em minha frente – Você acredita em magia?

Com o final dessa frase senti uma dor na minha cabeça. Desmaiei.

Notas finais
Yo, acho que depois de ritmo de vestibular e tudo mais, finalmente as coisas normalizaram e eu pude voltar a fazer fics :DD. Mas e aí, o que acharam do capítulo?