A garota estava com medo. Medo de mudar, medo de se decepcionar, e medo do futuro, principalmente. Nem mesmo ela poderia conceber o que se descortinou em sua vida durante os terríveis meses na qual foi obrigada a passar naquela maldita casa. Agora ela estaria a salvo. Nada poderia machuca-la, seja sua mãe, seus amigos ou até mesmo suas memórias. Tudo estava para se resolver. O céu estava magnifico. As nuvens pareciam anjos fazendo sua dança etérea sobre o sol poente. Ela esperou por esse momento sua vida toda. Incrivelmente, apesar da altura, ela estava calma, e sua beleza juvenil, não maculada pelo tempo ou pelo seu sofrimento, estava surpreendentemente intacta. Para algumas pessoas, a morte é simplesmente uma nova fase da vida. Para ela, era sua passagem para longe daquele mundo. Ela um passo a frente do parapeito, e era possível ver o chão, tão longe e tão inalcançável. Os carros formavam um congestionamento, e as poucas pessoas, vistas do décimo quarto andar como formigas, na benção da ignorância, desfilavam pela rua. O inverno tinha chegado em sua vida, e assim permaneceria eternamente. Ela deu outro passo, e então o mundo, antes cinza como poeira, se encheu de cores. Seu corpo se encheu de adrenalina, e ela realmente viu o por do sol pela primeira vez na vida, enquanto pensava no porque demorou para fazer isso. Após um ínfimo momento, onde tudo parecia tão calmo, mas ainda assim tão agitado, ela chegou ao chão. Intacta, com um único filete de sangue escorrendo pela sua boca, seus olhos, agora sem vida, se mantiam abertos, olhando para o horizonte, onde o sol já se pôs. Ela finalmente estava a salvo de si mesma.

Notas finais
É isso, depois posto mais.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!