Suicide Memories
1 Único.
Notas iniciais
Boa leitura m/
Vinte e sete de dezembro de 1738, a cidade de Londres estava quieta naquela noite. Todas as casas pareciam dormir, todos os seres estavam em paz. Todos, exceto um Deus da Morte de cabelos vermelhos como o sangue. Naquela noite, Grell havia caminhado até o cemitério mais afastado e ajoelhado-se em frente à lápide mais esquecida. Ele chorava, como não fazia há muito tempo. Um choro alto e arranhado, desesperado.
"Não posso fazer isso!", ele gritou.
"Mas deve, você escolheu esse destino", a voz grave do diretor da Academia Shinigami permanecia serena.
"Não... Não posso causar tanto sofrimento aos humanos".
"Você deve cumprir seus deveres como ceifador. Não tem se esforçado e só está no segundo ano de servidão!"
"Não quero causar dor a ninguém...", o ruivo murmurou.
"Não reflita sobre seu trabalho, apenas o faça."
O Shinigami não tirava aquelas palavras da cabeça. Como aguentaria mais 998 anos humanos fazendo aquilo? Ceifar almas, separar pessoas de suas famílias para sempre e deixar os vivos sofrendo pelos entes queridos...
Mas o que mais o deixava angustiado era que ele havia escolhido esse destino. Há oito anos, Grell Sutcliff havia cometido suidicio e teve sua alma condenada. Deveria servir como ceifador por mil anos antes de poder descansar em paz.
– Alamdiçoado! — gritou, acusando-se — Culpado...
O choro aumentou, tornando-se uma sequência de gritos afiados, como se lâminas cortassem sua garganta por dentro. Agarrou os próprios cabelos, não conseguindo mais se controlar. Queria colocar toda sua angústia para fora, livrar-se do sentimento de culpa; culpa por não conseguir fazer algo bom para as pessoas. Durante toda a sua vida, só havia decepcionado sua família e amigos.
– Vai acordar alguém com esses berros. — uma voz conhecida pronunciou-se ao lado do shinigami, calma como sempre.
Grell assustou-se e limpou as lágrimas por baixo dos óculos. — O que você faz aqui, Will? — perguntou seco, apesar do apelido carinhoso.
– Eu te ouvi gritando, imaginei que estivesse em apuros. — ajeitou os óculos.
– Não estou, já pode ir embora.
– Você vai se queimar com essas lágrimas — William afastou uma mecha de cabelo das bochechas do ceifador, percebendo as marcas avermelhadas que as lagrimas deixavam nos rostos daqueles que choravam. Era uma especie de punição, por terem atrapalhado os planos da Morte ao cometerem suicídio; deveriam guardar para si a vida humana ou aguentar a dor ao se lembrarem — Por que está assim?
– Não te interessa.
– É o mesmo assunto daquela sua conversa com o diretor? Eu ouvi vocês, me desculpe.
O ruivo se calou, desviando o olhar e limpando mais lagrimas, tomando cuidado com as queimaduras.
– Por que se culpa? Você não está fazendo nada de errado. — William começou, pela primeira vez mudando o tom de sua voz, para algo como preocupação.
– Eu estou causando dor. — disse num fio de voz.
– A morte é inevitável, Sutcliff. Os humanos sabem disso tão bem quanto nós. Eles superam as perdas.
– Mas... e os finados?
– Acha que está fazendo mal em guiá-los a um lugar melhor? — William arqueou uma sobrancelha.
– Não tenho certeza se é tão bom assim...
– Para eles, qualquer coisa é melhor do que ficar entre a vida e a morte, suas energias se esgotam. — com o tom ameno, o moreno se aproximou, ajoelhando-se ao lado do outro Shinigami — Use como exemplo aquele senhor que você ajudou, semana passada. Como era o nome? Louis alguma coisa... Já faziam 15 anos que ele vivia com tuberculose, nunca sabendo se sobreviveria ao próximo inverno. Tenho certeza que ele agradeceu quando você chegou.
Grell lembrava-se desse senhor. Até o momento, não havia entendido o motivo do agradecimento.
"Você é um ceifador? Oh... estava te esperando. Obrigado, já estou pronto."
– Você não está fazendo nada de errado, Grell. — o moreno finalizava — Não está decepcionando ninguém.
Fez-se um momento de silêncio, o choro e os soluços já haviam parado. Nesse momento, tudo estava calmo e até as estrelas pararam de cantar no céu claro.
– Obrigado, Will. — o Shinigami vermelho pronunciou as palavras como uma oração, a mais calma de todas — Muito obrigado.
O moreno deu um sorriso, o maior que conseguiu, devido à falta de costume. Olhou para a lápide próxima a ambos e limpou-a, tirando a poeira e heras de cima dela.
– A propósito, Grell... — olhou-o nos olhos e aumentou um pouco o sorriso — Feliz aniversário.
Na lápide, estavam talhadas as palavras:
RIP
Grell Sutcliff
1700 — 1730
Notas finais
Espero que tenham gostado e não esqueçam de deixar um review me informando dos erros de digitação ou se algo não ficou claro. Eu corrijo na mesma hora!
Mandem só um "daora a fic" que eu já fico feliz ;3;
Miya~death~ m/
Fale com o autor