Suhad e o Faraó.

1 Capítulo 1: Suhad encontra o Faraó.


P.O.V. Suhad.

Depois de travada a guerra os gritos dos feridos empesteiam a cidade. O cheiro da carne queimada, as piras em chamas, o choro das viúvas.

Encontrei um soldado egípcio, ele está gravemente ferido. Sei que é errado ajudar um de nossos inimigos, mas ele é tão bonito, tão diferente dos homens Mitani.

Cuidei dos ferimentos dele e ele começou a despertar.

-Quem é você?

-Calma. Está seguro, eu sou Suhad.

-Onde estou?

-Ninguém vem aqui. Fique e se recupere, depois poderá voltar para casa.

-Tem um exército inteiro procurando por mim.

-Eu posso atravessar você sem que ninguém perceba.

-Como?

-Se recupere primeiro.

-Eu preciso voltar a Tebas.

-Precisa descansar.

-Vou fazer o que eu quiser.

-Vai fazer o que eu mandar! Agora, deite-se.

Ele se recuperou rapidamente e nós atravessamos o deserto pelo caminho secreto dos Mitani.

Assim que chegamos á Tebas eu soube que ele era o Faraó.

-Deus dos deuses. Ele ressurge.

-Meu amigo respira. Meu coração se alegra.

-Você é um traidor.

Ele enterrou a faca no abdome do rapaz.

-Kah! Não!

-Você pagará por isso.

-Eu sou o Faraó! Sou um deus encarnado!

-E quem é ela?

-Seu nome é Suhad e eu lhe devo minha vida.

-Olá.

-Ela é mitani!

-Sim. E é minha convidada.

-Mas...

-Se não fosse por ela eu estaria morto e este traidor seria Rei! Ela é minha e ninguém pode tocá-la!

-Eu vou-me embora. Não quero ser motivo de discussão.

-Pelo menos passe a noite. Para recobrar as forças.

-Se é o que o senhor deseja.

-Mais que tudo.

-Isso não vai ficar assim! Você que me aguarde vadia mitani.

P.O.V. Rei Tut.

Suhad é uma moça muito diferente de todas as outras que já conheci. Além de ser doce, gentil e inocente ela não se parece com nenhuma das mulheres egípcias.

Sua pele é clara como o leite, seus olhos são castanhos assim como seus cabelos. As egípcias tem cabelos negros e pele morena, todas elas.

-Venha comigo.

Levei-a até o meu quarto.

-Esse é o meu quarto?

-E o meu.

-O que? Não. Eu não sou assim.

-O que isso quer dizer?

-Não vou me entregar para um homem que eu não ame e que não seja meu marido.

-Não se preocupe. Não vou força-la a nada.

-Se colocar a mão em mim, eu a corto fora.

Disse ela mostrando a faca escondida em seu tornozelo.

-Você... acaba de me... ameaçar?

-É. Não é nada, pessoal.

Eu ri. Ela com certeza não era como as outras.

Ela me tratava como se eu fosse um plebeu qualquer.

-Você é a pessoa mais diferente que já conheci.

-Ouço isso bastante.

-Vou chamar uma criada para te ajudar a se banhar.

-Obrigado, mas não será necessário. Sei me virar sozinha e gosto de privacidade.

Mais uma vez caí na gargalhada. Ela simplesmente me ignorou e preparou o próprio banho.

Quando ela saiu fez uma observação muito inteligente.

-Eu não tenho o que vestir.

-Posso dar um jeito nisso.

-Aqui. Vista.

-Isso é seda de verdade?

-Claro que é. Eu sou o Faraó do Egito.

-Então tá.

Ela se trancou no banheiro e quando saiu vestia a camisola.

-É tão macia que é até estranho.

-Vamos dormir?

-Tá bem.

Quando acordei ela estava sentada em frente ao espelho da penteadeira contando bem baixinho e passando a escova no cabelo.

-E cem. Finalmente acabei.

-Porque contas até cem?

-Oh! Eu acordei você?

-Não. Acordei sozinho. Que horas são?

-Umas seis da manhã. Porque?

-Seis da manhã?

-Sim.

-Volte a dormir.

-Não consigo. Estou indo embora.

-Embora?

-Sim. Eu o trouxe de volta em segurança, minha missão está cumprida.

-E se eu dissesse que quero casar-me com você?

-Eu diria que está louco.

-Louco por você. Quando te vi pela primeira vez, algo mudou dentro de mim. Você roubou meu coração.

Ela deixou a escova cair no chão e ficou de boca aberta.

-Você deve estar meio louco. Ainda precisa de ajuda médica.

-Não preciso de médico. Preciso de você!