Cap.1 – “My new neighbor”

-Posso levar?-eu disse, levantando do sofá, me oferecendo pra levar a bandeija de café e biscoitos pra cozinha, enquanto Donna, “ele” e minha mãe ficavam, sentados na sala, conversando.

Minha mãe sorriu pacificamente. Ela adora quando sou gentil na frente dos outros. Principalmente, quando são novos vizinhos.

**Principalmente quando são vizinhos como Gerard, perfeitos, com seus...**

Eu tinha que parar de pensar nele.

Não sei porquê, mas acho que ele me fazia doente. O pior de tudo nem era isso.

O pior de tudo é que ele me fazia achar que o deixava doente também...

Quando me levantei, com a bandeija na mão, olhei pra ele.

Estava dando mais um daqueles sorrisinhos, na visão de minha mãe, provavelmente simpáticos, na minha visão, deliciosos, diria até, maliciosos...

Ou pelo menos, era o que parecia.

Talvez eu fosse um idiota de pensar que Gerard me daria bola. Eu era um menino magro, os cabelos penteados pro lado, jogados nos olhos, para as pessoas ao meu redor, delicado. A única coisa que me fazia parecer menos “mariquinha” era o piercing na boca.

Eu me sentia patético quando estava perto dele.

Quando me dei conta, estava petrficado por aquele sorriso, olhando sua boca, ficou até estranha a cena...

Percebi que minha mãe havia ficado envergonhada, Donna, estava estranhando também, pela sua expressão.

Já Gerard, parecia estar adorando aquele momento, pois abrira um sorriso ainda maior, os lábios cada vez mais...Sim. Com certeza, ele adorava quando eu me sentia tão estúpido, tão envergonhando, por achar ele tão perfeito, tão...

-E-eu... — não conseguia pensar em nada pra dizer quando me vi naquela cena embaraçosa. – E-eu... -olhei pra minha mãe. Ela nem sequer virou o olhar pra mim. Quando ela fazia isso, eu sabia que estava por vir alguma coisa... ela provavelmente me mataria depois que as visitas fossem embora. –C-com licença... – foi a única coisa que me veio à cabeça e me retirei rápido, para a cozinha.

Ao entrar pela porta, tentei ouvir o que se passava na sala. Será que minha mãe teria se livrado daquela sensação...?...ela se envergonhava de mim... no fundo, eu sabia disso...

Fiquei realmente aliviado ao ver que Donna começara rápido um assunto. Mas temia ao pensar que talvez, ela tivesse descoberto o que se passava...

Eu não sabia se depois de deixar a bandeija na cozinha, deveria voltar ou não para a sala. Pensei, em dúvida, por um tempo.

Eu estava decidido a não ir, quando ouvi a risada dele...